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Se tem uma coisa que eu não suporto é ler uma matéria num jornal e ver esses péssimos profissionais citando sempre as mesmas fontes, sem procurar entender do que estão falando.
Toda santa semana leio uma matéria falando sobre o álbum novo do Devendra, citando sua influência do freak folk e comparando com seus outros trabalhos, outros artistas e blablablá. Juntei um pouquinho de paciência pra ler a crítica que o NY Times fez de seu último álbum, “Mala” e, é claro, que eles falaram o que venho ouvindo há semanas.
Mas eles me surpreenderam com essa matéria: eles EXPLICARAM algumas coisinhas que ninguém procura saber. Eles falaram da maturidade pela qual os artistas considerados freak folks vem passando e porque suas músicas mudaram e ainda são enquadrados nessa categoria (porque, eu, particularmente, nunca entendi muito bem).
NY Times cita Dan Reed, um fodão da cena musical da Philadelphia e ele diz:
“Devendra will always be a freak, and his version of conventional music is still extremely unconventional,” he said, but “the new album is less claustrophobic than his other stuff. It’s more accessible.”
Tá ai o que eu nunca entendi nas tantas matérias que leio. Sempre achei que os jornalistas eram muito preguiçosos pra procurar novas fontes e preferiam ignorar o fato do Devendra, Grizzly Bear e tantos outros não fazerem mais músicas freak folk. Mas, na verdade, eu tava enganada. É que as músicas pop, ou mainstream, estão ficando tão malucas ultimamente que o próprio freak folk, que sempre foi uma espécie de corrente musical de contra-cultura, está ficando mais normal.
“ the normalization of freak folk feels like a reaction to the far stranger pop culture world around it. “It’s harder to be a freak these days,” Mr. Reed said.”
Obrigada, New York Times.
Já tinha me encantado com os novos trabalhos do Devendra Banhart antes mesmo de ter ouvido todas as músicas do álbum. Me derreti toda ouvindo o novo inteiro, cheio de musiquinhas calmas trazem uma tranquilidade no coração (Daniel, Never Seen Such Good Things), enquanto nos remete ao início de sua carreira, quando tinha muita coisa experimental (a baladinha de Your Fine Petting Duck) e muito violão (The Ballad of Keenan Milton, Gain) em seu trabalho. Não sei se fico muito feliz por ver uma retomada do antigo e cru Devendra ou se fico um pouco chateada porque queria ver mais novidade no estilo desse artista sensacional. Só sei que o álbum já entrou pra minha lista de melhores do ano :)
Acabei de descobrir que em 2005 Devendra Banhart fez uma parceria com essa banda-de-um-homem-só chamada Xiu Xiu. A Wikipedia descreve a banda como uma mistura de gêneros, incluindo “post-punk, synth pop dos anos 80, noise, ambient, techno, a música percussiva asiático, música clássica moderna e música folclórica.” De lá pra cá cada um fez cover um do outro, e é bacana ver uma mesma música sobre a estética de uma pessoa com origens musicais completamente diferentes. Essa ai é o cover que o Devendra fez de uma música do Xiu Xiu (que na minha opinião ficou melhor ainda, embora a versão original seja muito mais impactante). Vivendo e descobrindo ;)
Ele havia buscado no homem e na natureza, não encontrou, e vejam só! Estava em seu próprio coração!
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