----

Posts

May 29, 03:08 PM
Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
Eu soubesse repor
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!
May 24, 07:09 PM
E minhas próprias coisas eram tão más e tristes, como o dia em que nasci. A única diferença era que agora eu podia beber de vez em quando, apesar de nunca ser o suficiente. A bebida era a única coisa que não deixava o homem ficar se sentindo atordoado e inútil o tempo todo. Tudo mais te pinicando, te ferindo, despedaçando. E nada era interessante, nada. As pessoas eram limitadas e cuidadosas, todas iguais. E eu teria que viver com esses putos pelo resto de minha vida, pensava. Deus, eles todos tinham cus, e órgãos sexuais e suas bocas e seus sovacos. Eles cagavam e tagarelavam e eram tão inertes quanto bosta de cavalo. As garotas pareciam boas à distancia, o sol provocando transparências em seus vestidos, refletido em seus cabelos. Mas chegue perto e escute o que elas tem na cabeça sendo vomitado pelas suas bocas. Você ficava com vontade de cavar um buraco sobre um morro e ficar escondido com uma metralhadora. Certamente eu nunca seria capaz de ser feliz, de me casar, nunca poderia ter filhos. Mas que diabo, eu nem conseguia um emprego de lavador de pratos.

Talvez eu pudesse ser um ladrão de bancos. Alguma porra. Alguma coisa flamejante, com fogo. Você só tinha direito a uma tentativa. Por que ser um limpador de vidraças?

Charles Bukowski
May 08, 09:57 PM

Eu quero essa solidão que você me trouxe

September 02, 07:08 PM

eu tenho a sensação de que tudo está se perdendo atrás do oceano

September 26, 09:31 PM

Nada sou e nada serei e não me enquadro em nada em que eu devia enquadrar. E quando eu penso que vai dar certo, é aí que tenho que pensar em que não irá. Pois nada sou e nada serei.

E se eu bato em um mesmo ponto já calejado, é porque não mudei. Pois nada sou e nada serei.

E se eu procuro atenção é porque eu preciso, certamente, agora mais do que nunca precisei. Pois nunca como agora precisei.

Será que devo me perdoar por tanto falhar?

Pois mais do que nunca preciso do que procuro. Mas falhei.

Não há lar para um corpo em que não cabe em nenhum assento.

E quando penso que encontrei, é quando não encontrei. E, quando teimo, tremo meus olhos de fronte a uma tela iluminada, é que fraquejo. Queria tanto dizer o quanto eles já lacrimejaram por você em silêncio. De uma forma que você nunca verá. Até minha boca chegar de fronte a sua. E cada palavra que eu diga me faça despertar em um cômodo sem luz alguma, pois estou lá sem voz nenhuma, me recordando do vazio que trespassa meu peito e de uma voz em minha cabeça (já calejada) que insiste em martelar:

Um tal de nada sou nada serei...

January 01, 01:36 PM

A tristeza está semi-nua, vestindo qualquer shorts na praia, sentindo que o mar recua e que a areia afunda.

July 26, 02:01 AM

Posso dizer que a chuva entrou doída em meus ouvidos, cansado como estava, a dor era inevitável. Encharquei totalmente. Aquele dia um milhão de flechas flamejantes atravessaram meu coração. Hoje, frio que me dói o corpo, estou nu na chuva. Pedaço podre de corpo sangrando pelos ouvidos. Ensurdeço. H. J. disse uma vez para eu não esperar em mesmo lugar, mas o que eu poderia fazer? Me disse também o que poderia acontecer a mim, eu fui avisado. F. P. já não me foi muito clara, só me disse boa noite. Então eu não sabia muito bem o que sentir, nem o que pensar. Eu não sabia nada, ainda não sei, não entendo nada de nenhuma teoria. Parece que a chuva parou. Ou está em outro lugar. Quando eu via aquela seringa furar sua pele eu me assustava, por que joga em minha cara onde eu sou fraco? Por que não aceita minha fraqueza? Vi muitos monstros durante o meu sono, acordava assustado durante algum sonho, ofegante suava e tentava fazer algo. Nunca vou me esquecer. Tudo parece como essa chuva que vem do nada e some, some, some. Mas deixa meu ouvido sangrar e dois dedos de uma bebida qualquer.

July 15, 05:05 PM

De manhã
eu me apago junto às estrelas
De noite
eu me vou junto ao sol

Sou uma luz
a piscar em slowmo
sem poder parar

Mas tão distante sou
que adiante
me confundem
com um vagalume
a pairar do céu
para onde estou

August 22, 09:31 PM

Não cativei ninguém, não sei se isso quer dizer que não sou um sequestrador ou qualquer coisa do tipo. Mas acho que estou em um cativeiro. E eu não gosto nem um pouco de quem me cativou: a Vida.

Ela é relutante e distraída, sempre me esquece. Mas me sinto na obrigação de estar aqui, parece que Ela se divide no que acontece, no que aconteceu e no que acontecerá. Ela me deixa tão curioso, porém tão frustrado ao mesmo tempo.

Ela um dia me apareceu vestida de negro, até hoje não sei se era realmente Ela. Fora em um dia de desespero, Ela era tão viva e intensa e parecia me querer tanto. Mas quando se aproximou senti um frio imenso.

Depois disso o único frio que sinto é aqui dentro, enquanto tá calor lá fora. A Vida mal me conhece e não parece querer conhecer. A Vida me cativou, mas ela não se tornou responsável por mim. A Vida não tem cor.

June 27, 08:52 AM

Dorme cedo.
Acorda cedo.
Não chore.
Não se iluda.
Sua dor não vai ser escutada.
Não tome remédios.
Não se deprima.

Você é tudo
em sua vida.

Já é hora de ser alguém.
Já é hora de ser alguém.
Já é hora de ser alguém.
Já é tarde nesse céu,
nessa noite.
Já é noite nesse céu,
nessa dor.

Suavemente,
em equilíbrio divino
nasce um novo anjo,
em berço excêntrico
com suas asas a florir
uma nova manhã.

Aqui é a terra de ninguém,
de todos e mais alguém.

Já temos o oceano,
a vida, a agonia,
o infinito espaço...
e assim nasce um novo dia.

Fecha os olhos com a imensidão
para nunca mais os abrir.

June 26, 10:02 PM

Achei seu coração, cheio de furos, no chão do ônibus. Se for seu, entre em contato, por favor.

June 26, 06:27 PM

você rasgou ao meio meu livro de auto-ajuda, agora ando por aí em confusão escura

June 21, 03:18 AM

Meus olhos ardem e a espera é longa. O lençol fede a cigarro, deve ser esse meu corpo podre. Eu espero deitado, mas estou acordado. Quando chegará? Eu espero deitado, mas estou acordado. Você não virá. Minh'alma é uma arma e ela está pronta a disparar. De flashes em flashes, a disparar. De vida à alma, se separar. Minh'alma está desligada, sem foco e mais nada, e o cigarro queima em minha testa e perfura meu crânio e esvai... não fumo, meu bem. Leva-me, não me deixa aqui em meio a essas grades. Leva-me em seu voo, estou aqui à espera para flutuar. Mas se os ares mudarem e te guiarem para outro caminho, nada posso fazer, o que eu apenas posso dizer é: adeus e siga os ventos que te conduzam ao sul.

June 22, 11:40 PM
A noite me traz a sua escura solidão, desgastada em céu profundo, sem nuvens. E quando dorme depois da tortura alucinante, vem um novo calmo dia e a sua rotina. E nada impede de fazer tudo, pois o sol, dizem, é grande e te acompanha pelo dia. Mas logo chega a noite e a solidão, a falta de um amor intenso. Então, desgastado é o meu ser em pensamentos, em sonhos e imaginações, criações de futuros submersos em felicidade, mas logo vem um novo dia e o sol acompanha o céu e ilumina, e segue-se a rotina. A lua chega antes, antes de ficar escuro e ela está lá prenunciando o desalento fim. E surge em minha mente pensamentos, tristes pensamentos e me deito mais cedo. E no novo dia acordo antes do sol e me abstenho a esperá-lo pela janela. E é nessa hora que a vejo pela primeira vez, antes do pôr-do-sol, ela anda com as mãos no bolso nessa manhã fria, seu rosto corado, seu cabelo curto, seu jeito de andar... tudo isso me deixa sem ar. Mas ela passa, não me acompanha durante o dia como o sol me acompanha, ela some por entre caminho verde e de mistério. Assim surge o sol, em manhã sóbria e silenciosa, calma e duradoura.
May 23, 09:38 PM

nada, inexistente; um amontoado de circunstâncias que nunca acontecem, que se repelem do ponto referencial.
Em resumo: vida: inalcançável.

May 10, 04:52 PM
Eu amo, Pavel, eu amo imensamente; eu não sei se posso ser amado como gostaria de sê-lo, mas não desespero; eu sei pelo menos que se tem muita simpatia por mim; eu devo e quero merecer o amor daquela que amo, amando-a religiosamente, quer dizer, ativamente; - ela está submetida à mais terrível e à mais infame escravidão; - e devo libertá-la combatendo seus opressores e acendendo em seu coração o sentimento de sua própria dignidade, suscitando nela o amor e a necessidade da liberdade, os instintos da revolta e da independência, lembrando a ela o sentimento de sua força e de seus direitos. Amar é querer a liberdade, a completa independência do outro, o primeiro ato do verdadeiro amor, é a emancipação completa do objeto que se ama; não se pode verdadeiramente amar senão a um ser perfeitamente livre, independente não somente de todos os outros, mas mesmo e sobretudo daquele pelo qual é amado e que ele próprio ama. Eis minha profissão de fé política, social e religiosa, eis o sentido Intimo, não somente de minhas ações e de minhas tendências políticas, mas também, tanto quanto eu possa, o de minha existência particular e individual, pois o tempo em que estes dois tipos de ação podiam ser separados já está bem longe de nós; agora o homem quer a liberdade em todas as acepções e aplicações desta palavra, ou então ele não a quer absolutamente. Querer, amando, a dependência daquele a quem se ama, é amar uma coisa e não um ser humano, pois este só se distingue da coisa pela liberdade; e também se o amor implicasse a dependência, ele seria a coisa mais perigosa e a mais infame do mundo porque criaria uma fonte inesgotável de escravidão e de degradação para a humanidade. Tudo que emancipa os homens, tudo que, fazendo-os entrar neles mesmos, suscita o princípio de suas próprias vidas, de uma atividade original e realmente independente, tudo que lhes dá a força de serem eles próprios, - é verdadeiro; todo o resto é falso, liberticida, absurdo. Emancipar o homem, eis a única influência legítima e benfeitora. Abaixo todos os dogmas religiosos e filosóficos, eles nada mais são do que mentiras; a verdade não é uma teoria, mas um fato; a vida é a comunidade de homens livres e independentes - é a santa unidade do amor brotando das profundezas misteriosas e infinitas da liberdade individual.

(BAKUNIN, Mikhail. Bakunin por Bakunin)


Parece-me tudo tão vazio, em meio ao fundo branco, acontece de novo. Ao longe me vejo, não estou em meu corpo. Eu voo, eu voo, além do que posso entender em turbilhão de dissonâncias, em amor profundo e drone. Alto vou, quase insone. E ultrapasso o branco-ego. Livre vejo e falo, ouço e sinto. Sou eu, volto a mim, verdade e libre.
May 09, 01:19 PM

Amei-a da distância, da livre estância, como um observador ama um pássaro que voa longe, mas que em seu mais íntimo emite e espera que esse se aproxime.

May 09, 12:57 AM

Indiferentes são
as idéias previstas,
as ideologias, que
vivem em épocas não-atuais
da minha, vestidas
de sangue e batalha,
fervor que não ampara.
Não me atrai
os falsos revolucionários.
De braços dados
amputados em dores,
que vão e voltam
falsos clamores
em vão a simulacra
revolta.

May 09, 10:43 AM

Sinto a falta.
Sinto o nada.
Sinto o enxame.
A falta, a vergonha,
o vexame.
O nada por parte,
existe em tempo-distância,
espaço-circunstância.
Esquecido no hemisfério cerebral,
região memorial.
Traz saudade
do que nunca tive
e imagino aonde você esteve,
meu coração drenou
o sangue e palpitou.
Mas invisível é aquele
que nada adianta
ser algo.
E a memória falha
e só desatina a tristeza,
ó tristeza, por que não
se torna nada?

May 02, 12:28 AM

Da misantropia exacerbada
inicio minha vida.
E termino em pequeno
caminho desprovido
de luz e sigo.
Não faço parte disso
e desisto de encontrar
a semi-parte concêntrica
do escuro céu celeste
que permeia os olhos, todos teus,
invisíveis, nunca existentes.

March 14, 10:23 AM

Da distância vejo o início, irrealizável início. Será se me tranco ou me elevo? Em total desarmonia com meu eu, vejo o início, inalcançável início. Pago o preço de um isolamento prévio? Quero buscar, ir atrás, me envolver nos braços do começo. Do verme que fui ao esconder na terra, agora posso comer o alface que saíste desta e respirar o ar, mesmo que impuro, da resolução.

Na terra me escondi por ter medo da seqüência de fatos que poderiam se suceder. Da terra me alimentei e me prejudiquei, me intoxiquei e eliminei uma parte de mim. Da mudança quero tomar, na discórdia que enaltece todos os caminhos possíveis de acontecer, tomo uma direção e escolho um caminho e tento seguir.

Agora tenho o ar e não a compressão fóbica da terra. Agora que me sobram escolhas, sem angústias, com precedência vejo ao longe através do invisível e da fácil compreensão do ar, que antes a liberdade terrena me soterrava com seus grãos, onde me esmagavam e não me deixavam enxergar, o caminho. Existo e me direciono para agora o compreensível.

Tão leve fica através da existência agora vivida, mudar sua essência e encontrar algo para qual se direcionar e não se calar.

April 20, 04:32 PM

E naquele dia imaginei minha face esfolar na parede descontrolada por onde o trem passava e pelo qual estava protegido pelo vidro e alguns centímetros de distância. A velocidade e o som me impeliam a aproximar e sentir a face desgrudar, a pele se desfazer, o sangue espirrar e a dor sumir. A falsa proteção dos trilhos e toda bobagem da não-aproximação até chegar ao fim do concreto erguido e um túnel gigantesco com trilho por todos lados me trazer o vazio.

Estou de pé e o som assustador se aproxima, abafa tudo ao redor. Enquanto o som aumenta denunciando sua aproximação me vejo pisando na faixa amarela, olho para frente. E quando o som desaparece, percebo o ataque sorrateiro. De repente, uma sucessão de metais e vidros passam pela minha visão. Abrem-se as portas, eu entro.

Olho pela janela o reflexo de todos a minha esquerda. Se olho para fora, vejo dentro. Se fecho os olhos o que está fora insiste em aparecer. Abrem-se as portas, eu saio.

Pego os trens na mão. Se eu descarrilho, o sangue espatifa. Se desmaterializo na outra estação, teletransporte. Tudo tende à destruição, se caracterizando pelo uso com objetivo para um fim ou para um meio.

E por fim, questiono assim, um clichê esperado: o objetivo que eu procuro justifica as dores que sinto e faço sentirem os outros no intermeio de toda essa ação? Eu mesmo responderei não, e digo mais, o meu sangue se misturaria com o dos outros e essa mancha seria permanente.

April 09, 11:35 PM

tava pensando em escrever de outra forma em outro blog

March 29, 03:14 PM

desilusão
distância
depressão

February 24, 01:19 AM

De alguma forma parece que tudo se ordena depois do caos. E estabiliza e não sei. Mas faz bem, quando explode a bomba e queima tudo, arde todo o corpo e as costelas. E depois continua queimando até se acalmar e sumir toda dor. E toda aquela leveza e ausência de massa, de matéria, de corpo vem e fica.

Nada mais asfixia, é uma beleza como se sente depois do caos. A tristeza é normal, mas é tão leve, ínfima, quase-inexistente, microscópica, quarkiniana e a vida passa, tudo se vai, e esvai e some. Então os olhos fecham e formam dois arcos e um sorriso na boca outro arco, os dentes pouco aparecem, mas essa sensação é tão boa. Uma emoção única de que tudo ficou e se queimou, se foi e esterilizou em chamas.

Então bebe a água fervendo que desce e queima tudo dentro.

Eu sonho muito e vejo tudo escrito a tinta no papel amontoado em uma sala e cuspo o fogo. Chamusca os papéis e queima, sobra cinzas e pequenas partes irreconhecíveis. Sobra a leveza, uma vida existência reconhecidamente leve. Como é bom, tudo isso, a falta de tudo.

Photos

Favorites

Reading

Read

To Read

Posts

Audio

Posts

Noite

Alguns poucos
Pensamentos
Lá fora
Ainda muitas vontades

A falta

Eu não tenho o sorriso
Nem as mãos
Nem a ternura
Não sou, mesmo, para você
Sou para meus caprichos
Para mim, para meu aborrecimento
Mas é seu sorriso
São suas mãos, sua ternura
E no fim é tudo isso
É você
E eu, em algum lugar
Sem você

O que é poesia?

Poesia é o que ainda não encontrei em minha vida.

Simple girl
alone, but happy

Você

Eu precisava falar sobre alguma coisa

Eu precisava falar com você

sobre você

além de você

mas eu continuei sem falar sobre nada

Setembro

Me quedo pensando em que tornei:
frágeis lembranças. Às vezes.
Outras, acho que sonhos.

Sou um guerreiro tão forte que me lanço
de lança na mão. Em frente, sempre.
Esse momento é tão real que enfrento
sem medo, sem tempo, apenas a vontade.

Estrelas estão no teto, como estão no chão.
Já na cama um corpo estendido
e seus dedos ao ar, e o ar, tão corrente,
da janela aberta,
de través, sem perceber, vem
e chega até essas mudas mãos
que recorrem a me chamar.

Já pensei que minhas mãos poderiam ser calmantes… mas não há nenhum motivo para pensar dessa forma, porque essas minhas mãos nunca te alcançaram para saber se elas te acalmariam. Elas são embriagadas pela razão, você deveria saber muito bem. Sabe o que eu estou tentando dizer? Não? Eu tento te explicar essa batida tentativa de explicação: talvez algum dia eu consiga. Quero acreditar que exista alguma grande parede que impeça eu de te tocar, para que seja algo sólido que me aflija e não alguma outra coisa qualquer inexistente, não-visível aos olhos. E essa parede - você não sabe o quanto - quero trespassá-la.

I

A minha dor é pouca
com tão pouco posso sentir
deixado de lado um sentimento
que acostumado com isso
não se encontra mais jeito.

Será se dói tanto a mim
a dor que sente você?
Ou pereço de certa
mais intensa fraqueza
que pouca coisa me afasta?

Então você procurou
em minhas aflitas mãos
algo que te cobrisse
um apontamento, um fascínio
algum certo caminho.

Mas elas se fecham
com a aspereza anunciada
de uma dor viciada
que nunca vem sozinha
deparo-me com a paralisia.

O segundo em que eu disse que te amei foi precedido por milhões de minutos que passei e que pensei que poderia ser diferente ao dizer o que eu sentia por você, então você se passou e teve uma outra vez, fui mais tímido, faltou coragem, logo não pensei demais, fui direto, mas nada adiantou não pensar dessa vez, pois foi tudo igual, porém, a dor aumentou e aquelas pontadas no coração percebi que eram de rejeição não do sopro que eu fingia ter ou da asma que eu não respirava ou do pânico que eu não sentia ou dos escombros em que eu me levantava não do tempo que eu não perdia não da tristeza que eu não sentia não do jogo que eu não perdia não da velhice que nunca viria mas da vida que eu vivia cada minuto precioso de dor ou de felicidade de respirar ou inspirar de admirar ou não, assim, devagar, enquanto caminhava por entre o parapeito do prédio e o tampo do céu e os meus pés e seus cabelos triunfantes de estrelas repicavam meu rosto de luz e a minha calma que consistia em segurar entre meus dedos um pedaço de papel, pensava que a falta só poderia existir se algum dia houvesse a presença e nessa parte eu paro. Ouço Cat Power.

Terra Plana

Tento por meio
por enchente
e sub-consciente
me elevar o mais alto
mas sou terreno plano
desengano
falta de equilíbrio
desalinho
falta de ar
junto em fractais
esparsos assimétricos
distantes.

Tento por distância
equivalente
unir laços e sementes
que dissolvem
não nascem
se acumulam em terreno plano
gosma plasmada
indissolúvel
inconsistente.

Falho por meio
da minha saudade
negociar com o divino
o inexistente
a sua vinda
à minha terra
a sua parada o meu descanso
pisado por ti
em meu terreno plano.

A vida é dura
e cansativa
Que de tão demasiado que sou
pouco fico

Nos meus sonhos eu vou sozinho
pois deles só vivo eu
Nos dias de outono só eu que fico
pois ao vento todos se vão
Das estrelas que se apagam
outras um milhão hão de brilhar
Nas águas a fluir com calma
do rio dos meus olhos
meus sonhos, estrelas e dias
refletem minha vida
a se esgotar

Audio

ysgoncalves@gmail.com

abcdefghijklmnopqrstuvwxyz abcdefghijklmnopqrstuvwxyz