Olivetti blues.
O mais chegado sabe que, ao menos agora, não sou mais dado a grandes ambições. Em especial quando me penso abaixo do paralelo trinta: urbano ou rural, qualquer destino me parece imenso.
Isso para dizer que cada despedida, cada corrida de taxi em que a guria me acompanha da Cidade Baixa até o Salgado Filho me ocorre como momento decisivo. É quando o carro passa sob a placa que diz “Guaíba / Argentina / Uruguai” com uma seta indicativa. Toda vez.
Toda vez me parece estar prestes a sair, se eu não me segurar, um “Vira aqui” definitivo.
não vi Pearl Jam novamente e estou (de verdade) impressionado com a passividade com que lidei com a possibilidade de ver, desde que surgiu a notícia. [ou: La Possibilité d’une île — que também não li e estou (de verdade) impressionado com a passividade com que lidei com a possibilidade de ler, desde que soube da existência ao ler sobre disco do Iggy Pop inspirado por*.]
* não ouvi o disco do Iggy Pop inspirado por.
Foi lendo Angústia, de Graciliano Ramos, que entendi meu não saber o que dizer de Melancholia. O filme mostra e mostra mais, me bota observador. Não voyeur, não me bota ali vendo escondido. Empacota a coisa de um jeito doído e é uma dor que a curiosidade do escondido abafaria. Não é isso. Como observador, mas também não faz questão de esclarecer se observador bem-vindo, com alguma intimidade ou não. Porque pouco importa. Melancholia causa a mesma reação, o mesmo não saber o que fazer de uma versão ao vivo, o mesmo não saber se deve abraçar de um jeito meio agressivo a pessoa deprimida até que se consiga reduzir sua circulação nos braços ou meter logo uns tabefes inesperados na pessoa ansiosa, não saber esse que ainda me parece independer da intimidade ou do convite. Talvez isso que me emudeceu sobre o filme, esse esforço em decidir o que fazer depois de visto (o filme, o episódio de crise), essa inércia forçada. Impotência, não saber por onde começar a agir ao mesmo tempo em que agir parece urgente.
Angústia não. É pessoal, é de dentro, e chega a ajudar a entender. Ler Luís da Silva se projetando ao passado faminto de quinze anos antes, sofrendo com a diluição das paredes, toda uma série de delírios que amplificam tudo ao insuportável. O desespero palpável do personagem tentando se tranquilizar e esse mesmo esforço sendo talvez ainda mais exasperador que tudo o que lhe tira a tranquilidade. Primeira pessoa. As recorrências e os retornos, que te fazem sem perceber estar caçando ali desde as primeiras páginas do livro o momento anterior. Lê-se meio livro e ainda não se venceu as primeiras palavras. “Levantei-me há cerca de trinta dias, mas julgo que ainda não me restabeleci completamente.”
Arrisco dizer que esse é um ponto em que claramente o livro vence o filme, se é que é válido o embate. Assim como sujeito se levantara havia cerca de trinta dias, o planeta também atinge a Terra no início do filme. Enquanto a abertura dramática do filme ao som de Wagner cumpre a função de apresentar os personagens, seu estado emocional no fim do mundo, no livro — e digo isso do meio da leitura, de modo que posso estar falando alguma bobagem —, fica clara a continuidade a partir da informação inicial, dando conta de que o sujeito levantou-se. Luís da Silva foi atingido por um planeta e tem que cuidar de seguir adiante, cambaleando e tropeçando nos móveis. Para Justine, o fim inevitável vem como alívio libertador e curativo. Isso e a capacidade que talvez tenha adquirido de lidar com o trágico, com o fim. Mas é fim. Chocam-se os planetas e Justine não terá que lidar com mais nada, solução mágica, Deus ex machina, ganhar na loto, suicide by cop.
A heroína do filme é Justine, que, por ter passado pela depressão, como disse Vladimir Safatle em seu artigo na FSP, “é a única que sabe como terminar, como se portar diante do fim do mundo.” Luís da Silva segue, a caminho da repartição, lesando, pensando em defuntos. Se há alguma conclusão a que posso chegar sobre Melancholia, acredito que essa, por ora.
“Todos os dias engrosso a lista de coisas sobre as quais não falo”
Chamfort
A guria diz que não, que não tem isso de entender melhor ou mais completamente. Às vezes (é raro) ela diz coisas mais elaboradas sobre significação etc. É claro que não tem. Pouco importa. Putamerda como eu queria, nem que apenas uma vez por semana, entender como ela.
Dessa vez foi o Melancholia, filme novo do Lars Von Trier. Passado pouco mais de um dia, não sei dizer o que entendi. Tem um monte de coisas que sinto que percebi, sobre as quais não me sinto capaz de falar. Todos os dias engrosso a lista de coisas sobre as quais não falo.
Fiz com ela um acordo. Ou achei que fiz, não me lembro. Não direi o que acho das coisas a menos que bang-bang-superprodução-blockbuster e equivalentes. Ou talvez até comente, mas será deslize e não deve ser levado a sério. Não me vejo exatamente capaz de comentar muito além de quão mais bem feita é uma explosão, comparando um filme com outro, sem me meter a relações outras que não com qualquer outra bobagem imbecilizada que eu tenha consumido. Não me sinto capaz de dizer algo não-óbvio — ou pior, não me sinto capaz de dizer absolutamente qualquer coisa, ainda que óbvia, sobre algo não-óbvio.
Acordei tarde e tomei um café da manhã com a tia, que almoçava. Durante a refeição heterodoxa, fui perguntado sobre a tal social media e me senti importante, tendo inclusive aplicado leve forçação de barra num tímido esforço de venda pra ver se tirava uns caraminguás a mais na agência. Quando o assunto ficou no jeito de recitar o lero-lero que circunda os diferenciais do social enquanto mídia, apliquei um glorioso Luiz Antonio Galebe e mandei ver no argumento, interrompido apenas para um mepassosal e dois nãoquersalada.
Rumei para a Cultura do Conjunto Nacional, buscar livro que encomendara e depois vim a descobrir que não existia mais no mercado livreiro. Sem saber, peguei um dos últimos disponíveis. Tinha marcado com um comparsa de ver o pouco que sobrou do Buena Vista Social Club e o SMS já apitava impaciente desde horas antes, quando recebido, alertando a iminência do acontecimento com cinco horas de antecedência e resumindo planos sobre como e quando. Precisava obter o livro antes, sabia que seria oprimido pelas estantes e gastaria a uma hora mínima browseando ali, então evitei responder muito além de “estarei lá.”
Livro pego e pago, tomei um café mais breve do que deveria com um casal de amigos que estava nas redondezas, durante o qual foram discutidos assuntos diversos, o mais peculiar deles tendo sido o futuro do bem-casado. Descobri que a receita só permite que sejam feitos cerca de vinte docinhos por batedeira, sendo esse o gargalo da produção e Fernanda seria capaz de produzir muitos mais caso tivesse uma boa meia-dúzia do maquinário. Parece também que o preparo envolve um bom passeio enquanto a massa toma jeito na geladeira, então Fernanda praticaria rolês com o amigo Gustalves mais tranqüila de ter menos saborosos a fazer na volta, num cenário em que a escassez de batedeiras fosse um problema menor. Descobri também haver maneira de fazê-los que não envolve cortar a massa, fazendo assim com que os benditos fiquem mais cheios de graça. Não me lembro a técnica por ter sido abordada muito por alto e nem estou bem certo se entendi direito a parte de não envolver o corte, portanto me ignore o comentário. Apitou um SMS avisando a localização inexata do comparsa e sua guria — um bar na General Osório —, a atividade sendo executada nas imediações — uma roda de samba — e a cor das paredes externas — amarelas. Informações essas acompanhadas de um bom imperativo — VEM!.
Tomei um táxi com cheiro de madeira e motorista que ostentava quepe com os dizeres Chauffeur de alguma coisa que não consegui ler pelo retrovisor. Quando atingimos a Rio Branco, o chauffeur disse “Aqui é O Fim”, causando pequena comoção rapidamente eliminada com uma consulta ao mapa no celular, onde verifiquei estar apenas alguns passos distante de onde deveria estar, sendo o fim apenas conta das ruas estarem todas fechadas e só se poder passar a pé.
No breve caminho, um hobo — nicho da mendicagem paulistana cheio de estilo que usa poncho — me pediu um cigarro. Dei logo dois, ao que fui reverenciado como grande truta. Aconteceu também de outro SMS apitar, informando estarem eles agora embaixo do relógio, na frente da câmera. Por conta disso parei um marronzinho — denominação paulistana para os funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego — e perguntei do que se tratava “o relógio” e se existia mesmo uma câmera. Tendo ele confirmado tudo, pedi instruções do caminho até lá e as segui minuciosamente (“Só ir reto que você vai ver”).
Ao chegar fui confrontado com um problema imenso: tinha muito mais gente ali. Previsava dar jeito de localizar o casal, de modo que subi num gelo bahiano (ou seria baiano?) e mandei SMS para o comparsa solicitando o levantamento e sacudir dos braços de forma frenética. Na ausência de resposta, tentei atravessar a multidão a fim de chegar mais perto da câmera. No caminho ouvi toda sorte de impropérios, como é natural a quem tenta atravessar qualquer aglomeração, seja para se aproximar, para se afastar ou para se deslocar lateralmente a qualquer que seja a coisa à frente dela. Cheguei na câmera e não havia comparsa algum. Deixei a esperança ir embora sozinha enquanto me preparava para arriscar um caminho de volta para onde havia ar. Sociofobia, sacomé.
Andei até o que achava ser a metade do caminho de volta e fiquei preso, não dava mais. Se eu tentasse qualquer movimento, provavelmente alguém na borda da multidão cairia e seria pisoteada. Quiçá a borda toda, caindo fileira a fileira até que não sobrasse mais ninguém. Querendo evitar a tragédia, fiquei parado ali mesmo e guardei o sofrimento só pra mim. Me sentia o próprio Atlas. Em dado momento um gordo apareceu querendo muito sair dali, seu semblante de frustração me fez pensar que ele tinha constatado o mesmo que eu, que ele estava certo de que sua caminhada acabaria matando gente demais pra valer a pena. Mesmo assim ele andou. Talvez fosse mais egoísta que eu, talvez meu olhar esperançoso lhe tenha conferido alguma dose de confiança. Jamais saberei.
O gordo começou a andar e quando passou por mim, entrei no vácuo — aquele mesmo que os motociclistas aproveitam em estradas, quando atrás de um caminhão que segue na mó vula. Há de se amar os gordos querendo muito sair de multidões. Eles abrem bom espaço e dá até para você acender um cigarro ou espreguiçar-se enquanto os segue. Acabou que em algum ponto do caminho o gordo fez uma curva brusca para a esquerda e, como mágica, ao sair da minha frente expôs o comparsa e sua guria, ainda inédita para mim, por isso me apresentei primeiro e depois saudei o amigo como se ele fosse o penúltimo homem do mundo. Findado o abraço, ainda estavam lá os outros homens e mulheres todos, então era melhor que eu arrumasse um lugar em que coubesse.
Barbarito mandou benzasso e gostamos do show, o que não nos impediu de sentir falta de La Bayamesa. Fomos buscar uma cerveja no bar na General Osório, o amarelo com roda de samba, e quase ficamos, mas havia ainda outra combinação e tomamos o rumo da casa do índio.
No caminho discutimos coisas muitas, dentre as quais destaco a história do Silva. O Silva, apesar de ter sido apenas mais um entre muitos cuja estrela não brilhava, tinha a canção de funk feita em sua homenagem sendo tocada, no vagão em que estávamos, por um sanfoneiro. Foi preciso um bom esforço pra remover o earworm ao sair do transporte.
Índio queria comer japonesa, mas o comparsa temia as iguarias, então decidimos nos empapuçar com o excelentíssimo Oswaldo Aranha do Pirajá. Não sem antes longa e detalhada argumentação minha em prol da bisteca saurina servida no Sujinho, prato esse que era assunto na troca de mensagens desde a noite anterior. Conheci também Najláhijas — não sei escrever nem pronunciar seu nome ainda, mas garanto que é belo nome e em nada parecido com a injustiça que cometi ali —, sobre quem contarei mais adiante.
Durante a caminhada até o recinto, contei de como aquele trecho sempre fora para mim uma grande dungeon e que seria bom vencê-lo sob a luz da sobriedade para memorizar o caminho. Falou-se também de séries e da difícil tarefa de batizar o carro novo do comparsa. Arriscou-se um nome, mas não colou muito por conta da linha criativa adotada, uma mistura das letras contidas na placa do veículo com o grande seriado do momento, Treme, que conta muito do que importa saber enquanto mostra uma New Orleans três meses depois do desastre todo. Grande série. Reclamou-se também de como sempre que se quer atravessar uma avenida de forma transgressora (fora da faixa) há algum carro vindo devagar, gerando tensão capaz estragar tudo ou minar a elegância do ato exigindo uma corridinha. Notei que o carro em questão era conduzido por uma mulher balzaca que arriscava besuntar os lábios de batom enquanto em trânsito. Lembrei que quando eu dirigia, nem música podia haver. Congratulei a dona em pensamento, ninguém mais pareceu notar.
Os garçons paulistas do Pirajá, uma ode cara em demasia ao boteco carioca, representaram muito bem o característico desprezo pela praticidade dos garçons homenageados ao tentar espremer a nós cinco em uma mesícula quadrada mais ou menos do tamanho de um azulejo. Sorri pensando na cidade maravilhosa e apontei uma seqüência enorme de boas e espaçosas mesas que estavam livres bem ao lado dessa. O garçom demonstrou uma leve surpresa e nos acomodou em duas das mesas maiores, depois de juntá-las. Enquanto nos sentávamos, fez um breve discurso sobre como ali estaríamos mais tranqüilos e espaçosos e à vontade, fazendo parecer dele a idéia de mudarmos para lá. Eu como não tinha muito apego a ela, deixei que ele levasse a glória da decisão. Nem eu nem ele fomos parabenizados pela genialidade.
Descobri que tanto índio quanto o comparsa possuem o hábito de trocar correspondências com ídolos, prática que comparei às cartinhas enviadas para a Xuxa e por conta disso tomei grande lição ao saber que índio já havia sido respondido por sujeitos como Rollins e Ellis. Com isso, prometi que mandaria a Cormac McCarthy, mas recebi reprimenda alertando que estava almejando demais. Fiquei pensando qual seria a boa métrica para saber se eu já estava no ponto de tentar troca de correspondências com determinado ícone. Deve haver algum multiplicador que você deva usar em formula envolvendo sua idade e a do ídolo, o número de boas perguntas que você tem a fazer e quantos elementos diretamente relacionados ao destinatário influenciaram significativamente a sua vida. Nunca nem mandei cartinhas à Xuxa e esses caras estavam ousando níveis elevadíssimos como Jon Stuart! Estou bem atrasado nesse jogo de contabilizar correspondências trocadas, mas me alegrou ter gaguejado em conversa brevíssima, porém cara-a-cara, com Jimmy Cobb.
Na volta o comparsa e índio constataram a natureza humana toda quando as gurias iam mais adiante e falaram um pouco sobre isso.
Chegados de volta, o assunto me fez pensar que deveria tirar da mochila o livro e falamos um pouco sobre ele. Depois disso quem regeu como um paul mauriat o fluxo da conversa toda foi Nahuájlidas, em especial quando me perguntou se eu já havia lido Jimmy algo. Respondi que não e ela saiu da sala. Logo quando eu pensava ter ofendido a moça, ou no mínimo ter me provado indigno de sua atenção ela voltou com o tal Jimmy (que era Corrigan). Tratava-se de uma obra de quadrinhos que folheei rapidamente, mas gravei apenas um comentário de alguém sobre ser Ulysses em HQ, comentário esse que não me lembro se piada ou não. Vou ter que ir atrás da peça, só pra entender qual foi a associação que motivou Nahijavilas a me recomendar o petardo.
Exaltamos também a genialidade da medicina como um todo quando o assunto esbarrou na bulimia. Parece que há um sinal na anamnese — nunca tive oportunidade de usar o termo e espero ter feito certo — em que se pode dizer se alguém sofre da doença ao notar marca de dente nas costas da mão da pessoa. O assunto começou pela inveja que tenho de gente que consegue ler em ônibus, mas Mari passava mal só de estar dentro do metrô quando mais nova e precisava parar de estação em estação para levar o passar mal às vias de fato e Nadjáya só conseguia curar suas dores de cabeça ao vomitar, coisa que para ela era muito dificil, então o assunto chegou em técnicas de vomitório, o que trouxe à pauta o “rolê da bulimia”, gíria engenhosamente empregada por Nadyahida e que nos fez rir um tempo. Mas então soubemos que ela havia uma vez bebido um litro de detergente no intuito de fazer a maior bolha de sabão do mundo, todavia ao invés de apenas molhar o canudo no composto resolvera sugar e aparentemente esquecera-se de estar sugando ao ver as nuvens no céu e continuara sugando então passou mal. Na verdade não sei se passou mal, pois quando contei de um amigo que bebera fluido de isqueiro ao tentar cuspir labareda de fogo ela se lembrou da The Clock e nos contou do neonazi com quem saíra uma vez e depois lembrou-se de um amigo que era punk e foi preso mas solto por um delegado que o confundira com skinheads com cuja causa simpatizava, o que nos levou a saber sobre o preconceito sofrido pela gente do sudeste em alguns lugares do nordeste e também da corrupção e coronelismo ainda existentes em determinados cantos de lá. Queria ter lembrado de tudo, haja visto que foi uma das conversas mais pitorescas que já tive em toda a vida, mas fica a amostra e a constatação de que Nadya é grande interlocutora, especialmente quando somada a Mari e comparsa. Índio há muito dormia e não contribuiu em nada para o falatório.
Quando infelizmente o sono começava a nos vencer, saímos e descemos a rua para esperar passar um táxi. Eu insisti que seria fácil conseguir um quando o comparsa sugeriu solicitar um por telefone, então me senti cheio de culpa quando ao chegarmos na rua de baixo notei apenas desolação e que haviam desligado até mesmo a lei, pois os semáforos só faziam piscar em amarelo. Portanto, tratei de ligar logo para o ponto e fui atendido por um taxista meio carente e melodramático que não nos queria vir buscar temendo o abandono. Jurei fidelidade e ele acabou convencido.
O trajeto para casa não merece destaque algum exceto pelo breve engarrafamento enfrentado em frente a um pub, onde alguns veículos encontravam-se imóveis e completamente isentos de quaisquer motoristas no espaço por onde os carros deveriam passar. Com pesar, me despedi de Mari e do comparsa, esperando pela combinação da bisteca.
É como se eu tivesse ficado vinte dias olhando pra porta, esperando pra bater. Daí quando ela é aberta não tem muito como entrar na hora e eu te agarro ali mesmo e não largo por cerca de duas, três horas e quero ter a certeza de que tá tudo ali. Uma aspirada profunda na tua nuca que arrepia até a estante, a mesa, o passa-pratos, o meu lugar no sofá, a cadeira que virou minha, o meu canto na cama. É só depois da casa inteira se arrepiar que eu consigo pensar “hm, isso é bom, esse lugar é bom, acho que já dá pra entrar e depois a gente vê como é que faz pra sair”.
São vinte dias de sono. Vinte dias esperando são vinte dias de sono. Depois que eu chego são dias de amnésia e meu pai me liga no último deles pra saber se eu tô vivo e eu preciso pensar pra responder, porque no fundo não importa.
Nada importa, na verdade. O que importa é que tu foi ao mercado mais cedo naquele dia e fez compras. Tu saiu de casa e foi até o mercado pra comprar pão-presunto-queijo-café-suco-de-laranja-bolo-doce-de-leite e essas coisas estão ali na tua casa me esperando junto contigo. O que importa é que tu pensou que meu voo chegaria quinze minutos antes do previsto e mandou mensagem já desesperada quinze minutos depois e precisou deitar um pouco pra se acalmar. O que importa é que, quando cheguei, tu estava de pijama. Que conseguiu arrumar a máquina de lavar enquanto eu estava fora, olhando pra porta.
E a cama. Porra, o que importa é a cama. Ainda que tu tenha ido comigo até o aeroporto naquela primeira vez, a sensação é de que eu tinha te deixado na cama, esperando esse tempo todo. E aí nós decidimos que não era importante sair da cama e passamos o tempo todo ali. E depois tu deita nua em cima de mim e eu sinto teu peso inteiro no peito de um jeito bom e falamos sobre tudo e o que é dito não importa, desde que seja dito, e tua voz não pare nunca e que a conversa faça vezenquando com que tu levante a cabeça pra me olhar melhor ou pra sublinhar alguma careta que esteja fazendo por conta de algo que eu disse.
É esse levantar da cabeça e são essas caretas e é o teu peso no meu peito que me alimentam enquanto estou longe e fazem com que, mesmo distante, eu queira falar contigo tanto quanto possível, sobre tudo. É é isso o que faz com que eu consiga me sentir tão perto de ti ao conversar por escrito. Sorte minha conseguir deixar incrustadas no córtex essas imagens e o teu cheiro e o teu peso exato no meu peito.
Ainda nua, deitada em cima de mim, e uma parte da tua história me tira o chão e eu boto o Kind of Blue pra tocar. E tuas costas nuas estão ao alcance da mão e enquanto eu volto pro lugar tamborilando os dedos na tua omoplata, acompanhando o trompete, depois o sax, depois o baixo, tu não diz nada e só fica ali pensando não sei em quê. E o disco começa e termina sem que ninguém diga nada exceto quando, tentando esconder o nervoso, eu comento qualquer coisa sobre quando fui ao show do Jimmy Cobb, mas tu continua a não dizer nada e eu continuo dedilhando nas tuas costas.
[edição da missiva à guria, publicada com edição alternativa no Epic Shit]
Conheci jornaleiro local que fala “um pouco” (um muito) de português e gostaria demais de dispor de tempo e dinheiro para estudar.
Omar, a partir de agora constante da lista já vasta de role models, falou de semiótica, de cultura, de gramática e de literatura. Falou também da origem do seu idioma, citando feitos e nomes e datas, mas não considero falar tanto quanto considero lecionar. Devido ao escasso tempo de que dispunha (o procurei querendo saber onde se poderia dispor de café y baño, borracho que estava de vinho), mencionei possibilidade de se acompanhar cursos na UCA como ouvinte, sem que se precisasse pagar por isso. Falamos muito sobre a graça que existe no caminho, independente de qualquer obtenção de diploma e/ou reconhecimento ou ainda e especialmente conclusão sobre o assunto estudado. Foi esse mesmo o gatilho para que Omar me contasse de sua falta de tempo. O velho tem 63 anos e também diabetes. Acorda cedo para cuidar de casa e estar na banca de jornal (que não é sua) às onze da manhã. Costuma chegar de volta em casa entre duas e três da matina. Não pode abrir mão do emprego porque depende dele para se sustentar. Omar estudou apenas até o segundo grau, mas se fez imenso (e a mim minúsculo) ao falar de seus interesses e leituras.
Gasta seu pouco tempo livre lendo ali mesmo na banca muito mais que autores. Quando falamos de Umberto Eco, me confidenciou que não liga muito para nomes tanto quanto para assuntos e preocupações e intenções. Omar sabe escolher o que ler, eu ainda não aprendi e vou por indicação. O velho me elogiou por parar e conversar mesmo que precisando muito encontrar um banheiro e disse que a maioria dos turistas pedem informações e sequer percebem que ele esboçou português ou inglês ou francês ou japonês ou RUSSO na resposta. Respondi que o grande problema da maioria dos turistas é serem turistas. Sabedoria de Omar o levou a responder que não é nem culpa deles não saber direito o que buscar no lugar que visitam. Não sabem, Omar. Nunca sabem.
Todos os visitantes de Buenos Aires deveriam ir até sua banca e parar pra conversar. Ela fica na Carlos Pellegrini 291. Quando cheguei era cerca de uma da manhã e já não havia muito movimento, logo poucas interrupções. Omar estava já prestes a encerrar o expediente. É bem do lado do Obelisco, nem tem como errar.
Omar inspira.
[texto originalmente publicado no Vitroleiros.org]
Quando me pediram pra escolher um álbum (um só, que é como me pedir pra escolher um órgão pra me sobrar no corpo) adorei a idéia. Cerca de quinze segundos depois minha vontade era dar com a cabeça de quem pediu na quina de alguma parede. Ou reproduzir a cena de ‘American History X’. Sim, aquela cena. Suponho que boa parte dos que atenderem ao pedido farão uma introdução parecida, mas acho importante fazer também, de modo que entendam de uma vez por todas que um pedido desses não se faz nem pro pior inimigo.
Dito isso, escolhi o álbum que mais ouvi. Não por ser o disco que mais amo, porque se fosse esse o critério ia gastar mais uns meses escolhendo e não sairia com texto nenhum. Era necessária uma lista que tivesse algum álbum no topo e odeio ordem alfabética, que não passa da eterna celebração da criança que aprende o alfabeto e repete pra mostrar a descoberta.
Ten. Posso assobiar todas as suas faixas. De trás pra frente. Debaixo d’água. E ainda assim não tenho muito o que dizer sobre ele. Na Wikipedia tem um monte de infos, ó só.
Pensei em fazer como o Renmero e contar uma história que de alguma forma envolvesse o disco. Não seria difícil. Amei ouvindo Ten, briguei, apanhei também, comprei meu primeiro ténis ouvindo Ten, com grana ganha trabalhando enquanto ouvia Ten. Cometi meu primeiro crime com Ten nos fones de ouvido. Destruí meu primeiro violão segundos depois de conseguir tocar Alive inteira pela primeira vez, sem o solo. Cantei Black no ouvido dela, no dela e no dela.
Quando éramos guris, o Dênis tinha um violão e não sabia tocar, mas aprendeu o baixo de Even Flow. Conseguia tocar e cantar ao mesmo tempo (eu ainda não consigo) e era tão idiota e cheio de clichês quanto eu. Depois de uma festa, voltando pra casa não lembro de quem, sentamos ao lado de Sêo Pedro e tocamos Even Flow, em dueto violão, violaixo e voz. Nem morador de rua ele era, mas pelo menos não entendia inglês. Sorriu feliz e voltou pra dentro da casa que estava reformando. Sêu Pedro deve estar até hoje com cara de WTF, mas sem clichê babaca não se faz um adolescente, então I’ve been there, done that.
Enfim, não vou escrever um texto em que a relação com o disco é TRICKY, mas também não vou contar uma história pra cada faixa. Nem lembro de todas as histórias pra poder contar, mas acredite: quando se ouve um único disco quase o tempo todo, se tem história pra cacete.
O ponto é que o disco não termina. Até hoje ouço inteiro esperando que o disco termine. Até prometo que I’ll hold the pain, release me, mas it doesn’t and it goes right back to Once upon a time. Estou preso no repeat desde moleque.
O leitor que é mais babaca vai notar que não mencionei todas as faixas do disco, mas adianto que não sei falar de música. “Writing about music is like dancing about architecture – it’s a really stupid thing to want to do.”
–Elvis Costello (thank you NIGGA* for giving me the perfect quote).
Se toda a história da indústria fonográfica estivesse a ponto de ser destruída e coubesse a mim escolher um disco pra salvar, seria o Ten. Não é me gabar, a ideia não é na esperança do mundo viver como eu vivi, é que a única vida que conheço é a minha e se ela foi boa o bastante em seus altos e baixos até o momento, foi em parte por conta desse disco. Ou no mínimo sob sua supervisão numa grande porção do tempo.
Já disse que sou cheio de clichês, então cabe um aviso: Erros de digitação, gramática ou qualquer outra coisa que passaram batidos foi porque parei a revisão quando terminou Master/Slave. Nada mais clichê que usar só o tempo do disco pra escrever sobre ele e revisar.
Estive no Pizzarelli. O homem era maior que o palco. Nos intervalos entre uma sequência de excelentes músicas — dele ou de Duke Ellington, em homenagem a quem gravou disco recente — e a próxima, John falou o pouco que sabia falar em português, incluindo a sentença “ta na pwraia, ta wredoundo”. Contou também de sua guitarra, uma sete cordas afinada em A, e de como isso tornava supérflua a presença do baixista — Martin, seu irmão.
Em outra de suas conversas com o publico que assistia em silêncio quebrado apenas para aplauso ao fim de musicas e solos — entre eles um em que Pizzarelli esmerilhou um two hand tapping que até agora não entendi direito — convidou a todos para ir vê-los em Paraty, onde tocariam na semana seguinte. Complementou o convite com um ítalo-americano “We’ll drink, we’ll swim, it will be BEAUTIFUL.”
O homem mandou um Beatles medley que quase provou completamente dispensável banda inglesa, muito aplaudido. Depois disso contou que era de New Jersey — comparando o lugar a Campinas — e começou a tocar “I like Jersey best” e o fez imitando Paul Simon, Bruce Springsteen, Bob Dylan, Beach Boys, Billie Holiday (que não por coincidência era idêntica à sua versão de não me lembro quem, mas acho que Madeleine Peyroux), Lou Reed, James Taylor, The Police, The Who, Johnny Cash, entre outros que não me lembro. Finalizou sua grande piada com a versão de João Gilberto para a música. Essa eu mal consigo descrever, então deixo só um quote: “The light… I can hear it, turn it down.” Era como se John tivesse ido almoçar na casa dos tios carcamanos num domingo e todos ali estivessem assistindo enquanto ele tocava para alegrar os avós. Não importa se ele faz isso sempre.
Encore: “Só danço samba” FODA cantada em português, “Girl from Ipanema” que ele fez virar “Garota de Ipanema” no finalzinho e entregou a cantoria para o público e uma “Johnny One Note” que foi muito bem usada pra dar vez aos solos de piano e de bateria.
Saindo do lugar vi o filho do homem, que falava sobre como gosta de ver as apresentações do pai e como ele transformava a coisa num show de humor. The boy had his groupies, fui embora. Não sem antes pedir pra uma das gurias penduradas no filhotão tirar uma foto.
Peguei o “Bass on Top”, disco do Paul Chambers, o cara do baixo no “Kind of Blue” AND no “Giant Steps” AND no “Cool Struttin’.” Já tinha ouvido falar que “Mr. PC” era para ele, mas só pouco tempo atrás um amigo me falou do “Bass on Top” e resolvi ir atrás do disco.
Há algum tempo eu já havia decidido que gostava mais da conversa do baixo com o instrumento principal do que do walking bass puro. Bass on Top é um disco todo com as melodias conduzidas pelo contrabaixo, que também assume a maior parte dos solos. Paul Chambers consegue ser devastadoramente dramático com o arco logo na primeira faixa, “Yesterdays,” pra depois te acalmar no pizzicato — bela palavra, usarei ao menos uma vez ao dia —, em “You’d Be So Nice To Come Home To”, que eu só conhecia na voz do Sinatra.
Depois uma sequência de músicas que eu já tinha visto no repertório de Miles Davis e que soam especialmente deliciosas tendo como lead o baixão: “Chasin’ the Bird,” “Dear Old Stockholm” e “The Theme.” Primeiramente, achei que tinha encontrado algo de Miles. Talvez nas primeiras audições eu esperasse um pouco do impacto que me causou o dueto de Chambers com Evans, logo no início de “So What”. Relendo e reeditando o texto, ouvindo novamente, concluí que não sei ouvir jazz e decidir algo sobre. Jamais saberei.
“Bass on Top” é um disco essencialmente quieto. Só baixo, piano, guitarra e bateria. Não consegui nem sentir falta da cornetaiada. Parte disso é culpa do Kenny Burrell, guitarrista que comecei a ouvir pelo “Midnight Blue” (disco referência da Blue Note sabor carne) e não parei mais de procurar. Burrell é co-responsável por “Chamber Mates”, composta junto com Chambers, que fecha o disco deixando como única opção possível voltar para a primeira faixa e ouvir mais enquanto se lista e baixa todas as gravações de Paul Chambers a partir dali.
O grande problema de descobrir um disco desses aos vinte e seis anos é que , em um cenário otimista, se dispõe de apenas mais uns cinquenta para gastar ouvindo.
Após violento confronto com a Polícia Militar, que estava detendo três jovens que teriam consumido maconha no campus do Butantã da Universidade de São Paulo, na noite deste quinta, cerca de 400 estudantes ocuparam o prédio da Administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Os policias revidaram os protestos com balas de borracha e estudantes ficaram feridos. Os rumos da ocupação devem ser discutidos na noite desta sexta.
Este blog conversou com Felipe Camargo, Paula Kaufmann e Thiago Aguiar, diretores do Diretório Central dos Estudantes da USP, que estão na ocupação, para entender suas reividicações:
Por que o DCE-Livre da USP é contrário à presença da Polícia Militar no campus?
Historicamente, o movimento social organizado na USP obteve a conquista da autonomia universitária. Isto significa afirmar uma concepção de universidade como espaço de livre pensamento, organização e manifestação. A autonomia também se refere à segurança. Por isso, temos na USP a Guarda Universitária. A presença de forças militares no campus não apenas em história longínqua, como também em anos recentes, não esteve relacionada à garantia de segurança e ao combate ao crime, mas sim à repressão política ao movimento social da Universidade. Em 2009, por exemplo, a Polícia Militar transformou o campus do Butantã numa praça de batalha ao reprimir um movimento grevista.
A presença da PM não evitaria casos como o assassinato de um estudante da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis), durante um assalto, em maio deste ano?
O assassinato do estudante da FEA comoveu a todos nós. No dia do seu assassinato, uma ronda da PM percorria o campus da USP e não pode evitar o crime. Aliás, seus assassinos seguem impunes. O problema da segurança no campus é mais complexo do que simplesmente a entrada da polícia. Refere-se a uma concepção de espaço público e à abertura do campus à comunidade externa para que deixe de ser uma bolha vulnerável. Por isso, o movimento estudantil reivindica há bastante tempo que a reitoria assuma a sua responsabilidade e faça as intervenções necessárias para garantir a segurança de trabalhadores, estudantes e funcionários. Infelizmente, melhorias na iluminação, o fim da terceirização da segurança, o aumento do efetivo da Guarda Universitária e seu treinamento em direitos humanos, entre outras medidas, não foram tomadas. A reitoria preferiu uma saída rápida, fácil e midiática.
Com a detenção dos três jovens que supostamente estariam fumando maconha, houve protestos dos estudantes, seguidos de forte repressão policial com gás lacrimogênio e spray de pimenta. A segurança pública tem sido usada como justificativa para a reitoria reprimir manifestações?
Sim. Como dissemos anteriormente, a presença da PM no campus historicamente e em anos recentes esteve relacionada somente à repressão ao movimento social organizado na USP. No entanto, a reitoria utiliza o sentimento de insegurança da população para dar legitimidade a suas ações e esvaziar de sentido as críticas da comunidade universitária. Ao mesmo tempo, argumenta estar “sempre aberta ao diálogo” quando, na verdade, promove a militarização do campus para evitar que qualquer projeto alternativo de universidade seja defendido. Não se pode reduzir a questão da segurança à presença de policiais militares. Os índices de criminalidade no conjunto da cidade, onde a PM está presente ostensivamente, são a comprovação disso.
O movimento estudantil, que hoje ocupa a administração da FFLCH, tem feito duras críticas ao reitor João Grandino Rodas. Por que? E quais as principais demandas de vocês?
João Grandino Rodas, em sua trajetória na USP, notabilizou-se por não ter sido eleito reitor pela comunidade universitária – mas sim indicado pelo governador Serra – e pela truculência com que trata seus críticos e quaisquer reivindicações que lhe sejam apresentadas. Não à toa, em sua unidade de origem, a Faculdade de Direto, foi recentemente declarado persona non grata. Em 2007, quando diretor, Rodas chamou a Tropa de Choque para expulsar militantes do MST e do movimento estudantil que faziam um ato pela democratização do ensino público. Em sua gestão como reitor, além da questão da presença da PM no campus, temos questionado Rodas por conta de suas diretrizes mercadológicas para a graduação, que quase ocasionaram o fechamento de mais de 300 vagas e dois cursos na EACH [campus da USP na Zona Leste]. Rodas está sendo investigado por indicações sem concurso para cargos de confiança. Além disso, ele propôs um conjunto de obras questionáveis, como a construção de um Centro de Convenções e de um Centro Internacional, que estão consumindo 240 milhões de reais do dinheiro público. Consideramos que tal monta de recursos poderia ser aplicada de maneira muito mais satisfatória na expansão das atividades de ensino, pesquisa e extensão.
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AGORA SIM.
O canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na região de Altamira (PA), está ocupado por mais de 600 indígenas, pescadores, ribeirinhos e populações ameaçadas pelos impactos sociais e ambientais do grande empreendimento. A ocupação começou na madrugada desta quinta-feira (27).
A Rodovia Transamazônica (BR-230), a partir de trecho em frente ao canteiro, na altura da Vila de Santo Antônio, região de Altamira, está interditada e só passam veículos transportando doentes.
Em assembleia realizada na manhã desta quinta-feira, o movimento definiu como principal reivindicação que o governo federal envie autoridades para negociar com os as populações tradicionais o fim das obras de Belo Monte.
Outra decisão tomada pelos ocupantes é que o acampamento no canteiro de obras será permanente e desde já convocam outras entidades e movimentos a cerrarem fileiras nessa luta que, conforme os manifestantes, não irá parar.
Todo o processo de ocupação ocorreu de forma pacífica e é fruto das discussões entre os povos tradicionais durante o seminário “Territórios, ambiente e desenvolvimento na Amazônia: a luta contra os grandes projetos hidrelétricos na bacia do Xingu”.
Com o encontro, se pretendia analisar a conjuntura em torno de Belo Monte e discutir respostas às situações de risco e impactos geradas pela usina. As mesas de debate foram suspensas em vista da ação de ocupação do canteiro de obras.
São 21 povos indígenas envolvidos na mobilização. “Para mim, as pessoas que estão querendo fazer essas usinas, são uma doença. São um câncer que vai matar o planeta. Nós somos o remédio para essa doença!”, disse Davi Gavião que segue: “Sou filho de quem foi impactado por uma usina. Faz 35 anos que nosso povo foi retirado da sua área e até agora estamos lutando por uma indenização. Faz 35 anos! Essa Belo Monte vai trazer muitos impactos também. Temos que lutar contra todas as barragens! (sic)”.
Entre os pescadores, Raimundo Braga Nunes: “Tenho certeza que depois de Belo Monte vou ser obrigado a mudar de trabalho, porque peixe não vai ter. Vai morrer, ou vai migrar. Eu não me calo, estou pronto para brigar, preparado. Convido nossos amigos indígenas para somar forças para proteger nosso rio. O Xingu é nosso pai e mãe”.
Decisão adiada
Nesta quarta-feira (26), as populações impactadas viram o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Fagundes de Deus votar contra a Ação Civil Pública que pede a paralisação das obras de Belo Monte. Conhecedor do setor energético, o desembargador se posicionou tendo como base a experiência adquirida na área, pois já advogou para a empresa Eletronorte.
Impetrada pelo Ministério Público Federal (MPF), a ação é um recurso de apelação onde se pede o cancelamento do licenciamento ambiental e a inconstitucionalidade do Decreto 788/2005 do Congresso Nacional – que libera a obra sem a realização da consulta de boa fé aos povos indígenas do Xingu e populações tradicionais, tal como diz a Constituição Federal e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A desembargadora Maria do Carmo Cardoso, terceira a votar a matéria durante a sessão desta quarta-feira do TRF-1, em Brasília (DF), pediu vistas da Ação Civil Pública e interrompeu o julgamento – programado para entrar em pauta no dia 9 de novembro.
Dessa forma, a ocupação é também uma resposta a postura da Justiça que apesar de todas as irregularidades, 11 ações denunciando ilegalidades no processo de Belo Monte em tramitação, além de pareceres contrários à obra trabalhados por um painel de especialistas e MPF, não interrompe as obras. Sobretudo, não reconhece a e leva em conta a opinião das comunidades que agora ocupam o canteiro.
Primeiro voto: a favor da ação
O primeiro voto dos desembargadores do TRF-1, no último dia 17, declarou inválidas a autorização e licença ambiental para Belo Monte.
“É de nenhuma eficácia a autorização emitida pelo parlamento”. Com essas palavras a desembargadora Federal Selene Maria de Almeida desqualificou o Decreto Legislativo nº 788/2005 do Congresso Nacional que autorizou a construção da usina de Belo Monte. Ela considerou igualmente inválido o licenciamento ambiental de Belo Monte.
Num voto elaborado e denso, a desembargadora acatou a maioria dos pontos apresentados pelo MPF/PA, sendo o argumento mais importante o fato de as comunidades indígenas afetadas pela usina de Belo Monte não terem sido consultadas a respeito, conforme mandam a Constituição Federal e tratados internacionais, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 2004 (Decreto nº 5.051/2004).
Ela não deixou dúvidas sobre a necessidade das oitivas: “A Constituinte prescreve que sejam ouvidas as comunidades indígenas afetadas. Para protegê-las”. Em seu voto, Selene reafirmou o posicionamento já adotado pelo TRF-1 quando da primeira avaliação da matéria, em 2006.
Tocando: WORMROT
Platéia: Família dos caras, bandas de abertura e um bode.
UM BODE!
Sem mais,
Um dos mantras preferidos daqueles que chegam aos 40 anos é: os jovens de hoje não têm grandes ideais, eles não sabem o que fazem.
Há algo cômico em comentários dessa natureza, pois os que tinham 18 anos no início dos anos 90 sabem muito bem como nossas maiores preocupações eram: encontrar uma boa rave em Maresias (SP), aprender a comer sushi e empregar-se em uma agência de publicidade. Ou seja, esses que falam dos jovens atuais foram, na maioria das vezes, jovens que não tiveram muito o que colocar na balança.
Por isso, devemos olhar com admiração o que jovens de todo o mundo fizeram em 2011.
Em Túnis, Cairo, Tel Aviv, Santiago, Madri, Roma, Atenas, Londres e, agora, Nova York, eles foram às ruas levantar pautas extremamente precisas e conscientes: o esgotamento da democracia parlamentar e a necessidade de criar uma democracia real, a deterioração dos serviços públicos e a exigência de um Estado com forte poder de luta contra a fratura social, a submissão do sistema financeiro a um profundo controle capaz de nos tirar desse nosso "capitalismo de espoliação".
Mas, mesmo assim, boa parte da imprensa mundial gosta de transformá-los em caricaturas, em sonhadores vazios sem a dimensão concreta dos problemas. Como se esses arautos da ordem tivessem alguma ideia realmente sensata de como sair da crise atual.
Na verdade, eles nem sequer têm ideia de quais são os verdadeiros problemas, já que preferem, por exemplo, nos levar a crer que a crise grega não seria o resultado da desregulamentação do sistema financeiro e de seus ataques especulativos, mas da corrupção e da "gastança" pública.
Nesse sentido, nada mais inteligente do que uma das pautas-chave do movimento "Ocupe Wall Street". Ao serem questionado sobre o que querem, muito jovens respondem: "Queremos discutir".
Pois trata-se de dizer que, após décadas da repetição compulsiva de esquemas liberais de análise socioeconômica, não sabemos mais pensar e usar a radicalidade do pensamento para questionar pressupostos, reconstruir problemas, recolocar hipóteses na mesa. O que esses jovens entenderam é: para encontrar uma verdadeira saída, devemos primeiro destruir as pseudocertezas que limitam a produtividade do pensamento. Quem não pensa contra si nunca ultrapassará os problemas nos quais se enredou.
Isso é o que alguns realmente temem: que os jovens aprendam a força da crítica. Quando perguntam "Afinal, o que vocês querem?", é só para dizer, após ouvir a resposta: "Mas vocês estão loucos".
Porém toda grande ideia apareceu, aos que temem o futuro, como loucura. Por isso, deixemos os jovens pensarem. Eles sabem o que fazem.
iavelar: Fez casamento gay, julgou torturador,regulou mídia, renovou mesmo Suprema Corte, enfrentou agronegócio, mandou igrejas à merda. Ganhou c/54%
Shared by Yusanã Mignoni
Grande país.
Uma pequena nota introdutória: new blues não é um estilo musical popularizado. Resumidamente ele se apresenta como uma maneira moderna e sintonizada com os tempos atuais incorporando gêneros musicais como punk, hip-hop e música eletrônica ao blues e também se utilizando de instrumentos, temáticas e tecnologias comuns do século XXI.
1- Seasick Steve – St. Louis Slim
Sem teto, hobo e faz-tudo, Seasick Steve começou sua carreira musical nos anos 60 em San francisco e no final dos anos 80 foi engenheiro de som e músico de estúdio de bandas independentes próximo a Seattle. Nos anos 90 trabalhou como engenheiro de som na gravação de diversos singles da banda Modest Mouse, viveu em Paris como músico de rua e em 2001 se mudou para a Noruega quando lançou seu primeiro álbum “Cheap” aos 60 anos de idade com a banda The Level Devils. Seu álbum solo “Dog House Music” esperaria mais 5 anos para ser lançado.
Em 2008 Seasick lançou seu segundo álbum solo “I Started Out with Nothin and I Still Got Most of It Left” pela Warner Bros. Records,com a música “St. Louis Slim” que alcançou o nono lugar na parada musical da grã-bretanha naquele ano.
Nota: St. Louis Slim também é um nome de um bluesman com quem toquei em New Orleans em 2004. Que eu saiba é só uma coincidência e os dois nunca se encontraram.
2- Son Of Dave - Devil Take My Soul
One-man-band ex-integrante da banda de rock Crash Test Dummies, Son Of Dave (capa dessa coletânea) se reinventou como um bluesman moderno. Misturando loops, efeitos de eletrônicos com percussão e gaita, Dave é considerados por muito um dos percussores do new-blues.
Ao contrário da maioria de suas canções completamente solo, em “Devil Take My Soul” Son Dave divide os vocais com a cantora britânica Martina Topley-Bird em seu segundo disco intitulado simplesmente “2″ lançado em 2006.
3- Panny Lang – Lost And Found
Cantora de blues e folk canadense, Penny nasceu em uma família de músicos e aprendeu a tocar se apresentando com os pais em igrejas, hospitais, prisões e velhos teatros. O pico de sua carreira musical aparentemente se formou nos anos 60 com sua versão de “Suzanne” de Leonard Cohen que foi um hit momentâneo nos EUA. Após isso sua carreira e vida pessoal lhe deram uma rasteira e Penny entrou em um autoexílio em 1970 (em uma cabana nas florestas e Quebec) só retornando em 1988.
Aceita pelos músicos locais como uma pioneira do folk canadense, Penny lançou sem primeiro álbum em 1991 e mais sete até o momento. Atualmente ela excursiona frequentemente tocando com seu filho que também é músico.
Penny é um caso bem especial. Uma das poucas cantoras brancas nessa coletânea e a única repleta de cabelos brancos também. Fico feliz de incluir sua canção aqui.
4- Reid Paley – The Anesthestist’s Song
Sou fã do trabalho solo de Reid Paley. Conheci ele em Londres em um festival sensacional, bato papo com ele via web e sou louco pra dar um pulo no Brooklin só pra ver o homem tocando mais uma vez. Reid tem um estilo único como compositor, uma voz inconfundível e uma apresentação debochada que sempre faz com que a experiência ao vivo (independente da qualidade do equipamento na casa) seja divertida.
Eu defino as músicas de Reid Paley como “canções de bêbado”. Há canções para antes de ir beber, para ouvir enquanto se bebe e para ouvir quando se chega em casa trocando pernas. Essa não é diferente.
5- Mudlow – Drunken Turkey
No mesmo festival que conheci Reid, conheci também essa banda (que infelizmente não tocou com os metais). Mudlow é o filho negro britânico de Morphine e Tito & The Tarantulas batizado por Nick Cave. Blues rock com um clima pesado e tarantinesco, Mudlow é uma banda de Brighton (Inglaterra) formada em 2002 que atualmente divide o palco com uma banda chamada The Silver Brazilians. Juro.
“Drunken Turkey” é faixa do álbum “Welcome to Mudlow Country” de 2004.
6- John Schooley An His One Man Band – Drive You Faster
Esse álbum está sendo quase um tributo aos one-men-band (no plural parece meio estranho). Músico de Austin, Texas (atualmente uma das mecas da música boa), John mistura tanto o blues do delta como o de Chicago em um estilo garage rock cru… o que dá basicamente um punk-blues.
Membro do trio The Revelators, Schooley lançou em carreira solo 3 EPs e 2 álbuns onde destila porrada em seu kit com bateria, guitarra slide, gaita e washboard.
7- Petit Vodo – Big Star
Petit Vodo começou sua carreira em 1997 como baterista de uma banda de blues em sua cidade natal, Bordeaux (França). Posteriormente começou a se apresentar como one-man-band (bateria, guitarra, gaita, vocal e efeitos eletrônicos) ou acompanhado de um ou dois músicoss.
Influenciado por bluesmen como Slim Harpo, Lightning Hopkins, assim como Becj, G-Love e Morphine, Sebastian Chevalier (seu nome de batismo) aposta no experimentalismo no rock e blues e levanta a bandeira do new blues.
“Big Star” é a quarta faixa do seu álbum “A Little Big Pig With A Pink Lonely Heart” lamçado em 2004.
8- Slidin’ Slim – They Call Me Mr. Misfit
Outro que também carrega a ideia do blues para o séc. XXI (a assinatura em seu site é “Not your ordinary blues”), Slidin’ Slim cresceu ouvindo rockabilly até que descobriu os Ramones, Dead Kennedys e Clash… assim como a cena punk da Suécia… o que seria ligeiramente incomum se ele não fosse sueco.
Começou sua primeira banda aos 12 anos até que nos anos 80 descobriu os bluesmen do delta e decidiu que aquela seria sua base musical. Desde 1994, Slidin’ Slim vem lançando CDs de blues e fazendo turnês européias quando não está escrevendo ficção como hobby.
9- Soledad Brothers – 44 Blues
Trio de Detroit de garage rock com forte influência de blues que gravou quatro álbuns de estúdio entre 2000 e 2006 até finalmente terminar.
Punk blues de primeira, a banda teve seu primeiro álbum homônimo com a ajuda de Jack White na engenharia de som e Meg White em algumas percussões.
Depois do primeiro álbum fortemente influenciado pelo blues a banda lançou um segundo influênciado por rock britânico dos anos 60 e 70 (“Steal Your Soul and Dare Your Spirit to Move.”), um terceiro com influência de jazz (“Voice Of Treason”) até retornar para o blues em seu álbum final: “The Hardest Walk”.
“Fourty Four Blues” é uma faixa do álbum “Live At Schubas” de 2004.
Nota: com um guitarrista chamado Johnny Walker, creio que é algo quase instantâneo ter influência de blues.
10- Chicken Legs Weaver – Street Cleaner
Outro trio de punk blues que infelizmente não existe mais. De Sheffield, Inglaterra, Chicken Legs Weaver lançou dois álbuns lançados: “Nowhere” em 2007 e “Silk Ripped Dress” em 2008.
“Street Cleaner” é a faixa do single homônimo de 2004.
Queria poder dizer mais sobre a banda, mas eu realmente não sei muito à seu respeito e pesquisas voltaram quase com nada de informações novas.
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1- Paul Pena - Jet Airliner
Conheci Paul Pena não pelo blues e sim pesquisando sobre a música de folclórica de Tuva (Mongólia). Assisti o documentário Genghis Blues como introdução à sua carreira e me interessei quando ouvi seu estilo que parece mesclar canções pop-rock sem que fiquem melosas ou comerciais demais com uma guitarra fortemente influenciada por Hendrix sem transparecer qualquer agressividade ou pretensão ao virtuosismo. “Jet Airliner”, assim como algumas canções do segundo álbum “New Train” são honestas e ricas em arranjos e pela suavidade da voz de Pena.
Nota: Essa canção foi um hit em 1977 pela versão de Steve Miller Band
2- Jimi Hendrix – Hear My Train A Comin’
O que dizer? Hendrix tocando blues acústico. Ele deveria ter gravado mais faixas assim.
3- John Hiatt - Feels Like Rain
John Hiatt é antes de um performer, um compositor de hits. Além de “Feels Like Rain” ter sido faixa-título do álbum de Buddy Guy (Grammy de melhor álbum de blues contemporâneo), John compôs também “Riding With The King” que também virou faixa título do álbum de parceria entre B.B. King e Eric Clapton (Grammy de melhor álbum de blues tradicional). Hiatt teve canções gravadas e apresentadas por Bob Dylan, Ry Cooder, Bonnie Raitt, Willie Nelson, Three Dog Night, Joan Baez, Paula Abdul, Iggy Pop, The Nitty Gritty Dirt Band, Joe Cocker, Chaka Khan… mas e Grammy? Nunca ganhou.
A versão de Buddy Guy na minha opinião é diferente e tão boa quanto a original. Entretando a gravação original consegue se afastar ligeiramente mais da linha tradicional de blues e passa um certo feeling maior de integridade sobre o que está sendo cantado (por motivos óbvios)
4- Robert Cray - Too Many Cooks
Antes de dar a louca e resolver ser um músico de world music medianamente sucedido (estou usando “medianamente” de maneira otimista), Robert Cray era um guitarrista e cantor de blues excelente e com todo um mundo aos seus pés. Seu ótimo álbum de estréia “Who’s Been Talkin’?” (1980) continha entre suas faixas a canção “Too Many Cooks” que se tornou a faixa-título do mesmo álbum em seu relançamento dez anos depois.
Um blues com base de rumba em tom menor que representaria por si só a ideia dessa coletânea.
5- The Paul Butterfield Blues Band - Mellow Down Easy
Lançada por Little Walter em 1954, “Mellow Down Easy” foi regravada por diversos artistas de blues (a maioria gaitistas) e rock (The Black Crowes, ZZ Top) e foi a sexta faixa da Paul Butterfield Bluesband em seu álbum de estréia homônimo lançado em 1965 pela Elektra Records. O Álbum atingiu a posição nº123 nas paradas pop da Billboard e em 2003 entrou na lista dos maiores 500 álbuns de todos os tempos pela revista Roling Stone.
Na minha lista pessoal é um dos 10 melhores álbuns de blues já realizados. Paul Butterfield se tornou um ídolo dos gaitistas com os anos (os que já eram da “escolinha Little Walter de gaita”). Paul infelizmente partiu cedo, morrendo em 1987 aos 45 anos por overdose de cocaína.
6- Taj Mahal - She Caught The Katy (and left me a mule to ride)
Quando John Belushi e Dan Aykroyd se uniram para discutir qual seriam os covers de blues que tocariam com os Blues Brothers, uma coisa apenas estava clara: eles não queriam uma série de blues com levadas clichês. “She Caught The Katy” foi uma das primeiras canções que lhe chamaram a atenção justamente por ser claramente um blues e ao mesmo tempo ser bem diferente de qualquer batida padrão do gênero.
Ao contrário de Robert Cray, Taj Mahal tem uma carreira muito boa com sua banda de world music e a usa para financiar suas incursões como bluesman e bon vivant. Figuraça simpática e integrante do “The Rolling Stones Rock and Roll Circus”, Taj tem um senso de humor peculiar e além de dar esporro na platéia volta e meia, gravou uma canção chamada “Jorge Ben” que tem a mesma levada da canção “Taj Mahal” de Jorge Benjor… só que com a letra também trocada.
7- The Kingsnakes - Peach Tree
The Kingsnakes são uma banda de músicos bem competentes que se não fosse por isso e pela excelência do baterista e gaitista, seriam apenas mais uma banda de bar… (Nota: me lembram o caso da banda Dr. Feelgood). Suas composições próprias são fortes e bem características, porém resolvi colocar uma versão de uma música não tão padrão de Sonny Boy Williamson II lançada em 1965 no álbum “The Real Folk Blues”. “Peach Tree” tem alguma qualidade piedmont nela e a versão dos Kingsnakes ainda traz um certo peso interessante.
Nota: Não confundir com Chicago Kingsnales Blues Band ou os The Kingsnakes de Detroit (banda de rock) ou Paul Lamb & The Kingsnakes (Reino Unido). Essa The Kingsnales é uma banda de Syracuse, New York.
8- Paul deLay – All My Money Gone
Outro gaitista americano branco que chutou o pau da barraca tanto na qualidade de execução de seus solos como no uso da cocaína. Paul deLay deixou várias gemas em seu repertório e a minha preferida é essa “All My Money Gone”… é um standart sim, mas nunca um standart possível de se ouvir apenas no background e ser ignorado.
A faixa foi lançada no álbum “Paul deLay Band” em 1988 e atingiu a décima posição nas paradas da revista Living Blues.
9- Luther Allison - You Can Run, But You Can’t Hide
Mais uma faixa do álbum “Reckless” já citado no volume III da série “Os Clássicos” dessa coletânea. “You Can Run, But You Can’t Hide” tem um peso e guitarra rock para um blues funkeado graças à cozinha marcante. Não há muito mais o que falar aqui sobre Luther, o álbum ou a faixa. São todos maravilhosos.
10- North Mississippi Allstars - New Orlean’s Walking Dead
Os North Mississippi Allstars são uma banda relativamente nova que tratam o blues como uma base para experimentar suas mais diferentes influências. “New Orlean’s Walking Dead” flerta entre o new blues e o swamp blues característico em várias canções que evocam New Orleans e a Louisiana. É provávelmente a canção mais recente de toda essa coletânea, sendo lançada no álbum “Keys To The Kingdon” em fevereiro de 2011.
BLUES MECOPONE COLLECTION – Não é Nada Igual Vol.4 (49,6 Mb)
O Android ganhará no final de 2012 ou inicio de 2013, uma versão do LibreOffice para edição/visualização de documentos. Para os que ainda não conhecem o projeto, “o LibreOffice é uma suite de aplicações de escritório destinada tanto à utilização pessoal quanto profissional” (via LibreOffice).
Anunciado entre os dias 12 e 15 deste mês, na última LibreOffice Conference ocorrida em Paris, o LibreOffice ganhará versões para navegadores modernos, compatíveis com html5 e nascerá então a versão “online” do aplicativo. Já existe, inclusive, um vídeo com a gravação de um protótipo.
A versão que será compatível com o Android será portada por ninguém menos que o finlandês Tor Lillqvist, responsável por portar o GIMP para o Windows. Tudo indica que a interface da aplicação será totalmente reconstruída de forma a tornar possível a sua utilização nos aparelhos menores, certamente com algumas restrições.
Particularmente desejo que na versão destinada aos tablets, possua todas as funcionalidades presentes no LibreOffice para PCs, e espero ainda que ele fique mais “leve”, pois na versão para PC velocidade não é um atributo muito expressivo.
Android ganhará versão do LibreOffice é do: Eu, Android
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