Tiago Doria

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May 24, 06:18 PM

A BBC Academy está realizando uma série de debates sobre o futuro da TV e da indústria de mídia.

Uma das perguntas é sobre qual perfil profissional a indústria de mídia está procurando no mercado.

Neste ponto, acredito que seja mais importante dominar conceitos do que técnicas. Quando comecei, falavam que para trabalhar com conteúdo e internet você tinha que saber mexer no programa FrontPage e entender de marcações HTML. Hoje, o FrontPage não existe mais, saiu de linha. E o HTML se mostra menos necessário com a infinidade de ferramentas de publicação que trazem quase tudo pronto. Ou seja, conceitos ficam, ferramentas vão e voltam.

Quando convidado para ajudar no processo seletivo de empresas de mídia, sempre fico mais atento para o aspecto da “bagagem conceitual” da pessoa do que para o domínio desta ou daquela técnica.

Segundo os executivos da BBC, em sua maioria envolvidos com tecnologias emergentes, estas são algumas das qualidades procuradas:

- Habilidade de liderar: precisamos de líderes e não de empregados
- Colaboração e flexibilidade
- Saber aplicar teoria à prática por meio de seus próprios conhecimentos (técnicas e tecnologias vão e voltam)
- Disposição de fazer uma fusão entre criatividade e competências técnicas
- Trazer para o ambiente de trabalho o modo como usa tecnologias em casa (consumerização)
- Capacidade de obter histórias de amigos, familiares e pessoas ao seu redor (não somente da mídia tradicional)

Somente faço reserva com a generalização da primeira qualidade. Às vezes, esse foco demais no perfil de liderança pode gerar equipes com muitos líderes, prejudicando uma normal execução. Ou seja, aquele problema – muitos caciques para poucos índios.

Interessante é a qualidade que incentiva a tendência da consumerização. Trazer para o ambiente de trabalho a maneira como utiliza tecnologias em casa, algo que gera desafios para o setor de TI de qualquer empresa.

Veja também: Como é ser pai de Bill Gates

May 23, 10:31 PM

No lançamento de seu recente livro Playful Design, John Ferrara apresentou um interessante panorama sobre o mercado de games. Assim como em outras áreas, o crescimento do mercado se dá principalmente por meio dos dispositivos móveis.

Graças a tablets e smartphones, a tecnologia para a produção de games ganhou novos recursos, como GPS, acelerômetros, câmeras e telas sensíveis ao toque. Hoje, quando você projeta um game, tem que pensar também nesses novos elementos.

Outra questão destacada por Ferrara é que os games estão cada vez mais gerando montanhas de dados. Quando analisados, podem proporcionar “insights” interessantes.

Por exemplo, os dados gerados com o jogo Farmville podem ser utilizados para entender como as pessoas tomam certas decisões financeiras em diferentes contextos e circunstâncias. Várias questões podem ser analisadas quantitativamente por meio dos games.

Isso me lembrou um estudo de caso bem interessante que existe na área de newsgames (jogos aplicados na área de jornalismo). A rede de rádios American Public Media usa o newsgame Budget Hero (sobre o sistema financeiro dos EUA) como instrumento de feedback.

A partir dos dados obtidos durante a peformance dos jogadores, a rádio consegue saber o nível de entendimento sobre um assunto. Dependendo do resultado, a rede aprofunda mais um tema, explica outro ou deixa de lado algum tópico.

É o uso dos games como termômetro do impacto de um assunto na audiência.

Veja também: Games: a arma secreta da humanidade

Crédito da foto: Steve Kay

May 22, 09:00 PM

A Google finalmente concluiu a aquisição da divisão móvel da Motorola. O negócio foi anunciado no ano passado, mas somente agora oficializado. É a típica notícia importante visto que, hoje em dia, o crescimento da internet se dá principalmente por meio do acesso gerado via dispositivos móveis.

Google é uma das poucas empresas de tecnologia, ligada à web, que está indo além da camada de aplicativos da internet. Está entrando na camada de infraestrutura de rede (telecom) e agora no mercado de hardware, com a oficialização da compra da Motorola.

A aquisição pode dar um novo ritmo à Google, que passa também a ser uma empresa de hardware, podendo entrar na fabricação de smartphones e tablets.

Antes cobiçado pela Apple, o executivo Dennis Woodside será responsável por comandar a Motorola Mobility.

Muito desafios vêm pela frente. A Google terá que encarar realidades com as quais não está acostumada, como cadeia de suprimentos, linhas de produção e atendimento ao consumidor. Contudo, é possível, desde já, vislumbrar diversas oportunidades para a Google:

* Abrir a possibilidade de criar coisas físicas (até agora a Google somente produz software). O setor de hardware é um dos que mais começa a passar por disrupção graças à “onda de startups” que o projeto Kickstarter ajudou a criar.
* Ter mais poder de barganha para negociar com operadoras de telefonia. Basta lembrarmos que a junção de software e hardware debaixo do mesmo chapéu deu um grande poder para a Apple negociar com as operadoras.
* Incrementar o projeto da Google TV (a Motorola produz set-top-boxes para o mercado americano de TV)
* Proteção contra a guerra fria de patentes, que acontece nos bastidores do setor de tecnologia.

Outro efeito é que a aquisição pode criar nos investidores a expectativa positiva de que a Google está preparada para uma internet cada vez mais distante do desktop (device agnostic).

(Aliás, entre vários motivos, as ações do Facebook podem ter caído justamente porque alguns investidores não acreditaram que a plataforma de rede social estaria preparada para gerar receita em uma internet onipresente em dispositivos móveis?).

A passos largos, a internet está cada vez mais presente em dispositivos/objetos e distante do desktop. Parece que os investidores já estão percebendo isso.

Veja também: Anúncio dos óculos da Google tem seus méritos

May 19, 06:39 PM

Saber como fazer uso das ferramentas online sem ser sobrecarregado pela avalanche de informações é um ingrediente essencial para o sucesso pessoal no séc. XXI, assim como aprender a dirigir um carro era crucial para os cidadãos do começo do séc. XX.

Escritor Howard Rheingold, no livro Net Smart.

May 18, 11:30 AM

Em fevereiro, logo após o anúncio oficial de que o Facebook estrearia na bolsa, eu escrevi sobre o assunto. De lá para cá, pouca coisa mudou, a não ser o fato de que, nesse meio tempo, o Facebook utilizou táticas para criar uma expectativa positiva em torno do IPO, como a compra do Instagram pelo suposto valor de US$ 1 bilhão.

Efeitos do IPO do Facebook (Fev/2012)

A curto prazo, o IPO não mudará quase nada para os usuários. O Facebook continuará servindo com a sua proposta – ser um poderoso utilitário de comunicação para os usuários finais e uma segmentada base de dados para as empresas.

No entanto, num prazo maior mudanças podem ocorrer. Na realidade, algumas começaram antes mesmo do processo do IPO.

IPO é uma faca de dois gumes. Daqui para frente, o interessante será acompanhar como o Facebook lidará com a fuga de talentos e a responsabilidade de ter que responder a mais stakeholders.

Do ponto de vista de “usuário final”, vale acompanhar os produtos e serviços que surgirão nos próximos anos, criados por ex-funcionários do Facebook a partir do dinheiro resultante da abertura de capital da plataforma de rede social.

Veja também: Que tipo de tecnologia o Facebook é?

May 16, 06:14 PM

A Volkswagen divulgou nas últimas semanas um vídeo conceitual de um “carro flutuante” que, segundo a montadora, será o veículo do futuro. Tem tudo o que é comum em vídeos do gênero – um conceito pretensamente futurista, um design questionável de produto, além de diversos figurantes de queixo caído.

Mesmo com esses detalhes, o que tem chamado a atenção do pessoal é que o vídeo se passa na China e é protagonizado por atores chineses.

Não há motivo para se impressionar.

Primeiro, o vídeo é resultado de um concurso de ideias realizado pela Volkswagen chinesa. Segundo, se o carro do futuro existir, certamente virá de algum país asiático. A previsão é que o mercado de carros elétricos, por exemplo, crescerá muito mais rápido na China do que em países ricos. O motivo não é somente econômico e político – o governo chinês anunciou há 3 anos que quer se tornar o primeiro país a adotar em massa carros movidos a eletricidade.

A China é hoje o país que melhor reflete uma das dinâmicas mais presentes nos fluxos internacionais de inovação. Tecnologias que são consideradas “imaturas” ou “de adoção lenta” no topo da pirâmide estão alcançando fácil e rápida aplicação em sua base, nas nações emergentes.

Para a emergente classe média chinesa, que nunca teve um automóvel, adotar um carro elétrico é bem menos assustador. Não existe um custo de troca nisso. É bem diferente da situação dos consumidores americanos e europeus, os quais pensariam duas vezes antes de migrar para carros movidos a eletricidade.

Esse tipo de situação não é nova. Aconteceu algo parecido com os celulares há mais de uma década. Em comparação com os países desenvolvidos, nos emergentes, a tecnologia móvel foi incorporada rapidamente, superando a eletricidade.

Nos países desenvolvidos, onde havia uma tradição e onipresença de linhas fixas, o processo se deu de forma mais gradual. A priori, a telefonia sem fio e móvel era vista como desnecessária, não urgente, e havia um certo “custo de troca” em adotá-la

O professor de inovação Vijay Govindarajan, autor de Inovação Reversa, é até mais radical nessa visão sobre fluxos de tecnologia e países emergentes. Segundo ele, se você produz uma tecnologia de ponta, deve se focar nos emergentes, pois, ao contrário do senso comum, a população desses países tem mais flexibilidade e menos entraves em assumir uma nova tecnologia. Por entraves entenda-se custo de troca e limitações herdadas de sistemas anteriores.

Se Govindarajan estiver correto, o “carro flutuante” virá mesmo da China.

Veja também: Nenhuma tecnologia é inútil até que se prove o contrário

May 15, 08:31 PM

Se entre os pesquisadores existe um crescente consenso sobre o atual overload informativo, esse consentimento é de que a solução para o problema passa muito mais pelo comportamental do que pelo tecnológico.

Faz sentido. Twitter e Facebook, por exemplo, passaram de solução tecnológica a problema no tocante ao excesso de informação. Tanto que o Facebook foi obrigado a criar um filtro do filtro – recurso que mostra quais mensagens são mais relevantes na linha do tempo da plataforma de rede social.

O escritor Howard Rheingold, em seu novo livro Net Smart, cita que são necessárias 5 habilidades para sobreviver online – inteligência de rede, atenção, participação, colaboração e capacidade de filtrar informação (detector de bobagem). Essa última habilidade é essencial para lidar com o atual volume de informação – saber qual site merece ser visitado, qual texto vale a pena ler, qual email merece mais atenção. O tempo todo na web estamos tomando microdecisões, que, cada vez mais, exigem um senso crítico de quem está conectado.

Eli Pariser, autor de Filtro Invisível, acredita que, do mesmo modo que, para acabar com o sobrepeso, devemos mudar os nossos hábitos alimentares, para lidar com o atual overload informativo, precisamos mudar o modo como consumimos mídia. Devemos consumir mídia de forma menos compulsiva, adotando uma dieta saudável de informação. A solução é, acima de tudo, comportamental.

Por isso, chama a atenção como Twitter e Facebook vêm tentando encontrar soluções para lidar com a própria avalanche de informações que ajudaram a criar.

O Facebook começou a testar o Highlight, recurso pago que destaca uma mensagem na linha do tempo da plataforma de rede social. A funcionalidade surgiu depois da constatação de que, em média, somente 12% dos contatos de uma pessoa leem uma mensagem publicada no Facebook. É tanta informação querendo atenção que, no final das contas, nenhuma ganha foco suficiente na plataforma de rede social.

Por sua vez, o Twitter anunciou o lançamento de uma newsletter que, semanalmente, enviará para a caixa de email um “resumo dos tweets mais relevantes e compartilhados por seus contatos no Twitter”.

Ou seja, é outro filtro do filtro. De certo modo, bem no início, o Facebook tentou fazer o mesmo com o EdgeRank, algoritmo que destaca na linha do tempo do usuário quais mensagens e conteúdos mais relevantes os seus amigos compartilharam na plataforma de rede social.

Será interessante ver como o Twitter e o Facebook irão operar com os novos recursos. Dependendo de como for implementado, o Highlight pode prejudicar ainda mais a experiência de usar o Facebook, modificando completamente a própria noção de relevância da plataforma de rede social. Na prática, o Highlight é uma forma artificial de tornar uma mensagem relevante. Quem paga mais será mais relevante na linha do tempo no Facebook.

Já o algoritmo da newsletter do Twitter terá que ser muito bem amarrado para identificar realmente o que é interessante para as pessoas. Caso contrário, os dois recursos, tanto o do Facebook como o do Twitter, correm o risco de ser mais um ruído em nossas caixas de email e linha do tempo, contribuindo ainda mais para o volume desproporcional de informações que recebemos todo dia.

Veja também: Twitter: plataforma de conteúdo ou utilitário de comunicação?

Crédito da foto: Stephend9

May 12, 10:40 AM

Precisamos parar de nos deslumbrarmos com ‘tecnologias sensações do momento’ (Facebook, Twitter e Angry Birds) e nos concentrarmos em algo mundano que realmente funcione, atinja a todos, preste serviços valiosos aos mais pobres e que tenha como base um modelo de negócios sustentável

John Naughton, professor de TI e colunista do Guardian, sobre os 20 anos de uma das tecnologias mais universais e utilizadas – o SMS.

May 11, 11:37 AM

O NYTimes lançou sua nova campanha comercial.

É exclusiva para a internet (não será exibida na televisão).

Não tem o impacto inicial da campanha do Guardian e a sua filosofia de “jornalismo aberto”, mas reflete algumas mudanças que estão acontecendo nas empresas de jornalismo.


Veja também: Primeiro produto comercial do laboratório de P&D do NYTimes

May 10, 05:02 PM

Na tentativa de diminuir a participação de mercado da Google, a Microsoft anunciou uma nova interface para o sistema de busca Bing.

Basicamente, busca integrar melhor dados de redes sociais aos resultados das buscas.

A nova interface do Bing terá 3 colunas – uma com os resultados da busca, a outra com informações relacionados à busca (resenhas de restaurantes, por exemplo) e a terceira com os seus contatos no Facebook, dando a opção de perguntar a eles sobre algo que você não achou numa busca. Sugestões de pessoas que entendam do assunto que você está procurando também serão exibidas nesta terceira coluna.

A modificação estará disponível primeiro na versão americana do buscador, em www.bing.com/new.

Vale fazer alguns comentários rápidos sobre a mudança:

- O Bing ficou mais competitivo. Até agora o crescimento do Bing tem como principal base acordos de distribuição. O sistema de busca não é uma unanimidade. Tem 15% de participação, mas a maior taxa de sucesso do mercado (81% das buscas resultam em uma visita a um site listado nos resultados).
- É um nítido sinal de que, diferente do posicionamento inicial, a Microsoft começa a ver busca como utilitário e não como algo que simplesmente deve ser cool (as pessoas não mudaram do Altavista para o Google por que o segundo era “bacana”, mas sim porque fornecia resultados melhores).
- Ao que tudo indica, a mudança está ligada também ao Xbox 360, dispositivo onde o Bing domina, é a principal tecnologia de navegação por voz.
- Fez muito bem para a Microsoft ter tornado a divisão de busca independente do setor ligado ao sistema Windows. Dá para perceber que o time do Bing tem hoje bem mais liberdade para trabalhar.

Não somente a nova interface do Bing, mas as recentes modificações realizadas pela Google deixam evidente que, no mercado de busca, ainda há muita coisa a ser explorada em termos de experiência e interface dos usuários. É esperar para ver.

Veja também: A Google está pronta para uma internet “device agnostic”?

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