THIAGO SALVADOR
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Pra quem trabalha sábado, sexta-feira tem cara de quinta.
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@guerrapimpostor Xiiiiii
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Se não posso ser um, me viro em dois - Se não posso ser pedreiro, viro madeireiro. Construo minha casa de... http://t.co/mJ1P3vHP
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Se não posso ser pedreiro, viro madeireiro. Construo minha casa de pau-a-pique e viro barrereiro pra fazer o arremate.
Faço a porta e janela, deixo até algumas frestas pra tirar esse teu cheiro lúbrico.
O pedantismo pouco-a-pouco vai nos matar.
Vou chegar em casa todo-dia, na hora da Ave Maria.
Vou sentir tua faca de aço-velho penetrando o meu corpo, se estranhando em minhas entranhas.
Vou falar baixinho no teu ouvido que ainda te amo.
E de noite, na cama, eu peço pra tu não chorar. Se Deus é feito de misericórdia, Ele ainda há de nos perdoar.
De manhã tudo de novo. O sol-na-cara. Rebento do povo.
(saudades dos meus escritos)
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f-is-for-fabulous: Death Cab For Cutie “Cath…”433 plays
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f-is-for-fabulous: Death Cab For Cutie “Unobstructed Views”561 plays
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Revelmobil - Noves Fora A Moda Antiga pode até ser a mais lembrada, mas Noves Foda é a minha favorita, sem dúvida.Ainda vamos voltar! : )0 plays
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Revelmobil. Nunca me senti tão bem compondo e tocando com mais alguém que não fossem os outros revels. Talvez um dia a gente volte.11 plays
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littlehope: Pixies - Hey My favorite Pixies song.50 plays
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I might not have anything to offer youI might not have anything to say that’s newBut you’ve gotta start somewhereoh, you’ve gotta start somewhere Gotta start somewhere - Jon Brion (gênio)0 plays
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“to find someone you love, you gotta be someone you love…”0 plays
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João Brasil é GÊNIO e genializou mais uma vez! Radiohead x MC Gorila e Preto0 plays
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Ando escutando muita música do lado de lá ultimamente. E essa banda é mais nova sensação do Japão (rima sem intenção).
O quarteto é bastante eclético dentro do gênero, podendo ir de um rock mais animadinho até um som mais pesado.
heidi. é uma banda de visual kei independente que surgiu em 2006, e desde lá a popularidade dela vem aumentando na terra do sol nascente. Tomara que eles sejam uma grande banda do porte de Larc~en~Ciel. :D
No álbum ao vivo Live Tour 2009 'Paronama' at Shibuya C.C Lemon Hall está a primeira música que eu ouvi deles (há dois dias atrás, rs, mas tudo bem, já sou fã) "Remu". E as músicas que eu mais gosto: "Hello!", "Synchro", "Shinkiro", "Tsubasa" e claro "Remu".
2. Hello!
3. Orange drama
4. Shinkiro
5. Koen lullaby
6. Kokotsu
7. Deep
8. Ame-to-kissaten
9. Remu
10. Asue
11. Heaven
12. Tsutatsuta
13. Tsubasa
14. Utakata
15. Synchro
16. Sentimental
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Bom, desconhecida não é mas a banda merece o post.
Essa sem duvida esta entre as minhas três preferidas só não sei em qual ordem, se não for a melhor é sem duvida a banda que melhor representa o heavy na atualidade.
Com características marcantes das guitarras Harmônicas do heavy e um toque hardcore do atual vocalista Howard Jones a banda mostra muita qualidade nas bem produzidas melodias.
Este disco é o meu favorito, mas todos eu recomendo.
Quem quiser saber mais da historia da banda da uma olhada na wiki.
Como todos sabem, a quarta edição do Rock in Rio, tirando uns shows aqui e ali, foi uma bosta. Desta forma, sobrou apenas um evento pra manter a honra das quartas edições de eventos musicais brasileiros desse ano.
E ele se aproxima.Dia 28, no Galpão, Faixa Desconhecida 4!
Com o retorno dos enfants terribles da Comunicação Social, Leon Sanguiné e Robert Snows, a estreia do cara mais legal da cidade, Pablo Aquarius e o DJ convidado João Grigoletto, da Fubazada.
No cardápio, aquela salada que você conhece, você confia: indie rock, roque pauleira, electro, um sambinha e o que mais essa gente tiver a pachorra de (des)conhecer. Mais informações em breve na nossa programação. E sem o Beto Lee!
-Antecipados a R$ 7 no Zero Grau (Gonçalves Chaves, 360) e no Gato Gordo (Benjamin Constant, 1290).
Aprender a nadar, segundo disco de Jards, foi sua tentativa de arranhar as paradas de sucesso. Foi algo que ele até conseguiu e que lhe valeu alguma - boa - mídia, mas não o suficiente para livrá-lo da pecha de "maldito", de anti-comercial. Apesar da pouca vendagem do primeiro disco, a Philips decidiu manter o contrato do cantor, que aproveitou para gravar um álbum bem menos "econômico", com arranjos mais elaborados - ao contrário do primeiro, no qual se restringia a um grupo básico Em Aprender a nadar, aparecem músicos de estúdio como Wagner Tiso (arranjos, piano), Robertinho Silva (bateria), Rubão Sabino (baixo) e Ion Muniz (flauta), além de um regional que inclui os experientes Canhoto (cavaquinho) e Dino Sete Cordas (violão).
Concebido ao lado de Waly Salomão (que usava a alcunha lisérgica de Wally Sailormoon) era um disco conceitual, com faixas que tratavam de uma certa "linha de morbeza romântica" - morbeza, um neologismo inventado por Waly, era uma mistura de morbidez e beleza, que ele definia como "uma idéia para identificar uma linha de ação, como uma estratégia da qual depois se larga e se busca outra". Tal idéia esteve por trás de pelo menos quatro faixas do disco, "O Faquir da Dor", "Rua Real Grandeza", "Anjo Exterminado" (gravada numa versão mais radiofônica por Maria Bethânia no disco Drama) e "Dona do Castelo", como uma retomada, sob um viés tropicalizado, da antiga dor-de-cotovelo. Músicas antigas do estilo - ou aproximadas a ele - eram revisitadas em algumas regravações, como "Imagens", de Orestes Barbosa (quase uma pré-psicodelia, em versos estranhos como "a lua é gema do ovo/no copo azul lá do céu.../o beijo é fósforo aceso/na palha seca do amor"). O maior sucesso do LP, no entanto, foi a regravação do clássico "Mambo da Cantareira", antigo sucesso de Gordurinha - que serviu de pretexto para Macalé alugar uma barca da travessia Rio-Niterói e pular na baía de Guanabara ao som da música, na festa de lançamento do álbum. "Orora analfabeta", outro grande sucesso de Gordurinha, cuja letra sacaneava a ignorância das elites, também estava no LP, e também fez sucesso (os versos iniciais são inesquecíveis: "Conheci uma dona boa lá em Cascadura...").
O lado experimental do disco ficava por conta de estranhas vinhetas, como as cinematográficas "Jards Anet da Vida", "No meio do mato" e "O faquir da dor", além da interface música-artes plásticas-cinema, que encontrava seu desvelo na arte da capa e do encarte (com fotogramas de Kakodddevrydo, filme de Luís Carlos Lacerda) e na dedicatória a Lygia Clark e Hélio Oiticica. Numa época em que o barato era freqüentar Ipanema, Jards homenageava um dos pedaços mais suburbanos da zona sul carioca ("Rua Real Grandeza", finalizada com uma engraçada vinheta baseada em "Pam-Pam-Pam", de Paulo da Portela, na qual Wally "tocava" chaves e porta). O disco ainda apresentava o poeta underground Ricardo Chacal, lendária figura da vida cultural carioca - até hoje, aliás - ao mundo da música, como letrista de "Boneca semiótica", composta com Macalé, Duda e o multi-homem baiano Rogério Duarte.
Não só por puxar brasa pra minha sardinha, por ter feito a capa, por ser amigo desses caras, mas sim e também, por acreditar no potencial e talento desses músicos da "nova escola" do rap gaúcho e nacional que deixo aqui no Faixa a mixtape Sentidos e Percepções, recém saída do forno. Essa mix tem como diferencial a parceria de um beatmaker e um dj, compondo músicas instrumentais de altissíma qualidade nos melhores moldes da Stones Throw e da cena "alternativa experimental" de Los Angeles. Segue o release do album, escrito por Lucas Goulart Silveira:
“Álbuns instrumentais de rap não são comuns no mercado nacional. Os Mcs geralmente ganham mais espaço que os beatmakers, mas as rimas nesse EP são totalmente desnecessárias. Apesar do estigma de que álbuns instrumentais são "difíceis" de escutar, esse rótulo não se aplica nesse caso. As cinco faixas do EP viajam pelos sentidos humanos, cada uma com um clima único, é difícil destacar apenas uma faixa, já que o nível de todas é acima da média.
Um dos melhores momentos do disco vai para a faixa Tato, com um beat mais "orgânico" e um clima jazzístico, é um som perfeito para embalar uma sessão de skate no fim de tarde ou aquele momento de chill out.Com uma produção de "nível gringo", as faixas apresentam influências de jazz e bossa nova, com camadas bem construídas, samples e timbres finamente escolhidos.
O disco é uma ótima pedida pra quem gosta dessa nova cena "alternativa experimental" de Los Angeles.
É seguro afirmar que Sentidos e Percepções não faria feio no catálogo da Brainfeeder ou da Stones Throw”.
via: Naipe Skate
Em meados de 1996 os irmãos Jeremiah e Joshua Zimmerman foram levados pelo pai que vendeu todos os pertences de onde moravam e partiram para uma viagem pelo mundo. Os jovens aspirantes à música folk, aplicaram a experiência adquirida de passar por quase todos os continentes em um projeto musical iniciado dez anos depois chamado "The Silent Comedy". O grupo lançou seu primeiro LP em 2010 que levou a banda a fazer turnês junto a grandes nomes como Edward Shape and The Magnetic Zeros, Cold War Kids, MGMT, Flogging Molly e The Black Keys.
O mundo parecia conspirar a favor de Marcelo Jeneci. O pai, apaixonado música e pela jovem guarda, construiu a vida consertando instrumentos musicais. Certo dia, um dos clientes mais assíduos de sua oficina, Dominguinhos, resolveu presentear o menino que brincava no meio das sanfonas do trabalho do pai com um item da sua própria coleção. Com ela, Marcelo foi aprendendo, até descobrir que Chico César estava procurando um sanfoneiro para uma turnê internacional. Até meados de 2010, Marcelo Jeneci continuou assim: Era o rapaz do acordeom nas bandas e discos de alguns dos artistas mais cultuados da MPB, Marcelo Camelo e Arnaldo Antunes dentre eles. Mas, como uma borboleta que sai de seu casulo para alçar liberdade, lançou, no ano passado pela Som Livre um álbum composto por canções que os críticos, à época, classificaram como “música de mariposa”. “Feito pra Acabar”, com referências claras de Los Hermanos a Roberto Carlos, já teve até música em novela das oito e outra regravada pelo sertanejo Leonardo, mas, após um ano de seu lançamento, segue como ápice da nova e promissora safra indie-MPB paulistana.
Em seu disco de estréia, aos 28 anos, Marcelo Jeneci recebeu cotação “ótimo” e “excelente” na maioria das revistas de músicas nacionais e foi considerado, pela Rolling Stone, o segundo melhor lançamento brasileiro de 2010, perdendo apenas para “Efêmera”, da cantora santista Tulipa Ruiz.
Apesar de ótimas faixas, como “Felicidade”, “Pra Sonhar” “Dar-te-ei” e “Café com Leite de Rosas”, essa última em parceria com Arnaldo Antunes, “Feito pra Acabar” possui, assim como quase tudo feito nos últimos dez anos no Brasil, prazo de validade. Marcelo terá de inovar para não sofrer da “maldição do segundo disco”. Esse doce todo pode se tornar azedo. Azedinho.
Feito pra Acabar
Marcelo Jeneci
Som Livre
2010
Bom, eu não ando muito afim de classificar as coisas mas digo que a The Decemberists é uma banda com um estilo folk puxando bem pra baladinha pop que te faz balançar o pé enquanto tá escutando.
Diretamente do Faixa chegam @_danielortiz, @lucianoprestes e @gkrolow, mostrando mais três visões diferentes do mundo do rock e assemelhados. E pra completar a parada, ainda tem o som da HeavySotaque @patricialindoso que veio do Pará pra tomar conta de todas as festas legais da cidade. Todos testados e aprovados pelo exigentes padrões musicais da FADE, e em breve, pela galera toda.
A festa custa 7R$ com nome na lista em www.fade.art.br
Até breve!
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É a hora do quem é quem da Faixa Desconhecida 3ª Edição. Dessa vez ainda mais necessário, já que no próximo dia 22 teremos no Santa Martha um DJ que mora em Porto Alegre e uma DJ importada. Pensando sempre em levar a informação mais relevante, dessa vez as perguntas foram adaptadas a cada indivíduo, versando sobre assuntos essenciais ao bom andamento da festa, como o feriado, o frio e trocadalhos.
@lucianoprestes
Quais os teus estilos e/ou bandas preferidos(as)?
Acho difícil definir, já que fui influenciado por muitas variações ao decorrer dos anos. Ainda assim arriscaria dizer Garage, British, Indie Rock e Acid Jazz. Não conseguiria nomear bandas, seria uma longa lista.
Tu que tava nas outras festas do Faixa, conta pra galera como foi. Tem como comparar a tua playlist com o que a galera ouviu nas festas anteriores?
Cada festa foi um sucesso no que estava propondo. A primeira serviu de introdução dos DJ's, mostrando aos frequentadores do blog uma compilação dos seus perfis musicais dos colaboradores do Faixa. A segunda festa mostrou uma progressão colocando um show ao vivo da banda Mascates, ainda sim com mais colaboradores mostrando o que curtem. Minha playlist não será tão desconhecida. De fato, muitas são figurinhas tarimbadas que apareceram em outras Faixas, mas mesmo assim, terá algumas coisas que eu quero apresentar pra galera.
Nerds também podem dançar?
Nerds dançam como ninguém!
Isso foi um trocadalho?
Totalmente.
@_danielortiz
Quais os teus estilos e/ou bandas preferidas?
Sou bastante eclético e escuto de tudo um pouco. Mas minhas preferências pessoais são mpb, jazz, rock progressivo, samba e suas vertentes instrumentais. Mas na prática não funciona de modo tão
Atualmente tenho ouvido bastante Wilco - consequência do inverno -, The Bad Plus, Hamilton de Holanda Quinteto, Sufjan Stevens e Devotchka.
Daniel, a gente sabe que antes de ser DJ, tu é um dos melhores bateristas que a região sul já viu e profundo conhecedor da música mundial. Com todas essas referências disponíveis, a tua playlist vai ter alguma sequência lógica?
Antes de tudo, obrigado pelo elogio. Difícil responder a essa pergunta! Já que se trata da minha primeira experiência como DJ e da minha preferência musical ser mais voltada à música instrumental. Mas penso que a grande lógica é uma playlist pra tentar agradar e fazer a galera curtir o máximo possível. Mas como se trata de festa tudo é imprevisível. Pra essa primeira experiência resolvi focar em bandas e sons mais conhecidos, intercalando com outros não tão conhecidos, pra conhecer o perfil da galera.
Vais tocar um Dream Theater ou um free jazz pra galera dançar?
Quem sabe apareço com alguma carta na manga pra fazer uma surpresa!
@gkrolow
Quais os teus estilos e/ou bandas preferidos(as)?
Putz, por mais clichê que possa parecer, escuto de tudo. O estilo musical varia muito conforme o momento, por exemplo, de manhã cedo, pra trabalhar, tenho escutado bastante Jazz, Blues e Soul, como Joss Stone, Raphael Saadiq, Azymuth, Al Green, Mayer Hawthorne, Aloe Blacc e por mais gay que isso soe, gosto bastante de John Mayer. Na tarde, algo mais agitado como um funk ou um bom rock (não, não separo pelas categorias, RATM e Coldplay são rock :P). The Doors, King Crimson, Emerson, Lake & Palmer, Tinashé, Arctic Monkeys, Pharcyde, J Dilla, Blu & Exile, Buckshot LeFonque, Rage Against the Machine, Incubus, Mars Volta, Queens of the Stone Age, Sublime, Medulla, J.Rocc, Cut Chemist, The Hundred In The Hands, The XX, Brothers Johnson, James Brown, Jackson 5... Geralmente to sempre conhecendo coisa nova e adicionando a playlist e dentro do possível compartilhando com todos no Faixa.
Tu tocasse na festa/show/DVD do Zudizilla com um som bem diferente do que teve nas outras "festas do Faixa". Como é que foi? Vais manter a mesma vibe nessa festa? Vai rolar a música do Hermes & Renato?
Ainda não sei. Quero botar o pessoal pra dançar, pra curtir uma boa música sem ficar caindo nos clichês já estabelecidos em Pelotas. Mas não sei ainda se só funk vai agradar geral. Talvez comece com um funk, passe por The Doors e entre no Rock'n'roll, ou fico mais nos sonzinhos hype como The XX, Tinashe, MGMT, Phoenix e afins. Não sei mesmo, só posso garantir que qualquer um dos caminhos vai vir só sonzeira nervosa.
Pretendes quebrar tudo na festinha, acordar todo errado e sair correndo de volta pra POA ou queres aproveitar o feriado também?
A princípio vou folgar na sexta, então vou ter bastante tempo pra curtir com os amigos ai. Masssss, publicidade é imprevisível, sempre existe a possibildade de eu ter que vir trabalhar na sexta. Mas, independente de voltar antes ou não, VAMOS FAZER UMA FESTA DO CARALHO COM GENTE BONITA E DANÇANTE!
@patricialindoso
Quais os teus estilos e/ou bandas preferidos(as)?
Lá em casa eu cresci ouvindo MPB, Samba, Bossa Nova, Rock Clássico, então é o tipo de coisa que eu gosto desde pequenininha e acho que sempre vou gostar. Gosto de coisas alternativas e experimentais, gosto sinergia. Hoje em dia eu sou meio fissurada em ficar fuçando sobre tudo que tem chance de me agradar, é impossível listar tudo pelo que musicalmente eu sou apaixonada, mas as três primeiras coisas nas quais pensei foram The Kills, David Bowie e New Order.
Eu fui na festa Heavy Sotaque, mas acho que me passei na Devassa e não lembro de muita coisa. Conta aí como foi. A playlist pro dia 22 vai ter alguma semelhança com a da HS?
O maior propósito da festa era que a gente se divertisse junto com os nossos amigos, era aniversário de um ano que nós cinco moramos juntas, mas foi muito além do que a gente ‘tava esperando, apareceu uma galera bem massa e a festa foi muito legal. As cinco fizeram uma playlist e cada uma tem um estilo bem diferente apesar de uma certa comunhão de gosto musical, daí a gente convidou dois amigos nossos pra discotecar também, o Rafa (@rafaelpeduzzi) e o Vini (@vinialbernaz), e ficou muito feliz que o pessoal aproveitou a festa tanto quanto a gente.
Toquei desde The Lonely Island até The Cure, a playlist pro dia 22 vai ser tão dançante quanto a desse dia!
Já fosse em alguma outra festa do Faixa? Se sim, foi a melhor coisa que aconteceu em Pelotas, não foi?
Sim! Fui na segunda edição, tinha tanta gente, foi bem loucura. A primeira eu fiquei super a fim de ir, mas ainda ‘tava de férias em casa. Eu conheci o blog pelo Leon (@leonsanguine) e achei muito legal a proposta, imaginei que uma festa pelo Faixa seria tão boa quanto a idéia do blog. Show da Mascates (@mascates) e os membros do Faixa discotecando foi uma ótima combinação.
Vais apresentar alguma coisa que a galera do sul andou perdendo ou tás na nossa mesma vibe?
Tô relativamente na mesma que vocês, na verdade eu sou mais da vibe de vocês do que da do lugar onde eu nasci (apesar de que por mais que não pareça, musicalmente tem bastante coisa boa por lá). Mas estar na mesma vibe não significa que a minha playlist vá ser previsível, eu gosto de coisas antigas e novidades fascinantes, vou tentar deixar ela ser as duas coisas ao mesmo tempo.
Tás achando o frio uma merda?
Nem tanto, depende muito. Eu gosto de frio quando ‘tá calor e de calor quando ‘tá frio, mas sempre tem como deixar boa a parte ruim das coisas, apesar de que eu tomaria chocolate quente no verão tranquilamente.
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Diferente de tudo que eu já tinha postado até então, apresento Tinashé, um músico do Zimbabue que mudou-se para Londres assim que sua carreira na música começou. Com uma sonoridade influenciada pela música africana, com batidas e percursões que vagamente lembram as originadas deste continente e também com o uso da Mbira (teclado de origem zimbabuana) em quase todas as músicas, seu estilo lembra um pouco Bloc Party, Phoenix, The Hundred in The Hands e por vezes até Arctic Monkeys. Deixo aqui um video da faixa 'Saved' e o download do seu único album, também intitulado 'Saved'. Vale a pena, o cara é muito bom.
Como tiveram pessoas perguntando qual música que tava tocando, outras simplesmente elogiando a playlist e outras dançando, resolvi disponibilizá-la aqui no Faixa. Fiz um .zip com todas músicas e também vou deixar os nomes, caso queiram só alguma específica:
Então no dia 24 de maio foi lançado o album "Valleyheart". O album em momento algum foge do que a banda ja havia proposto em suas musicas no album de estréia em 2006, bem como, no album de 2007.
A mescla que a banda propõe desde o início com algumas músicas "dançantes", outras ótimas para meditar, e, mantendo suas letras envolventes, acaba caracteriza também o terceiro album da banda. BAIXA AI MANO! É PAPO SÉRIO!
Destaque para as músicas: “Take the World”, “Reasons” e “Maybe She’s Right”.
She Wants Revenge . Valleyheart (2011)
01. Take The World
02. Kiss Me
03. Must Be The One
04. Up In The Flames
05. Not Just A Girl
06. Reasons
07. Little Stars
08. Suck It Up
09. Holiday Song
10. Maybe She’s Right
Download AQUI!
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Po, o que falar desta banda?! Bom, como um apaixonado por metal e este sitio ter um intuito de mostrar coisas não convencionais, eu escolhi postar este disco porque será uma grande experiência pra quem curte o gênero conhecer.
Eles fazem um som limpo "sem solos e arranjos desnecessários" e tem um som com um peso inigualável até então desconhecido por mim. Quebras de ritmo constantemente usadas, escalas pouco comuns e vocais muito bem arrojados. Isso faz do Red Fall uma banda de metal diferente.
O disco e apenas um EP, e é único material até então, espero que curtam, e um salve pra todos.
Faixas:
1. Starlet
2. Hell Is For Heroes
3. The Divine
4. Eidola
5. Falling Idols.
Download Mediafire
Olá, graciosos!
Olá, pessoas!
Depois do "rock bolachinha" da pelotense Johnny's Joy, prossigo com minha série de posts de jazz! Trago hoje o disco do trio estadunidense The Bad Plus - For All I Care.
Fenômeno nos EUA na última década, a proposta do grupo é essencialmente instrumental, porém nesse disco o grupo conta com a participação da excelente vocalista Wendy Lewis, para trazer à vida releituras de clássicos do rock e do pop em formato jazz! Nesse disco você vai encontrar releituras de Nirvana, Yes, Beeges, Pink Floyd, etc. Todas com uma identidade muito forte e pessoal.
Não vou mentir. Apesar de ser o disco mais digerível do grupo, sem tantas experimentações, é um disco para quem gosta de jazz. E isso fica claro desde os primeiros acordes!
Assim como os outros discos do grupo, For All I Care tem uma produção impecável, e a participação de Wendy é a cereja do bolo e o diferencial deste trabalho.
Característica marcante do grupo, as improvisações e experimentações sonoras continuam merecendo grande destaque neste disco, principalmente para quem já escuta e curte jazz. Para quem não é tão adepto do estilo, algumas coisas podem não soar tão bem ao ouvido.
Apesar de o disco todo ser uma grande unidade sonora, a cada nova trilha o grupo se reiventa explorando uma nova oportunidade. Há de tudo: músicas lentas, agitadas, experimentais e outras mais tradicionais. Com essa viagem através de diversas pegadas o álbum corre de maneira que sempre há uma nova surpresa.
Pra quem se amarra em um jazz mais experimental, recomendo baixar de olhos fechados!
Até a próxima!
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Hoje, aberto e desvendado, exponho mais que a ferida e me vejo figura-inteira, precisando mais que só teus dedos pra me segurar.
A imagem daquilo que nunca fomos está borrada pelas lágrimas que derramei em razão de cada sorriso teu e, mesmo sendo obra do acaso, nossa tela ainda enfeita a sala desse lugar que nunca foi o nosso lar.
O dia morre pensado em amanhecer a lua e, assim, a lua desce e padece a espera de outro encontro,
num eterno esconde-esconde onde, qualquer dia, talvez num meio-dia, a lua-cheia de não ter o amor, abrace o sol e receba seu calor.
E o nada, preto-e-perto, tinha tudo, limpo e claro, tomado pelo preto, longe-escuro.
Um dia o dia vira, o vento vira a vela e a vela apaga o vento.
O sol que se gabava já não sola como solava,
sente o frio que vem com o vento, triste-opaco, já é relento.
O nada que está com tudo, tem tudo, que ainda é nada,
mas sabe o tudo que ainda é tudo se hoje o tudo ainda é nada?
Meu dia ainda é noite, e quem sabe é o sabiá,
mas do tudo, que ainda é preto, espero a Lua me iluminar.
E depois “da uma” vem a faca – se não morreu “na uma” morre na faca.
Passa a faca e deixa de pata pra cima, o sangue sai do buraco e entra no nariz pra sair no buraco de novo – se não morreu na faca morre no sangue.
Vez ou outra o pai pega uns boi brabo, filho, uns que não morrem nem na marreta, nem na faca e nem no sangue, mas aí, depois do sangue, o pai tem que tirar tudo que tem dentro, pra vender separado pro moço do açougue e, se não morreu antes, morre agora. Desses eu sinto mais pena. Esses morrem vazios e ainda por cima sentem o vazio... se sentem vazios – dizem que o vazio de dentro é o pior.
- E eles gritam porque dói, né pai?
- Doer, dói, mas ia doer mais se o moço do açougue chegasse aqui e não tivesse boi pra eu vender, ia doer mais porque ia doer na gente, filho.
Agora vai pra dentro de casa, amanhã o pai te ensina como sentir pena deles – sentindo pena dói menos ainda.
Por mais que eu fuja do amor ele sempre dá um jeito de me encontrar - a razão e o coração brigando de navalha nos dentes e a alma se debatendo, tentando descobrir se existe algum lugar mais baixo que o chão.
Durante um mês inteiro fiz um regime, cortei carboidratos e tudo aquilo que provocasse o amor, mas infelizmente, durante esse mês, tudo que consegui perder foram trinta dias da minha vida e um bocado de força imunológica.
Eu não tenho como me esconder dele, por mais que eu tente, ele sempre me acha. O “amor” está nos dentes brancos dos comerciais, no café amargo com quatro colheres de açúcar, no mico-leão da nota de vinte e até no tempero/canção brega que a dona de casa usa pra dar gosto ao feijão. O único problema de me juntar a ele, o amor, é que assim estarei admitindo que não posso vence-lo - não poder não é o problema, o problema é admitir.
Minha salvação é que em tempos de pornografia virtual ninguém mais precisa ser amado para amar. Sentimentos platônicos voltaram com tudo nessa estação – felicidade 24h por dia ou garantimos a devolução do seu esperma.
Sites de relacionamento, e-mail com peitinho, chá das cinco... é tudo a mesma merda. O mundo, hoje, não apenas me condena como também me executa e eu, nessa prontidão sem fim, não apenas vou fingindo que sou rico, mas também, de esperto que sou, finjo ser bobo e, o amor, de malvado que é, finge que acredita.
Ver seus sonhos baterem de cara no muro da razão não é para os fracos. Ou talvez até seja, de repente os fortes tem sonhos feito eles, capazes de quebrar qualquer muro, tijolo-por-tijolo, até ficar só o pó.
Vez ou outra, tenho espasmos de sanidade e me deparo com questões obvias da vida... tão obvias que nem consigo achar resposta. Porem eu logo me controlo, faço um esforcinho e volto à minha alegre-ignorância.
Alguns dos meus momentos de insanidade-invertida deixam marcas. Marcas que eu mesmo faço, rasguinho-por-rasguinho, em toda a extensão do meu peito tentando extrair, assim, qualquer resquício de amor. Amor esse que eu só encontro depois de um ou dois litros de sangue A menos no meu corpo. Fico deitado, imóvel, no chão, me fingindo de morto pra ver se assim Deus vem falar comigo. Ele sabe que eu não acredito nele, mas um dia eu ainda provo pra mim mesmo que estou errado.
Enquanto isso eu fico esperando. Esperando o desespero de esperar sentado e me iludindo, achando que a única semelhança entre eu, sucedido estelionatário de ilusões, e o pobre operário de construções é o sufixo que nos rege.
Ainda posso sentir que está frio, o lençol verde que me cobre não é suficiente pra me aquecer essa noite, tampouco as lembranças de todos os momentos quentes da minha vida. Eu nunca fui muito católico mas me entristece o fato de não ter um padre pra me dar a extrema unção pois já estou in articulo mortis. Só porque eu nunca acreditei em Deus tinha Ele que deixar de acreditar em mim? toda minha vida me chamaram de Salvador e agora, na hora que eu mais preciso, não posso salvar a mim mesmo e não há ninguém pra me salvar.
Eu sempre ouvi falar que quando estamos prestes a morrer nossa vida passa diante de nossos olhos e eu agora vejo tudo preto, será que é isso a minha vida, a mais pura ausência de cor? afinal eu não vejo a luz branca no fim do túnel, eu não vejo o túnel, não vejo nada...
Meus amigos, os poucos que tenho, devem estar todos ocupados, afinal todos eles tinham algo pra fazer, um estimulo para continuar lutando, coisa que eu nunca tive. Talvez tenha sido por isso que a minha vida foi se acabando, de tanto ficar quietinho no meu canto, parado, ela foi se acostumando assim. Minha vida foi achando que viver era isso, não fazer nada e então a morte, para ela, é o ápice da vida.
Não tenho nenhuma mulher pra chorar por mim nesse momento. Todas que tive foram, na minha vida, pequenas parasitas que sugaram tudo de bom que tinha em mim. Meu carinho foi com uma, meu respeito foi com outra, minha dignidade, minha alegria e a ultima de todas levou consigo só o que sobrava, meu pequeno coração que por ela insistia em bater. Nem senti muita falta dele, afinal ele foi com sua verdadeira dona.
Talvez o meu problema tenha sido minha bondade excessiva, nunca tive coragem de roubar nada disso que me foi tomado pra refazer o meu eu.
Penso agora em todos os cigarros que não fumei, em todos os foras que dei e todas as canções que não cantei. Quantas mais vão vir depois que eu morrer? minha modéstia me faz pensar que o mundo vai seguir e eu não vou estar lá pra ver, mas tudo aquilo que eu aprendi com os falsos filósofos da tv me faz pensar, em contra-ponto, que o mundo pode acabar ali, no exato momento da minha morte. Se não acabar o mundo inteiro, pelo menos o meu mundo eu sei que vai acabar e se serve de consolo sei ao menos que não vou levar a vida de ninguém comigo, afinal ninguém habita esse lugar cheio de chuva e neblina.
E minha morte é isso, um dia nublado com leves pancadas de chuva. Não posso nem ao menos dizer que meu apocalipse particular é como esses de filmes onde o dia vira noite e uma grande tempestade devasta tudo que passa por seu caminho. Os “cavaleiros” que vem ao meu encontro são simpáticos homenzinhos que montam suas bicicletas e me perguntam se não quero carona. Dizem aquilo como se minha resposta não fizesse muita diferença. Se eu aceitar ir, tudo bem, se não, não. Mas se eu não aceitar ir faço o que? depois de todo esse alarde que fiz pra mim mesmo com essa coisa de morrer, não posso simplesmente levantar e sair andando por ai. Ta certo que não fará muita diferença, afinal minha honra dever ter ido junto com alguma das parasitas que cruzou meu caminho.
Será que vale a pena manter minha palavra uma ultima vez? eu até que quero morrer mas tenho que entregar um trabalho pra faculdade amanha. Não posso faltar na ultima avaliação do semestre com uma desculpa fajuta dessas.
Eu quero ter reconhecimento em minhas obras e sei que fica muito mais fácil depois de morto, ainda mais se eu morrer jovem assim. O problema é que eu ainda não tenho nenhuma obra. Mas de repente eu posso ser lembrado por alguns em alguma conversa de esquina, alguém pode lembrar do Salvador, aquele cara simplório que tava sempre ali na volta, nunca fez mal a ninguém... com alguma sorte alguém pode até lamentar minha partida.
Já deve ser mais de nove e meia e meu corpo moribundo e cheio de ossos faz companhia a minha mente afetada por todas as besteiras de verso de caixa de cereal e ondas de microondas. Sinto meu crânio cada vez mais apertado por todas as palavras que nunca consegui dizer, sinto minha consciência querendo fugir de mim – “Não, fica aqui. Me faz companhia só mais um pouco.”. É o que digo pra ela tentando fazer com que não me privem dessa que pode ser minha ultima escolha. Viver ou não.
Eu sempre tive insônia mas justo hoje sinto que dormir cairia bem. Mas e se eu não acordar mais? nem me preocupo, todo o café que tomei na minha curta vida deve ser suficiente pra me manter com os olhos vidrados por pelo menos mais uma década.
Sinto também os mosquitos me picando para extrair o pouco sangue que ainda resta no meu corpo frio, fazem isso como se estivessem vingando cada pequeno mosquitinho que eu matei. Fico até feliz com isso, pelo menos sei que ainda estou vivo.
Viver... eu pensando tanto sobre isso e acho que nem sei direito o que significa. Será que isso que eu venho praticando ao longo dessas duas décadas é mesmo “viver”?
O homem que maquia os cadáveres hoje virou um e não há ninguém para maquia-lo. Há somente uma pá, que de tanto pá-virar hoje em dia é pá-furada.
A terra de enterrar está molhada e afunda o pé do coveiro que não veio trabalhar.
O maquiador que hoje é defunto bem que podia se enterrar, mas não faz sentido se ninguém for chorar. E ninguém vai. Tudo por causa dos jasmins - não que estivessem ali por ele, mas mesmo assim fizeram seu serviço.
- Pode, mas só um pouquinho. – Se ele não perguntasse eu queimava até os dentes, mas eu não gosto de homem frouxo.
-Tu me amas?
- Amo – Se ele não perguntasse eu não diria, o faria.
O frio cai monocromático sobre meu corpo, espalhando impulsos nervosos que me fazem retorcer os dedos. Nenhum dos vinte escapa. Não há barras de ferro ou pedaços de madeira à minha volta, o máximo que posso fazer, então, é destinar meu olhar para o centro da terra, onde minhas lágrimas batem e rebatem, ecoando uma sinfonia-doente que, fascinada por si mesma, clama por mais lágrimas.
Já é difícil até de me apoiar nos joelhos e olhando para baixo sinto algum resto de sangue ou um tumor, não sei ao certo, se dirigindo à minha cabeça. A dor é essencial neste momento, ela é que me faz sentir vivo e lembrar que não sou o único que está errado, afinal, o que mais a vida é além de uma ótima idéia executada da pior maneira possível?
Mesmo apoiado no chão, meu dedo ainda se torce e por causa de uma pedra, estrategicamente mal colocada - perco uma unha descobrindo, assim, que ainda há um pedaço de carne no meu corpo que eu não tentei comer nos dias de fome.
Não há mais o que esperar. O campo já virou cidade, a menina virou mulher e os entregadores já não me entregam nada. O filme que passa diante dos meus olhos é um curta-metragem de baixo-orçamento e sem os direitos para tocar no fundo as musicas daquele sambista fanho. Mais uma vez centro os meus olhos no cimento-seco que, de tanto me agüentar, sinto como se já fosse meu e mergulho sem luxo e sem sentimento esperando o chão virar mar-vermelho. De novo, de novo e de novo.
...Abro um olho... o outro eu não consigo, não, o outro ta aberto, mas só vejo o preto. Um e dois e o frio, como se medisse em tonelada, me pressiona outra vez contra o chão.
Não há mais esperança. E olha que eu nem queria morrer, só esperava que, como num filme, eu desmaiasse e acordasse numa cama macia de fim de tarde e com um leve calor, glorioso-combatente do frio que, pouco-a-pouco me esmaga tudo-tudo.
Toda quinta e sexta carnificávamos o nosso amor. Quinta, no dia dela, eram sempre exatos vinte e sete minutos de penetração blasé embalados por cinco ou seis modinhas démodé. Já na sexta eu não a perdoava, despia ela com os dentes de todo seu pedantismo e a estocava até ficar explicito em suas artérias azuis.
- Devagar, tu queres me matar?
- Não amor, preciso de ti amanhã. Quero que me exibas pra todas tuas colegas de serviço mal-amadas que matariam pra me fazer um boquete enquanto gozam com uma garrafa de vinho-tinto socada no cú e descansam Marta Medeiros na cabeceira.
Giovana tentava me comprar com o sonho de Paris, e eu, tentava corrompe-la com o sonho de Platão.
Oito livros por mês e a vida me ensinou a ser o avesso de tudo. Quero assistir o desfile com Giovana em dia de feriado militar. Juro que me comporto pra poder andar no banco da frente.
Mesmo não tendo uma Harley Davidson, Giovana sabia que minhas ereções matinais eram toda a aventura que ela conseguiria nessas alturas da vida. Com quarenta e dois anos divididos pelos níveis de submissão, se ela me deixar agora, o máximo que pode conseguir é um advogado com uma vida de quase-luxo e um priapismo em pílula azul de quatro horas.
Se não experimentou maconha na faculdade, agora é que não vai fazer.
Já eu busco o oposto, levianas mentiras à mesa de jantar e a vida em eternos close-ups. Não é a toa que faço filosofia, de onde mais eu poderia tirar assunto para me aproximar de elegantes mulheres de meia-idade que praticaram sexo-anal contadas dezessete vezes, uma em cada aniversário de ex-esposo?!
Giovana me trata como se eu fosse sua nova bolsa Prada, e eu gosto disso, mas na hora do sexo é que eu me divirto. Assisto prazerosamente Giovana tropeçar em suas “convicções”. Ela diz que quer fazer a volta ao mundo, mas consigo ouvi-la gritando em silêncio quando rasgo seu lindo conjunto da Tifanny’s. Talvez, no fundo, isso seja o que me dá prazer nessa hora.
O odor de Channel misturado a lagrimas contidas é divino.
Minha cabeça, em freqüências variáveis, recusa a vontade de excluir o lado sórdido dos meus pensamentos. Uma tentativa pudica e víscerosa de me remeter a aquilo que realmente sou.
(EU NÃO QUERO!).
Essa aceitação filosófica da verdade, nua-e-crua, me arrebata com movimentos involuntários-destrutivos. Meu corpo luta, luta e luta. Tudo em vão. Sigo me olhando no espelho e vendo a imagem mais sincera do que sou, o homem por trás das máscaras, o homem que construiu as máscaras, o homem que quebrou as próprias máscaras.
(EU NÃO QUERIA!).
-Não é por mal. Ele me pede, mas não é por mal.
Passos delicados, suaves, num chão azul-escuro, procuro lugares isolados, onde nem o brilho do luar possa revelar minha tristeza (eles dizem que é doença, mas já disse – não faço por mal). Fugas emaranhadas e nomes em salto-alto não adiantam nessa hora, eu sempre consigo fazer – mas não é por mal, eu juro. Eu nunca rasgo nada e tenho sempre uma preocupação com os botões. Ajo com muito carinho, não que eu sinta alguma coisa, mas é que tenho medo de me ver refletido em lágrimas.
(EU NÃO QUERIA, MAS ÀS VEZES EU QUERO).
Foram tantas vezes que já nem me assusto mais... só com o silêncio. Quando dá o silêncio eu corro pra contar pra ele, eu conto porque dói, e ele ri de mim (eu não gosto quando ele ri... e ele sempre ri), aí eu me sento num canto e ele diz que me ama. Eu amo ele também, por isso é que não vou embora, mas se ele fosse seria bom.
(EU FAÇO, MAS ÀS VEZES NÃO QUERO).
E haverá um malandro, sambista da dor – samba-dor-samba-dor -
recolhendo cacos do pobre pierrot, – com-amor-sem-amor.
Enquanto houver uma mulher em pé haverá um homem no chão.
E haverá o samba pro sambista – dor-que-samba-samba-dor, e os cacos do palhaço sofredor – sem-amor-sem-sabor.
Enquanto houver uma emoção de pé haverá uma razão no chão.
E haverá a dor, do samba e do amor – samba-mor-sangra-dor,
e os cacos do malandro – samba-dor-dor.
Quando eu era menor, conseguia fingir que não me importava, brincava com barquinhos de papel que navegavam nas lágrimas da minha mãe. Era mais divertido do que brincar na banheira porque água de lágrima é salgada.
Eu tento trancar a porta do meu quarto, mas não adianta, alguém deu a chave para a panela, e ela entra, e entra o choro, e entra a tristeza, e entra-e-fica, e as vezes só o que não entra é a canção, mas o resto entra, e entra-e-fica. Quando é assim, eu rezo pra Santo Expedito (a minha causa pode não ser justa, mas tenho urgência), rezo pra ele me salvar, rezo pra ele tirar tudo que tem na minha cabeça, tudo-tudo, até o que tem de bom, mas quando eu abro o olho, depois da reza, eu vejo que não fui salvo, e que a panela ainda ta aqui, a panela eu não vejo, mas sei que ela ainda ta aqui.
O que me consola é que a panela bate-e-bate, mas nunca me mata. Às vezes eu até gostaria que ela me matasse, mas ela não mata, tem hora certa pra parar, pára na hora da graça, e pára com precisão, meio-dia é a hora sagrada.
Quando a panela pára, e pára o choro, e pára a tristeza, aí a gente senta à mesa, eu dou um beijo em minha mãe e procuro não olhar pros olhos dela, vermelho é uma cor que sempre me deixa triste.
A gente senta ali e ela canta, mas canta sem o choro, sem a tristeza e sem a panela. E não precisa de mais nada, a gente só aproveita esse tempo sorrindo em terra-firme. Em terra-firme não tem panela, nem tristeza e nem choro, tem ela, eu e a canção, às vezes tem o almoço, mas quando não tem eu já nem me incomodo mais.
O ruim da chuva e que ela vem no fim. Antes ainda tem o frio, o vento e o trovão. Eu já passei por tudo isso. O frio não me congelou, o vento não me levou, e o trovão, sabe Zeus porque, não me acertou.
Além disso, todo-dia, ainda tem a vida. E antes e depois da vida, a morte. E no meio da vida, em meio a tantas outras, tem a minha, que, mais ou menos no meio (um pouquinho pra esquerda) tem uma ferida, a minha ferida.
Por essa ferida é que eu agüentei o frio, fiquei no vento e encarei o trovão. Tudo por ela. Tudo por achar que a chuva ia me lavar, mas a chuva só batia-e-pingava, ela molhava, mas eu secava.
Antes eu até contava as chuvas que eu secava. Antes de perder a conta eu até as contava, mas agora, depois de tudo (mas antes da morte), apenas fico aqui, na verdade, ficamos os três; a vida, a ferida e eu.
A vida para ser vivida, a ferida para ser lavada e - eu.
0300-666-DEUS
- Para comprar o seu lugar no paraíso, tecle 1
- Para extrema-unção, tecle 2
- Para tele-sermão, tecle 3
- Para comprar ingresso do show dos Beatles com o Paul original, tecle 4
- Para milagres, tecle 5
- Para comer uma de nossas atendentes, tecle 9
- Lembre-se de visitar o nosso site, www.oh-my-god.com
É isso. Vou fazer um empréstimo e virar crente numa dessas novas religiões, comprar sêmem-congelado de Jesus enquanto o assisto, mais José e Mâinha, dançando numa ópera-rock.
Se no cartaz novo dessa igreja mostra até o nosso Satanás entrando na fila para comprar pão que não está amassado, por que eu não posso também?
- Nome...
- Antonio Benedito dos Reis.
- À vista ou no cartão?
- Faz parcelado?
- Em até 4-vezes.
- Então me dá duas.
Faço a porta e janela, deixo até algumas frestas pra tirar esse teu cheiro lúbrico.
O pedantismo pouco-a-pouco vai nos matar.
Vou chegar em casa todo-dia, na hora da Ave Maria.
Vou sentir tua faca de aço-velho penetrando o meu corpo, se estranhando em minhas entranhas.
Vou falar baixinho no teu ouvido que ainda te amo.
E de noite, na cama, eu peço pra tu não chorar. Se Deus é feito de misericórdia, Ele ainda há de nos perdoar.
De manhã tudo de novo. O sol-na-cara. Rebento do povo.
Finais de semana são destinados a todas aquelas pessoas que você sempre passa pela rua sem cumprimentar, mas nas sextas (ou sábados-feira), abre um largo abraço e solta felizes falsas palavras.
Finais de semana são quando o pendulo da nossa balança moral sai do "Cidadão de bem" e vai para o "Ausência de senso (comum, incomum, critico, do ridículo...)".
Mentiras em tons arcaicos se tornam musica nos finais de semana.
Mas nem só de sofismas são feitos esses dias, des-encontrar uma pessoa a qual é certa que vamos encontrar, apesar de horrível, é muito mais real do que isso tudo.
O des-encontro é um mutuo sentimento de não-cinismo, não-fingir que está tudo bem, não fazer por onde agradar.
Des-encontros são menos comuns e mais reias, menos agradáveis e mais sinceros, menos desejados e mesmo assim acontecidos.
p.s.: minhas sexta passei em casa, meu sábado teve um des-encontro esperado no início, mas no fim foi muito bom.
pp.s.: odeio quando escrevo coisas ao estilo "Querido diário..." mas tive que faze-lo pra separar os fatos ocorridos.
A morte, com a foice entre os dentes, fazendo cafuné pra tentar sarar minha dor de cabeça. Mas ela não encosta seu pezinho fino no meu gelado.
Ela tem medo que eu queime seu coração-ameixa com o foguinho da minha carência.
7 milhões de hyper-nadas combatendo 5 milhões de super-outros.
Jacó não sabe que eu roubei o seu carinho, mas eu sei que mesmo assim ele o daria pra mim.
5 milhões de pensamentos combatendo 7 milhões de escapamentos.
E todos eles espremendo minha cabeça-quilograma.
Rock-Amargo e Cafe-Tacuba já não dão mais conta do recado
Como te extraño!
Muitas vezes eu gostaria de registrar momentos para transforma-los em filme. Sabendo que não posso fazer isso, apenas deixo minha mão em forma de concha e à junto ao rosto limitando meu campo de visão ao mesmo de uma câmera. Por alguns instantes eu tento gravar na minha cabeça momentos, pessoas e as sensações que elas passam. Minha vida mudou por completo quando assisti "Hable con ella", lá com meus 15 anos. Pedro Almodóvar Caballero conseguiu, com aquele filme, abrir os meus olhos para um mundo novo, o mundo que eu vivo desde então. Quando você entende que Almodóvar carrega tanto seus filmes com cores pois estava cansado de ver uma Madrid cinza e triste, você começa a dar mais importância pra elas, assim como ele trata das mulheres em seus filmes. A mulher é um ser divino e muitas vezes é injustiçada, Almodóvar não se conformava com a sociedade machista que ele já satirizava desde a década de 70 e em seus filmes fazia do foco principal a mulher forte, madura, meiga e carinhosa.
Depois de todo esse tempo idolatrando o homem que fez eu desejar fazer do cinema a minha vida, tenho certeza que vejo tudo de outra forma, da forma mais "viva" possível.
A real veracidade de alguma coisa só se da com a consumação da mesma. Coisas que ficam somente em nossos pensamentos por tempo demais normalmente não se concretizam.
A concretização das nossas idéias, por menor que sejam, exige de nós uma dose de coragem, dose essa que varia de acordo com o risco proporcionado por tal idéia. Mas indiferente do quanto de coragem que precisemos, ela é obtida de acordo com nosso esforço e com nossa real vontade de que ela saia do imaginário.
Muitas vezes somos detidos pela preguiça do progresso. Idéias não saem simplesmente andando de nossas mentes e se tornam reais, realizações de fatos exigem que nos movimentemos, nada acontece enquanto estivermos parados e é aí que ela, a preguiça do progresso, entra, nos impedindo de sair do aconchego de um sofá qualquer pra viver aquilo que se realmente quer.
p.s.: não é uma boa idéia gostar de alguém que já tem um sabonete!
pp.s: postei esse texto antigo pois eles já estão se acumulando!
Não é vento que vai definhar
Não sai daqui sem antes confundir
Nem vem a tona antes d'eu sonhar
Escorre seco sem nem me perguntar
Sente dentro o caminho mal andado
Vai embora lavando meu penar
Sair de casa para aproveitar a noite pode ser uma aventura maior do que você espera. Se você não está indo para uma festa cuja entrada custe no minimo dez reais então você pode acabar vendo coisas tão bizarras que nem se quisesse poderia inventar. Ainda ontem, quando eu só esperava dar uma volta pela noite que começou chuvosa, encontrei pessoas que queria encontrar, pessoas que não queria, um ex-colega da sexta série que me chamou de emo, passei por uma rave que o lado de fora estava melhor que o de dentro, joguei sinuca e pimbolim, assisti um bêbado derrubar uma moto e chingar o amigo do dono que por sua vez o empurrou fazendo com que o bêbado caísse de maduro quebrando o nariz e rasgando a testa e assim que ele levantou se perguntava o que tinha acontecido enquanto a namorada do agressor queria leva-lo para o pronto socorro. Enfim, sabe aquelas coisas que acontecem a todo instante mas você nunca está por perto pra ver... pois é, ontem eu vi todas elas. Logo ontem que eu só esperava me molhar um pouco na chuva...
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Acordo cedinho, junto todos os escritos burocráticos que ajudaram a desmatar algum restinho de floresta e saio de casa com um sorriso esperançoso no rosto.
Dois ônibus, um pouco menos de camada de ozônio no mundo e uma hora a mais sem samba na minha vida.
Ficha 873b.
T
Lá da cadeirinha do fundo eu vejo meu número brilhar no luminoso. Foram só 5:45h na fila, ainda bem que não foram 6.
Me encosto no guichê 2 e vou abrindo minha pastinha enquanto a moça já vai falando:
- Nome. – Diz ela com cara de concreto.
- Severino dos Santos – Mas não de todos (salve meu São Judas Tadeu e São Jerônimo Emiliano).
- Documentação. – Preparando o bate-bate de botões.
- Ta aqui, minha senhora. – E tava mesmo.
- Cadê o comprovante de quitação da ultima parcela do terno? – Com a mão de unhas vermelhas semi-descascadas sobre minha pastinha.
- É que eu ainda não terminei de pagar, mas minha mulher disse que paga as 7 parcelas que ainda faltam até o fim do ano. – Tremo e tremulo.
- Eu não posso liberar o seu atestado de óbito sem a documentação requerida, meu senhor – Já anunciando o 874b no luminoso.
- Mas moça... - ...
- Meu senhor, traga a documentação direita num outro dia e como é a sua primeira vez o senhor terá direito até a uma autopsia, caso os médicos já tenham acabado a greve. – Ela consegue falar tudo isso sem perder o pouco de ar que cabe no corpo espremido pela calça 4 números menor.
- Ta bem, moça. – Meu sonho de melhora vai ficar pra outro dia.
- Próximo! - !
Jacó olhou pra mim e disse: “Vai ser tu!”.
Logo eu que tenho os bracinhos tão finos, pensei. Se ele cair não vou ter nem como segurar.
Dizem que nessas horas a gente vira super-homem, mas eu não sei não.
De prosa em verso o semi-deus vai ficando cada vez mais semi, até eu poder ver a espinha mal-espremida na testa mal-humorada.
Do samba-dolente ao rock-repente vi meu amigo ficar doente. Somado sem precisão numa estatística que às vezes mente.
Mas se Jacó me fez Bezerra nesse sertão, vou mostrar que sou João. De ponto em ponto. Acabando com todos Virgulinos.
A pele dura, pouco-a-pouco, vai rachando a veia. Escura.
O dedo torto, quebra-quebra e vai perdendo a unha. A unha.
A crueldade, sem gastura, vai ficando fria. E gela.
Me da tua mão, Aquiles, que herói não vais mais ser. Ta aqui tua armadura nova, banhada a ouro e bem lustrada.
Agora te olha no espelho e te acostuma, porque essa vai ser tua cara, daqui pra frente.
E quanto às mulheres que não te querem bem, não te preocupas, o domingo pouco-a-pouco vai matando uma-a-uma.
- Não é a toa que te chamam de Salvador.
- É que eu sei rezar, Jacó. Eu sei rezar...
Hoje, aberto e desvendado, exponho mais que a ferida e me vejo figura-inteira, precisando mais que só teus dedos pra me segurar.
A imagem daquilo que nunca fomos está borrada pelas lágrimas que derramei em razão de cada sorriso teu e, mesmo sendo obra do acaso, nossa tela ainda enfeita a sala desse lugar que nunca foi o nosso lar.
O dia morre pensado em amanhecer a lua e, assim, a lua desce e padece a espera de outro encontro,
num eterno esconde-esconde onde, qualquer dia, talvez num meio-dia, a lua-cheia de não ter o amor, abrace o sol e receba seu calor.
E o nada, preto-e-perto, tinha tudo, limpo e claro, tomado pelo preto, longe-escuro.
Um dia o dia vira, o vento vira a vela e a vela apaga o vento.
O sol que se gabava já não sola como solava,
sente o frio que vem com o vento, triste-opaco, já é relento.
O nada que está com tudo, tem tudo, que ainda é nada,
mas sabe o tudo que ainda é tudo se hoje o tudo ainda é nada?
Meu dia ainda é noite, e quem sabe é o sabiá,
mas do tudo, que ainda é preto, espero a Lua me iluminar.
E depois “da uma” vem a faca – se não morreu “na uma” morre na faca.
Passa a faca e deixa de pata pra cima, o sangue sai do buraco e entra no nariz pra sair no buraco de novo – se não morreu na faca morre no sangue.
Vez ou outra o pai pega uns boi brabo, filho, uns que não morrem nem na marreta, nem na faca e nem no sangue, mas aí, depois do sangue, o pai tem que tirar tudo que tem dentro, pra vender separado pro moço do açougue e, se não morreu antes, morre agora. Desses eu sinto mais pena. Esses morrem vazios e ainda por cima sentem o vazio... se sentem vazios – dizem que o vazio de dentro é o pior.
- E eles gritam porque dói, né pai?
- Doer, dói, mas ia doer mais se o moço do açougue chegasse aqui e não tivesse boi pra eu vender, ia doer mais porque ia doer na gente, filho.
Agora vai pra dentro de casa, amanhã o pai te ensina como sentir pena deles – sentindo pena dói menos ainda.
Por mais que eu fuja do amor ele sempre dá um jeito de me encontrar - a razão e o coração brigando de navalha nos dentes e a alma se debatendo, tentando descobrir se existe algum lugar mais baixo que o chão.
Durante um mês inteiro fiz um regime, cortei carboidratos e tudo aquilo que provocasse o amor, mas infelizmente, durante esse mês, tudo que consegui perder foram trinta dias da minha vida e um bocado de força imunológica.
Eu não tenho como me esconder dele, por mais que eu tente, ele sempre me acha. O “amor” está nos dentes brancos dos comerciais, no café amargo com quatro colheres de açúcar, no mico-leão da nota de vinte e até no tempero/canção brega que a dona de casa usa pra dar gosto ao feijão. O único problema de me juntar a ele, o amor, é que assim estarei admitindo que não posso vence-lo - não poder não é o problema, o problema é admitir.
Minha salvação é que em tempos de pornografia virtual ninguém mais precisa ser amado para amar. Sentimentos platônicos voltaram com tudo nessa estação – felicidade 24h por dia ou garantimos a devolução do seu esperma.
Sites de relacionamento, e-mail com peitinho, chá das cinco... é tudo a mesma merda. O mundo, hoje, não apenas me condena como também me executa e eu, nessa prontidão sem fim, não apenas vou fingindo que sou rico, mas também, de esperto que sou, finjo ser bobo e, o amor, de malvado que é, finge que acredita.
Ver seus sonhos baterem de cara no muro da razão não é para os fracos. Ou talvez até seja, de repente os fortes tem sonhos feito eles, capazes de quebrar qualquer muro, tijolo-por-tijolo, até ficar só o pó.
Vez ou outra, tenho espasmos de sanidade e me deparo com questões obvias da vida... tão obvias que nem consigo achar resposta. Porem eu logo me controlo, faço um esforcinho e volto à minha alegre-ignorância.
Alguns dos meus momentos de insanidade-invertida deixam marcas. Marcas que eu mesmo faço, rasguinho-por-rasguinho, em toda a extensão do meu peito tentando extrair, assim, qualquer resquício de amor. Amor esse que eu só encontro depois de um ou dois litros de sangue A menos no meu corpo. Fico deitado, imóvel, no chão, me fingindo de morto pra ver se assim Deus vem falar comigo. Ele sabe que eu não acredito nele, mas um dia eu ainda provo pra mim mesmo que estou errado.
Enquanto isso eu fico esperando. Esperando o desespero de esperar sentado e me iludindo, achando que a única semelhança entre eu, sucedido estelionatário de ilusões, e o pobre operário de construções é o sufixo que nos rege.
Ainda posso sentir que está frio, o lençol verde que me cobre não é suficiente pra me aquecer essa noite, tampouco as lembranças de todos os momentos quentes da minha vida. Eu nunca fui muito católico mas me entristece o fato de não ter um padre pra me dar a extrema unção pois já estou in articulo mortis. Só porque eu nunca acreditei em Deus tinha Ele que deixar de acreditar em mim? toda minha vida me chamaram de Salvador e agora, na hora que eu mais preciso, não posso salvar a mim mesmo e não há ninguém pra me salvar.
Eu sempre ouvi falar que quando estamos prestes a morrer nossa vida passa diante de nossos olhos e eu agora vejo tudo preto, será que é isso a minha vida, a mais pura ausência de cor? afinal eu não vejo a luz branca no fim do túnel, eu não vejo o túnel, não vejo nada...
Meus amigos, os poucos que tenho, devem estar todos ocupados, afinal todos eles tinham algo pra fazer, um estimulo para continuar lutando, coisa que eu nunca tive. Talvez tenha sido por isso que a minha vida foi se acabando, de tanto ficar quietinho no meu canto, parado, ela foi se acostumando assim. Minha vida foi achando que viver era isso, não fazer nada e então a morte, para ela, é o ápice da vida.
Não tenho nenhuma mulher pra chorar por mim nesse momento. Todas que tive foram, na minha vida, pequenas parasitas que sugaram tudo de bom que tinha em mim. Meu carinho foi com uma, meu respeito foi com outra, minha dignidade, minha alegria e a ultima de todas levou consigo só o que sobrava, meu pequeno coração que por ela insistia em bater. Nem senti muita falta dele, afinal ele foi com sua verdadeira dona.
Talvez o meu problema tenha sido minha bondade excessiva, nunca tive coragem de roubar nada disso que me foi tomado pra refazer o meu eu.
Penso agora em todos os cigarros que não fumei, em todos os foras que dei e todas as canções que não cantei. Quantas mais vão vir depois que eu morrer? minha modéstia me faz pensar que o mundo vai seguir e eu não vou estar lá pra ver, mas tudo aquilo que eu aprendi com os falsos filósofos da tv me faz pensar, em contra-ponto, que o mundo pode acabar ali, no exato momento da minha morte. Se não acabar o mundo inteiro, pelo menos o meu mundo eu sei que vai acabar e se serve de consolo sei ao menos que não vou levar a vida de ninguém comigo, afinal ninguém habita esse lugar cheio de chuva e neblina.
E minha morte é isso, um dia nublado com leves pancadas de chuva. Não posso nem ao menos dizer que meu apocalipse particular é como esses de filmes onde o dia vira noite e uma grande tempestade devasta tudo que passa por seu caminho. Os “cavaleiros” que vem ao meu encontro são simpáticos homenzinhos que montam suas bicicletas e me perguntam se não quero carona. Dizem aquilo como se minha resposta não fizesse muita diferença. Se eu aceitar ir, tudo bem, se não, não. Mas se eu não aceitar ir faço o que? depois de todo esse alarde que fiz pra mim mesmo com essa coisa de morrer, não posso simplesmente levantar e sair andando por ai. Ta certo que não fará muita diferença, afinal minha honra dever ter ido junto com alguma das parasitas que cruzou meu caminho.
Será que vale a pena manter minha palavra uma ultima vez? eu até que quero morrer mas tenho que entregar um trabalho pra faculdade amanha. Não posso faltar na ultima avaliação do semestre com uma desculpa fajuta dessas.
Eu quero ter reconhecimento em minhas obras e sei que fica muito mais fácil depois de morto, ainda mais se eu morrer jovem assim. O problema é que eu ainda não tenho nenhuma obra. Mas de repente eu posso ser lembrado por alguns em alguma conversa de esquina, alguém pode lembrar do Salvador, aquele cara simplório que tava sempre ali na volta, nunca fez mal a ninguém... com alguma sorte alguém pode até lamentar minha partida.
Já deve ser mais de nove e meia e meu corpo moribundo e cheio de ossos faz companhia a minha mente afetada por todas as besteiras de verso de caixa de cereal e ondas de microondas. Sinto meu crânio cada vez mais apertado por todas as palavras que nunca consegui dizer, sinto minha consciência querendo fugir de mim – “Não, fica aqui. Me faz companhia só mais um pouco.”. É o que digo pra ela tentando fazer com que não me privem dessa que pode ser minha ultima escolha. Viver ou não.
Eu sempre tive insônia mas justo hoje sinto que dormir cairia bem. Mas e se eu não acordar mais? nem me preocupo, todo o café que tomei na minha curta vida deve ser suficiente pra me manter com os olhos vidrados por pelo menos mais uma década.
Sinto também os mosquitos me picando para extrair o pouco sangue que ainda resta no meu corpo frio, fazem isso como se estivessem vingando cada pequeno mosquitinho que eu matei. Fico até feliz com isso, pelo menos sei que ainda estou vivo.
Viver... eu pensando tanto sobre isso e acho que nem sei direito o que significa. Será que isso que eu venho praticando ao longo dessas duas décadas é mesmo “viver”?
O homem que maquia os cadáveres hoje virou um e não há ninguém para maquia-lo. Há somente uma pá, que de tanto pá-virar hoje em dia é pá-furada.
A terra de enterrar está molhada e afunda o pé do coveiro que não veio trabalhar.
O maquiador que hoje é defunto bem que podia se enterrar, mas não faz sentido se ninguém for chorar. E ninguém vai. Tudo por causa dos jasmins - não que estivessem ali por ele, mas mesmo assim fizeram seu serviço.
- Pode, mas só um pouquinho. – Se ele não perguntasse eu queimava até os dentes, mas eu não gosto de homem frouxo.
-Tu me amas?
- Amo – Se ele não perguntasse eu não diria, o faria.
O frio cai monocromático sobre meu corpo, espalhando impulsos nervosos que me fazem retorcer os dedos. Nenhum dos vinte escapa. Não há barras de ferro ou pedaços de madeira à minha volta, o máximo que posso fazer, então, é destinar meu olhar para o centro da terra, onde minhas lágrimas batem e rebatem, ecoando uma sinfonia-doente que, fascinada por si mesma, clama por mais lágrimas.
Já é difícil até de me apoiar nos joelhos e olhando para baixo sinto algum resto de sangue ou um tumor, não sei ao certo, se dirigindo à minha cabeça. A dor é essencial neste momento, ela é que me faz sentir vivo e lembrar que não sou o único que está errado, afinal, o que mais a vida é além de uma ótima idéia executada da pior maneira possível?
Mesmo apoiado no chão, meu dedo ainda se torce e por causa de uma pedra, estrategicamente mal colocada - perco uma unha descobrindo, assim, que ainda há um pedaço de carne no meu corpo que eu não tentei comer nos dias de fome.
Não há mais o que esperar. O campo já virou cidade, a menina virou mulher e os entregadores já não me entregam nada. O filme que passa diante dos meus olhos é um curta-metragem de baixo-orçamento e sem os direitos para tocar no fundo as musicas daquele sambista fanho. Mais uma vez centro os meus olhos no cimento-seco que, de tanto me agüentar, sinto como se já fosse meu e mergulho sem luxo e sem sentimento esperando o chão virar mar-vermelho. De novo, de novo e de novo.
...Abro um olho... o outro eu não consigo, não, o outro ta aberto, mas só vejo o preto. Um e dois e o frio, como se medisse em tonelada, me pressiona outra vez contra o chão.
Não há mais esperança. E olha que eu nem queria morrer, só esperava que, como num filme, eu desmaiasse e acordasse numa cama macia de fim de tarde e com um leve calor, glorioso-combatente do frio que, pouco-a-pouco me esmaga tudo-tudo.
Toda quinta e sexta carnificávamos o nosso amor. Quinta, no dia dela, eram sempre exatos vinte e sete minutos de penetração blasé embalados por cinco ou seis modinhas démodé. Já na sexta eu não a perdoava, despia ela com os dentes de todo seu pedantismo e a estocava até ficar explicito em suas artérias azuis.
- Devagar, tu queres me matar?
- Não amor, preciso de ti amanhã. Quero que me exibas pra todas tuas colegas de serviço mal-amadas que matariam pra me fazer um boquete enquanto gozam com uma garrafa de vinho-tinto socada no cú e descansam Marta Medeiros na cabeceira.
Giovana tentava me comprar com o sonho de Paris, e eu, tentava corrompe-la com o sonho de Platão.
Oito livros por mês e a vida me ensinou a ser o avesso de tudo. Quero assistir o desfile com Giovana em dia de feriado militar. Juro que me comporto pra poder andar no banco da frente.
Mesmo não tendo uma Harley Davidson, Giovana sabia que minhas ereções matinais eram toda a aventura que ela conseguiria nessas alturas da vida. Com quarenta e dois anos divididos pelos níveis de submissão, se ela me deixar agora, o máximo que pode conseguir é um advogado com uma vida de quase-luxo e um priapismo em pílula azul de quatro horas.
Se não experimentou maconha na faculdade, agora é que não vai fazer.
Já eu busco o oposto, levianas mentiras à mesa de jantar e a vida em eternos close-ups. Não é a toa que faço filosofia, de onde mais eu poderia tirar assunto para me aproximar de elegantes mulheres de meia-idade que praticaram sexo-anal contadas dezessete vezes, uma em cada aniversário de ex-esposo?!
Giovana me trata como se eu fosse sua nova bolsa Prada, e eu gosto disso, mas na hora do sexo é que eu me divirto. Assisto prazerosamente Giovana tropeçar em suas “convicções”. Ela diz que quer fazer a volta ao mundo, mas consigo ouvi-la gritando em silêncio quando rasgo seu lindo conjunto da Tifanny’s. Talvez, no fundo, isso seja o que me dá prazer nessa hora.
O odor de Channel misturado a lagrimas contidas é divino.
Minha cabeça, em freqüências variáveis, recusa a vontade de excluir o lado sórdido dos meus pensamentos. Uma tentativa pudica e víscerosa de me remeter a aquilo que realmente sou.
(EU NÃO QUERO!).
Essa aceitação filosófica da verdade, nua-e-crua, me arrebata com movimentos involuntários-destrutivos. Meu corpo luta, luta e luta. Tudo em vão. Sigo me olhando no espelho e vendo a imagem mais sincera do que sou, o homem por trás das máscaras, o homem que construiu as máscaras, o homem que quebrou as próprias máscaras.
(EU NÃO QUERIA!).
-Não é por mal. Ele me pede, mas não é por mal.
Passos delicados, suaves, num chão azul-escuro, procuro lugares isolados, onde nem o brilho do luar possa revelar minha tristeza (eles dizem que é doença, mas já disse – não faço por mal). Fugas emaranhadas e nomes em salto-alto não adiantam nessa hora, eu sempre consigo fazer – mas não é por mal, eu juro. Eu nunca rasgo nada e tenho sempre uma preocupação com os botões. Ajo com muito carinho, não que eu sinta alguma coisa, mas é que tenho medo de me ver refletido em lágrimas.
(EU NÃO QUERIA, MAS ÀS VEZES EU QUERO).
Foram tantas vezes que já nem me assusto mais... só com o silêncio. Quando dá o silêncio eu corro pra contar pra ele, eu conto porque dói, e ele ri de mim (eu não gosto quando ele ri... e ele sempre ri), aí eu me sento num canto e ele diz que me ama. Eu amo ele também, por isso é que não vou embora, mas se ele fosse seria bom.
(EU FAÇO, MAS ÀS VEZES NÃO QUERO).
E haverá um malandro, sambista da dor – samba-dor-samba-dor -
recolhendo cacos do pobre pierrot, – com-amor-sem-amor.
Enquanto houver uma mulher em pé haverá um homem no chão.
E haverá o samba pro sambista – dor-que-samba-samba-dor, e os cacos do palhaço sofredor – sem-amor-sem-sabor.
Enquanto houver uma emoção de pé haverá uma razão no chão.
E haverá a dor, do samba e do amor – samba-mor-sangra-dor,
e os cacos do malandro – samba-dor-dor.
Quando eu era menor, conseguia fingir que não me importava, brincava com barquinhos de papel que navegavam nas lágrimas da minha mãe. Era mais divertido do que brincar na banheira porque água de lágrima é salgada.
Eu tento trancar a porta do meu quarto, mas não adianta, alguém deu a chave para a panela, e ela entra, e entra o choro, e entra a tristeza, e entra-e-fica, e as vezes só o que não entra é a canção, mas o resto entra, e entra-e-fica. Quando é assim, eu rezo pra Santo Expedito (a minha causa pode não ser justa, mas tenho urgência), rezo pra ele me salvar, rezo pra ele tirar tudo que tem na minha cabeça, tudo-tudo, até o que tem de bom, mas quando eu abro o olho, depois da reza, eu vejo que não fui salvo, e que a panela ainda ta aqui, a panela eu não vejo, mas sei que ela ainda ta aqui.
O que me consola é que a panela bate-e-bate, mas nunca me mata. Às vezes eu até gostaria que ela me matasse, mas ela não mata, tem hora certa pra parar, pára na hora da graça, e pára com precisão, meio-dia é a hora sagrada.
Quando a panela pára, e pára o choro, e pára a tristeza, aí a gente senta à mesa, eu dou um beijo em minha mãe e procuro não olhar pros olhos dela, vermelho é uma cor que sempre me deixa triste.
A gente senta ali e ela canta, mas canta sem o choro, sem a tristeza e sem a panela. E não precisa de mais nada, a gente só aproveita esse tempo sorrindo em terra-firme. Em terra-firme não tem panela, nem tristeza e nem choro, tem ela, eu e a canção, às vezes tem o almoço, mas quando não tem eu já nem me incomodo mais.
O ruim da chuva e que ela vem no fim. Antes ainda tem o frio, o vento e o trovão. Eu já passei por tudo isso. O frio não me congelou, o vento não me levou, e o trovão, sabe Zeus porque, não me acertou.
Além disso, todo-dia, ainda tem a vida. E antes e depois da vida, a morte. E no meio da vida, em meio a tantas outras, tem a minha, que, mais ou menos no meio (um pouquinho pra esquerda) tem uma ferida, a minha ferida.
Por essa ferida é que eu agüentei o frio, fiquei no vento e encarei o trovão. Tudo por ela. Tudo por achar que a chuva ia me lavar, mas a chuva só batia-e-pingava, ela molhava, mas eu secava.
Antes eu até contava as chuvas que eu secava. Antes de perder a conta eu até as contava, mas agora, depois de tudo (mas antes da morte), apenas fico aqui, na verdade, ficamos os três; a vida, a ferida e eu.
A vida para ser vivida, a ferida para ser lavada e - eu.
0300-666-DEUS
- Para comprar o seu lugar no paraíso, tecle 1
- Para extrema-unção, tecle 2
- Para tele-sermão, tecle 3
- Para comprar ingresso do show dos Beatles com o Paul original, tecle 4
- Para milagres, tecle 5
- Para comer uma de nossas atendentes, tecle 9
- Lembre-se de visitar o nosso site, www.oh-my-god.com
É isso. Vou fazer um empréstimo e virar crente numa dessas novas religiões, comprar sêmem-congelado de Jesus enquanto o assisto, mais José e Mâinha, dançando numa ópera-rock.
Se no cartaz novo dessa igreja mostra até o nosso Satanás entrando na fila para comprar pão que não está amassado, por que eu não posso também?
- Nome...
- Antonio Benedito dos Reis.
- À vista ou no cartão?
- Faz parcelado?
- Em até 4-vezes.
- Então me dá duas.
Faço a porta e janela, deixo até algumas frestas pra tirar esse teu cheiro lúbrico.
O pedantismo pouco-a-pouco vai nos matar.
Vou chegar em casa todo-dia, na hora da Ave Maria.
Vou sentir tua faca de aço-velho penetrando o meu corpo, se estranhando em minhas entranhas.
Vou falar baixinho no teu ouvido que ainda te amo.
E de noite, na cama, eu peço pra tu não chorar. Se Deus é feito de misericórdia, Ele ainda há de nos perdoar.
De manhã tudo de novo. O sol-na-cara. Rebento do povo.
A morte, com a foice entre os dentes, fazendo cafuné pra tentar sarar minha dor de cabeça. Mas ela não encosta seu pezinho fino no meu gelado.
Ela tem medo que eu queime seu coração-ameixa com o foguinho da minha carência.
7 milhões de hyper-nadas combatendo 5 milhões de super-outros.
Jacó não sabe que eu roubei o seu carinho, mas eu sei que mesmo assim ele o daria pra mim.
5 milhões de pensamentos combatendo 7 milhões de escapamentos.
E todos eles espremendo minha cabeça-quilograma.
Rock-Amargo e Cafe-Tacuba já não dão mais conta do recado
Como te extraño!
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