Teo Almeida

A PALMA DA MÃO.

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September 22, 06:37 PM

quem é você
bicho místico
de pelugem caudalosa
refletindo mil sóis
em sua íris caleidoscópica

quem é você
guardiã da minha intimidade
e da minha infância
cujo santo graal levas
no lado esquerdo do seu peito aberto

e repousa em pedras pontiguadas
cavando antigas esferas perdidas
e objetos sagrados
cultuados por civilizações antigas,
todos estes que pertenceram a mim

quem é você que
verte carne e espírito
a cada passo que dá
sobre a calma e vibrante relva
de um romance mediterrâneo?


March 18, 09:38 AM

o segundo em que acordamos é um dos momentos mais importantes do dia. o inconsciente se alastra e se funde completamente com a consciência. é uma fusão bonita. vislumbrar o concreto e o subjetivo juntos se confundindo. lembro que, nesta noite, acordei com vômito quase saindo da boca. foi um susto, de repente. e a primeira coisa que pensei, neste segundo palpável e místico, foi "quase que ponho pra fora todas as músicas que escutei esta noite: Chopin, Webern, Schoebenrg e Nico" e não na comida que tinha ingerido na mesma noite. curioso, não? até eu me surpreendi com isso. ainda não pensei sobre o que isso significa, apenas continuo mesmerizado pela magia do acontecimento.


March 12, 08:11 PM

porque não há melhores sentimentos do que aqueles após sua morte, após o ataque a si mesmo, as mortes planejadas que me acontecem todos os dias. ou as mortes do acaso. essas são um caso sério. é preciso ter paciência. e, de verdade, quando não me levo à morte (diferente do suicídio), é quando me sinto estagnado, reverenciando a essência da própria infertilidade. matar a si próprio é uma prova de pura criatividade, de fazer nascer e ser teimoso, um tanto indisciplinado, ser rebelde e assassinar as suas inertes convenções. valores congelados, idéias plantadas em terreno árido, seco, marrom e cruel. ganir diante do nada, tarefa de difícil compreensão, esforço no ofício de destruir sua familiar figura.


March 02, 04:50 PM

com o cálido cuidado

do teu toque tresloucado
a minha avolumada dança
te engole, página por página

a tua esperança se lança
e se esparrama, dona
de um generoso cálice
sorvendo mole paciência

um pranto doce, um acalento
melancólico como todos os já paridos
molda a minha suja fronte úmida
suja úmida e contraste
a natureza do ser

e o teu espero me exaure
de angústias
tua tolerância e fidelidade
esperança ao lado

February 15, 06:50 PM
enorme
doce existência
tremente &vigilante
toco a tu vulnerável

pois sois frágil cintilância
mas não careces de fortaleza
formosa absurdidade do gênio

arredio &cautela
grandioso qual mente o haverá criado
estupenda existência
luzidamente rútilo
o fazer do teu eu completo - prima obra
embarque numa nova jornada em outro
eu

February 10, 09:10 AM
amora a tintura arroxeada em minhas mãos. lembro de quando, por acaso, mordisquei a pele fina do teu espírito. rompi a primeira camada da tua pele. capa. desenrola o resto de todos os tecidos e camadas que te compõem. trepidei quando farejei o agridoce da tua essência. excitação e consequente impotência. ou será medo diante do centro, da espinha dorsal?
posso me abrir, deitar-me e me enrolar em véus invisíveis, contorcer-me e dizer, em profundo ato de generosidade: disseca-me. mas não o contrário. sou corvo derradeiro, roca de fiar agonias. habilidoso, masco a dura semente e abro as portas para o azedo invadir as paredes de minha câmara-boca. teu caroço esmigalhado. mas não o contrário: saborear a carne.

January 29, 07:32 PM

vibro descontínua

ao passo em que me refaço
caminhando por entre
ameixas provando o
amargo da loucura

oh, e me calo lambendo
lenta a superfície do teu âmago
deliciando-te com a corporeidade
deste gozo

suor em pêlo - macio
que afago em teus púberes
oh, o indelével hálito de tua boca
o aroma acre que exala da tua carne

January 20, 07:59 PM

1.

o mesmo impulso que me leva
a comer da lama
estender a mão ao sol
sentar sobre montanhas virgens
sorver o líquido de novas circunstâncias
despencar sobre vertiginosas paragens


2.

momento de fragilidade e delicadeza
o longo caminho
o toque místico no pomo
que escondo entre as pernas
caleidoscopia sensitiva
prazer mascarado de dor

3.

e, desta forma, me cubro
de todas as camadas do mistério
a sagrada fé que tenho no espírito
que são as mesmas camadas
transcedentais intocadas
da vida


4.

porque a tua língua se move
combustível e sensual
o hálito da tua pele
não se esconde
e se escancara

teu rosto descarado
e o teu corpo desleixado
serpenteiam distraídos
a sensualidade que me ataca

tua transmutação animalesca
a minha alma encharcada
sedenta e córporea
o ar que desliza
pelas tuas ventas

o êxtase erótico
minha pele derretida
tua existência fluida

January 18, 05:15 PM
'Looking down at my shiny, dirty trousers that haven't been chamged in months, the days gliding by, strung on a syringe with a long thread of blood... it is easy to forget sex and drink and all the sharp pleasures of the body in this Limbo of negative pleasure, this thick cocoon of comfort'

- William S. Burroughs


January 17, 08:48 PM
um dos meus grandes medos - porque eu tenho vários mas nunca consigo me lembrar de nenhum - é dos meus impulsos/anseios artísticos não sejam tão fortes quanto eu desejaria que fossem. ao invés de artista, curador; ao invés de escritor, editor; ao invés de poeta, tradutor.
January 16, 07:42 PM
staying uncompromissed and straight
hermetic and erect
little by little and
one by one
fierce and all craving
for a bit of a wandering
- around without sorrow

#

porque o tédio é um demônio que me come vivo, pedaço por pedaço de minha carne dura e minha existência sanguínea, em forma de fingida introspecção. timidez que me incomoda por não me ser própria como uma coceira dominando toda a extensão da pele castanha. escudo, arma, arranha. o viver abafado. um caldeirão fervente e minha alma boiando. o infeliz estranhamento e não o gozoso ânimo diante do desconhecido

#

pois sou ovelha negra/ desprovida de pastor/ me domino sem cajado/ trépida liberdade



January 10, 10:21 AM
enormous
dolce existence
trembling &vigilant
i touch your vulnerabilty

pois sois frágil cintilância
mas não careces de fortaleza
formosa absurdidade do gênio

strange &alert
great as those whom you craft made
tremendous existence
brilliantly sparkle
craft of the whole yours- masterpiece
engage them journey on another
you
January 08, 06:30 PM

le pieds dessus la terre
on the sea
bouncing back and forth
surfacing temperamental waters

-

walking
humble
homelessly
with no centre
for an instant to watch

yourselves instincts
flamboyant and angry
calm as two red noses
gloomy and voluminous
aport and leave


December 24, 02:02 PM

e, de fato, melancolia me apraz. felicidade de se ver triste ou de enxergar a tristeza através dos olhos da beleza. um gato faceiro que acabou de derrubar uma xícara de chá verde encima da cama e se atira numa poça de entendimento. ao deitar em colchas de melancolia, é a minha própria essência. penetrar véus de fumaça e vapor, encontrar desolação e fantasia. render-me ao desejo de me liquefazer. e escorrer existência por entre os dedos. a insatisfação, o anseio por emoções sofisticadas e a natureza dos sentimentos não-polidos.
complexo o caminho até o indivíduo.

December 24, 11:03 AM

nothing we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing

- e.e. cummings

January 10, 10:26 AM

um sagrado mistério
meu corpo está à mostra
completamente desvelado

coberto por camadas invisíveis
minha nudez reside
nas minhas fêmeas mãos

que se contorcem e renascem
das gotas de sangue que derramo
solitário e salino

ainda deslizo e me esfrego
como uma concha muito áspera
e risco o abismo em eterna vertigem
sugando nervosamente

os lábios do diabo


December 26, 11:48 AM

deslizando eu risco
o céu em pleno
movimento

girando eu sorrio
com minhas três faces
e lambo a cara de deus

abro o último botão
uma pétala escorre
líquida ambivalente

sete dias por hora
brumas que se encharcam
e me inundam a umidez




December 04, 09:51 PM

'sweet comic valentine

you make me smile with my heart

your looks are laughable
unphotographable

yet you're my favourite work of art'



December 03, 09:18 PM
o que mais quero hoje é encolher. que as roupas fiquem grandes demais para me caber. a criança que eu era de ingenuidade infantil e sabedoria anciã. não acredito que tenha sido o menino mais sensível, talvez estivesse ocupado o suficiente com questões internas para pensar no exterior. e tem a velha timidez que, mesmo que não mais norteie minhas ações, ainda marca uma primeira impressão. um fogo cresce durante toda a infância e, sem nota, se consome no início da adolescência. energia que só se encontra de novo lá pelos dezesseis. sair da excitante bolha de sonho e fantasia que é a saborosa infância pode trazer sérias implicações. tratar com essas preocupações e reflexões adultas são chocantes demais de primeira vez: morte, casamento, filhos, trabalho, filosofia, repressões. tudo é um compreensível convite ao suicídio. é um grande drama, mas tão grande porque é ingênuo; desta forma, é genuíno. mas talvez eu só esteja tentando febrilmente me afastar de algo que me causa extrema repulsa: o cinismo adulto.
December 02, 06:52 AM

When will love come about

Like in circles

Around

For leaving

An unvanishable mark to

These dark generation

To come?

I refuse to investigate

And instead of

Losing a slightly more of oxygen

You prefer to

Make a blueprint on sand

And bring the pearls

To your very own room

So a key falls

And he hides rapidly

He pretends to have seen the unbearable

Making the underside of the table

The refugee of a battle



November 26, 08:35 AM
pousa um dedo no canto da mesa.

a: me arrependo de ter te ensinado a ser pornô.
b: e o que há de errado com isso?
a: deveria ter aprendido antes a ser erótico, então toda farsa seria eliminada.
b: não engulo suas ladainhas. você toma minha liberdade com má fé.

limpou as migalhas de biscoito com um gesto preciso.

b: e me olha com desprezo, sou seu pequeno projeto fracassado, um monte de retalhos amontoados.
a: beijei a sua fronte da primeira vez que te vi e te reverenciei como a perfeição do seu gênero.
b: hoje, você me subjulga - sou uma aberração.

um gole d'água, uma bofetada.

b: a tua violência é a minha redenção.


November 24, 05:40 PM
ela se deleitou com sua bebida parte chá parte bituca de cigarro. porque ela não era que nem os outros, 3/4 de chantilly 1/4 de bolo. ela é receita de dentro de casa e não torta de padaria. ela tem lábios quentes e feridos, contato com sua língua efervescente e muito afiada. ela dá voltas ao redor da casa e atira cacos de vidro ao gramado do vizinho. uma mulher que se desfaz e se recompõe a cada palavra.

uma taça de cristal
depois
um toque de veludo


November 21, 06:35 PM

November 23, 11:06 PM

perder o peso
do estômago
viver insustentável
flutuando
sobre as fronteiras

as réstias do existir
o não-ser
é o que paira
sobre o universo
ou o preconceito
ou qualquer mitologia


November 20, 12:06 PM

i slide
fade i? through the
liquid fluid embrace
me
bring it
hunger now
a glimpse
of your glow
mourning reunite

streighten these
laces nurture
the foot of the tree
vivid
glowing sparkling
treasure
heroic
and rustic embrace

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Gabe Mador for Shona Jones S/S 13

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It’s really fkn big so size down // u mad ???


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