pris lameira
carioca radicada em são paulo, estudante de moda, designer freelancer, escritora em crise.
[just a fucked-up girl who's lookin' for my own peace of mind]
brazilian borned in rio, living in são paulo, fashion student, designer freelancer, writer in crisis.
Profile
Experience
- May 2010 - PresentAssistente de Estilo / Beka Bakana
Education
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2009 - 2010Universidade Paulista3º semestre in design de moda / fashion designActivities: produção de desfile, de vitrines, catálogos de coleção, pesquisa para desenvolvimento de coleções, atividades junto à coordenação do curso dedesign de moda como representante de turma.
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Encontro Noivas Rio de Janeiro 2013 ❤ @ Centro de Convenções - Mario Henrique Simonsen http://t.co/Txs2FKHrZ0
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Dia 1/4. Se tivesse ido a Petrópolis, teria chegado mais cedo. Oh fúcsia. (@ O2 Corporate & Offices w/ 2 others) http://t.co/wHUaETp8zu
Posts
Sonhei que estava em um apartamento, aonde parecia ter acontecido uma festinha. Estava tudo em preto e branco, como em um filme de época, e de algum modo eu sabia que estava no início dos anos 60. Vestia um mini tubinho preto com recortes brancos, sapatos de salto médio e cabelos curtos.
Era fim de festa, e eu estava cansada. Me encostei em algum sofá e alguém me cobriu com uma mantinha. Olhava as pessoas ao meu redor, já entediada, pensando em como iria para casa.
Derepente vi que alguém me observava. Com um drink em uma mão e um cigarro na outra estava de pé Serge Gainsbourg, com a mesma aparência que tinha na época de seu primeiro álbum. Fiquei sem graça e desviei o olhar. Quando tomei coragem olhei para ele novamente, e ele sorria.
Acordei apaixonada por ele. Como já me aconteceu inúmeras vezes.
Não sei ao certo que lugar estou, mas sei que é algo como uma sala de faculdade. Ando para o lado de fora e em uma calçada encontro minhas duas professora de espanhol que mais me ensinaram ao longo da faculdade: Letícia Rebollo e Bethania Guerra. A Bethânia é dançarina de dança do ventre.
Olho para as duas, sei que estou feliz de vê-las. Começo a conversar, viro-me para a Bethânia e digo:
- Beta, sonhei contigo essa noite. Sonhei que você estava dançando dança do ventre. Você estava linda.
O sonho vem inteiro a minha cabeça e ela responde:
- Nossa, Estela, faz tanto tempo que não danço. Você sonhar com isso chega a me deixa triste.
Começamos as três a rir. A conversa continua, eu continuo lá, mas vou me afastando, como se deixasse meu corpo lá, falando e minha alma fosse embora.
Sinto falta da Bethânia. E a Letícia estava feliz como nunca vi.
Estávamos viajando, mas ao mesmo tempo o lugar era o morro atrás da minha casa em Miguel Pereira. Eu e Juliana. As duas viajando por dentro da mata que fica trás da minha casa. Íamos andando e vendo lindas árvores de copas verde escuro, árvores antigas, de copa baixa, tronco grosso. Subíamos muito, por uma trilha. Olhando pra frente víamos outro morro e o sol amarelado no alto do céu. Estávamos bem vestidas, maquiadas, parecíamos atrizes, mas estávamos passeando, o que tornava o lugar e a nós mesmas mais bonitas, por ser natural.
No alto da montanha um carrinho. Como um carrinho de montanha russa. Entramos, as duas, nos sentamos e descemos muito rápido pela trilha que tínhamos acabado de subir. O sol estava mais baixo, já se pondo no outro morro, tornando tudo amarelado, um tom sépia, o morro a frente estava escuro, o sol lindo e nós duas rindo, falando, admirando a vista que sabíamos que não dividiríamos com mais ninguém.
Ao chegar ao chão, descemos do carrinho. A árvore estava mais escura. Passamos por baixo de seus galhos, suas folhas, nos agachamos. Tudo era lindo, eu, ela e a paisagem rindo muito. Eu olhava a Juliana e me emocionava só em saber que havia dividido tudo aquilo com ela. Uma sensação incrível de beleza e amor tomou conta de mim.
Vejo nós duas indo embora, de longe, andando nos escorando de tanto riso e amor.
Agora, ao lembrar disso, meus olhos se enchem d’água com a sensação de frescor que o sonho me causou.
São três imagens:
1- Um besouro enorme, do tamanho de um passarinho, com a carapaça verde escura e a parte de baixo amarela e preta, como o peito de uma cambaxirra. Ele vem em minha direção e o espanto com um casaco.
2- Olho no espelho e me vejo, com os cabelos na frente do rosto e duas mechas rosas pendem da minha franja. Está bonito, eu gosto, me sinto feliz.
3- Entro no banheiro para tomar banho. A privada está entupida, quase transborda. Dentro da água suja há pedaços de fezes e lombrigas, muitas lombrigas se movendo. Sinto nojo, imagino quem tenha feito aquilo e saio do banheiro enrolada na toalha, pensando em quem vai poder limpar aquilo.
Estou no dentista, sentada na cadeira. Não enxergo muito bem, não sei de onde vem a luz, nem vejo o rosto de quem me atende. É como se estivesse uma penumbra, um pouco macabro, mas estou tranquila.
“Qual sua queixa?” O dentista pergunta, digo que não sei, que estou ali para uma revisão.
Ele começa a escovar meus dentes com força, a enfiar aparelhos na minha boca agressivamente, mas ainda assim me mantenho tranquila.
Minha gengiva começa a sangrar muito. Ele me manda cuspir, estou sentada numa cadeira normal e não na típica cadeira reclinada. Cuspo para baixo a espuma vermelha que sai da minha boca e sinto um pouco de nojo.
“Gengivite. Mais alguma queixa?”
Estava no Rio, e sabia disso pois comigo estavam várias pessoas, entre amigos e parentes, que são do Rio. Era em uma espécie de galpão, com paredes vermelhas e um pé direito muito alto, com algumas caixas empilhadas aqui e ali. Não sabia dizer se estávamos presos, ou nos refugiando, mas todos esperávamos algo acontecer, tensos. Era noite, mas ninguém dormia.
Então você veio e me abraçou, delicadamente pegou em minha mão. Sem saber como agir, apenas abracei de volta e sussurrei algo sobre anjinhos e carneirinhos. Você riu, e disse que tudo ficaria bem no final.
Acordei triste.
Eu e meu amigo e professor Caio estamos concorrendo a um prêmio da FUNARTE de criação literária. É o dia do resultado, estou nervosa, vejo o Caio de longe. Estamos em uma sala ampla, quase um salão de festa. Bem iluminado. Há uma televisão no alto, como um painel de aeroporto e é por ela que saberemos quem ganhou a bolsa.
Alguém me diz que já saiu no Diário Oficial o resultado do concurso. Saio correndo para ver na televisão quem são os ganhadores. E lá está:
Choro de emoção. Choro muito. Corro pela sala. Somente os dez primeiros ganhadores teriam bolsa e lá está o poeta.
Sigo olhando os nomes na tela. Meu nome está em décimo segundo. Choro mais ainda. Eu estou ali. Estela Rosa.
Um dos dez primeiros colocados foi desclassificado, subo de posição. Estou em décimo primeiro. A esperança é enorme e a emoção me faz acordar chorando.
Estou me arrumando para ir trabalhar. Pego meu lápis de olho preto e começo a me maquiar sem olhar no espelho. O lápis está com a ponta mal feita, a madeira arranha meus olhos e tenho a sensação de que não estou me pintando. Vou até o quarto da minha irmã, abro uma gaveta da cômoda e acho um apontador cinza. Pego o apontador, aponto o lápis.
Caminho em direção a um espelho, com o lápis nas mãos. Olho para o espelho e volto a me maquiar. Mas o espelho está fosco, não consigo enxergar nada além de um vulto. Como se eu olhasse para uma superfície de aço. Tento me maquiar, mas mancho meus olhos. Penso: “outro espelho”.
Sigo para outro espelho. Olho e ele está quebrado em partes grandes, todas ainda presas a moldura. Consigo me enxergar em um dos fragmentos do espelho e, finalmente, pinto meus olhos de negro.