Jornaleiro, escritor de códigos html e css, brincalhão com Joomla e gordinho dono da bola com Wordpress.
O Bacon é muito truta nosso e se vocês acessam o alt com alguma frequência já viram umas fotos do truta por aqui – como essa galeria do show do Polara. Pois é, eis que um belo dia recebo uma mensagem naquela rede social do Marcão Zika do Bacon falando se eu queria que ele fizesse fotografias das apresentações da Virada Cultural. É claro que eu queria e acho que vocês também.
Para se deliciarem com mais trabalhos de Marcos Bacon, clique aqui.
Vocês já devem estar pensando que eu sou um amante do post-rock e que não ouço nada diferente disso por meses, mas não tem nada a ver. Eu gosto de som instrumental, mesmo, mas não abandonei várias coisas para me dedicar exclusivamente a isso, a banda que apresento hoje – apesar de alguns colocarem tag de post-rock -, foi uma das coisas mais legais que descobri em muito tempo.
O Hammock é uma dupla de Nashville nos EUA. Marc Byrd e Andrew Thompson (ambos em suas guitarras) ditam o som neste projeto que se precisasse ser definido eu diria que é Boards of Canada + Explosions In The Sky + Sigur Rós. A influência do pessoal da Islândia é bem clara, principalmente nas músicas que contém um vocalzinho, muito parecido com aquele feito pelo Jónsi.
Ao longo de nove anos de estrada o Hammock lançou cinco álbuns, cinco EPs e alguns singles e em 2013 trabalha para o lançamento do novo disco, Oblivion Hymns, com lançamento previsto para outubro desse ano. O que me chamou mais atenção nos registros deixados pela dupla é que não há uma linearidade neles: alguns são bem mais eletrônicos, outros numa onda totalmente “atmosphere” e com faixas que vão de dois minutos a nove, sem preocupação. Numa onda “precisamos resolver isso, quando acabar, chega”.
Vamos dar uma dica valiosa para todos que se interessaram na banda: baixe! Não vamos reupar os quase 1gb da discografia que disponibilizamos e aí você vai ter que usar meios mais chatos para conseguir do que um simples clique em download com o nosso atestado de qualidade.
O que liberamos até agora para vocês se deliciarem foram os seguintes EPs: Stranded Under Endless Sky EP (2005), North West East South EP (2010), Outtakes: Chasing After Shadows…Living with the Ghosts EP (2010), Longest Year EP (2010) e Asleep in the Downlights (2011); os singles Black Metallic (Written by Catherine Wheel) (2005) e Sora (2012); além é claro de todos os álbuns disponibilizados por eles: Kenotic (2005), Raising Your Voice…Trying to Stop an Echo (2006), Maybe They Will Sing for Us Tomorrow (2008), Chasing After, Shadows… Living with the Ghosts (2010) e Departure Songs (2012)
…Like Clockwork
Queens of The Stone Age
Matador (2013)
Encontrar
Matador Records
Todo mundo acaba passando por uma adolescência musical. É uma “evolução” como as várias outras que acontecem no seu corpo, como o crescimento e os pensamentos errados. A minha adolescência musical começou quando eu parei de ouvir Beatles e comecei a procurar alguma coisa nova. Aí vieram os intermináveis meses daquelas bandas pops que se diziam emo, depois quase um ano de headbanger, seguido pela febre skatista-maneiro-blink 182. Depois disso vieram, muito rapidamente, a fase do indie rock, do samba-rock barbudo do Los Hermanos, e por fim, da música instrumental e experimental em geral: shoegaze, post-rock, essas viagens. Desde sempre, eu parecia estar numa caçada. Eu decompunha cada uma das coisas que eu ouvia e separava os vários aspectos: isso eu curtia; essa outra parte não. A partir daí, eu conseguia chegar até alguma coisa que eu gostasse ainda mais do que a obra analisada. Meio frio né? Como o mecanismo de um relógio… O que importa é que eu cheguei num certo impasse entre a época do metal pesado e do indie, samba rock. No Metallica e nessas outras bandas, o peso era claro e satisfatório, mas faltava alguma coisa. O indie tinha essa outra coisa que faltava, mas às vezes era um tanto quanto broxante. Foi quando eu descobri o Queens of the Stone Age.
Eu não vou dar o background da banda, porque eu imagino que todo mundo conheça a trupe do Josh Homme. Descobri o QOTSA a pouco tempo, provavelmente em 2010, e nunca consegui entender o que é exatamente que me prendia a eles. Até que eu assisti um show deles pela primeira vez, no Lollapalooza desse ano. E ouvi o …Like Clockwork, o primeiro disco de inéditas deles desde o Era Vulgaris (2007). O álbum ainda não chegou às lojas, mas como o mundo inteiro é muito espertinho hoje em dia, o CD já está por aí. 2013 tem sido o ano dos grandes hypes e da divulgação: tivemos o Daft Punk que não lançava material inédito há um bom tempo e preparou um documentário para apresentar seu novo disco; O Queens Of The Stone Age, por sua vez, enviou algumas cartas misteriosas para revistas de música e por fim, liberou uma série de vídeos (animações lindas feitas por Boneface, responsável também pela artwork do disco) que contam uma espécie de história que traduz muito bem o conteúdo do disco.
De qualquer forma, tratam-se de dez músicas que conseguiram exprimir o espírito da banda. Além da bonita estratégia de divulgação, a banda contou com várias participações especiais, como Nick Oliveri, o lendário e querido ex-baixista careca e barbudo do Queens; Trent Reznor, do Nine Inch Nails e tantos outros projetos; Brody Dalle, esposa de Josh e cantora do The Distillers; Mark Lanegan, ex-membro do Queens; Alex Turner, vocalista do Arctic Monkeys e pupilo dedicado de Homme; Jake Shears, o vocalista do Scissor Sisters (sim meus amigos, Scissor Sisters); sem contar Dave Grohl, o workaholic do Foo Fighters nas baterias, e até Sir Elton John.
Segundo o próprio Josh, …Like Clockwork é como “correr num sonho, num cabaré de codeína”, e eu acho que foi uma das descrições mais esclarecedoras sobre o disco. Você vê, o trabalho deles é uma representação de um poço emocional incrivelmente fundo e sujo. Mesmo. E a verdade é que todas as pessoas vão dar de cara com esse poço, em um momento ou outro. Alguns artistas vão sair correndo e jurar pelas suas mães que não existe poço nenhum. Outros vão acabar caindo e vão escalar o caminho de volta até a superfície como se não houvesse nenhuma alternativa. …Like Clockwork, meus amigos, é o Queens rindo da cara do poço. O Queens Of The Stone Age assumiu, pelo menos pra mim, uma carga ideológica importantíssima: as letras, principalmente nesse disco, são bem fortes e depressivas. Trechos como “& I know. You will never believe/ I play this as though I’m alright/ If life is but a dream, then/ Wake me” deixam bem claro que as coisas não estão bem. Mas a magia acontece precisamente nesse instante: a partir do momento em que se aceita o caos como ele é, torna-se livre.
Em …Like Clockwork, Josh Homme zomba da morte. Os versos depressivos são acompanhados de uma ironia e sarcasmo libertadores, e em alguns momentos você acaba esquecendo que estão cantando sobre solidão, afogamento na vida, promessas quebradas e depressão. O instrumental da banda segue o mesmo rumo: Num ambiente escuro e assustador, uma quebradeira louca consegue se transformar instantaneamente numa canção de ninar (de um bebê chapado, talvez, mas ainda assim uma canção de ninar). Você pode sentir todas as dores da vida em cada um dos acordes, mas chega-se a um ponto em que a beleza presente naquilo tudo se sobressai. As melodias e as harmonias intricadas fazem um misto bizarro com o rock cru e dopado, mas tudo se encaminha como num processo de hipnose. Quando você se dá conta de onde está, o silêncio embala um piano que toca enquanto Josh Homme canta alguns dos versos mais tristes, sérios e bonitos que eu já ouvi: “Holding on too long is just fear of letting go/ Because not everything that goes around, comes back around, you know?”.
Quando você finalmente aprende a deixar o medo e a confusão irem embora durante um dos vários trechos catárticos de …Like Clockwork, a música acaba, de repente, como se estivesse confirmando que nem tudo que vai, volta. O novo álbum do QOTSA pode ser resumido da seguinte maneira: …Like Clockwork parece ser o que aconteceria caso um monge budista encontrasse o nirvana enquanto enche a cara e toma antidepressivos na parte mais baixa da cidade maior e mais suja do mundo, assistindo ao pôr do sol.
Paulista adora dizer que está com pressa sem estar. É mania, relaxem. Eu mesmo adoro falar isso quando me pedem pra responder aquela pesquisa ou pra assinar aquela petição. Aliás, engraçado como os abaixo assinados são a forma mais burocrática de protesto que se utilizam, não? Claro que um molotov chama atenção, mas apesar de não achar a melhor forma de se mostrar o que se tem a dizer, não acredito que o extremo inverso tenha um efeito diferente dele. E todo mundo parece amar fazer abaixo-assinados! Porque um punhado de assinaturas com certeza expressa a aderência de uma galerinha a uma causa, não? Principalmente nos dias de hoje, onde a subjetividade de sua opinião é tão respeitada e quase nunca dá pra ser forjada ou manobrada de forma que sua efetividade seja mantida.
Revoltas à parte, estive pensando o quanto essa coisa da pressa está ligada diretamente à competitividade. Ser o mais rápido, em muitas situações, acaba sendo sinal de que é melhor que os outros. Já assistiu a uma corrida antes? É bem essa a lógica. Por isso riem tanto do Rubinho Barrichello, afinal de contas, um corredor que corre é diferente de um corredor que corre mais rápido que todos os outros. Apesar de só conhecer São Paulo e uma pequena parte do nordeste, a Bahia especificamente, não consigo ser o antropólogo do amor e categorizar essa característica somente ao povo apressado daqui mesmo, porém, esta observação se mostra bem adequada. É difícil concordar comigo mesmo, mas neste ponto dou meu próprio braço a torcer. Como diria Edgard Allan Poe, nunca venceremos as batalhas que travamos com nós mesmos.
Em época de politicagem, essa onda se mostra claramente. “São Paulo, locomotiva do Brasil”, eles dizem. Velocidade é um atributo qualitativo engraçado em alguns momentos, como quando a internet está lenta ou quando você se atrasa pra ir a um lugar. Chegar rápido é mais importante que chegar. Mas como a “locomotiva do Brasil” encara esta visão de maneira tranquila, muitos gostam deste título. Até porque, um trem é a coisa mais moderna e veloz que temos atualmente, pensando em tecnologia. São sujos, carregam qualquer coisa e necessitam de vinte mil homens pra que possa ter os trilhos pra caminhar e que, mesmo quando prontos, ainda precisam de uma galerinha pra manter funcionando. Bem, o termo se encaixa mais adequadamente por outros motivos que pela rapidez propriamente dita.
Apesar de tudo, ainda tenho pressa. Não de sair daqui ou de deixar todo mundo para trás, mas de fazer o que tenho que fazer. O tempo passa e não sei quanto dele ainda tenho. Paulista é tudo apressado mesmo, mas nem sempre por alguma razão. Cara, talvez até sejamos apressados sem notar, o que é preocupante, mas é assim que somos. Cabe até parar e pensar, ou melhor, correr e pensar sobre isso, mas é coisa quase impossível de se fazer. Taí outro motivo pelo qual sinto que o paulista não pensa tanto quanto deveria. Sou paulista e admito não me ligar naquilo que realmente importa, na maioria das vezes. E por que? Não sei, tô meio com pressa agora. Depois penso nisso.
Eu amo arte. Do fundo do meu coração, cada vez que busco alguma coisa para este clássico post de sexta-feira, fico me perguntando o quão incrível são as ideias das pessoas envolvidas nesse ramo. Hoje encontrei no site da revista ZUPI os trabalhos da Lauren Hillebrandt, que basicamente dá conotação sexual para várias coisas como casquinha de sorvete, ovo, frutas e etc. Não há muito o que dizer, além de que não entendi todas as imagens. Acho que preciso me perverter mais.
Continuemos com a nossa famosa compilação de clipes que surgem na interwebs. Separamos aqui alguns que saíram entre o começo do mês até agora. Tem até Cone Crew e se você vier xingar, use os comentários, mas já adiantamos que iremos rir que nem dementes e talvez montaremos um tumblr tipo rapmodinha.tumblr.com inaugurando com o seu chilique. Aí fica com você.
Domingos Sávio é velho conhecido dos leitores desse site e do Hominis Canidae, talvez não por esse nome e sim pela alcunha dada por ele ao seu lado artístico e musical. D Mingus é um dos músicos favoritos da casa, o último disco dele Canções do Quarto de Trás, lançado em 2012, entrou na nossa lista de melhores do ano. É uma dos artistas pernambucanos que mais se reinventam na cena independente local. Depois de um trabalho psicodélico e outro mais voltado para sua verve folk, ele está as vésperas de lançar seu terceiro disco solo, que segundo o músico utiliza muito kraut-synth e influências eletrônicas.
O lançamento de Fricção, novo rebento musical de Domingos, vai ser em um show na sétima edição do festival A Noite do Desbunde Elétrico, que acontece na próxima sexta, dia 17 de maio, no bar Experimental, no Recife (está rolando promoção de convites para o evento na fanpage do Hominis Canidae). Além do D Mingus, se apresentam no festival Zeca Viana, Juvenil Silva, Aninha Martins e Jean Nicholas. Aproveitando o evento e o lançamento do novo disco do D Mingus, resolvemos bater um papo com o camarada sobre os novos caminhos a serem seguidos, como foi o processo de criação do novo trabalho e quais as expectativas dele para o show de lançamento do álbum, saca aí.
Pra começar, fiquei curioso com o nome do novo disco. Por que Fricção?
Escolhi esse nome de uma forma meio inconsciente, imediatista. Quando fui nomear a pasta com os arquivos de algumas músicas que estava gravando para o disco, veio-me à mente, de primeira, “Fricção” (e acabou ficando). Ainda não tinha uma noção muito detalhada de como o disco seria, mas sabia que ele seria bem diferente do anterior. Depois comecei a refletir sobre o que a palavra representava pra mim, porque havia a escolhido, e percebi que o termo tem sentidos múltiplos. Talvez, entre eles, o que mais se aproxime do universo do disco é uma aparente contradição de coisas naif, introvertidas e lúdicas, de um universo meio infantil (como carrinhos de fricção) com algo mais malicioso e sensorial (como a fricção do ato sexual). Quando tinha cerca de nove anos comecei a gravar música do rádio em k7s e a querer de alguma forma mexer com isso. E o que pegou-me pelos ouvidos foi a música eletrônica dançante de bandas como o Kraftwerk e Depeche Mode. Então essa contradição do título adquiriu esse sentido arqueológico-pessoal, expressa também na sonoridade do disco e nas letras.
Você falou que esse disco é bem diferente do anterior, que é folk. Qual a relação dos seus dois primeiros discos com esse terceiro, se é que existe alguma relação entre eles.
Acho que esse disco dialoga com os anteriores. Apesar de ser diferente, mais eletrônico, ele mantém uma continuidade na linha de composição e na exploração das possibilidades de gravação/produção “one man’s band” – tentando sempre dar um passo à frente. Algumas pessoas que escutaram as pre-mixes comentaram sobre certa fusão estética do primeiro com o segundo disco.
Quem fez parte do processo de composição e gravação do Fricção? Como surgiu a ideia dessas artes loucas ai?
Inicialmente tinha pensado nesse disco ter muitas participações. Tinha feito uma listona com a galera que eu queria que participasse. Mas por insegurança, comodismo e outros fatores, acabei sem executar esse plano. Ainda assim, tem participação especial de dois caras onipresentes no estúdio da Pé-de-Cachimbo Recods (Graxa e Marditu Soundz) e de um figura chamado Daniel Liberalino (saque outros desenhos dele aqui), que também fez a arte do disco. Esse bicho foi muito importante na concepção geral do disco (juntamente com Marditu, que é minha principal “escuta crítica”). Curioso é que não o conheço pessoalmente. Temos poucas, mas significativas, conversas textuais e ele tem um nível de compreensão das coisas que sempre me surpreende. Mandei-lhe as faixas do disco pra escuta e o dei total liberdade de criação para a arte gráfica do disco e as faixas que ele achasse pertinentes. Posso dizer que o danado não me decepcionou.
E como tem funcionado esse ritmo de produção pra você. É praticamente um disco por ano, bem diferente dos tempos de Monodecks. Você tem se forçado a isso ou é tudo naturalmente?
Acho um ritmo natural esse de um disco por ano – na verdade daria até mais do que isso, mas pelo trabalho todo de gravar, editar, lançar, prefiro maneirar pois também gravo outras pessoas e tenho vida social, família, além de “empregos” mais oficialescos, digamos assim. Se eu vivesse só de música acho que lançaria uns três discos por ano. Quanto aos raros registros do Monodecks, isso se deve a um dos principais motivos pelos quais a banda morgou: a dificuldade para deliberações coletivas. Já gravar em casa, sozinho, pra mim é uma velha rotina conhecida e hoje a tecnologia me permite voos maiores.
Você vez por outra reaproveita partes de suas músicas antigas. Nesse disco isso acontece ou é tudo inédito? Pergunto porque lembro uns sons eletrônicos antigos seus.
Exato. Os discos anteriores tiveram muito de reaproveitar composições (ou trechos delas) de outras épocas. Eles são quase coletâneas – só que com regravações rearranjadas, reelaboradas. O disco novo tá meio a meio – metade das músicas foi composta mais ou menos durante o período em que eu já havia começado a gravar o disco (no final de 2012). Tem umas coisas mais antigas também, mas já não é a maioria do álbum. A tendência é do meu “baú” ir minguando, dando lugar para canções mais recentes mesmo, que representam mais quem eu sou hoje. É o que me deixa mais satisfeito artisticamente.
E ao vivo, o que muda na banda desse novo disco para os anteriores? Podemos esperar um DJ no D Mingus?
Ao vivo, continuo com o suporte da Kazoo Orquestra, que é formada pelos bróders Tiago Barros (bateria), Hugo Coutinho (teclado / vocais), Ricardo Rama (guitarra / percussão), Aninha Martins (vocais) e Angelo Souza (baixo / vocais). Nunca tive muito compromisso em reproduzir 100% os arranjos das músicas dos discos ao vivo. E nesse disco então, precisaríamos de bateria eletrônica e outros equipamentos – que não possuímos – pra deixar a coisa mais “eletro” sem ficar aquela coisa muito preset, pré-gravado. Mas a gente adaptou ao formato da banda algumas músicas do disco novo para o próximo show (no festival A Noite do Desbunde Elétrico) e elas ficaram muito boas, enérgicas. Acabaram ganhando outras nuances que não estão nas gravações. Quanto a um DJ ou um engenheiro de som seria interessante pra remixar o nosso som ao vivo e fazer algumas interferências sonoras também. Quem sabe num futuro próximo.
Falando nesse show do Desbunde, você vai tocar as músicas do disco novo ou irá misturar o repertório? Diz uma faixa sua que você sente prazer tocando ao vivo, que você acha que realmente funciona.
Vai ter músicas dos três discos. As que mais têm funcionado pra instigar o público são “Colmeias” e “Oroboro”. Quanto a ter prazer tocando o que toco, acho que não faria isso se não o sentisse – pela grana definitivamente não é. Mas músicas novas sempre costumam ser mais instigantes pra quem está tocando – dentre as que vão rolar no show eu destacaria “Eno” (uma singela homenagem a Brian Eno).
Interessante ver os caminhos que você vem seguindo, expondo diversas influências distintas em cada um dos trabalhos. Que influências você ainda não explorou em suas gravações?
Acho que o primeiro disco foi meio caleidoscópico nesse sentido, de abrir um leque de referências estéticas correndo até o risco de estar atirando pra muitos lados ao mesmo tempo. Já o segundo fez isso mais contidamente – e com uma palheta sonora bem mais delimitada. O terceiro tem um acento kraut-synth pop na sonoridade. Acho que algo que ainda não explorei mais explicitamente nas gravações – e que talvez seja uma das minhas influências pessoais mais fortes – é o rock n’ roll mais simples e dionisíaco. Muito provavelmente farei algo assim num futuro próximo. Mas nunca com purismo revisionista.
Esse disco novo vai sair em LP, é isso mesmo? Qual outro formato o álbum terá?
O “LP” aí é referente à duração do disco: ou seja, é um “disco cheio”. Devo fazer umas cópias em formato CD também. Costumo fazer poucas cópias físicas (no momento não tenho nenhuma). Portanto, se algum selo se interessar em lançar fisicamente algum desses discos (ou os três) oficialmente – e poupar-me desse trabalho -, podem contatar-me.
Pô, pensei que ia sair em LP mesmo, propaganda enganosa! (risos) Massa Domingos, acho que fechamos por aqui, quer dizer mais alguma coisa?
Oxe, a galera não usa “EP” pra falar de CD também? São termos que surgiram na época do vinil, mas que a ultrapassaram como categorias de duração mesmo. Bem, se esta entrevista for publicada antes do dia 17 de março de 2013 gostaria de convidar a todos – os que tiverem condições de ir – para o festival A Noite do Desbunde Elétrico (7ª edição). Não é só porque eu vou tocar não. Posso afirmar que fui a todas as edições do Festival (a maioria delas como espectador) e nunca deixei de ter ótimas surpresas. E se você nunca foi ao Experimental (ex-Curupira) – lugar do evento – saiba que você não vai se decepcionar. O lugar é mágico, quase dentro da Mata de Dois Irmãos, ótimo pra ter exxxperienças fora de ambientes de concreto e metal. A galera vai amanhecer por lá curtindo um som e o pôr do sol. Então, relax, float down stream e se aprochegue. E estejam atentos para o lançamento – muito em breve – desse fabuloso disco que é Fricção. O Recife vai tremeeeeerrrr…
O Labirinto, uma das bandas instrumentais brasileiras mais respeitadas no mundo, fez uma grande tour pela Europa entre os meses de março e abril desse ano. No dia 21 de abril o grupo se apresentou em Berlim na Alemanha, fechando a turnê pelo velho mundo em um evento que foi organizado pelo selo alemão Oxide_Tones. Antes do show da banda brasileira, ocorreu a apresentação dos canadenses do Thisquietarmy.
Eis que o selo liberou em seu Soundcloud o áudio da apresentação do grupo brasileiro na íntegra. Em pouco mais de uma hora de show, é possível ouvir canções do disco do Labirinto de 2011 (Anatema), do EP lançado ano passado, Kadjwynh, e algumas inéditas. O setlist da apresentação foi da seguinte maneira: “Cairo” – “Flagelo” – “Anatema” – “Piam Ket”, e duas canções novas: “Diluvium” e “Cólera”. Ouça no máximo e de preferência com fones de ouvido.
Por sinal, o Labirinto confirmou nesse mês o lançamento de um split (o vinil – edição limitada de 500 cópias - já está em pré-venda no site da Dissenso Records) e uma mega tour com a própria Thisquietarmy, entre os meses de maio e junho pelo sul e sudeste do Brasil. O registro será lançado em LP e CD, e contém três faixas do Labirinto, “Tahrir”, “Diluvium” e “11 Palmos”, e quatro do Thisquietarmy, “Eclipse” (que contou com a colaboração de membros do Labirinto), “Paths to Illumination”, “World Protest” e “Abandonment”. As novas composições da Labirinto foram gravadas no Dissenso Studio e a mixagem ficou a cargo do mestre escocês Tony Doogan (produtor e engenheiro que trabalhou com Mogwai, Teenage Fanclub, Arcade Fire, Belle & Sebastian entre outros). Fique esperto pra não perder os shows dessa tour.
Tem bandas que são muito fodas, né? Melhor ainda é quando essas bandas possuem uma personalidade forte que toca mais de uma banda com maestria. Poucos conseguem ser sempre excelentes no que fazem e um deles é Leslie Claypool, ou Les Claypool, ou o baixista do Primus. Ele tem tantas bandas sensacionais que é até difícil acompanhar. Três bandas dele conseguem superar o nível de alternatividade excêntrica de Claypool e realmente te fazem querer ouvir de fato o que a banda tem a oferecer: Colonel Claypool’s Frog Brigade, Colonel Claypool’s Bucket of Bernie Brains e, claro, a banda da terça gringa, Sausage.
Quem diria que uma banda com o nome de Sausage seria algo muito melhor do que uma salsicha. Nunca fui fã de carne, mas ainda assim, ouvir esta junção de Claypool com sua turma é um show a parte. A banda até se parece com Primus, mas esta é diferente pela pegada mais agressiva, dando vazão a um funk metal um pouco mais aparente que os experimentalismos da original banda de Claypool. Não pense que ele não faz suas experiências no Sausage, aliás, ele faz e muito, mas estes não se limitam em seus trabalhos baixísticos. Há um peso relativamente diferente na banda, dando um tom mais escuro, soturno, triste as músicas e, por consequência, no disco como um todo.
Infelizmente o Sausage acabou em 1996, depois que o Primus voltou a ser o foco de Les Claypool, mas não por isso deixamos de ter esperanças de que um dia esta maravilha de banda que é o Sausage volte. Além de um som excelente, o Sausage tinha a mania de se apresentar fantasiados de leiteiro, de amebas e até mesmo de penguins, costume este que foi adotado posteriormente nas apresentações do próprio Primus. Riddles Are Abound Tonight é o nome de seu disco mais conhecido, e o único que importa realmente no fim das contas e que pode ser baixado em nosso tumblr.
O lance é o seguinte, cerca de três anos atrás começamos uma parada sem saber muito no que ia dar. Resolvemos começar a criar coletâneas especiais para o Hominis Canidae, inicialmente pensando em coletas comemorativas de aniversário, mas resolvemos que seria legal tentar fazer uma por mês. Um dos principais motivadores para que fizéssemos isso foi George Frizzo, designer baiano radicado em Fortaleza e velho conhecido meu. Ele fez a arte de uma das primeiras coletas lançadas por nós e disse que quando precisasse ele faria outras, tanto que acabou fazendo em todos os aniversários até o presente instante.
Porém o que começou com uma brincadeira, hoje em dia nós dá muito orgulho. Orgulho em dizer que já temos 40 coletas lançadas, todas com arte própria e feita por artistas de diversos locais do Brasil. São exatos 38 artistas que já fizeram alguma arte para nós, tem gente de João Pessoa, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e por ai vai. Outro que tem mais de uma arte no currículo é o pernambucano Daaniel Araújo, que já fez arte pro HC, pra mixtape do Cena Independente #2 e a do Cena Independente especial de Pernambuco.
Resolvemos então iniciar uma sessão por aqui, onde tentaremos falar um pouco sobre arte e dar um pouco mais de espaço para os artistas que já participaram de alguma de nossas coletas. Pra começar, falamos com os dois maiores colaboradores dessa breve historia virtual que temos. Com vocês, um papo sobre arte com essas pessoas distintas e geniais, com vocês Daaniel Araújo e George Frizzo…
O que te fez querer trabalhar com artes visuais? Pintura, como designer, etc?
Daaniel: Eu sempre quis me comunicar, na década de 90 fazia alguns desenhos e escrevia algumas coisas, tinha uma real vontade de comunicar, mas o produto dessa época era muito pessoal eu não sabia exatamente o que eu procurava com isso. Era mais uma vontade de fazer coisas. Quando decidi fazer design esperava trabalhar criando marcas e produtos, naturalmente com o aprofundamento das técnicas de desenho, composição, fotografia, foram crescendo em mim uma necessidade de exercitar um lado mais autoral sempre foi algo que fiz em paralelo e em algumas circunstancias em concordância com meus trabalhos como designer gráfico, mas nem sempre.
Quando você se descobriu designer? Quando você percebeu que trabalharia com artes visuais?
George: Comecei a trabalhar com artes gráficas quando comecei a me envolver com música. Bem cedo. Antes, na escola, gostava de ficar desenhando nos cadernos pra passar o tempo, mas foi quando montei minha primeira banda que comecei a pensar no visual. Então a música e as artes gráficas vieram quase juntas. Eu fazia todo o material gráfico da banda que tocava; fazia as capas das fitas, dos discos, as camisetas, os cartazes dos shows, por pura necessidade mesmo. Ai a coisa foi evoluindo e passei a fazer trabalhos também para outras bandas. Cobrava quase nada só pelo prazer de fazer um material bacana para as bandas que estavam começando e que também não tinham muita grana pra pagar. Com um tempo também passei a fazer cartazes e material gráfico pros lugares onde essas bandas tocavam que eram lugares que eu frequentava também. E a coisa foi indo. Mas só fui trabalhar profissionalmente com Design e programação visual um bom tempo depois.
Mas você fez algum curso ou é autodidata? Pra você, quanto de “autodidatismo” e quanto de estudo técnico são necessários para trabalhar como designer gráfico?
George: Eu tenho formação acadêmica em Design Gráfico. Mas aprendi muita coisa na marra, observando outros designers, lendo tutoriais, pesquisando coisas na internet. É legal o lance do autodidatismo, mas acho importante ter noção da parte técnica das coisas. Uma coisa não exclui a outra, só complementa, acho que o ideal seria meio a meio. Quando comecei a trabalhar com Design eu estava me formando na faculdade em uma parada meio nada a ver com Design, Ciências Sociais. Mas sentia necessidade de um estudo formal em Design pra melhor no que eu trabalhava. Mas foi um lance meu.
Tu falou que na década de 90 já fazia uns desenhos, nessa época tu morava na Inglaterra? Você acha que essa experiência em outro continente influenciou no seu tipo de traço/arte?
Daaniel: Pois é, morei sim entre 94 e 2000 morei cinco anos lá. Acho que voltei recém feito 17, terminei a high school por lá e voltei para Brasil pouco depois disso. Passei um tempo meio perdido na ideia do o que fazer da vida, passava grande parte do tempo escrevendo coisas, letras para musica, escutando música e fazendo desenhos aleatórios no caderno quando não me interessava na aula. Optei pelo design, pois já tinha estudado design gráfico, marcenaria e arte plástica na escola na Inglaterra, sempre gostei muito de ter tido a oportunidade de ter estudado isso antes de pensar em um curso especifico.
Isso explica os seus trabalhos com madeira, acrílico, etc, porque isso não se aprende em design. Qual é sua maior inspiração para fazer seus trabalhos audiovisuais?
Daaniel: Na verdade eu pessoalmente nunca fiz muitos trabalhos áudio visuais, sempre foi Luiz Pessoa (parceiro de banda Sãomer Zwadomit) que cuidou mais dessa parte, mas o Áudio Visual em si é uma grande inspiração assim como musica normalmente trabalho escutando musica, pois o dia a dia aqui no atelier pode ser bem solitário, então clipes e trechos de filme cenas que eu lembro que me marcaram por algum motivo terminam virando ideias para meus trabalhos.
No que ter estudado Ciências Sociais está presente ou influencia no seu trabalho de design?
George: Sei lá. Não tem como eu dizer, isso pra mim é só design e aquilo é algo que tem uma preocupação social. Acho que misturo tudo, mesmo que inconscientemente e essa influencia da sociologia nem sempre fique aparente. É como uma bagagem que a gente vai adquirindo ao longo do tempo e que de certa forma refletem no que a gente faz. Mas assim como a sociologia, tem a literatura, tem o cinema, tem as viagens e tem principalmente a música.
Quais são teus ídolos?
George: Cara, eu não sou muito de cultivar ídolos. Acredito que o ídolo é uma ilusão, é uma construção que o fã faz de uma pessoa que admira muito, multiplicando as qualidades desse “ídolo” e criando uma nova personalidade que não corresponde a realidade. É uma viagem minha achar isso, mas eu realmente não sou muito de me apegar a personalidades e coloca-las em um pedestal. Tem muita gente que tem trabalhos legais tanto na música quanto no Design e Artes gráficas que de certa forma, pouco ou muito, mesmo que subliminarmente, me influenciam no que faço, não só no trabalho de Design como em tudo. Gosto de ouvir muita coisa e por causa do programa de rádio online (Superdrive) que faço, acabo ouvindo muita coisa nova como Astronauta Marinho, daqui de Fortaleza, tem também o Jair Naves, Tame Impala, Terra Tenebrosa, Ghost BC. Tem os clássicos como Interpol, Sonic Youth, Mogwai, Neurosis, Slayer, Napalm Death, por ai vai.
No Design e artes gráficas eu poderia citar Eduardo Recife, Thomas Schostock, Renato Alarcão, Sesper, Dani Hasse, Raul Luna. Tem também o pessoal da Mooz, do Bicicleta Sem Freio, da Monstra daqui de Fortaleza, o Weaver, Jabson, Michel, Everton, Franklin, e sempre surgem novos designers e artistas gráficos que são foda. Sei lá, tem tanta coisa bacana sendo feita no mundo que acho muito limitado a se prender a um único “ídolo”.
Quem são seus ídolos?
Daaniel: Tenho muitos ídolos, alguns mais por suas ideias, outros por seu trabalho. Termina que são muitos ídolos, mas para citar alguns. Digo que Andy Walhol, Picasso, Kandinsky, Pink Floyd e Radiohead dominam bastante meu imaginário.
Pra fechar, você se considera um artista? E quando você percebeu que queria viver de sua arte? Se sente confortável com isso?
Daaniel: Me considero um artista em formação, a escolha de viver da arte é um sonho antigo pois sempre adorei pensar sobre arte e fazer arte que fosse musica ou desenho, logo uma hora me percebi munido de capacidade de gerar trabalhos para atender minhas próprias ideias. Conforto é um sentimento muito complicado para mim quando se fala em quesitos de trabalho, trabalhei por muitos anos em empresas de Design e Publicidade em algum momento a situação confortável da rotina me deixou muito inquieto, eu tenho um problema com fazer as coisas de uma única forma então conforto é uma coisa que inevitavelmente fica complicado quando você trabalhar nos planos das ideias, no meu ponto de vista é claro.
Pra terminar, eu vejo relação entre todas as artes que você fez pro hominis. A minha pergunta é: você tenta contar alguma historia ou passar alguma historia com suas artes?
George: Bem, sim e não. Procuro fazer cada trabalho baseado em uma ideia inicial, não necessariamente uma historia, ou um “conceito”, mas uma ideia em forma de imagem que tenha alguma relação com a informação que ela deva passar no cartaz, ou na capa de um disco ou livro. A partir dessa ideia inicial vou montando a “arte” até chegar no resultado imaginado. Muitas vezes o resultado final é totalmente diferente da ideia inicial. E é essa a graça do negocio, não seguir uma fórmula. O resultado final pode fazer sentido ou não. Deixo essa analise pros outros.