For once you hear the screaming, it never stops.
In 1913, bodies of two children were discovered in the Hopetown quarry near Edinburgh. Although the bodies had been in the water at least eighteen months, a man named Sir Sydney Alfred Smith was able to provide the police with vital information. He determined how much time before their deaths the two boys had eaten their last meal, proved that they must have walked to the quarry, and hypothesised that they had been killed by someone they knew. The two boys had never been reported missing, but Smith’s evidence led to the arrest of the children’s father, Patrick Higgins, and to the first execution in Scotland of the century.
A charred corpse in the Leipzig-Thekla sub-camp of Buchenwald. [The body is possibly that of an American POW.]
Syphilis, tertiary, skin of face. [Clinical photograph. Venereal diseases.] Dr. John A. Fordyce Collection; 131-147.6. Cropped
Little Marcelle had a lover;
A young and lovely one;
Poor lover one day died.
Smashed his cranium on the ground,
Tripped and fell off a cliff, they said.
Little Marcelle got really sad.
For there was no one who could love her more,
Or no one she could love more.
But looking at the splattered body,
That one day took form of her most beloved soul;
She understood that there was still some beauty left.
The crimson amorphous mass
Seemed to be quite tasteful.
But obviously, not for her
Yet.
In that moment, she realized what had to do.
It were hard times, you know;
Something should be done.
With a shovel and a wheelbarrow
She started to gather the pieces,
Pieces of flesh, organs and bones,
And throw them at the cart
With a salty taste on her mouth.
The girl produced no sound.
For there was no sound that could understand her grief.
As she finished the task;
Pierced the shovel on the earth.
And left the place with heavy steps
Conducting the wheelbarrow back home.
She knew that what she was doing was right.
The best thing that she could do.
The poor dead lover would be happy if he only knew
How he saved her life with his own death.
When she got home, in the horizon could see the dusk.
Soon the darkness would fell over her;
And then they would come.
She hurried to the second floor and reached the window;
Bringing the wheelbarrow upstairs.
And waited.
Waited for not so long,
But time seemed to be infinite at that moment.
And they then appeared.
Tripping, stumbling and moaning.
Empty eyes gazing nothing.
But with one thing on their mind.
She started to throw her lover’s leftovers at them
With bare hands.
The disgusting feeling she felt by doing it
Could not be compared to the one of her sorrow.
She cried as the limbs flied through the air
To be devoured by some of those monsters.
They seemed to be satiated and fled.
They would come back, she knew it.
So, the only thing she could do was
Find another lover
Before they found her.
Ele era idiota por acaso? Todos lá iriam morrer. Se bem que na verdade, a única pessoa prestes a morrer era eu. O choro e o desespero pareciam sugar minhas forças, e eu ia me esvaindo da vida e minha cabeça se enchia de pensamentos. Quando bateríamos em algo? Ou ele iria me matar ali mesmo? Se não morresse, o que seria de mim? Era tudo tão confuso... Aquilo tudo não poderia estar acontecendo comigo. Minha família, eles sentiriam falta de mim? Será que a menina estranha e deslocada dos outros familiares seria esquecida logo? Tantas perguntas. Nenhuma resposta. O motorista de repente me soltou e eu caí no chão. Abracei meus joelhos e senti uma imensa carência. Foi então quando o corpo do meu cadáver misterioso me abraçou. Os bichos dentro dele caiam sobre mim como minhas lágrimas. Era tudo tão torrencial, mas eu não me importava... Não me importava com o sangue no chão, um cara morto que já estava quase totalmente decomposto nem o outro cara morto que eu esperava que estivesse dirigindo aquele maldito ônibus. Parecia que eu pertencia àquele mundo. Tudo parecia tão normal e familiar... Só faltava que eu me incorporasse de vez. Voltei ao meu assento de sempre, o mais afastado e escondido. Meu amigo estava comigo. E logo estaríamos mais próximos ainda, e isso me alegrava muito. Fechei os olhos para me recompor e quando os abri, nada mais do meu mundo estava ali. Era tudo tão normal que eu me espantei. Acho que era para que eu tivesse uma última visão desse mundo medíocre. Corri e cheguei até a catraca, passei por ela e o motorista olhou com estranheza para mim. Acionei o mecanismo que abre a porta e ouvi o grito vindo do motorista para que eu parasse. Mas eu queria ir em frente e partir. Eu sei que eu pulei e a última coisa que vi foi o rosto de um garoto com uma beleza que eu não poderia descrever. Talvez fosse um anjo, mas eu queria o inferno.
***
- E a paciente do quarto 306?
- A que tem delírios?
- Sim, ela.
- Dormindo agora. Espero que não tenha pesadelos.
- Sabe, e se ela se tivesse conseguido morrer? Eu acredito que a ira dos céus para quem se suicida é muito grande. Pobre menina... Tão bonita, mas também obscura. Mas quem sabe se agora ela não vira uma pessoa feliz?
- Quem sabe, quem sabe... Mas acho difícil. Pessoas que sofrem disso não têm uma vida muito feliz convivendo com essas alucinações. Alguns preferem morrer ao agüentar as visões macabras.
- Mas eu ainda tenho esperança de que essa menina vai superar isso. Ela tem muito para viver.
***
O enterro de Manuelle tinha uma aura de indiferença e hipocrisia. Os únicos que pareciam realmente tristes eram seus pais. Mas isso logo passaria. Era bom não ter uma louca na família. Agora sim seriam uma família de verdade, sem a interrupção de uma menina que era um peso morto. E felizmente seu caixão estava lacrado. Se ninguém tinha vontade de ir ao enterro daquela ridícula, imagine tivessem visto um rosto totalmente desfigurado por cortes do espelho no qual ela bateu sua cabeça várias vezes antes de se afogar na banheira. Mas ainda sim era possível ver um sorriso naquela massa que outrora fora um rosto que continha uma curiosidade insaciável.
Via-se na porta um garoto de roupas pretas, que parecia querer esconder sua beleza e também um sorriso.
Dedico o conto à minha vizinha (que mora longe) funny face e fiel leitora, que foi minha motivação para que eu o terminasse :3
Era sábado pela manhã, e Claude não conseguira dormir boa parte da noite. Claro, estivera pensando em Lucy por todo o tempo, e temia fechar os olhos para que seus pensamentos fossem seguidos por sonos turbulentos. Haviam terminado há duas semanas, mas ainda assim pensava na garota como se fosse seu único amor.
Bem, não podia deixar de viver, embora não soubesse bem qual era a energia que o guiava para ter vontade de se mover.
Tocou a campainha da casa de Fernand, a princípio apenas para pedir a margarina, que havia esquecido de comprar, desligadoo como andava.
"Olá?" Disse Fernand, espantado pois sempre tivera seus desejos secretos em relação a Claude.
- Oi. - respondeu, do modo menos formal que conhecia. Não sentia necessidade de se reservar na presença de alguém que conhecia há pelo menos cinco anos, embora não fossem melhores amigos, e devia ter sua idade. Fernand também devia saber sobre seu estado emocional, pois apesar de não ter contado nada ao vizinho, todos daquela vizinhança fofoqueira já sabiam sobre seu estado sem vida. O motivo já era outra história.
- Me empresta a margarina, Fernand? - perguntou, casualmente, entrando na casa e convidando-se a sentar no sofá, empurrando o rapaz delicadamente para o lado ao fazê-lo.
- Ahn, claro. Só não tenho certeza de ainda ter...
- Não tem problema, eu espero. – recostou-se à poltrona de modo folgado, jogando os braços atrás da cabeça, e esperou pacientemente.
Fernand foi até a geladeira, pensando o que poderia fazer para passar o máximo de tempo possível com Claude.
Quando a abriu, encontrou até dois potes de margarina, mas ficou em dúvida se contava ou não para Claude.
Claude esperava, mas como Fernand não chegava, decidiu procurar por ele, esquecendo-se de que estava na casa do rapaz e esgueirando-se por entre os cômodos. Viu-o na cozinha, parado com um olhar vazio em frente à geladeira. Por um segundo ficou chocado, porque aquela expressão vazia lembrava a sua própria, mas em seguida balançou a cabeça e andou, sem fazer barulho, até ele.
- O que está fazendo? - perguntou, no ouvido do mais baixo, o braço apoiado no batente da porta de madeira.
O susto fez Fernand dar um pulo. Não esperava ter o homem desejado tão perto e que chegou de maneira deveras furtiva. Tentava falar algo, mas de sua boca só saíam palavras incompletas e sem sentido.
Quando se acalmou, um bom tempo depois, disse que somente havia ido buscar a margarina. "Não era isso que o senhor queria?", perguntou.
Teve de conter um sorriso malicioso com a reação de Fernand. Quase esquecera-se de porque gostava tanto da companhia do vizinho, tão tímido toda vez que se viam embora Claude não visse motivo aparente para aquela seqüência de reações. Pensara em responder algo mais perverso, mas a idéia escapou-lhe a mente.
- Sim, era o que queria. - respondeu, simplesmente, bagunçando os cabelos do mais baixo à sua frente, e não se movendo a posição em que estava mesmo sabendo que o encurralava.
- Pois então aqui está.
A presença de Claude era boa e intimidadora demais. Fernand não conseguiria suportar aquela situação por muito mais tempo.
Levantou o rosto do rapaz à sua frente pelo queixo, apenas divertindo-se e brincando com ele. Indagava se Fernand sentia alguma coisa por ele ou estava simplesmente ludibriado com sua aparência tentadora. Ele próprio não sentia nada mais que uma vontade de provocá-lo, apesar de ter plena consciência de que passava dos limites às vezes.
Aproximou-se dele, seus rostos próximos demais.
- Está certo.
Soltou-o e voltou-se para a sala, preparando-se para ir embora, como não via nenhum meio de brincar com ele naquele momento.
Fernand estava em choque. Algo próximo do ódio o dominava. Como aquele ser tão desprezível e prepotente fazia-o ficar daquele jeito? Precisava fazê-lo ficar.
Engolindo o orgulho, foi atrás de Claude e perguntou se ele queria mais alguma coisa. Se desprezava por se rebaixar tanto, mas não tinha como deter aquele fogo.
Fitou o rosto de Fernand por longos minutos, em silêncio e sabendo que isso provavelmente o enlouqueceria. Depois, deu de ombros e soltou um profundo suspiro, desviando o olhar dele e encostando-se à parede, cruzando os braços, fazendo até certa pose.
- Já que insiste... Podemos tomar um chá, não é mesmo? - pediu, olhando-o de soslaio, sem querer sendo mais sedutor do que deveria.
A raiva dentro de Fernand só crescia. Fazer o quê? Pediu para que Claude se sentasse enquanto ia preparar o chá. Mas Claude disse que ia com ele. O nervosismo tomou conta e fez com que Fernand derramasse água durante o preparo.
Sob aquelas circunstâncias, tornou-se uma pessoa mais...decente, se é que conhecia aquela palavra. Não era como se não gostasse de Fernand, simplesmente gostava de testar suas reações. Mas vendo-o derramar a água por causa de sua presença, mudou a atitude.
Puxou-o pelo braço, apesar de saber que isso os deixava há poucos centímetros de distância, e examinou suas mãos.
- Você se queimou?
Sem levantar os olhos para Claude e olhando fixamente suas mãos, Fernand disse que não. Somente havia se molhado.
Claude disse que o secaria.
Arrastou Fernand pelo braço até o banheiro e o fez sentar-se sob a pia, involuntariamente ficando entre suas pernas, e secando-o com a toalha de rosto, embora ainda examinasse suas mãos.
- Devia tomar mais cuidado. - provocou, sabendo, em parte, que era sua culpa. Percebeu que a camiseta dele estava molhada e mandou que tirasse, sem pensar.
- Mas... É só água.
Fernand estava completamente sem jeito. Tremia. Não conseguiu tirar a camiseta.
- Não importa, vai deixá-lo resfriado se não tirar. - relutou, dessa vez com seriedade. - Vamos, não tem problema. Somos homens, afinal. Além disso, você está tremendo de frio. - falava com sinceridade, e não fazia idéia de que o nervosismo de Fernand era por causa dele daquela vez.
- Você diz como se eu tivesse caído em uma piscina.
- Tudo bem. - concordou, desistindo. - Apenas vista-se com algo mais quente. - completou, tirando o próprio casaco e jogando-o sob Fernand. Ficara, porém, apenas de camiseta regata.
Lembrou do chá, e sugeriu que o preparasse. Estava esfriando, e aquilo os aqueceria.
Apesar de ter colocado o casaco, Fernand ainda tremia. Percebendo isso, tentou controlar-se.
Foi continuar o preparo do chá. Perguntou a Claude:
- Você quer chá do que?
- O chá que você fizer vai estar bom para mim. - Respondeu Claude com um sorriso sincero. Isso desarmou Fernand.
- Então farei chá de tesã... MAÇÃ. É, foi isso que eu quis dizer.
Por sorte, Claude não percebeu o que Fernand ia falar.
Estava realmente com vontade de atacá-lo, àquela altura. Estivera com vontade desde o começo, embora somente a percebesse naquele momento. Não estava com humor para um relacionamento sério, logo depois de ter saído catastroficamente de um, mas queria alguém que pudesse dar-lhe carinho, e ele parecia a melhor opção. Entretanto, não sabia como seria recebido. Decidiu testar.
Empurrou-o contra a parede e o segurou nela, estendendo os braços para que ele não pudesse sair de lá. Não deu explicações, porém.
Espantado, Fernand tentou perguntar o que Claude estava fazendo, mas não conseguiu. O pânico e a tentação tomaram conta dele naquele momento, de modo que não se mexeu, só olhava fixamente para Claude, atônito.
E os dois continuaram naquela situação por um bom tempo. Nenhum dos dois sabia se avançava ou recuava.
Aproximou seus lábios dos de Fernand, mas não chegou a encostar. Olhava-o fixamente, procurando qualquer hesitação ou sinal positivo no olhar dele. Não afrouxara os braços nem um segundo da parede, pois temia que o mais baixo corresse assim que se visse livre.
- O que vai fazer se eu te beijar? - perguntou, tentando usar um tom provocante embora estivesse sem segurança de avançar.
- Você só quer brincar comigo. - Fernand estava à beira das lágrimas.
A frase de Fernand e o sentimento expresso nela deixaram Claude estarrecido. Sim, ele só queria brincar, mas não naquele sentido... Não queria magoar Fernand. Decidiu abraçá-lo.
Sentia-o em seus braços, frágil como jamais sentira. Seu nervosismo era tão grande que o deixava quase angustiado. Mas seus sentimentos não concordavam entre si. Não queria magoá-lo, de fato, a última coisa que queria era vê-lo chorar por causa de uma noite. Mas não estava sendo fácil de se controlar, e sabia que se não deixasse a casa de Fernand naquele segundo, perderia sua repressão interior.
Porém, não queria sair de lá. Não conseguia. Não queria soltá-lo ou voltar para sua casa, sozinho, para pensar novamente em fatos desagradáveis.
Decidiu amá-lo, não somente dormir com ele, mas realmente expressar seu sentimento que antes não havia percebido. Naquele instante, a paixão tomou conta dele e começou a levar Fernand para o quarto.
Beijava-o em um ritmo acelerado, afoito, e mal agüentava esperar chegar até o quarto para despi-lo, tirando o casaco que outrora o fizera vestir e desabotoando sua camisa, sua boca se ocupando com cada novo pedaço de pele que descobria.
Sua mão desceu pela barriga do mais baixo, e ameaçou entrar em sua calça, roçando a borda de modo malicioso.
Claro, ainda era um tanto safado por mais carinhoso que tentasse ser.
Isso não podia estar acontecendo, era o sonho realizado de Fernand. Só o que as coisas estavam fugindo de seu controle.
- Pare, por favor... - suplicou Fernand, mas Claude já tinha tirado suas calças e dirigia-se ao órgão.
Fernand se encolheu. Mas Claude estava tomado pelo momento, era mais forte que o pequeno. Conseguiu pegar os braços de Fernand e amarrou-o na cama.
Inclinava-se sob ele na cama e segurava, apenas com uma mão, seus dois pulsos amarrados.
- Por que eu deveria parar? - perguntou, desejando-o e impossibilitado de controlar-se.
Retirou o que restava de sua camisa e lambeu seu mamilo esquerdo até enrijecê-lo, tentando excitá-lo e fazer com que ele cedesse.
Sua outra mão estava livre para correr o corpo nu do rapaz, e estimulava-o, tocando seu membro.
Vendo que não tinha como escapar, decidiu tentar aproveitar a situação. Era o que ele queria, não era? Relaxou e lançou um olhar sedutor a Claude, que o olhava fixamente.
-Finalmente gostando, não? - Perguntou Claude, malicioso.
Observava Fernand, e como não respondia, mas sua expressão demonstrava prazer, saciou-se com ela e continuou a excitá-lo, descendo a língua por seu corpo retesado e querendo despertar seu desejo inteiramente par enfim poder penetrá-lo.
Para melhor aproveitarem o momento, Claude desamarrou Fernand.
Não sabia, porém, se seria retribuído ao desamarrá-lo, por isso continuou segurando-o por mais alguns segundos até que o soltou. Voltou-se para seu rosto e o beijou novamente, com paixão, dessa vez.
Retirou do bolso o pequeno frasco, sem deixar de envolver o corpo de Fernand, e espalhou seu conteúdo no rapaz, adentrando-o com um dedo e vendo-o gemer, sentindo prazer em deixá-lo excitado, e reprimindo seus próprios sons. Seu quadril se movia instintivamente, e sabia que só precisava de mais alguns segundos. Penetrou-o, seu grito de resposta como um estimulante automático, e, com um sorriso de nada mais do que desejo no rosto, sentiu-se arder por dentro.
Oi, me sinto ridículo pelo post abaixo.
Até mesmo pelo post ESTAR ridículo, mas foda-se.
Ok, e lá estava eu de novo no ônibus. Preferi sentar no fundo e não tinha idéia do que faria. Como sempre, ele estava lá, na frente. Eu ainda estava dolorida, mas meu tormento era o turbilhão de coisas que passava pela minha cabeça. Fiquei olhando para o vazio que estava fora da janela, então, virei meu olhar para o chão e percebi que nele havia sangue. Sangue fresco. Ele vinha do motorista e chegava até a mim. O motorista não se mexia, mas mesmo assim o ônibus ia rápido. Meu amigo (ou inimigo) desconhecido não parecia alarmado. Mas eu entrei em pânico e tentei correr para o volante. Assim, escorreguei no sangue e preferi ir me arrastando. Não faltava muito, mas foi então que eu me dei conta que para chegar ao volante eu teria que passar pelo companheiro de viagem. Bem, ou eu passava, ou morria sem tentar. continuei me arrastando e cheguei ao lado do estranho ser, mas não olhei. Só que eu podia sentir seus olhos em mim. Cheguei até onde ficava o motorista. Ele era muito pesado, mas consegui tirá-lo de seu assento e frear.
Quando o ônibus parou, várias pessoas entraram. Só que elas não pareciam ter reparado no rio de sangue nem no corpo que jazia ao meu lado. Mesmo que o seus sapatos formassem pegadas vermelhas, não fazia diferença. Alguém gritou se o ônibus ia ou não partir. Olhei pelo espelho para ver a multidão e tomei um susto ao perceber que não tinha mais ninguém ali, a não ser meu bom e velho ser sem rosto. Ele estava de cabeça baixa e o chapéu não deixava que eu visse detalhe algum. Resolvi ir lá falar com ele. Eu tinha toda a coragem do mundo, visto o que eu tinha acabado de passar. Ir conversar com alguém, mesmo que esse alguém fosse um pesadelo para mim, era muito simples. Cheguei até ele, com passos firmes, e disse olá. Ele não respondeu. Perguntei se sabia o motivo daquelas coisas estarem acontecendo. Nada. Foi aí que percebi que seu peito não se enchia nem esvaziava. Ele estava morto? Inadmissível pensar uma coisa dessas. Levantei seu chapéu e vi seu rosto que era comido por vermes. Não havia mais feição alguma ali. Com o susto que tomei, acabei empurrando-o por reflexo. Ele caiu para o lado e sua cabeça se soltou do corpo. De lá saiu uma infinidade de insetos e vermes. Vomitei em cima do corpo que caiu em uma posição estranha. Foi aí que algo me agarrou por trás, era o motorista. O sangue que saía dele me banhava. Era quente, mas eu o repugnava. Não conseguia me soltar.
E o ônibus tinha voltado a andar.
E eu ia chegando cada vez mais perto, apesar da dificuldade. Quando somente um banco nos afastava, o ônibus freou e fui jogada com muita força, batendo a cabeça. Tudo apagou. Acordei em frente à minha casa, mais dolorida ainda. Era bem tarde, fiquei pensando na preocupação dos meus pais, mas isso eu conversaria com eles depois. Abri a porta e a casa parecia deserta. Quando estava subindo as escadas, escutei um choro vindo de meu quarto. Fui me aproximando e cheguei na porta. Fiquei dividida entre abrir a porta devagar ou chutá-la de vez. Chutei. E vi minha mãe ajoelhada em minha cama chorando. E na minha cama estava eu, com meus olhos vidrados no teto e a boca aberta, um ser totalmente inanimado. Eu já estava debilitada, e ainda me acontece isso, quase desmaiei de novo. Mas tentei ir até minha mãe. O desespero e a dor tomavam conta de mim. Encostei em minha mãe, que na verdade era o homem desconhecido do ônibus. As coisas aconteciam e eu não entendia nada, corri. Ele veio atrás, mas parecia ter alguma debilitação, já que ia mancando. Quando cheguei na escada, ele estava na porta de meu quarto. Para constatar isso, tive que me virar. Mas continuei correndo. O que me concedeu uma formidável queda pela escada, e me fez desmaiar novamente, o que, de fato, me fez ficar realmente puta com isso, já que é muito exagero desmaiar duas vezes no mesmo dia.
Acordei de súbito. Olhei ao meu redor e constatei que estava no ônibus e quase chegando em casa. Deve ter sido só um sonho, mas qual parte? Desci e entrei em casa. E a única coisa que eu queria fazer era entrar naquele ônibus novamente amanhã para ver se conseguia entender alguma parte dessa história. Não teria ficado tão interessada assim se minha cabeça e meu corpo inteiro não doessem.
Tô muito FAIL hoje para escrever algo. O conto já tem final, mas só na minha mente, hm. Relendo Capitão Cueca e No capítulo 3 de O Cortiço. Preciso voltar com Nárnia, Lolita e Voltaire, mas como Cortiço é pra escola... :~
Talvez esteja voltando a ser indiferente, mas você, mesmo sem saber, não me deixa ser. Ao menos com você. Jazz, sério, mesmo longe, é verdadeiro. E diferente de tudo. Não é um "tempo" que me fez parar de pensar em você, pelo contrário. E eu sinto mais forte.
É difícil ter um relacionamento sério, e quando se tem um, sempre fica uma dúvida. Por mais que queiramos que seja pra sempre, não sabemos o dia que vem. Tudo pode mudar e aí corações se quebram e as pessoas renunciam ao amor. Mas eu acho que o importante é o tempo que você passa com essa pessoa e que seja bom. E vai ser o tempo que eu vou passar contigo.
Vou é me calar, falei demais pra quem não precisa ouvir.