Hey there. I'm Manu Colla, and I love people, pajamas, my cat, trends, internet, social media and journalism. There is always a story to tell, isn't it?
Hey there. I'm Manu Colla and I love telling the stories of fascinating people. Over the past fifteen years, I've held positions that helped me develop this passion.
Since I graduated as journalist, I worked with and in the Internet, doing research, content generation for websites, social media and as a press agent. There is always a story to tell, isn't it?
Specialties: Social Media Management, Online Marketing, Social Media, Content, Writing, Editing, Brand Strategy & Management, Research & Analytic, Promotions, Content Development and Planning, Literary Journalism.
What I do at box3 is to manage, generate and analyse content for Social Media. It is very stimulating because I love to see people's reactions to contents and products and think of what can I do to communicate better. And I'm loving every second of it.
I work as a freelance journalist, and some of the companies hire me to generate content to websites and institutional material. Some of the companies are Gerdau, Néktar Design, Aldeia Internet, Virtus Jornalismo, and others. I also did some jobs as a translator for Citibank.
One of the largest independent global auto parts supplier, present in 26 countries, with 25,000 employees worldwide. Holds 15 plants in Brazil with 2,800 employees.
Reporting to the Corporate Communications and Marketing Director, Luis Pedro Ferreira, I worked for Dana managing Social Media and as a reporter. For six years, I counted the stories behind the production, rehearsals and shows of Concertos Dana and also the life stories of people who are benefited by the social projects sponsored by Dana. You can see a little of the work in here: www.dana.com.br/social
Box3 is an online driven agency and I stayed there for a month and worked as a copywriter of social media content. Box3 is an agency with digital at its heart that create solutions for brands that are idea-led, technology-advanced, and media enabled with solid and diverse skill sets across creative, planning, technology and measurement, passionate in helping brands to communicate better.
Giornale is a company that works with corporate communication, and my task was to generate content for the new website of Telefonica with two other journalists. We re-wrote the old content and generate the new content in three months, as planned.
I never had worked under a government administration before, and the experience was quite interesting. CREFITO is the federal organ that takes care of the activities of physiotherapist and occupational therapists at Brazil and I learned a lot about public health and other themes related to this professions. During a year and a half, I generated their website content, twitter account, newsletter and worked as a reporter and editor for their magazine.
I always loved to write about culture and loved the opportunity to see my assignments published in one of the most respected magazines about culture in Brazil. I wrote texts about theatre, music and cinema for the publication for more than a year and had lots of fun while doing it.
I worked for more than a year at Clínica Lavinsky and, initially, I just generate new material for their website (texts and pictures). In july, I started to work there as a press agent too, organizing the publicity for the clinic and acting as an intermediary with the press and other media.
Aldeia is a company of digital experiences with +10 years of hi tech business-to-consumer and business-to-business marketing in different markets. Their approach combines relationships plus creative/strategic thought with day-to-day 'scrappiness' to build brands. I worked to Aldeia at different projects, as a content creator and freelancer journalist.
Virtus Jornalismo e Comunicação is a company that works with corporate communication, and my task was to generate content for the magazines of their main clients: Ordem dos Advogados do Brasil, Country Club and Terex Roadbuilding.
During six years, I worked at Dana, a global autoparts manufacturer present in 26 countries, with 25,000 employees worldwide. Holds 15 plants in Brazil, with 2,800 employees and US$ 500 million in sales/year. Marketing and Communications is a shared service center, with a Director. I have entered the team of as Junior Assistant of Corporate Communications, working as a journalist and telling the stories of Dana's employees. As the time went by, I started to work with Intranet, Social Media and also as a Press Agent for local events as Concertos Dana. I also generate content for technical catalogs and all printed material.
I worked with a great Press Agent, Ana Claudia Klein, at my last internship. Colégio Anchieta is a tradicional school and I had the chance to learn how to deal with the local press and, at the same time, worked as a reporter and had the opportunity to create a new project for their magazine and newsletter.
This was a great opportunity for me. At college, I always dreamt of working at Agência Experimental de Jornalistmo and, when I made it, I nailed the chance without any doubts. I created, with my co-worker Carmela Toninelo, my first online magazine, called Viés, and did interviews and reviews for movies, albuns and everything we wanted. In this position, I had freedom to do new things and, also, worked as a reporter for several publications of the university and also as assistant editor of Primeira Impressão, magazine that won several awards (as Viés did too). Lots of learning and new experiences, like all internships should provide.
One of my first internships. I worked at Baguete, a news portal, as a web surfer, a popular therm at that time and not used anymore (thankgod!). I stayed up all night long to capture content for their newsletter and website - and was all sent by 5 A.M, every morning. Great experience and helped me to develop my passion for internet.
Using solely the photos taken with his phone, Johan Thörnqvisthen went and create his own reality with his simple yet engaging illustrations! Not too sound cliche but i really really dig his style of drawing! Love it!
Do check out his site for more of his illustrations!
Texto escrito por Gustavo Mini.
Estava com esse post encrencado há muitas semanas, mas a vinda de Karen Armstrong a Porto Alegre me deu um impulso final pra terminá-lo de uma vez. Armstrong é uma das poucas vozes que tem aparecido nos veículos culturais pra defender a ideia de que as religiões institucionalizadas não são exatamente uma coisa indesejável. Do ponto de vista mainstream, não parece que as religiões precisem de advogado: o número de praticantes das grandes disciplinas espirituais mundiais ainda é gigantesco e sua influência, maior ainda. Mas, ao menos nos círculos (físicos e digitais) que eu frequento, a palavra “religião” vem sendo proferida com uma mistura de desdém e desconfiança, o que me causa um certo desconforto já que eu sou o que se poderia classificar como uma pessoa religiosa. Sei que a maior parte das pessoas que me conhecem provavelmente não me colocaria na mesma turma daquela tia carola, mas vamos ver: eu rezo diariamente, eu vou a templos regularmente, participo de cerimônias, leio livros considerados sagrados, sigo preceitos, tomo votos e respeito autoridades religiosas. Desse ponto de vista (e apenas desse…), eu acabo mais perto da tia carola dos meus amigos do que dos meus amigos.
Para muita gente, ser uma pessoa religiosa hoje significa que você compactua com uma forma de manipulação, uma estrutura de poder, um sistema de pilhagem em grande escala, uma visão arcaica do mundo ou, na melhor das hipóteses, uma instituição caduca. Na base dessas acepções, geralmente estão experiências particulares com a Igreja Católica, o contato midiático com as Evangélicas, a ideia de que o Budismo no Ocidente é um hype e a péssima propaganda gerada por radicais tresloucados que se consideram representantes do Islã (quando, em geral, representam projetos de poder geopolítico). Outros vetores importantes na construção desse conceito de religião são a cruzada de certos intelectuais pelo ateísmo (Richard Dawkins e Christolher Hitchens sendo os mais pop deles), a recente adoção do ateísmo e da ciência como uma espécie de religião laica por muita gente, a disseminação de documentários amparando essa ideia (Zetgeist) e os infindáveis memes anti-clericais que tomaram conta das redes sociais.
A religião e a linhagem que eu sigo não tem qualquer apreço por proselitismo e evangelização mas, justamente por conta das minhas experiências positivas, me sinto compelido a defender a ideia de que a prática espiritual sistematizada traz imensos benefícios. Infelizmente, não tenho muito para oferecer em termos de argumentos a não ser essas experiências que citei, com certeza bastante subjetivas. Que me desculpem, então, os discípulos de Dawkins e Hitchens: esse texto é construído unicamente a partir das minhas observações e reflexões. Suponho que não há muito método científico aqui que não seja o empirismo.
Mas, enfim, diante dos conhecidos perigos da burocratização do caminho espiritual, qual é a grande vantagem que eu vejo em seguir um método organizado? Eu elegi quatro pontos que são importantes na minha prática espiritual pessoal: 1) O método 2) Ter aonde ir 3) Parceria 4) Referenciais vivos.
Em primeiro lugar, é justamente o fato de se existir um método. Para quem compreende o caminho espiritual como um processo de investigação a respeito de si, do mundo, do universo, da sociedade e do que regeria tudo isso, ter um método à mão coloca questões existenciais, por definição bagunçadas, dentro de uma moldura. O papel dessa moldura, a meu ver, não é (ou não deveria ser) congelar as dúvidas para pregá-las na parede e venerá-las emolduradas, mas sim confrontar o que nos é internamente nebuloso com uma estrutura de pensamento, o que costuma jogar alguma luz sobre a nebulosidade. O método, quando legítimo, também fornece fundamentais ferramentas de navegação interna. Como ferramenta, aliás, a moldura não tem uma utilidade final, ela não é o objetivo. Todos os mestres budistas que ouvi disseram que, resolvido o que o caminho se propõe, a ferramenta deveria ser abandonada, se torna desnecessária.
Uma curiosidade adicional: a convivência com um caminho espiritual que tem métodos muito bem delineados me fez perceber que, na maior parte das vezes, as pessoas que criticam os métodos religiosos vivem cercadas de outros tipos de métodos. E, frequentemente, submetem-se a esses métodos de forma absolutamente dogmática. O ambiente das artes e o mundo corporativo, dois exemplos que eu conheço bem, são pródigos nesse tipo de comportamento.
Bom, vamos adiante.
Em segundo lugar, um caminho espiritual formal traz o benefício de ter aonde ir. A criação de templos e centros de prática oferece um destino geográfico, um lugar de reunião e também um intervalo dos lugares que frequentamos cotidianamente. Os locais urbanos para prática espiritual são, via de regra, pequenos oásis de tranquilidade em meio ao caos. Os centros que ficam fora das cidades costumam oferecer contato com a natureza e com uma vida mais simplificada, dois elementos por si só catalisadores de reflexão e de cura psíquica. É claro que não é preciso vincular-se a uma religião para ter esse tipo de experiência. Mas é diferente quanto ela vem acompanhada do item anterior, o método, e de todo um contexto que induz à contemplação e não apenas a mais alienação sensorial.
Em terceiro lugar, um caminho espiritual formal provê parceria na busca. No momento em que você encontra a estrutura que lhe serve, automaticamente tem contato com outras pessoas que tiveram a mesma necessidade e o mesmo encontro. O contato com um grupo de praticantes do mesmo método permite que você contemple as questões cruciais que o levaram até ali sendo examinadas por outras pessoas, à luz de suas próprias dificuldades e de todo seu cardápio próprio de condicionamentos. É claro que emoldurar a diversidade com o método gera o risco de aplainar as inclinações e manifestações pessoais. Mas, por outro lado, se estamos falando de um método e de um local genuínos, a diversidade do grupo surge ainda mais flagrante, colorida e interessante. Não existe grupo de busca espiritual isento de diferenças, embates e dissidências. Pelo contrário, muitas vezes o método tende a exacerbar as diferenças de forma que as pessoas se obriguem a se flexibilizarem e a trabalhar com elas. Em duas ou três palestras, já vi a Monja Coen, da tradição zen budista, colocar da seguinte forma sua experiência de treinamento intenso em um mosteiro no Japão: as monjas são como bolinhas de ferro cheias de pontas colocadas em um mesmo recipiente fechado. Aquele recipiente, então, é sacudido. As bolinhas se chocam umas com as outras freneticamente até que, pelo atrito, as pontas sejam aparadas e fiquem lisinhas, lisinhas… Claro: para que o atrito não termine em guerra, é preciso método, objetivos comuns e muito manejo.
Em último lugar, o que talvez seja o mais importante, uma religião formal de tradição confiável costuma oferecer pessoas que são a referência viva do caminho. Em entrevista para a Zero Hora no último sábado, Karen Armstrong faz essa observação importante: “Devo falar sobre a natureza do conhecimento religioso, lembrando que é um conhecimento derivado da prática – especialmente a prática da compaixão – e não da correção doutrinária. É como nadar ou dirigir, algo que só é possível aprender através da prática diligente e não pela leitura de livros e textos.” Ou seja, uma referência é alguém que colocou em prática os ensinamentos da religião de forma tão íntegra que se tornou os ensinamentos. Se levarmos em consideração os aspectos mais essenciais de todo método espiritual que possa se dizer humano, que são o amor e a compaixão*, qualquer pessoa que queira ser uma referência desse método deveria necessariamente ser a corporificação do amor e da compaixão, não de forma particular e apenas servindo ao seu método, mas de maneira verdadeiramente ampla e universal.
Pra fechar, então.
Não é preciso chover no molhado: vivemos numa época em que as principais questões sociais perderam seu esquema de regulagem. As religiões institucionalizadas, em muitos casos, eram a baliza principal desse esquema. Talvez essa desconexão entre certas instituições religiosas e a sociedade tenha alguns frutos interessantes. Um deles é a necessidade de reformas e adequações na relação com as pessoas em geral. Outro, mais importante, seria o resgate do papel essencial das religiões de promover caminhos universais de amor e compaixão por meio do trabalho interno.
***
* Uma vez que amor e compaixão são palavras de significados amplos, ressalto que usei aqui as definições que aparecem em textos do budismo tibetano. Nesse caso, amor seria “o desejo de que o outro encontre a felicidade e as causas da felicidade” e compaixão, “o desejo de que o outro se livre do sofrimento e das causas do sofrimento.”
“You have to go through life, hopefully, you know trying to stay healthy, you know, being as happy as you can… and, and, and pursuing, you know, doing what you want. If what you want is to have children, if what you want is to be a baker, if what you want is to live out in the woods or try save the environment… Or maybe what you want is to write scripts for detective shows. It doesn’t really matter… you know? What matters is to be – is to know what you want and pursue it, and understand that… it’s gonna be hard! Because life is really difficult, you’re gonna lose people you love, you’re gonna suffer heartbreak… (…)
But on the other end, you’ll have the most beautiful experiences. Sometimes just… the sky, sometimes, you know… you know, a piece of work that you do that feels so wonderful, or you find somebody to love, or your children, or… there’s beautiful things in life.
(…)
Just ride with it. It’s like a rollercoaster ride. It’s never gonna be perfect – it’s gonna have perfect moments, and then rough spots, but… It’s all worth it, believe me. I think it is.”
Do blog da Graciana, o Coisa de Mãe. Vale pra tudo.
Li um post no Facebook que falava sobre parto natural e cesárea. Um dos comentários era de uma mulher que se referia às “sortudas” que conseguiram ter um parto normal, à despeito da coitadinha da azarada que foi submetida a uma cirurgia cesariana.
Sorte, cara pálida? Como alguém tem coragem de chamar isso de sorte? Para ter um parto normal, a mulher precisa, no momento da decisão, bancar sua escolha e justificar 50 vezes para o marido, pros pais, pra tia, pro delegado, pro Português da padaria. Depois disso, sai numa via sacra atrás de um raro médico que não tenha se vendido à indústria de partos cirúrgicos no Brasil. Se preferir contar com a ajuda de uma doula, também vai ter de sair à caça de uma. Passa os nove meses da gestação fazendo exercício de períneo, ioga preparatória para o parto, frequentando grupos de apoio ao parto ativo. Investe tempo, dinheiro e demanda emocional. Aí, ao contrário da mãe que agenda o parto e vai toda bonitinha pra maternidade cortar a barriga pro bebê sair, a que optou por deixar a criança esperar fica à sorte do tempo de escolha de seu filho. Sem falar nos desafios fisiológicos que a mulher passa para trazer sua cria à luz, passando muitas vezes por violêcia obstétrica, mesmo tendo feito um plano detalhado de parto natural.
Ou seja, não tem nada de sorte nisso. O que tem é planejamento, decisão, força de vontade, desejo e realização. Na verdade, como em tudo na vida. Refletindo agora, o que mais vejo é gente dizendo por aí “Nossa, olha o corpo da Fulana, como ela é sortuda“. Sortuda tem outro nome, minha gente! A moça deve passar horas fazendo exercício físico, prefere uma salada ao invés do McNífico lá da lanchonete gringa e enquanto a “azarada” está assistindo a um filminho com pipoca no sábado à tarde, a “sortuda” está correndo uns 5 quilômetros lá no frio. Não chamo isso de sorte, chamo de persistência!
Muitos de nós tem a péssima mania de atrelar os acontecimentos da vida à sorte ou ao azar. Eu acho realmente que exista uma porção de acaso em nossas vidas, mas acredito ainda mais que nossas escolhas determinam o tipo de vida que levamos. Enquanto mantivermos o discurso do “que inveja de você”, “como você tem sorte“, “que bacana que a vida é com você“, vamos continuar a levar a mesma vidinha medíocre de sempre. Por que, para ter uma vida legal na beira da praia, parir naturalmente, ter o corpo da Juliana Paes, manter um amor sincero, ter filhos educados e tantos outros aspectos da vida de toda gente, é preciso esforço, determinação e, sobretudo, coragem!
É fácil ter o empreguinho infeliz só por que ele paga um salarinho razoável. É fácil continuar a morar na cidade infernal, só por que toda a família também mora nela. É fácil agendar a cesárea, “só por que tenho pressão alta ou não tenho dilatação“. Enquanto nos apoiarmos nessas desculpas covardes, vamos continuar achando que a vida do outro te mais cor. Mas, é claro que tem! Ele é quem colore. O lápis de cor está em nossas mãos. Todos, quase sem exceção, nascemos com as mesmas capacidades físicas e intelectuais. A diferença entre o sucesso e o fracasso está no número de vezes de tentativas. Corajoso é que arrisca mais, simples assim.
Minha mãe é benzedeira. Daí que ela acredita em um monte de coisas que “os antigos” diziam. Resolvi escrever aqui algumas coisas que ela me ensinou e que eu carrego sempre comigo quando vejo alguém ficar doente.
Ela acha que a doença é um conflito entre a personalidade e a alma. Tudo pode ser explicado através da somatização, segundo a mãe; às vezes essas coisas irritam. Mas, geralmente, ela tá super certa.
Pra mãe, o resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as afliçõesO estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as dúvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a “criança interna” tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.
[post salvo nos rascunhos deste blog. era pra ser publicado dia 30 de abril de 2012. reli agora e achei bom.]
Não sei porque, hoje estou caindo em várias armadilhas do ego. Pode ser por esse cansaço grande que bateu, tanto físico quanto emocional. Talvez algum estado distímico se aproximando, não sei. Acho que sempre dá pra tentar não se irritar tanto quando as pessoas têm visões diferentes das minhas. Sempre, e cada vez mais. É uma missão, uma luta boa, um grande aprendizado. Certamente é o maior de todos nessa fase da minha vida.
Mas, nos últimos tempos, a tendência está sendo a irritação e uma vontade estranha a limar gente que eu acho que tenha uma atitude muito diferente das coisas em que acredito. Os temas que mais estão pegando? Trabalho e dinheiro. Recebi um convite pra contar as minhas histórias de trabalho lá no CowBird e me liguei que o timing é perfeito.
Quando eu era adolescente, antes da fase grunge, tive uma fase super hippie – de usar saia comprida bordada e brincos de taquara. Na verdade, era uma consequência dos bens estéticos que eu consumia a doses antibióticas (o filme Hair, só pra ficar em um exemplo) e também com crenças políticas. Crescer numa cidade em que o grande valor é ter grana – e numa família que valorizava a caretice e, também, o sucesso material – sempre foi um grande problema pra mim. Até pouquíssimo tempo atrás (coisa de cinco anos), eu não usava um pingo de maquiagem e odiava comprar qualquer roupa. Tudo era herdado do imenso guarda-roupas da Jordana. Por mais que o discurso fosse inteligente, até, aplicá-lo na realidade do dia-a-dia foi bem complicado. Entender que eu podia ser inteligente E vaidosa ao mesmo tempo sem me render à crença familiar de que grana era muito importante e imagem mais ainda foi complicado. Equalizar padrões e crenças é complicado. Mudar as coisas de lugar dentro da gente sempre é dolorido. Até ajustar.
Então estava aqui trabalhando e, procurando conteúdo, me cai na pupila um micro-doc de dois irmãos que fazem chocolate.
Eles têm duas visões iguais às minhas no que diz respeito a trabalho. A primeira é never took anything for granted. E a segunda é que o mais legal sempre é sujar as mãos no processo – tentar e errar, aprender sempre, com humildade – antes de qualquer outra ambição, a de aprender, SEMPRE.
Minha mãe é uma mulher simples que trabalha desde os cinco anos. Logo, na minha família, o trabalho sempre foi uma grande virtude. Antes de “ser”, minha mãe era “trabalhar”. Meu pai também. Eu e a Jordana começamos a trabalhar com onze anos de idade, as duas. Hoje, sei que a mãe tirava nosso salário de uma parcela do salário dela. Porque ela queria que desenvolvêssemos um senso de responsabilidade. E detestava a ideia de virarmos patricinhas como nossas coleguinhas de colégio, que ficavam brincando o dia todo e fazendo brigadeiro enquanto assistiam a sessão da tarde. Engraçado que as tardes de folga eram tão raras que lembro de algumas delas com detalhes. Eu sentia falta, sim, de fazer piqueniques com minhas amiguinhas do primeiro grau mas, conforme ia ficando mais velha, minha única necessidade era estudar pras provas mais cabeludas. E isso eu sempre podia fazer no depósito da loja sempre que quisesse. Porque, claro, era trabalhar e tirar notas boas. Era aprender a arcar com as consequências, como adultas. Funcionou tanto que até hoje tenho dificuldade em tirar um dia de folga. Isso melhorou um pouco na época em que eu era só freelancer em casa, mas eu trabalhava tanto em horários não-convencionais que a coisa ficava equiparada.
Já bem adulta, me deparei com um dilema da carreira de jornalista, o que hoje eu chamo de “síndrome de André Forastieri”. O Forastieri, pra quem não conhece, era o crítico mais polêmico da Bizz e falava mal de (quase) tudo, menos do que fosse odiado, tipo Restart. Era o rei do que eu chamo de “consumo irônico”, praga mortal. Mas enfim. Eu tinha uma séria dificuldade de falar mal de quem entrevistava, de bandas de amigos, essas coisas. Eu queria entender a diferença entre saber o trabalho que um disco tinha dado pra fazer e o resultado daquilo. Ás vezes, acho que ainda tenho. Ser compassiva é uma característica bem forte minha, um traço marcante da minha personalidade. Hoje, sei que jamais poderia trabalhar como crítica musical, como era minha vontade quando adolescente. A diferença é que hoje consigo dizer quando algo é ruim na cara da pessoa. É honestidade, pelo menos. Mas não impressa nem dita entre dentes, com algum amiguinho enquanto alguém se esgualepa atrás da cortina de um espetáculo.
A diferença é que notei que a minha tolerância com gente assim tá beirando o inexistente. Me irrito quando ouço críticas quase gratuitas, quando não preguiçosas. Quando ouço crítica pela crítica, pelo limitado gosto pessoal de alguém. E isso é um problema, rapaz, porque a maior forma de comunicação de gente inteligente desde sempre é a reclamação, a crítica, o “está bom, MAAAS…”
E, na imensa maioria das vezes, são os ranços de quem não entende direito as coisas que estão por trás de algo. Os pontos avessos por trás de um blusão de lã, as engrenagens de uma máquina. Ou todas as mãos por onde elas precisam passar pra ficar prontas. Ou as burocracias chatas que fazem do mundo mundo, das pessoas ricas pessoas poderosas, das pessoas-formigas, bem… Trabalhadeiras e, sim, meio subservientes. Meu pai sempre dizia: “tem gente que nasce pra mandar e gente que nasce pra ser mandado”. Por muitos anos, acreditei nele. Com as últimas experiências profissionais, estou tentando aprender a equalizar estes dois eus. Nem sempre dá certo e, pra ser bem sincera, na maioria das vezes resulta em um simples grunhido alheio, numa preguiça gigante de fazer as coisas como deveriam ser feitas e em indiferença. Eu tento não ligar tanto. Mas, também, nem sempre está dando. Uma vez que tu te tranquiliza quando acha que está fazendo as coisas certas, o coração fica mais calmo. Ajuda, também, olhar para grandes extensões de água sempre que possível.
Mas já aprendi que alguns padrões de comportamento meus não mudaram e eu simplesmente não quero que mudem. Em se tratando de uma obra, um evento, um job, uma missão profissional ou uma tarefa complicadíssima realizada por outros: Pra mim, está bom, mas vai dar pra melhorar da próxima vez. Especialmente se for dito do jeito certo. Já me fodi muito e quase perdi amizades que tinham um jeito bem cru de criticar as coisas, que me magoava demais e me faziam, inclusive, adoecer. E essas pessoas nem meus chefes eram! O sentimento, no final, é sempre o mesmo: aqui está essa colona idiota, dolorosamente otimista e gentil até demais pro meu gosto, tentando equalizar as coisas dentro de si enquanto tenta, ao mesmo tempo, ganhar algum dinheiro pra viver dignamente e acreditar nas coisas que faz. Pra ser feliz. Isso, sim, sempre foi a maior virtude que busquei. A igreja em cujo credo acredito. Acordar com alguma missão interessante. Ou tentar torná-la mais interessante, como quando eu ganhei um perfil com a pró-reitora da Unisinos e tratei de começar o texto contando um detalhe ínfimo da vida dela: sua coisa favorita era cozinhar com os netos, debulhar ervilhas e milho, separando o feijão nas manhãs de sábado, junto dos dois pequenos. Já ganhei alguns prêmios como jornalista, mas o maior, pra mim, foi o elogio da minha chefe, na época: “a verdadeira arte de trabalhar – e de ser um bom jornalista – é transformar uma pauta quadrada num texto com sabor, como tu fez”. Me emociono ao lembrar desse elogio até hoje.
Mas não é sobre elogios que quero falar. A época é outra: como eu disse, de equalizar meu (novo) azedume com a doçura em demasiado que sempre me perseguiu como uma sombra, um anjo ruim. Beth me explica que são normais os extremos. Eu entendo. Mas não sei se consigo concordar com o coração porque é isso que mais me cansa. Enquanto a lição não é assimilada, vamos ao extremo de baixo para tentar minimizar um dos problemas. Se isso não me limar uma parte da consciência e dos projetos, pelo menos vai resolver uma parte da preocupação com a falta de dinheiro. E também testar a minha resiliência e o quanto deste investimento foi aproveitado de verdade. Apenas dois lembretes, mocinha: não existem formas fáceis de resolver teus dilemas e, por amor a si mesma e a quem te rodeia, por favor, pare de reclamar.