Marília Andrade

Ia escrever algo, mas esqueci...

Posts

February 14, 08:07 PM

Crio gatos porque sei que as borboletas não pousam em minhas mãos.

January 20, 09:56 AM




Mais um aniversário e o que vem de quem se gosta é o que mais marca esse período que não tem mais nenhum valor. Agradeço a todos.










6 amigos publicaram na linha do tempo de Marília para desejar-lhe feliz aniversário.

  • Felipe Teixeira
    Como eu sei que você não curte muito ficar velha (ops... falei ;x) só vou te dar um FELIZ NATAL atrasado =DDDD

  • Hernani Soares
    Minha querida, muitas felicidades neste dia!

  • Monica Moraes
    Parabens , tudo de bom.Bjs




Soneto a uma jovem escritora

Semeia verbos menina aventura
e, ao semeá-los, lança seu perfume
envolvente. Irressistível leitura!
Flor mais bela, claro e angélico lume.

Poema em vida, viva flor. VidaFlôr.
Marília menina artista canção
vívida em prosa, em verso, encanto e amor
às letras, arte de dor e paixão.

Aceites este soneto singelo
como um presente de um fã, de um amigo.
Verso pobre, mas ricamente belo

porque ele é feito a versejar-te, e sigo
a aplaudir-te, jovem artista, pelo
sempre. As Letras estão todas contigo.

Fábio Pedro Racoski










sei pouco,
quase nada,
sobre M.A.
sei que estuda muito
e é um ser sensível,
que tem a cabeça com um turbilhão de ideias,
de sensações
sei que na sua procura pela poesia
já é poeta.
de M.A. sei que hoje o A é de aniversário,
e o M,
ah, o M
é a lagarta que virou mariposa,
a pessoa que dormiu menina
e acordou mulher.

I.R.


January 14, 08:02 PM

Confesso, pesadamente, que não vejo muito caminho para as minhas escritas desajeitadas. A julgar pelo retorno de um amigo querido entre cinco aos quais enviei este conto que vos apresento, optei por torná-lo enfim público e não fazer de jóia bijuteria de gaveta.

Eis o que se segue, com agradecimentos especiais a Eduardo Martins, por sua paciência em lê-lo e comentá-lo.


O Ovo

Despertou assumindo pela pele úmida, imersa no calor gelatinoso, os limites de seu cárcere. Seu primeiro sentimento de mundo, o tolhimento e certa pressão constrangedora no peito nu. Pressão e abandono, em tráfego; o sangue banhava a carne viva, modelando a frágil conjuntura formada por microscópicos fragmentos, sem consciência plena de sua forma.

Apreendia, os olhos abertos, imerso na escuridão, os limites insensíveis de sua casca. A lisidez do invólucro abraçava seu corpo contido, embalado pela ânsia adormecida de movimento; a pretensão ao fluxo asfixiando os membros, forçando-os a se debaterem por esse movimento livre, independente, ocasionando uma rachadura no casco. O som, primeira noção de ruptura, vibrou, evidenciando todo o imediatismo e devastação da quebra. O pânico congelou seus músculos recém-formados. Aprendeu, com o corte, o sentimento do laço. Seu casco era, antes de barreira opressora, um berço de proteção contra o que não podia compreender; contra a consequência, talvez letal, do salto que significa a separação. O calor do aconchego acolheu seu corpo. A sombra limitando, acolhedora, sua visão e vislumbre imaginativo de uma realidade hostil que se escondia além do limiar distinguível da estrutura pálida. Adormeceu.

Foi acordado por um choque enérgico à esquerda de seu corpo. O ambiente mudara. Na diferença de cor, pôde perceber com detalhamento indecoroso a complexidade fibrosa que o envolvia construindo uma noção mais real do que era a conjugação de minúsculas partes em todo uno, firme, inabalável. A emoção possuiu seu peito despertando o desejo de louvar tudo o que é rígido e com valor de eternidade, mas cessou.

A furiosa intriga gerada pelo choque desviou seu pensamento-primeiro. Revirou seu corpo em formação produzindo um uivo grosseiro e forte de modo a despertar a entidade brutal do outro lado da casca. Nenhum ruído. Mexeu e rolou, com alguma dispersão mental, mas não houve resposta. O calor do mistério amaciava sua carne num fremir contínuo de escuridão. O medo acomodava-se em seu espírito de modo a compor peso imperceptível ante a voracidade do seu desejo; a casca moldando-se em obstáculo a ser transposto. A firmeza calcificada de seu corpo ansiava pelo rompimento com a treva do calabouço de sua mente e ovo, as artérias pulsando a precisão inabalável do tempo.

O fluxo enérgico escravizou seus músculos, forçando-os a romperem com alívio e dor excruciante o invólucro, permitindo que um fio de luz quebrasse a superfície vítrea e esbranquiçada de seus olhos. Grunhiu. Não sabia, não conhecia a natureza da luz que, como a escuridão, cega. Desejou a cegueira indolor de sua matriz protetora, o desamparo escavando a carne de seus tornozelos qual correntes de aço imobilizando sua parte inferior. Era esse o meio do salto previsto, o abismo da incompletude pairando sob seu corpo elevado, evidenciando o resultado da falha.

Temia a dor e desconhecia a morte. Movia-se pelo desejo buscando o outro lado da falha. Libertou, por fim, a sua forma mole encobrindo com a gosma cinza primordial a superfície rígida na qual se sustentava cambaleante, os olhos ainda lacerados pela súbita iluminação. Deixando-se banhar pela sensação das coisas, não forçou abri-los. Preferiu antes alimentar seus outros sentidos famintos de novidade. O cheiro e sensação do vento e o sabor rude de suas mãos flutuavam inconscientes como provas de verdade. O sentimento de imutabilidade transcrito em som, sabor e sentido; fugaz como o que um dia foi ovo e hoje se desmancha sobre seus pequeninos pés.

Abriu os olhos como a oferecer em sacrifício a sua visão nova à cor e forma da verdade em um abraço de entrega fremente. Viu, sentiu, ouviu e desejou pertencer, por fim, a tudo que existe; à realidade firme que encerra toda coisa e, inspirando com a força e vontade de sentir rebentar em ondas de veracidade seus pulmões, sentiu-se aproximar do seu desejo de enlace.

Era o que ele sentia, mas que não poderia conhecer como ar, o que recobria tudo alcançável, o invólucro protetor de toda a forma adormecida. Seu maior desejo foi então ser um com o que protegia tudo o que existia, tudo o que podia apreender com os sentidos recém-descobertos. E a única maneira de alcançar o que se almeja é através da ruptura com o que aprisiona.

Sentia a força que fazia seus pés agarrarem-se fortemente à árvore e a libertação do salto já puxando seus membros. Desta vez, um salto verdadeiro. E saltou sendo enlaçado pelo seu desejo e força de vontade tornando seu espírito pleno, completo. O segundo da libertação seguinte foi suficientemente necessário à percepção última da incompletude do corpo. Sem asas, desprovido de força, caiu com a velocidade, imediatismo e devastação dos corpos sólidos.

Em seu berço gramado, uma criança gritou:

-Mãe! Mamãe! Tem um bichão morto no quintal!

A mãe aproximou-se de modo a despertar seus olhos para o horror do cadáver de um homem simples.

December 16, 11:59 AM
O poeta estanca, de revés
magro, os olhos arrancados pelo céu
e a areia grossa a cobrir-lhe os pés...
December 16, 12:00 PM

Seguindo a linha do Rubem Alves em Quarto de Badulaques, que seria da vela, senão queimar até a definitiva morte?

December 16, 12:00 PM

Existem mitos, mas a hora no meio da madrugada em que você deseja ter alguém para quem ligar sem assunto algum, só para respirar ao telefone é absolutamente real. Absolutamente real.

December 16, 12:02 PM

"Já não sou capaz de dizer agora como é que vim para a música, todos na minha família eram desprovidos de sentido musical, eram antiartistas. Toda a sua vida tinham odiado acima de tudo a arte e o espírito, mas esse facto foi provavelmente determinante pra mim, determinante para um certo dia me apaixonar pelo piano, que inicialmente detestara, para trocar um velho Ehrbar de família por um Steinway realmente magnífico, e para o exibir perante a família que eu detestava, para passar a trilha a via pela qual ela sempre sentira repugnância. Não fora a arte, não fora a música nem o piano, fora unicamente uma atitude de oposição aos meus familiares, pensava eu. Eu odiara ter de tocar no Ehrbar, os meus pais tinham-mo imposto, tal como acontecera a todos na família, o Ehbar tinha sido o seu núcleo artístico e nele haviam tocado tudo até às últimas peças de Brahms e de Reger. Eu odiara esse núcleo artístico familiar, mas ao Steinway, que extorquira ao meu pai e trouxera de Paris nas mais difíceis circunstâncias, a esse amara-o. Tive de entrar para o Mozarteum para lhes fazer ver isso tudo, eu nã tinha propriamente queda musical e nunca sentira paixão por tocar piano, mas servia-me disso como meio de afrontamento aos meus pais e a toda a família, servia-me disso contra eles, e comecei, também contra eles, a  dominar o piano, a melhorar de dia para dia, a ganhar de ano para ano um virtuosismo cada vez maior. Entrei para o Mozarteum para os contrariar, pensava eu já dentro da estalagem. O nosso Ehrbar estava na chamada sala de música e constituía o núcleo artístico deles, com o qual se exibiam triunfantes nas tardes de sábado. Ao Steinway evitaram-no, as pessoas deixaram de vir, o Steinway acabara com a era do Ehrbar. A partir do dia em que pela primeira vez toquei no Steinway deixou de haver um núcleo artístico na casa dos meus pais. O Steinway, pensava eu, já dentro da estalagem e olhando em volta, foi uma arma apontada aos meus. Entrei para o Mozarteum para me vingar deles e só para isso, para os castigar pelo crime que haviam praticado em mim. Tinham agora um filho artista, alguém que do seu ponto de vista era desprezível. E eu servi-me do Mozarteum contra eles, servi-me de todos os meios que essa escola me oferecia para me opôr a eles. Se me tivesse dedicado às suas indústrias cerâmicas e tivesse passado toda a minha vida a tocar no seu velho Ehrbar, então teriam ficado felizes, por isso afastei-me deles instalando na sala de música o Steinway, que custara uma fortura e que, na realidade, tivera de ser trazido de Paris para a nossa casa. Primeiro tinha exigido o Steinway, depois, como corolário do Steinway, a entrada no Mozarteum. Não admiti, tenho de o confessar hoje, a mínima recusa. Tinha-me decidido da noite para o dia a ser um artista e exigia tudo. Apanhei-os de surpresa, pensava eu enquanto olhava em volta de mim na estalagem. O Steinway era o meu bastião contra eles, contra o seu universo, contra a estupidez da família e a estupidez do mundo. Eu não tinha nascido para ser um virtuoso do piano, como o Glen nascera e talvez mesmo o Wertheimer, mas no caso deste último não posso afirmar de certeza absoluta, mas forcei-me simplesmente  a sê-lo, convenci-me a mim próprio de que o seria, pratiquei até o conseguir, devo confessá-lo, com a maior desconsideração por eles. O Steinway deu-me de repente a possibilidade de lutar contra eles. Em desespero de causa havia-me decidido a ser artista para me opor a eles, que era o que estava mais ao meu alcance, a ser um virtuoso do piano, se possível a ser logo um virtuoso de renome mundial, esse odiado Ehrbar na nossa sala de música é que me tinha dado essa ideia, eu usei essa ideia como uma arma contra eles, desenvolvendo esse ataque com a maior das perfeições."


O Náufrago - Thomas Bernhard
December 16, 12:05 PM

A sensação de fuga da originalidade pode residir no fato de se escrever a todo momento.

December 16, 12:05 PM

Quero morrer com laços de fita nos cabelos
e, pela morte eternamente em seus apelos,
leveza e vaidade irretocável.

December 16, 12:31 PM
       Sempre quis escrever um manifesto. Não ser dessas pessoas que seguem um modelo, mas ser aquele que cria o modelo. Isso não tem nada a ver com o que eu quero abordar hoje e a vantagem de ser o administrador de um blog é que você pode apagar os posts antigos e não ter de explicá-los.
       O fato é que aqui estamos. Quero um lugar para abordar idéias, cansei de colocar textinhos esparsos. Seria muito exaustivo criar um blog novo. então estou tentando tornar esse lugar aqui mais dinâmico. 
       Noto que as pessoas que estão produzindo arte no mundo de hoje, os iniciantes, eu digo, estão como que envolvidos por um ovo, uma produção fragmentada, não existem mais os encontros e diálogos que hoje nos parecem tão charmosos entre escritores ou pintores para discutir arte. Hoje não se discute arte, estamos fechados em nossos diários, nossos blogs individuais, temos medo ou inveja de se entregar a uma experiência de autodefinição, esperando ser aprovados por editoras ou não. Aliás, é nisso que tem se baseado a produção artística, na aceitação ou não-aceitação, o que é pobre e fútil e redundante. Estamos ligados virtualmente com pessoas fantásticas de outros estados e outros países, escrevendo coisas maravilhosas, mas ainda permanecemos entrincheirados, remoendo nossos próprios ossos como se pudéssemos moldar carne nova com nossos dentes gastos.
      Proponho então uma reunião e, como a internet não é sujeita ao tempo, que ela se dê sempre e em algum lugar. E que exista a troca, a real TROCA. Porque é extremamente desgastante elogiar tudo.





Esse texto é dedicado à Nádia C., não importa o quão distante ela esteja.
December 16, 12:38 PM

Talvez eu escreva um livro.

December 16, 12:02 PM
Ass: Franz Kafka
December 16, 12:06 PM
À Emily Dickinson


Em minha mão 
dormiu um anjo
que a meia luz 
fez dissipar 


Deixou no rastro 
pétala púrpura 
que o tempo 
escolheu murchar 


Meu júbilo de festa 
encerrou todas 
as outras noites 


Sem anjos ou pétalas 
que resguardar
December 16, 12:06 PM
Diz-me coisas duras

Que cortam o coração

Pois eu já não mais sinto

O desejo da criatura humana

December 16, 12:06 PM

Meu coração sangra. Quando penso que não é possível continuar, o vazio se faz meu sangue e decorre mais um dia. Então a luz, a consciência da morte, o som, jorram violentamente. Os braços, ombros, os olhos dilacerados, e o fluxo contínuo e agonizante. O eu se esvai com o mundo. Permanece a certeza inquestionável de que viverei para sangrar mais um dia.

December 16, 12:06 PM

Viva luz da aura
anzol que rasga restos do chão
Musas de névoa mascaram a terra de beleza
Fria é a cal que recobre o corpo que dorme,
segredo encrustado em altar de glórias.

December 16, 12:07 PM

A vida é claustro do qual a morte é única prisioneira

December 16, 12:06 PM

Contas de vidro e sal
Planejo a morte de um deus que não me conhece
e cujo rosto nunca vi

Considero a natureza do éter
como o fizeram outros homens antes de mim

Transfiguro-me como todos os seres
Vasta é a carne,
mas padeço no minuto.

December 16, 12:06 PM

Diz-me que eras doce e hoje pó de solidão
Lasciva, o vento te vive
o momento te sopra,
a carne se perde,
e o vasto campo faz-te tremer
és folha úmida em chão seco de mitos.

Anônima
December 16, 12:07 PM

É difícil se imaginar imaginando algo diferente do que se imagina imaginar todo dia.

December 16, 12:14 PM

Tarde. Enclausurada em seus próprios medos. As unhas dispostas na carne que um dia fora plena e hoje é espuma distante de um mar de abismos submersos. Nua. Invariavelmente nua e fria, a solidão se sente só.

December 16, 12:14 PM

Eu e a literatura sentamos. Cada uma em uma cadeira; cada olhar em uma face, a perscrutar segredos ocultos do universo do outro. Nada dissemos, pois não havia nada no vento a se capturar. Não nos tocamos, a distância era demasiado longa. Somente nos despimos, como velhos amantes e seguimos, cada uma para o seu canto da mente.

December 16, 12:39 PM

Você abandona a literatura ou
a literatura te abandona?

December 16, 12:39 PM

Com o auditório cheio de expectativa, durante seu truque principal  e algemado no tanque de àgua, o mágico se viu diante de um dilema:
Havia ou não esquecido as chaves no carro?

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Uma pequena versão minha da deliciosa série do Mágico do blog Talvez Blog.
Confira os outros clicando aqui:
O Dilema do Mágico e As Novas Aventuras do Mágico

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