Marília Andrade
Ia escrever algo, mas esqueci...
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Mais um aniversário e o que vem de quem se gosta é o que mais marca esse período que não tem mais nenhum valor. Agradeço a todos.
- Felipe TeixeiraComo eu sei que você não curte muito ficar velha (ops... falei ;x) só vou te dar um FELIZ NATAL atrasado =DDDD
- Luiz Felipe SantarémParabéns! Quanto tempo ein...
- Vanessa CapitolinaParabéns, Marília! Muitas felicidades e anos abençoados de vida pra você.
Beijos!!! - Mario SoaresUm brinde a melhor amiga que eu poderia ter o/
Soneto a uma jovem escritora
Semeia verbos menina aventura
e, ao semeá-los, lança seu perfume
envolvente. Irressistível leitura!
Flor mais bela, claro e angélico lume.
Poema em vida, viva flor. VidaFlôr.
Marília menina artista canção
vívida em prosa, em verso, encanto e amor
às letras, arte de dor e paixão.
Aceites este soneto singelo
como um presente de um fã, de um amigo.
Verso pobre, mas ricamente belo
porque ele é feito a versejar-te, e sigo
a aplaudir-te, jovem artista, pelo
sempre. As Letras estão todas contigo.
sei pouco,
quase nada,
sobre M.A.
sei que estuda muito
e é um ser sensível,
que tem a cabeça com um turbilhão de ideias,
de sensações
sei que na sua procura pela poesia
já é poeta.
de M.A. sei que hoje o A é de aniversário,
e o M,
ah, o M
é a lagarta que virou mariposa,
a pessoa que dormiu menina
e acordou mulher.
Confesso, pesadamente, que não vejo muito caminho para as minhas escritas desajeitadas. A julgar pelo retorno de um amigo querido entre cinco aos quais enviei este conto que vos apresento, optei por torná-lo enfim público e não fazer de jóia bijuteria de gaveta.
Eis o que se segue, com agradecimentos especiais a Eduardo Martins, por sua paciência em lê-lo e comentá-lo.
magro, os olhos arrancados pelo céu
e a areia grossa a cobrir-lhe os pés...
Seguindo a linha do Rubem Alves em Quarto de Badulaques, que seria da vela, senão queimar até a definitiva morte?
Existem mitos, mas a hora no meio da madrugada em que você deseja ter alguém para quem ligar sem assunto algum, só para respirar ao telefone é absolutamente real. Absolutamente real.
"Já não sou capaz de dizer agora como é que vim para a música, todos na minha família eram desprovidos de sentido musical, eram antiartistas. Toda a sua vida tinham odiado acima de tudo a arte e o espírito, mas esse facto foi provavelmente determinante pra mim, determinante para um certo dia me apaixonar pelo piano, que inicialmente detestara, para trocar um velho Ehrbar de família por um Steinway realmente magnífico, e para o exibir perante a família que eu detestava, para passar a trilha a via pela qual ela sempre sentira repugnância. Não fora a arte, não fora a música nem o piano, fora unicamente uma atitude de oposição aos meus familiares, pensava eu. Eu odiara ter de tocar no Ehrbar, os meus pais tinham-mo imposto, tal como acontecera a todos na família, o Ehbar tinha sido o seu núcleo artístico e nele haviam tocado tudo até às últimas peças de Brahms e de Reger. Eu odiara esse núcleo artístico familiar, mas ao Steinway, que extorquira ao meu pai e trouxera de Paris nas mais difíceis circunstâncias, a esse amara-o. Tive de entrar para o Mozarteum para lhes fazer ver isso tudo, eu nã tinha propriamente queda musical e nunca sentira paixão por tocar piano, mas servia-me disso como meio de afrontamento aos meus pais e a toda a família, servia-me disso contra eles, e comecei, também contra eles, a dominar o piano, a melhorar de dia para dia, a ganhar de ano para ano um virtuosismo cada vez maior. Entrei para o Mozarteum para os contrariar, pensava eu já dentro da estalagem. O nosso Ehrbar estava na chamada sala de música e constituía o núcleo artístico deles, com o qual se exibiam triunfantes nas tardes de sábado. Ao Steinway evitaram-no, as pessoas deixaram de vir, o Steinway acabara com a era do Ehrbar. A partir do dia em que pela primeira vez toquei no Steinway deixou de haver um núcleo artístico na casa dos meus pais. O Steinway, pensava eu, já dentro da estalagem e olhando em volta, foi uma arma apontada aos meus. Entrei para o Mozarteum para me vingar deles e só para isso, para os castigar pelo crime que haviam praticado em mim. Tinham agora um filho artista, alguém que do seu ponto de vista era desprezível. E eu servi-me do Mozarteum contra eles, servi-me de todos os meios que essa escola me oferecia para me opôr a eles. Se me tivesse dedicado às suas indústrias cerâmicas e tivesse passado toda a minha vida a tocar no seu velho Ehrbar, então teriam ficado felizes, por isso afastei-me deles instalando na sala de música o Steinway, que custara uma fortura e que, na realidade, tivera de ser trazido de Paris para a nossa casa. Primeiro tinha exigido o Steinway, depois, como corolário do Steinway, a entrada no Mozarteum. Não admiti, tenho de o confessar hoje, a mínima recusa. Tinha-me decidido da noite para o dia a ser um artista e exigia tudo. Apanhei-os de surpresa, pensava eu enquanto olhava em volta de mim na estalagem. O Steinway era o meu bastião contra eles, contra o seu universo, contra a estupidez da família e a estupidez do mundo. Eu não tinha nascido para ser um virtuoso do piano, como o Glen nascera e talvez mesmo o Wertheimer, mas no caso deste último não posso afirmar de certeza absoluta, mas forcei-me simplesmente a sê-lo, convenci-me a mim próprio de que o seria, pratiquei até o conseguir, devo confessá-lo, com a maior desconsideração por eles. O Steinway deu-me de repente a possibilidade de lutar contra eles. Em desespero de causa havia-me decidido a ser artista para me opor a eles, que era o que estava mais ao meu alcance, a ser um virtuoso do piano, se possível a ser logo um virtuoso de renome mundial, esse odiado Ehrbar na nossa sala de música é que me tinha dado essa ideia, eu usei essa ideia como uma arma contra eles, desenvolvendo esse ataque com a maior das perfeições."
A sensação de fuga da originalidade pode residir no fato de se escrever a todo momento.
Quero morrer com laços de fita nos cabelos
e, pela morte eternamente em seus apelos,
leveza e vaidade irretocável.
Esse texto é dedicado à Nádia C., não importa o quão distante ela esteja.
Em minha mão
dormiu um anjo
que a meia luz
fez dissipar
Deixou no rastro
pétala púrpura
que o tempo
escolheu murchar
Meu júbilo de festa
encerrou todas
as outras noites
Sem anjos ou pétalas
que resguardar
Meu coração sangra. Quando penso que não é possível continuar, o vazio se faz meu sangue e decorre mais um dia. Então a luz, a consciência da morte, o som, jorram violentamente. Os braços, ombros, os olhos dilacerados, e o fluxo contínuo e agonizante. O eu se esvai com o mundo. Permanece a certeza inquestionável de que viverei para sangrar mais um dia.
Viva luz da aura
anzol que rasga restos do chão
Musas de névoa mascaram a terra de beleza
Fria é a cal que recobre o corpo que dorme,
segredo encrustado em altar de glórias.
Contas de vidro e sal
Planejo a morte de um deus que não me conhece
e cujo rosto nunca vi
Considero a natureza do éter
como o fizeram outros homens antes de mim
Transfiguro-me como todos os seres
Vasta é a carne,
mas padeço no minuto.
Diz-me que eras doce e hoje pó de solidão
Lasciva, o vento te vive
o momento te sopra,
a carne se perde,
e o vasto campo faz-te tremer
és folha úmida em chão seco de mitos.
É difícil se imaginar imaginando algo diferente do que se imagina imaginar todo dia.
Tarde. Enclausurada em seus próprios medos. As unhas dispostas na carne que um dia fora plena e hoje é espuma distante de um mar de abismos submersos. Nua. Invariavelmente nua e fria, a solidão se sente só.
Eu e a literatura sentamos. Cada uma em uma cadeira; cada olhar em uma face, a perscrutar segredos ocultos do universo do outro. Nada dissemos, pois não havia nada no vento a se capturar. Não nos tocamos, a distância era demasiado longa. Somente nos despimos, como velhos amantes e seguimos, cada uma para o seu canto da mente.
Com o auditório cheio de expectativa, durante seu truque principal e algemado no tanque de àgua, o mágico se viu diante de um dilema:
Havia ou não esquecido as chaves no carro?
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Uma pequena versão minha da deliciosa série do Mágico do blog Talvez Blog.
Confira os outros clicando aqui:
O Dilema do Mágico e As Novas Aventuras do Mágico
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