Escrever é fácil, quando não levo em conta que escreverei aquilo que não quero que ninguém leia, que a minha mente me fará refletir sobre cada junção de letras que acabei de orquestrar, que meu cérebro mandará um comando e libertará uma miscelânea de sentimentos por todo o meu corpo. E que quando se espalhar até o mindinho do meu pé, coincidindo com o fim da reflexão, já vai ser tarde para me arrepender de ter dado vida aos meus pensamentos quando fiz deles, palavras.
Me convide para entrar, tomar um chá , caso deleite-se ao me desejar. Se não o faz, deixa para lá.
Fico quieta.
A solidão vem e me desperta.
Aos olhos daquele que me interpreta, sou apenas uma jovem com o coração em sua plena descoberta.
É tanto medo que se esconde em mim, numa profundidade sem fim.
Também se esconde aqui a ironia de não ter nada a perder, e mesmo assim temer.
Talvez seja o pouquinho de ti que restou em mim, disperso num saquinho de amendoim.
Não posso mais te ver e nem te comover, mas posso aqui escrever, enquanto não te esquecer.