Lorena Miyuki

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January 23, 05:22 PM
Calma, este não é um post gigante sobre como é difícil ter uma boa idéia, se concentrar nela e escrever, escrever e escrever até sair algo bom - o que, normalmente, demora. Não. Isso eu acho que todo mundo já sabe. Se não sabia, é isso aí: escrever é um processo lento, árduo e muitas vezes pesaroso. Ser escritor não é uma carreira brilhante na qual você pode se sentar na sua cadeira de praia e escrever o que bem entender, na hora que quiser e quando quiser. Se fosse fácil assim - se as idéias e as formas surgissem tão facilmente assim - os escritores estariam ricos e, com certeza, teríamos muito mais deles por aí. Digo, dos bons.

Mas não é assim que funciona. Existem os tais bloqueios (fase na qual muitos acabam ficando careca), os travamentos, as cenas que não se encaixam e os personagens que simplesmente criam vida e não nos deixam moldá-los. Além, claro, das infinitas idéias que ficam vagando pela nossa cabeça e que não conseguimos colocar nos papel. Não vivemos num mar de rosas, muito pelo contrário - tem mais espinho que muita roseira por aí!

O que muita gente não sabe - nem os próprios escritores, talvez - é que existem cursos, graduações, gente especializada em ajudar nessas horas apocalípticas. Sim! E muitos desses recursos estão disponíveis para nós, mortais, de graça. Basta saber onde procurar.

Com o intuito de ajudar os escritores por aí, a universidade de Warwick, na região central Inglaterra, possui vários cursos em seu departamento de Escrita Criativa. O diretor do curso de Escrita Ficcional, David Morley, acabou criando um programa "de férias" com mini-aulas que têm uma proposta bastante interessante para os escritores que querem praticar ou estão na derradeira fase do bloqueio: mni-desafios e exercícios de escrita ficcional. A maioria dos seus cursos é grátis e eles podem ser baixados no site da universidade ou pela iTunes U em completo.

Este curso de desafios me chamou muito a atenção por ser rápido e bastante prático, diga-se de passagem. Cada mini-aula propõe um desafio/exercício e dá exemplos, o professor às vezes corrige e explica o motivo de tal exercício ser importante, além de dar inúmeros casos reais nos quais tais práticas foram fundamentais para o desenvolvimento do trabalho. O próprio David os testou e, diz, são eficazes ao ponto de você querer repetí-los ao longo de toda a sua carreira de escritor (e de leitor também).

Bom, vamos ver como funciona?

Na primeira aula, Play, Pleasure and Games, David introduz os "jogos de escrita", como ele chama os desafios. Ele diz que é de extrema importância que gostemos do que estamos fazendo, caso contrário não veremos resultado algum e nos sentiremos idiotas fazedo algo extremamente bobo.

O primeiro desafio se chama Word Hoard que trabalha o lado linguístico da literatura - basicamente um exercício de formação de palavras, frases e criatividade. De acordo com David, escritores como Chaucer, Shakespeare e Spenser fizeram uso dessa técnica para a construção de seus diálogos mais aprimorados. E é a partir dela que podemos brincar com derivação de palavras e o que eles chamam de "paradigma do verbo", quando você "desconstrói" um verbo em busca de uma palavra com significado inicial semelhante, mas resultado diferente.

Calma que é bem simples.

Primeiro, vá a uma estante de livros de ficção ou poesia. Não vale não-ficção!
Em seguida, pegue um livro aleatoriamente e o folheie de olhos fechados. Passe os dedos pelas páginas e escolha uma, ainda de olhos fechados, colocando a ponta do indicador no decorrer da página. Ao se sentir confortável, veja onde seu dedo parou: em uma palavra ou palavras.
Pegue esta palavra que está abaixo de seu dedo e a escreva num papel - ou no seu editor de textos. Junte à ela as três palavras que a precedem, e as três que vem depois dela na frase do texto.
Faça tal para que você tenha exatamente sete palavras, ou seja, uma frase. Esta frase será o ponto inicial da sua jornada escrita.

O próximo passo é: escreva. Escreva durante cinco minutos na sequência da frase que você retirou do livro.
Só há duas regras para este desafio: 1) você não pode parar de escrever durante estes cinco minutos e 2) você não pode pensar.

Tente escrever o mais rápido que puder. Só escreva. E lembre-se de que não está produzindo a maior das obras literárias, está somente escrevendo.

Depois de passado os cinco minutos, leia o que escreveu. Primeiro, leia em sentido normal, para você mesmo e em voz alta em seguida. Depois... leia, palavra por palavra, ao contrário. Sim, leia as frases ao contrário! Neste momento, sublinhe as palavras, expressões ou frases que mais lhe chamarem atenção e que possuem qualidades, sonoridade e efeito que você goste e/ou aprecie.

Perceba que as frases podem te surpreender, já que nunca foram escritas dessa forma em sua língua. Perceba a energia que elas lhe transmitem.
Pegue estas frases sublinhadas e escreva uma história curta, ou um poema, sobre ela ou a contendo - pode ser dentro da fala de um personagem, por exemplo. Pode ser aquela frase que estava faltando para o seu trabalho sair da idéia inicial - e você voltar a ter cabelos!

Vale lembrar que o que se quer com esse exercício é capturar idéias nas sentenças e criar frases incomuns, com um senso de diversidade e novidade nas suas obras. Pode não fazer sentido, mesmo, mas talvez algum dia lhe dê alguma inspiração.

David recomenda que o exercício seja diário. E ele pede para que, se possível, envie seu resultado a ele por email que ele avalia e devolve com comentários - sim, mas, claro, lembrando que tem que ser tudo em inglês pra ele entender. E isso pode nem ser necessário. O fato de praticarmos para nós mesmos já é válido.

E este é o primeiro desafio. Depois vou acrescentando os outros na medida em que eu mesma vou escutando o curso. Confesso que não o fiz. Mas e aí, você topa experimentar?
December 25, 07:53 AM
Então chegamos ao fim do ano!

2011 foi único e gostaria de agradecer cada visitinha que tive aqui no site! Foram mais de três mil nestes oito meses de vida, e cada uma é especial em si. Fico feliz de que possam ter passado por aqui, mesmo, às vezes, sem deixar nenhum rastro, mas que tenha levado consigo algo de bom para o futuro.

Por fim, para comemorar o Natal e como presente de Amigo Oculto que fizemos lá na Lavanderia, ofereço um conto especial que escrevi inspirado na data e no teminha da minha amiga oculta, "árvore de Natal".

XMas Dream é bem leve e simples, mas cheia de angústia. É bem água com açúcar, se é que me entendem. Conta a história de um jovem que perde a família e é obrigado a seguir a profissão do pai cuidando de uma mata de reflorestamento que pertence a uma fábrica. Movido por inúmeras tristezas passadas, este jovem acaba passando por momentos difíceis antes de se estabilizar - com a ajuda de um certo alguém, claro.
Clique aqui para fazer o download. Leia o post e os comentários/reviews sobre essa história na Lavanderia.

Para acompanhar o conto, fiz uma playlist com as músicas que me inspiraram. A primeira delas é basicamente o tema da história.


XMas Dream by Lorena Miyuki on Grooveshark



A oneshot segue a minha lógica dos outros anos, cujo título termina em "dream" sempre. Os outros contos são:

BellDream. Download.
SantaDream. Download.
SnowDream. Download.

Passe o mouse sobre a aba "Downloads" ali de cima e clique em "Contos". Todas estas oneshots estarão lá, com links também para as resenhas feitas anteriormente e comentários sobre as mesmas.
A primeira e a última, BellDream e SnowDream, possuem os mesmos personagens, mas podem ser lidas separadamente. Como adoro os gêmeos, fiz também este ano um outro pedacinho do Natal deles em forma de cartinhas.

Love Dream é uma continuação, mas que pode ser lida separadamente, das duas oneshots sobre os gêmeos Tomoki e Mikiti. É bem simples e foi escrita mais para sossegar minha mente que não queria deixar os dois sem Natal este ano!
Clique aqui para fazer o download.

A música que acompanha essas cartinhas é essa, também do Gareth.


Tell Me One More Time by Gareth Gates on Grooveshark



Leiam e comentem. Todas transbordam espírito natalino e têm um significado especial para mim.

Espero que todos tenham boas festas e um bom começo de ano!
Que venha 2012, mais um ano para o Marcado com Letras.
November 27, 01:38 PM
Há um tempinho estou para fazer um post sobre estes sites de publicação individual - como o proprio Clube dos  Autores, no qual tenho um livro na estante, o "Primarius".

Ultimamente a quantidade de editoras independentes, por assim dizer, tem aumentado consideravelmente. Elas, entretanto, parecem estar surgindo focadas em determinados autores ou temas bastante específicos, não abrindo as portas para vários escritores amadores por aí. Este tipo de site permite que você publique seus livros sem passar pelo critério de "seleção" das editoras normais. Você simplesmente monta seu livro e o coloca a venda.

Claro que vale lembrar que o trabalho é mil vezes maior, já que, se você for um pouquinho só responsável, terá de diagramar, revisar e fazer uma capa decente para seu livro. Isto requer tempo e dedicação e, acredite, muito esforço.

Para quem não entende nada dessa parte, o site oferece um cursinho básico sobre cada uma destas etapas. Eles exigem por exemplo, um certo tipo e tamanho de capa. Exigem uma diagramação em um formato específico e um número mínimo de páginas, claro. Enfim, fica tudo por sua conta.
Mas para quem se sente meio deslocado nesse nosso mercado editorial, eu acho muito que vale a pena.

Eu mesma tirei estas conclusões. Segue aí o que eu achei do serviço deles.

O material

"Primarius" foi colocado a venda em meados de Junho deste ano de 2011.
No site do Clube dos Autores dá pra conferir a sinopse, a capa, a quantidade de páginas, a diagramação e o conteúdo do primeiro capítulo de graça. É tudo bem explicadinho, inclusive o tamanho da impressãoe  o formato, caso você queira um livro impresso.
Outra vantagem é que o site oferece livros em formato digital, que são bem mais baratos. Eles vem no formato que você selecionar: .pdf, .ebook, etc. Mas a versão digital, também, é você quem monta.
A desvantagem é que, mesmo você sendo o autor, não tem direito a uma cópia de seu livro. Ou seja, você tem que comprá-lo para poder ver como ficou. Então eu pedi uma cópia do meu próprio livro para mim.

O Clube pede um prazo para a fabricação do livro, que varia de acordo com sua quantidade de páginas e do formato escolhido. Isto tudo pode ser selecionado antes de finalizar a compra. Além disso, vale relembrar que eles trabalham com livros sob demanda, ou seja, não há exemplares em estoque, por isso o prazo. Eles fabricarão quantos livros você pedir e lhe enviarão pelos correios.

Pedi, paguei e o livro chegou em uma semana. Foi bastante rápido até, pois o prazo de confecção era de 7 dias úteis se não me engano, e acabou demorando menos da metade disso. Veio embaladinho pelos correios e com registro, sem correr o risco de não ser entregue e/ou de ficar perdido por aí - como a gente, que usa o serviço postal brasileiro, sabe que acontece.

Quando vi o "Primarius", levei um sustinho inicial pela qualidade. Eu realmente não esperava muito; não criei expectativas, mesmo porque sei que até grandes editoras famosas pecam no quesito "qualidade de impressão". Mas o Clube me impressionou, muito. A qualidade deixa no chão muitas destas conceituadas e renomadas editoras. A gráfica deles é 100% confiável e respeitável. O acabamento é perfeito, confortável de ler e não "descola" nem "quebra" o livro. Sabe? O papel é grossinho, o Offset, e a capa é em brochura com orelha e lombada personalizada - que o autor mesmo cria e/ou é gerada pelo próprio site, com o nome do autor e o nome do livro.

Vale lembrar que a primeira experiência com uma publicação, para um autor, é fundamental. Para um autor independente - como é meu caso, por exemplo - é ainda mais crucial. Eu não experiencia alguma com diagramação, então fiz o melhor que pude dentro do que sabia. Na chegada do livro impresso é que tive noção de onde errei e de onde acertei - é extremamente fundamental tê-lo em mãos para poder melhorar a qualidade de seu livro, por exemplo. Havia espaços desnecessários e outros que deveriam existir. Tamanho da letra, centralização de títulos, rodapés, numeração... Enfim, estes detalhes que normalmente quem escreve não presta muita atenção. Esta minha primeira cópia serviu para que eu relesse e revisasse o texto novamente, achando vários errinhos aqui e ali, e também serviu para que eu rediagramasse as páginas para que o livro ficasse com uma cara mais "responsável", digamos. Sei que ainda não está perfeito, mas convenhamos que este é um nível muito alto para se chegar, em tão pouco tempo, para quem faz tudo sozinho!

O livro chegando pelos Correios


Primarius

"Primarius" foi a minha primeira empreitada no ramo de publicação independente por pouquissimas razões, algumas delas sem sentido, talvez. A primeira foi, acreditem, pelo tamanho no manuscrito original. Como meu tempo para escrever está ficando cada vez menor, quem dirá para reler, revisar e diagramar! Portanto, queria  algo que fosse pequeno e completo, e que não demandasse muito esforço da minha parte para sair rápido do armário trocadilho infame, eu sei.

Re-editei "Primarius", que tem, agora, 141 páginas de manuscrito. Diagramei e formulei a capa, cuja imagem era bastante clara na minha cabeça, apesar de nunca tê-la feito nem na época em que publiquei a história em forma de capitulos na Lavanderia.

Além disso, por mais simplista que seja, a história e os personagens me agradam. Eles fazem parte de algo muito maior, que é da novela intitulada "Anistia" e que está em processo de revisão para também vir a aparecer na minha estante do Clube dos Autores. No começo, fiquei temerosa de as pessoas não conseguirem entender "Primarius" sem "Anistia", já que esta veio primeiro e "Primarius" era só uma história paralela e que se encaixava muito dentro de "Anistia". Mas acho que este problema não ocorreu.

O site oferece uma estatística bem detalhada das visitas que você recebe na página do seu livro publicado. Até este exato instante, "Primarius" recebeu 754 visitas únicas no Clube dos Autores, caracterizando-se entre um dos primeiros na lista da categoria a qual pertence.

Confesso que não tive muitas vendas, mas isso não me desanima, mesmo porque sei que o precinho cobrado pelo Clube não é dos mais atraentes. Não sei exatamente qual é o critério, mas sei que ele é dividido, basicamente, entre custos de produção e direitos autorais, que você mesmo escolhe a porcentagem. A produção é o mais caro, mas, como mencionei, vale a pena.

Fotos do meu pequeno empreendimento: (a qualidade não está das melhores, desculpe!)

Capa e orelhas
Por dentro...

Conclusão

Por fim, quero deixar minha opinião mais que registrada: Clube dos Autores foi aprovado!
Fiquei extremamente satisfeita com os comentários que recebi, com a qualidade do serviço e com a oportunidade que eles resolveram dar aos atores amadores.

Além disso, é um site que lhe proporciona muita visibilidade. Através dele já recebi diversos contatos de parceria, de gente que elogia e critica seu trabalho, de sugestões e idéias e... Enfim, diversas possibilidades de crescimento.

Aliás, através dele fiz uma parceria com o blog FazDiConta, que publicou uma resenha do "Primarius" a um tempinho atrás. Aproveitando pra fazer a propaganda básica, fica aí o link para vocês darem uma conferida na resenha, que gostei bastante, aliás.

Blog FazDiConta

Para quem quiser conferir o livro, podem comprar pelo Clube dos Autores. Há versões digitais e impressas.

Clube dos Autores

Agradeço desde já quem quiser dar uma forcinha para divulgar este tipo de trabalho por aqui.

Quem não conhece meus escritos, convido a baixar qualquer um dos contos/novelas disponíveis na parte de "Downloads" aqui do site e lembrar que há sempre histórias novinhas em folha saindo na comunidade Laundry Service, conhecida popularmente como aLavanderia, no LiveJournal!

September 22, 08:53 AM

Título: The Vast Fields of Ordinary
Autor: Nick Burd
Idioma: Inglês.
Primeira publicação: 2009.
309 páginas.
Versões harcover (primeira imagem acima) e paperback (segunda imagem).

Minha primeira resenha totalmente literária. Aproveitei que ninguém ainda fez uma resenha em português desse livro (não que eu saiba, nem que o google tenha me mostrado). Confesso que comprei o livro pela sinopse, por algumas resenhas beeeeem superficiais que vi em alguns sites e por alguns trechos que li. Nada de mais, mas tinha uma expectativa enorme por já ter ouvido falar imensamente bem do autor e desse seu romance de estréia.

Pois bem, aproveitando que precisava dar uma pausa nas minhas leituras fantáticas, e que os Correios entregaram o livro antes da greve, peguei pra ler num domingo de manhã e acabei rapidinho, em menos de dois dias (contando as horas que eu realmente tive para lê-lo). É uma leitura prazerosa e fácil, que embala. Cheguei ao meio na primeira sentada, digamos, e daí pro final foi só mais um pulinho.

Para quem nunca ouviu falar, The Vast Fiels of Ordinary conta a história de Dade em seus três últimos meses (o verão) na cidade natal antes de se mudar e ir para a universdade. Conta a partir da festa do seu último dia no colégio até pouco depois da faculdade, sua vida, amigos, angústicas, família e tudo ao seu redor.

O começo foi meio confuso. Como não conhecemos os personagens, fica meio vago a primeira cena que já é mostrada logo numa espécie de "prólogo" do livro, escrito como "before" (antes) no mesmo. Os dezenove capítulos que se seguem explicam a cena inicial com mais detalhes e o que acontece depois dela.

Os personagens

Dade tem dezoito anos,é introvertido, nada popular, introspectivo até demais, cheio de probleminhas e problemões. O primeiro deles é que ele é gay e ninguém, a não ser o seu ventilador de teto e seu abajur, sabem disso. Ninguém, também, além de um dos garotos mais populares do time de futebol do seu colégio, com quem ele mantém uma espécie de romance às escondidas. Este garoto, Pablo Soto, acaba sendo um dos pontos centrais da trama, já que ela se desenrola antes e depois dele, literalmente.

Pablo é descendente de mexicanos (ao que parece), é barulhento, arrogante, estúpido e trata Dade como se este fosse pior que lixo - fato que, claro, desencadeia as diversas angústias do garoto. Pablo não assume que gosta de outro garoto, muito pelo contrário: tem uma namorada chata e implicante, que ameaça mandar o capitão do time de futebol espancar Dade caso o veja olhando para seu namorado.

Se não bastasse os dois encrenqueiros, há na cidadezinha as gêmeas Jessica e Fessica (originalmente Francesca) Montana. Jessica é melhor amiga de Judy, namorada de Pablo, e Fessica é uma garota estranha, que vive no mundo da lua e que aparentemente está apaixonada por Dade - sem saber que ele é gay, claro.

Pablo, Jessica e Fessica trabalham com Dade numa rede de supermercados chamada Food World, aproveitando para fazer de sua vida um completo inferno com todas as implicâncias. Em casa, Dade tem que enfrentar as brigas dos pais; a mãe, constantemente dopada e drogada, viciada em pílulas e livros de auto-ajuda, e o pai, distante, que acaba entrando em um affair com uma "colega" numa roda de leitura de poesias. O casamento dos dois está por um fio, mas ambos parecem não notar e simplesmente jogam a responsabilidade pro alto. Dade, entretanto, sofre pelos dois e seu sofrimento é constantemente revelado no decorrer do livro de várias formas: na vontade dele de sempre sumir, de "flutuar" (como ele diz), na descrição de seu quarto como sendo sua "bolha particular", na incredulidade que ele fica ao ver a falta de responsabilidade dos pais e em como isso acaba afetando muito sua vida, suas escapatórias e seu modo ver ver o mundo em geral.

E no meio de toda essa bagunça somos apresentados a mais um grupo de personagens que dão à trama uma velocidade maior: Lucy, a "menina problemática"que está de férias na casa da tia porque a mãe descobriu que ela estava saindo com meninas; Dingo e sua banda estranha, um cara que vende maconha para todos da região e que se considera um compositor fracassado, levando todos os estranhos amigos a fazerem coisas absurdas em seus momentos de histeria (como raspar a cabeça, por exemplo); Jay, amigo de Alex e completamente despreocupado com a vida; e, finalmente, Alex Kincaid, o traficante de Dingo, que vende maconha aos "amigos" de Dade em todas as festas da cidade, que frequentou a pior escola da região e que é o garoto mais bonito que ele já viu na vida - e, claro, o segundo ponto central do livro.

A história e a escrita

A história tem um enredo bem simplista, a meu ver. Constantemente eu parei para pensar que era tudo muito clichê e que eu mesma já escrevi coisas incrivelmente parecidas! Por exemplo, Lucy é extremamente parecida com a minha personagem Cherry, de Anistia. E o próprio Dade me é ligeiramente familiar, oscilando entre o Alessandro, de Primarius, e o Erick de Anistia - todos meus personagens/histórias. Talvez pelo fato de ser uma história bem simples de se desenvolver, os pequenos detalhes, aquelas pequenas reviravoltas na trama e as coisas bem sutis que Burd coloca tenham me mantido com o gosto pela leitura até o fim. Há pequenas citações e fatos que te fazem não querer parar de ler; o estranho desaparecimento de uma vizinha de Dade, uma garotinha de nove anos, que é achada misteriosamente dentro do supermercado semanas depois; as bandas e músicas fictícias que Dade é apaixonado por, como todo e qualquer adolescente, como se sua vida tivesse mesmo uma trilha sonora (coisa que ele menciona até nos sonhos); as festas regadas à substâncias ilícitas e muito mais. Uma vida adolescente comum se não fosse o fato disso tudo girar em torno da homosexualidade de Dade e de suas descobertas nesse universo.

Como a trama, no começo a escrita é bem simplista. Não falo isso de modo ruim, mas temos que levar em consideração de que é o primeiro livro publicado por Burd. Por alguma razão bizarra, este livro foi publicado em 2009, mas aparentemente só agora há versões disponíveis para compra efetiva. Todas elas têm data de publicação de 2011 e as capas são as mostradas no começo desta resenha.... Enfim, o início da escrita é sempre difícil, me levou a pensar várias vezes que realmente estava lendo um diário adolescente qualquer, já que o livro é escrito em primeira pessoa pelo Dade. Mas então, talvez com mais confiança, Burd começa a se soltar e as palavras vão se encaixando melhor, as analogias ficam mais coesas e as metáforas começam a encher os olhos. Há algumas muito bonitas, os finais dos capítulos em especial são ótimos.

A trama foi muito bem aberta e fechada. Todos os nós foram atados - tirando, talvez, o estranho caso da garotinha desaparecida e achada, que não foi explicado. Mas eu acho que foi de propósito, pois tem tudo a ver com o que Dade pensa e o que ele conclui ao final do livro - final este bem escrito, bem "arredondado", apesar de ter me deixado bastante triste com o rumo das coisas, mesmo eu já esperando por algo do tipo. Afinal, como comentei, algumas coisas são bem previsíveis na trama, mas não de um modo ruim.

Os personagens são bastante vívidos e bons. Dão uma boa dimensão das coisas na história. Cada um deles tem seu papel bem definido e bem desempenhado. O enredo é bom, envolvente, rápido e fácil - do tipo que te prende mesmo sem ter aquele boom emocionante e tudo mais. Em suma, é um ótimo livro. Recomendo muitíssimo. Fiquei extremamente feliz em me pegar fazendo associações entre meus próprios personagens e tramas aos de Burd - coisa que me faz, cada vez mais, sonhar com um mercado editorial brasileiro tão amplo quanto o estrangeiro, com espaço suficiente para obras como esta chegarem nas prateleiras e nas mãos de gente que precisa ler esse tipo de coisa. E, claro, quem sabe algum dia algo meu também não possa estar neste mesmo lugar, né?

Cinco estrelinhas pra incentivar a leitura!


ps.: Não preciso dizer, pelo menos pra quem já leu, que me apaixonei imensamente pelo Alex e que morri de angústia no final do livro.
September 07, 09:39 AM
Como comecei com o yaoi, aproveitando o embalo de eventos literários que andarm acontecendo Brasil afora, resolvi falar de um gênero que anda, quase que literalmente, bombando por aqui: o Young Adult.
Mas, afinal, o que é YA?

De um jeito mais cru e bastante resumido, "Young-adult fiction", ou "young adult literature", comumente abreviados como YA, é um gênero de escritos feitos, publicados por e para o mercado adolescente ou de "jovens adultos", que variam entre os 14 aos 21 anos de idade. A grande maioria das histórias YA mostram adolescentes como os protagonistas e normalmente se focam nas questões e problemas da juventude. Muitos escritores, senão a maioria, estão exatamente na mesma faixa etária de seus leitores (entre 14 e 20 e poucos anos de idade), o que os torna talvez mais desenvoltos no tema.

Existe, hoje, uma série de "sub-gêneros" do YA que inclui vários tipos de escritos não-ficcionais, como cartas, auto-biografias, jornais e etcs. Entretanto, o que vem chamando a atenção últimamente é a tremenda quantidade de livros do gênero, principalmente aqui nas terrinhas brasileiras. Até alguns anos atrás, a literatura jovem era considerada levemente inferior. Ainda creio que não a respeitam totalmente, apesar de isto estar mudando principalmente pela avalanche de bons escritores que estão nascendo e pelas suas tramas - e, também, quantidade de recursos financeiros que têm movimentado, digamos. Antes, o que encontrávamos por aí eram livros considerados chick flicks - que giram em torno de adolescentes, escola, grande amor e final feliz, na maioria das vezes. Particularmente, adoro chick flicks, mas com o passar do tempo as histórias se tornam tão clichês e batidas que só mesmo uma invasão Young Adult pra ressuscitar  o interesse adolescente pelo universo literário.

Pois bem, o que encontramos hoje por aqui é realmente uma invasão. Se repararem bem, nas livrarias, pelo menos as maiores, existe hoje uma parte separada para esse tipo de literatura. Existem editoras especialistas no assunto e, aliás, grandes escritores - inclusive brasileiros - sendo descobertos e/ou entrando nessa onda. Dentro do Young Adulte existe uma série de características que classificam as histórias; a mais comum que encontramos hoje é o dito universo distópico, ou literatura da distopia, que mostra um mundo cruel e avesso, onde normalmente existe uma catástrofe - iminente ou passada - e há jovens ou lutando para/contra tal situação ou algo relacionado. A idéia é bastante explorada - não diria à exaustão, porque ela parece não ter fim, mas bastante, e de todos os métodos que se imaginar.

Ficou confuso na explicação? Confere então os exemplos de séries de livros young adults e, tenho quase certeza, você vai estalar os dedos e dizer: "aaaaahh!"

A série Jogos Vorazes (The Hunger Games, no original), escrita por Suzanne Collins e que terá uma adaptação aos cinemas em 2012. A série Os Imortais (The Immortals), escrita por Alyson Noël. A série Os Instrumentos Mortais (The Mortal Instruments), de Cassandra Clare, que é uma típica escritora de YA.
Academia de Vampiros, House of Night, Os Vampiros de Morganville e por aí vai. Esses foram só os que lembrei aqui em questão de segundos. Há quem considere a Saga Crepúsculo (Twilight) como o começo do boom de YA (no Brasil e em outros lugares, também) e há quem inclua até Harry Potter no meio dessa bagunça toda.

Como dá pra perceber, a ficção ficou tão dividida em sub-gêneros de gêneros e mais gêneros que as coisas acabam se perdendo e ficando sem uma classificação meio óbvia. Há fantasia em YA, sim. Há sobrenatural em YA, sim novamente. Há ficção científica, também. Talvez por conseguir "misturar" tudo isso é que esteja conquistando os mais diversos tipos de leitores. YA no Brasil, creio, acabou ficando por não se focar exatamente nos leitores adolescentes - no sentido estrito do termo. Eu, por exemplo, conheço gente de quarenta anos de idade que adora YA. E é exatamente esse aspecto que faz a literatura crescer atualmente aqui.

O "engraçado" é ver o sem número de editoras que andam pipocando por aí. Com a febre YA, também surgiram milhares de centenas de escritores dispostos e esperançosos a lançarem seus livros. Não estou brincando: milhares. Depois de descobrirem que adolescentes também podem - e alguns conseguem, - escrever, todo mundo parece que virou escritor. Claro, tem mercado pra tudo, então as editoras se aproveitam - e são aproveitadas. A quantidade de gente lançando livro "autônomo" atualmente não é pouca, não.

Além disso, muitas dessas editoras também nasceram dos "sonhos" (ficcionais ou não) desses "adolescentes" crescidos. Eles acabaram se inspirando e se especializando. Como falei ali em cima, a maioria dos livros YA são feitos E PUBLICADOS por e para adolescentes, o que torna as editoras aquele tipo de empresa "jovem" e descolada em que todo mundo quer trabalhar - ambiente agradável, trabalho agradável e tudo de bom. Não estou dizendo que isso é ruim, não tenho nem condições de dizer uma coisa dessas! Mas vale lembrar que elas são empresas comerciais e que, como todas as outras, estão sujeitas ao mercado. Como será que essas especializadas sobreviveriam se, de repente, o YA caísse de moda,hm? Porque ultimamente literatura tem se tornado tão volátil quanto o próprio universo fashion. Fica a dica aí!

Bom, só pra finalizar, gostaria de parabenizar alguns escritores brasileiros pelo trabalho que têm feito - um ótimo trabalho pra quem mergulha de cabeça numa piscina de canivetes, usando uma anlogia simples. Sou escritora e também sei escrever YA - tenho até algum material pronto, mas não me arrisco, por enquanto, no ramo. Aliás, se formos analisar beeeem lá no fundo mesmo, o yaoi "adolescente" se encaixa em young adult. Certa vez uma pessoa classificou meus escritos como, em geral, de gay male teen fiction, que é, pasmem, também um sub-gênero de YA. Entretanto, aqui no Brasil este em específico parece não ter espaço algum nas prateleiras, o que é uma pena. A qualidade de YA gay é muito boa infinita lá fora, muito apreciada pela crítica também.

Com esse clamor todo por coisas novas na literatura e por tramas que agradem o público mais jovem, às vezes a gente se dá ao luxo de se questionar algumas coisas. Será que, com essa invasão YA, não podemos sonhar com literatura LGBT de qualidade no Brasil, não? Eu espero não ficar só no sonho quando, finalmente, grandes títulos internacionais do gênero caírem no gosto de alguém famoso da crítica ou de uma boa editora que esteja disposta a lançá-los, com tudo o que merecem, no país.


Indicações:
Young Adult (geral): além dos que citei acima, os livros da Editora Underworld em geral, com destaque para "Os Setes Selos" e "Bios" da minha conterrânea Luiza Salazar.

Deixo claro que não li, provavelmente, qualquer um deles por pura falta de $$, portanto não dou opiniões pessoais. E não estou ganhando absolutamente nada com a divulgação, mas acho o projeto gráfico deles TÃO lindo que é quase impossível não notá-los nas prateleiras. Além do mais, sou mais adepta à literatura épica e fantástica e confesso que ainda estou tentando "me encontrar" em YA.

Gay Male Teen Fiction(YA gay): The Vast Fields of Ordinary, Boy Meets Boy, Dream Boy e derivados.


(fonte: wikipedia)
September 02, 09:03 AM

Diretor: Fabrice Cazeneuve
Idioma: francês
Gênero: drama
Sinopse: Vincent Molina tem 16 anos e é a estrela da equipe de natação da escola. Vive com os pais, é bom aluno, tem namorada, é bonito, é popular... Enfim, uma vida fantástica e perfeita. O único problema é que essa vida é uma grande mentira; ele até gosta da namorada, mas na realidade sente-se atraído por outros rapazes.


Uma trama comum, sem muitas novidades. Como a própria sinopse já diz, Vincent é o personagem perfeito. Aquele tipo de garoto que parece estar sempre no "modo automáticao": faz tudo (o que os pais querem, o que os professores esperam e o que sua namorada pede) brilhantemente. E faz tudo sorrindo, como se estivesse simplesmente escovando os dentes. Devo acrescentar, aqui, que personagens com essas características me irritam profundamente. Principalmente pelo simples fato de que Vincent leva "uma vida dupla" e engana todo mundo - nas duas, aliás.

Na vida perfeita, ele e Noémie são o casal popular do colégio. Ela é bonitinha, reservada, inteligente. A típica garota-exemplo, também. As coisas começam a sair do controle de Vincent quando os dois vão, finalmente, ter a tão esperada primeira vez e ele não consegue fazer muita coisa, se é que me entendem. Daí somos apresentados ao "lado b" de Vincent: seus encontros amorosos escondidos com um vizinho, sua imaginação sempre fértil em relação aos garotos e seu medo de perder tudo se alguém o descobrir.

Vincent tem um melhor amigo, que tenta ajudá-lo de todas as formas. Ele, aliás, é o primeiro a saber (de forma pública, digamos) sobre a verdadeira identidade de Vincent depois que este acaba se interessando por um aluno transferido. No dia seguinte ao "interesse", as paredes e vidros do colégio aparecem pichadas, contando detalhes sobre a segunda vida de Vincent - e ninguém, até hoje, sabe quem diabos escreveu tais coisas. Os alunos do colégio (inteiro, praticamente) tentam defender Vincent do "novo aluno", supondo que este tenha escrito tais blasfêmias, mas o que acabou sendo exposto faz Vincent se convencer de que é hora de parar de fingir.

De modo geral, a grande sacada desse filme, na verdade, é o ator principal. Por ser aclamado pela mídia internacional, e por já ter feito filmes de renome e grandes atuações (dizem), a crítica veio com toda a vontade para cima desta trama - e talvez tenha se decepcionado um pouquinho, como eu me decepcionei.

O roteiro é bem escrito até, mais ou menos, 70% do filme. Há conflitos paralelos - como Vincent lutando para se manter no topo das competições de natação; contra seus colegas de esporte que começam a lhe ignorar ao saber da verdade; o drama do "triângulo" formado por ele, sua (ex?) namorada e seu melhor amigo, que acaba traindo-lhe e dormindo com a mocinha; o professor de francês, que tenta lhe apoiar e acaba lhe revelando sua também verdadeira e escondida identidade; o drama dos pais e, principalmente, do irmão mais velho de Vincent, um lutador de boxe fracassado que não recebe atenção nem na própria casa. Enfim, são muitas coisas paralelas e com muito potencial... Mas deixadas de lado, a meu ver. O aluno transferido, um ponto chave na história, acaba também sendo afastado da trama principal - que gira em torno dele! (Não me perguntem como isso é possível.)

E, no fim, as coisas não se resolvem. Só há pequenos desfechos aqui e acolá, mas o que o espectador se pergunta mesmo, fica no ar.
Poster original.


Não é um filme grande, portanto vale para uma sessão da tarde.

Os protagonistas, Vincent e o garoto transferido, em destaque.
Noémie e o melhor amigo ao fundo.

August 22, 04:09 PM

Diretor: Jacques Duron
Idioma: francês
Gênero: drama/romance
Sinopse: A história de Claude e Philippe, dois adolescentes que sustentam uma amizade ambígua e que, em pouco tempo, se transforma em algo mais. Pelo menos é o que um deles acha até Philippe descobrir que está apaixonado, ao mesmo tempo em que vê que para Claude tudo não passou de um mero jogo.

Filmado na década de oitenta, o filme tem cerca de 40 minutos de duração, um "média-metragem" que mistura elementos clássicos e contemporâneos do cinema francês. Pelo que sei, é bastante famoso, principalmente após algumas cenas circularem na internet.

Como a sinopse já conta, temos aqui a história focada em Philippe, um garoto estudante qualquer que, de certa forma, sabe que é meio "diferente" dos colegas. Ele observa os outros garotos com outros olhos desde o princípio, e recai sobre Claude, um antigo amigo/colega/vizinho - coisa que fica confusa de se distinguir até a metade do filme. Claude é mais novo e brincalhão; adora se fazer de desentendido e curioso ao mesmo tempo. Desde o princípio, creio, o espectador percebe o quanto ele está brincando nesse "jogo" todo.

Philippe, depois de se convencer de que Claude é "certo para ele", resolve dar suas investidas - esperando-o depois do colégio, convidando-o para se sentar ao lado dele no trem, para ir à sua casa estudar - investidas que são, diga-se de passagem, bastante bem-recebidas pelo mais novo.

As conversas que partilham giram em torno dos "conflitos adolescentes", como sempre, mas o que os diferencia é que Philippe resolve "jogar tudo para o alto" no meio de seu desespero, no quase literal sentido do termo. Claude deixa, então os dois embarcam numa perigosa aventura (sexual), na qual só Philippe parece mergulhar de corpo e alma.

Com o passar dos minutos, vemos Claude satisfeito com a experiência e Philippe angustiado. O mais novo, saciando suas curiosidades, sai em busca do que realmente quer - uma garota que encontram em um acampamento. O mais velho, por outro lado, continua envolvido e acaba fantasiando demais algo que eles nunca tiveram.

É um drama tanto para Philippe quanto para o espectador ver o desenvolvimento de Claude no filme. O garoto tem aquele ar de quem sabe o que faz, na hora que faz. Sabe? O tipo de personagem difícil e, ao mesmo tempo, fácil demais de entender. Os atores são fantásticos em demonstrarem essas facilidades/dificuldades em seus personagens: um dos pontos positivos para a trama.

Achei o enredo muito bom e bastante curto também. Creio que, para a proposta, ficou ótimo. É suave, mas muito angustiante. É um bom drama para quem gosta.

A cena mais famosa do filme.

Philippe e Claude.
Observação nada importante: Philippe Bories, o ator que faz o Philippe, é muito parecido fisicamente com o Jeremy AllenWhite, de Shameless US (foto abaixo).

Shameless US, série da Showtime.

August 17, 09:07 AM

Diretor: Svend Wam
Idioma: sueco
Gênero: drama/romance
Sinopse: Baseado na novela escrita por Per Knutsen, são as crônicas da experiência de "sair do armário" de um confuso garoto adolescente.

"Sebastian - When Everybody Knows" (Sebastian - Quando Todos Sabem, título internacional em tradução livre) conta a história de um adolescente de mesmo nome que, como todos, está lutando para descobrir seu lugar ao sol. Ele tem um grupo de amigos íntimos e, com eles, passa a maior parte do tempo fora de casa e tentando se divertir como acha melhor. Um desses amigos, Ulf, tem vários problemas em casa: o pai é alcóolatra, a mãe trabalha a noite e ele tem uma irmã menor para cuidar. A vida do garoto é oposta à vida de Sebastian, que tem pais com situação relativamente boa e não precisa se procupar com coisa alguma na vida, só com os estudos.

Durante as férias, Sebastian e seu melhor amigo descobrem que têm mais coisas em comum do que pensavam. Ele acaba se vestindo de maneira similar ao outro jovem, os cabelos têm o mesmo corte, as brincadeiras são iguais e as músicas que ouvem, também. Depois de perceber isso, Sebastian acaba vendo que quanto mais tempo passa com Ulf, mais tempo quer estar ao lado dele. Ele não gosta de ver o amigo com a suposta namorada, não gosta de vê-lo andar de mãos dadas nem abraçado à ela, não gosta que ele não lhe dê atenção.... E descobre que está, definitivamente, apaixonado por um outro garoto.

Fugindo da realidade, os dois passam a noite fazendo bagunça (literalmente) na casa de Sebastian. A partir dessa noite, as coisas se transformam. Os garotos aproveitam para se libertarem dos pré-conceitos e acabam se descobrindo de várias maneiras: maquiagens, banhos em conjunto, brigas, comida e etc. Tem-se a impressão de que a história se desenvolve totalmente nestas cenas.

Como a maioria dos filmes nesse estilo, Sebastian passa por crises de personalidade constante. Tem pesadelos, medo de se aceitar e de que seus amigos ou conhecidos o rejeitarão. Ele mora em uma cidade pequena e, como eles mesmos comentam, o simples fato de usarem cabelos compridos e brincos nas orelhas já chama atenção da população - e isso o incomoda e o desespera. A atuação do ator que faz o protagonista, entretanto, não me convenceu. O garoto faz ótimas cenas alegres e descontraídas,  mas as cenas de reflexão ficam totalmente estranhas com o sorrisão bonito que ele tem. Ulf também não me convenceu; é um personagem estranho e que não demonstra decisão alguma, nem mesmo ao final da trama. O filme todo, aliás, parece girar em torno de uma só coisa, e ele se passa em dois ou três dias (se não me engano), portanto é enrolação demais que poderia ser explorada em cenas mais diversas e/ou poderiam ter explorado mais outros dramas - como o dos pais quando ouvem a confissão de Sebastian. Os pais do garoto são outra estranheza à parte.

É um filme antigo, dou créditos pela idéia original de retratar o tipo de personagem que é o Sebastian - um garoto que só ouve rock, usa roupas de couro, botas, piercings e cabelo comprido - que se descobre gay, uma das coisas que mais abominava.

Sebastian e Ulf

Sebastian e Ulf

August 09, 03:04 PM


Diretor: Ernst Johansen e Lasse Nielsen
Idioma: dinamarquês
Gênero: romance
Sinopse: Boo está entediado e resolve mudar de escola durante o verão, e é aí que começa a descoberta da sexualidade entre os garotos de um colégio interno.

"You're not Alone" tem uma proposta bastante democrática: mostrar para os pais que seus filhos não são santos; aos diretores e professores, que eles também cometem erros; aos adolescentes, que o mundo não é somente deles; e, por fim, aos jovens meninos que se sentem atraídos por colegas de sala, amigos e que estão na fase de "descobertas", que eles não estão sozinhos. Pelo menos é essa a idéia que se fala, mas, justamente por serem tantas "idéias" juntas, fica tudo perdido no meio do caminho - exceto, talvez, a última.

A trama mostra Boo, um garoto adolescente que resolve estudar em um colégio interno num pequeno vilarejo, longe da vida cotidiana. Antes de se internar, ele conta com a experiência de estar apaixonado por seu ex-melhor amigo. Essa primeira idéia só é mostrada nos três~cinco minutos iniciais e, depois, explicada pelo próprio protagonista.

O colégio masculino é o palco principal. Pelo que dá para inferir, há estudante de seus doze aos dezessete anos, e não são muitos, portanto a maioria deles faz aula em conjunto, sendo as de matérias regulares (física, química, etc.) em separado.

Como estamos falando de um colégio interno, é de se esperar que tenhamos bagunças, brigas, aventuras e esse tipo de coisa. De fato a história começa quando imagens pornográficas são espalhadas pelos alunos nos banheiros e nos quartos, numa espécie de manifestação contra a opressão que o tal diretor lhes opõe. Os mais velhos roubam as cenas engraçadas. Nesse meio, Boo acaba indo parar no grupinho de alunos que adoram falar sobre sexo - alias, esse tema é, na verdade, tudo o que todos gostam de falar dentro do colégio.

Mais a frente somos apresentados ao garotinho loiro e, de início, ingênuo chamado Kim. Ele sente uma afinidade imediata com Boo e está sempre grudado nele, vendo o mais velho como um exemplo. Boo, de fato, o é (se o compararmos ao resto dos meninos), mas o problema é que Kim é filho do diretor e tem de obedecer às loucuras de seu pai. Kim é bem mais novo que Boo - eles não mencionam a idade, mas aparentemente ele deve ter em torno dos onze anos, enquanto Boo deve ter quatorze, quinze no máximo. Os dois protagonizam as cenas mais fofas do filme todo, em meio aos esconderijos da floresta, nos piqueniques que os amigos realizam, nas caminhadas de bicicleta e, mais tarde, com Kim fugindo de casa para ficar com Boo no colégio.

A história mostra a visão dos adolescentes em relação a tirania do diretor e a visão dos professores sobre os variados assuntos que normalmente permeiam as discussões dos mais jovens: amizades, sexo, drogas (alcool, no caso) e o futuro. É ousado para a época (foi filmado em 1978) e  ficou famoso por causa de uma cena entre Boo e Kim, na qual eles tomam banho no chuveiro da escola e comparam seus órgãos sexuais.

O filme, considerado hoje um ícone cult, teria tudo para ser bastante bom, principalmente considerando que ele foi gravado em 1978 e os garotos são bem naturais nas cenas e bastante chamativos, digamos. Porém as idéias, como comentei, se perdem. O final é horroroso! Na verdade, NÃO HÁ um final para o filme: o que pretendia ser um dos melhores desfechos simplesmente ficou perdido, literalmente! Se alguém viu - ou for ver - saberá do que estou falando: a idéia era ótima, mas, creio, como já estavam mostrando "coisas demais" num filme conservador (que mostra muito a visão católica e família das coisas), "tiveram" que simplesmente parar de filmar. Aí os créditos entram e você fica se perguntando: "tá, mas cadê o final??". É simplesmente frustrante.

Sinceramente, o tema me agrada demais. Colégios internos dão margem para muitas histórias e tramas, e foi muito mal explorado no roteiro. Além do mais, as coisas acabam sem explicação alguma; não só o término do filme, mas muitas cenas. O começo também é confuso, pois a passagem de cenas e de tempo não é suave nem linear. Você acaba tendo que imaginar mais coisas do que deveria, e isso, com certeza, não é legal. Dou créditos por ter sido feito há 33 anos, e realmente merece a ousadia.

Kim e Boo

Lasse Nielsen, como Kim
August 04, 10:01 AM

Primeira resenha que faço de anime, e resolvi começar com JR porque tem tudo a ver com o site, afinal.
Além disso, estava para ver desde que saiu, mas só agora tive tempo suficiente. Na época eu estava vendo Antique Bakery, que, alias, também merece uma resenha, mas fica pra outra hora....


Junjou Romantica, em japonês: 純情ロマンチカ  (Junjō Romanchika) comumente traduzido ao português/inglês como "Puro Romance", é uma série yaoi de Nakamura Shungiku. O foco da história fica com três casais. Temos, portanto, três linhas de histórias diferentes: o casal principal, que dá nome à série e cujo foco normalmente é maior; e outros dois casais que protagonizam as histórias secundárias, chamadas no mangá de Junjou Egoist e Junjou Terrorist. Junjou Romantica hoje tem vários "cds-dramas", uma série de mangá que (pelo que me consta) ainda está em publicação, uma série de novela e um anime de duas temporadas, 24 episódios compilados em DVDs e lançados em 2008.

Junjou Romantica, Egoist e Terrorist

A diferenciação por nomes só é percebida no mangá, mas o anime aborda os três casais de forma bastante separada.

Junjou Romantica - Misaki e Usami
O Junjou Romantica se refere ao casal Usami e Misaki, sendo o primeiro um novelista de histórias BL (boys love) famosíssimo e, o segundo, o irmão menor do seu então melhor amigo, que está estudando para entrar em uma universidade. A história começa quando Misaki acaba indo morar com Usami após o casamento de seu irmão - e Usami se esforça para que suas investidas finalmente se concretizem. Os dois formam o casal central, protagonizam diversos tipos de cena e, dentre muitas, as de longe mais engraçadas. Misaki é um adolescente e Usami tem 28 anos, a diferença de temperamento, idade e comportamento dos dois os leva a inúmeras reflexões sobre o relacionamento.







Junjou Egoist - Nowaki e Hiroki
Junjou Egoist conta a história de Hiroki e Nowaki, sendo o primeiro um professor universitário substituto e pesquisador no campo da literatura, e o segundo um órfão que decide estudar medicina pediátrica e, por isso, pede ajuda ao primeiro. Pelo menos no anime, a história dos dois só começa a se desvendar mesmo depois da segunda aparição do casal. O episódio introdutório, por assim dizer, é bastante curto para a apresentação de duas histórias tão diferentes. Particularmente, porém, é o casal que eu mais gostei. Só é meio confuso de se lidar com o tempo entre as histórias, pois, inevitavel e estranhamente, todas elas se cruzam.






Junjou Terrorist - Miyagi e Shinobu
Junjou Terrorist foca no casal Miyagi e Shinobu, sendo o primeiro chefe de Hiroki e do departamento de literatura da faculdade e, o segundo, o estudando colegial filho do diretor da faculdade e, de quebra, irmão mais novo de sua ex-esposa. Na primeira temporada do anime, esse casal é deixado e lado, tendo somente dois episódios-foco. Pelo que sei, no mangá também é assim. A história dos dois se desenvolve como pano de fundo de todas as outras duas, já que elas se conectam. E é um pouco diferente, pois Shinobu tem uma personalidade bastante rígida, digamos, e acredita no "destino" que o uniu ao ex-marido de sua irmã. Miyagi também não é um personagem fácil de se lidar, aliás.

Junjou Minimum e Junjou Mistake
Essas duas são histórias mais curtas que têm mais espaço no mangá. A primeira, Minimum,conta os fatos da infância de Usami e Hiroki juntos e, no anime, explica bastante coisa, tendo alguns episódios-foco entre os casais principais. A Mistake fala do envolvimento entre Isaka, o editor-chefe de Usami, e seu assistente Asahina Kaworu, 10 anos antes do início da série.



Primeira e Segunda Temporada
O anime é bem curtinho, mas consegue se fechar bem.
A primeira temporada tem doze episódios e conta o início da vida de todos os casais, com brechas que explicam o passado de alguns, mas deixando tudo muito no ar. É uma temporada introdutória que, a meu ver, sem a segunda seria bastante solta. Os episódios, porém, começam e terminam em si mesmos. Como eles são intercalados entre os casais, acho que esse objetivo foi necessário. Quando dependem de continuação, ela está no episódio seguinte, o que deixa quem assiste com mais noção da trama.
O fato de os episódios serem intercalados entre os casais, também, deixa a história mais confortável, menos rotineira. Afinal, há bastante coisa para se contar de um casal, mas muito mais de três, o que não deixa as coisas monótonas. É um pouco estranho, para quem está acostumado ver um anime sequencial, digamos, mas nada assustador.
A diferença, creio, das temporadas está no foco. A segunda temporada foca mais no casal principal e nela também somos apresentados a outros personagens secundários que agitam mais a trama (a família de Usami, por exemplo).

Entrelaçando as Tramas
Como comentei, a princípio creio que a gente não nota, mas todas as tramas estão ligadas entre si.
Se vocês não querem SPOILERS, não leiam essa parte.

Misaki é irmão de Takahiro, que era melhor amigo de Usami. Usami passa a "cuidar" de Misaki depois que o irmão se casa - aí o primeiro casal se forma.
Porém, Usami é amigo de infância de Hiroki, que é apaixonado por literatura e, por isso, virou pesquisador-professor da universidade. Hiroki incentiva Usami a escrever, e este, afinal, se torna famoso por esse incentivo inicial.
Hiroki trabalha no mesmo departamento que Miyagi e este, aliás, é seu chefe. Além disso, Hiroki também acaba se tornando o professor de Misaki, sem saber, entretanto, sobre a ligação do garoto a Usami. Alias, Hiroki era apaixonado por Usami quando era mais novo e só se desligou dele quando conheceu Nowaki.
Nowaki trabalha em uma floricultura e vários vezes vemos Misaki comprando flores neste local. Nowaki também acaba conhecendo Usami, por quem nutre ciúme.
A complicação dos personagens vai além quando somos introduzidos a Miyagi e seu "drama familiar": o irmão mais novo da ex-esposa se apaixona por ele -  e ele também é filho de seu chefe (e do chefe de Hiroki).

O anime
Não posso falar muito sobre a adaptação, já que nunca li o mangá (apesar de querer bastante), mas, pelo que vi, a trama se desenvolve e fecha perfeitamente. É claro que os fãs e os mais entusiasmados vão dizer que havia espaço (e história) para que mais coisa pudesse ser desenvolvida, mas não havia necessidade. Se prolongassem demais, talvez perdesse a graça - e como os japoneses vivem constantemente com coisas novas, talvez Junjou tenha se saído bem com o curto número de episódios que teve. Foi bom, e foi suficiente - nada mais que isso.

Curiosidades: o anime tem pouquíssimos personagens secundários - poucos mesmo, em torno de sete, oito. A história se desenrola somente entre os casais principais, o que poderia ser massante, mas acaba não sendo por causa, talvez, da intrudução desses personagens e da "bagunça" que eles fazem na trama principal.
Não sei em relação ao mangá, mas o anime mostra diferentes hobbies e bichinhos fofos que "interagem" com os personagens. Usami, por exemplo, coleciona ursinhos de pelúcia. Seu pai, por outro lado, é aficionado por patinhos de borracha e esculturas de ursos em madeira. As aberturas e encerramentos são recheadas desses bichinhos - e estas, alias, são um espetáculo de cores e purpurinas à parte.

Confesso que o começo não me empolgava muito pelo enredo um pouco clichê e pelo personagem do Misaki (que não me conquistou muito, de fato). Mas vi o anime todo em dois dias (aproveitando-me de uma enfermidade que me deixou de cama nesse tempo) e gostei bastante. Não é cansativo, pelo contrário. é delicado, engraçado e instigante na medida certa. O character-design, o traço do desenho é muito bonito e a qualidade é impecável, além de ser muito fofo. Enfim,  é superficial e meio bobinho em certos aspectos sim, mas isso não exclui o fato de ter tudo o que um anime yaoi tem e precisa.

Recomendo, principalmente pra quem é órfão de Antique Bakery, como eu sou. A linha de pensamento dos dois, apesar das singularidades, chega a ser similar.

August 09, 03:04 PM

Diretor: Lucía Puenzo
Idioma: Espanhol
Gênero: drama
Sinopse: Alex (Inés Efron) nasceu com as características sexuais de ambos os gêneros e, para fugir dos médicos que insistiam em corrigir a ambigüidade genital da "garota", a família leva-a para um vilarejo no Uruguai. Convencidos de que uma cirurgia seria uma violência contra seu corpo, eles vivem retirados numa casa nas dunas. Um dia, recebem a visita de um casal de amigos, que traz com eles o filho adolescente. O pai visitante é especialista em cirurgia estética e se interessa pelo caso clínico da jovem. Enquanto isso, Alex, de 15 anos, e o rapaz, de 16, sentem-se atraídos um pelo outro.


É o primeiro filme do gênero que acabei vendo - não sei realmente se existem outros sobre esse assunto e, se souberem, deixem um comentário falando! Ele é filmado no Uruguai e acabei me surpreendendo com as atuações e a beleza das construções das cenas. Não é um enredo fácil, lidar com a transexualidade, mas o diretor e os atores conseguiram um resultado brilhante, creio.

A história é bem perturbadora. Temos Alex e seus pais vivendo isolados, por opção e por medo, da maioria das pessoas. Tudo muda quando Alex resolve contar a seu melhor amigo, agora que eles estão crescendo, que é diferente dos demais. Eles acabam brigando e isso desencadeia uma série de eventos na trama.
Alex é constantemente perturbada  por pressões e por pensamentos duais; ela se sente tanto menina quanto menino. O drama de seus pais é um espetáculo a parte, pois ambos sofrem muito com a (in)decisão que as características peculiares da filha gera na vida deles.

A trama começa, de fato, quando os antigos amigos da mãe de Alex chegam em sua casa; o marido da amiga é um cirurgião especialista em cirurgia estética e, aparentemente, só vê Alex como um objeto de experimento. O pai de Alex se recusa a operá-la, a mãe, por outro lado, já começa a pensar que este seria o melhor caminho para a filha. Alex, porém, começa a assumir uma personalidade mais masculina, parando de tomar os hormonios, por exemplo, que inibem o crescimento de barba e o engrossar da voz.

No meio disso tudo temos o filho do casal de amigos. O garoto, também adolescente, é retraído e sem muito interesse. Alex, porém, acaba se apegando a ele na esperança de que ele possa resolver seus conflitos mentais. Os dois, então, acabam partilhando as cenas de conflito (interno e externo) de maior parte do filme.

Como comentei, é um tema difícil que foi retratado com singularidade. A família e as pessoas em volta de Alex são bastante peculiares. Ela mesma é bastante estranha, digamos. Há diálogos bastante introspectivos e cenas "pesadas", como quando seu pai corta as nadadeiras de uma tartaruga marinha e ela observa, fascinada, o trabalho de "fatiar" e de "cortar corpos" (nas palavras dela). As cenas que ela desempenha com os amigos também são diferentes, e a própria relação dela com eles é diferente. Um destaque vai para a cena em que ela e o menino, o filho do casal, vão além dos beijos e partem para a descoberta mais profunda dos dois: Alex não quer ser só uma menina, e talvez o menino não queria ser só um menino. A partir daí, porém, as coisas vão ficando confusas.

Somos constantemente levados pelos pensamentos perturbados de Alex e seu modo estranho de encarar a vida. O fim do filme é uma icógnita, pois podemos ter a sensação de que não chegamos a lugar algum. Há muito sofrimento para, no final, ela só dizer que não sabe o que escolher e ficar tudo bem assim. Achei que faltou aquele "algo mais" para fechar com chave de ouro.

Ademais, o filme é ótimo. É daquele tipo que te faz parar para pensar. Além disso, a atriz que faz a Alex, Inés Efron, merece um Oscar. Sério.
July 20, 06:25 PM

Neste post vou reunir algumas resenhas só de curtas brasileiros que vi nos últimos meses. Tem alguns mais antigos, e que não lembro bem dos detalhes, por isso é algo mais geral.


Eu Não Quero Voltar Sozinho
É um filme de curta metragem dirigido por Daniel Ribeiro, produzido em 2010 por Diana Almeida. A história gira em torno de Léo, um menino de 15 anos que, como todo adolescente, está passando por transformações na sua vida. A única e simples diferenã é aque Léo é cego e precisa da ajuda dos amigos para fazer boa parte das coisas. Sua melhor amiga é Giovana e a menina, aparentemente, gosta mais dele do que ele pode imaginar. As coisas mudam de rumo quando Gabriel é transferido para a classe dos dois e desenvolve amizade com os dois.

O curta é lindíssimo! Devo ter visto umas quatro vezes já; sou apaixonada por ele. É delicado, mas profundo. Os atores são todos tão talentosos e as cenas foram tão bem compostas que, se dependesse de mim, seria um longa e não um curta. O diretor Daniel Ribeiro já havia realizado um ótimo trabalho com "Café com Leite", que ganhou o Urso de Cristal em Berlim entre outros prêmios, mas com este eu acho que ele evoluiu bastante. A resenha do "Café com Leite" vocês podem ver aqui também. Sou fã de carteirinha.


Eu e o Cara da Piscina
O curta conta como Guilherme, sentindo-se atraído por seu amigo e colega de natação, resolve utilizar a internet para expor seus "sentimentos". Resumidamente, é um curta bem curto e sem muitos diálogos (na verdade, quase nenhum), nem desenvolvimento. Não gostei. A única parte que me "surpreendeu" foi o final, pelo qual podemos ver a história por um outro ângulo.

Tá (okay)
Dois jovens resolvem explorar os efeitos do crack em um banheiro público. O curta deve ter menos de oito minutos; é minúsculo e não explora praticamente coisa alguma. Faltou um final para finalizar (pois o fim não termina, sabe?) e uma história mais convincente. O único "diálogo" que faz realmente sentido é o que dá título ao filme.

Alguma Coisa Assim
É um curta de 2006 que mostra uma noite na vida de dois adolescentes, Caio e Mari. Os dois saem em busca de diversão, acabando em uma boate gay onde Caio resolve ser verdadeiro consigo mesmo e curtir alguns momentos de descoberta. Entre as expressões faciais, as poucas palavras que trocam e as cenas, os dois (e nós) vão descobrindo mais sobre eles mesmos. É uma trama bem curta e deixa margem para muitos questionamentos, mas não é ruim. O roteiro é muito bom, mas senti que as melhores falas são as que são deixadas de lado nos diálogos, os momentos de silêncio. Se foi esse o objetivo, ótimo. O curta pode ser visto no site da Petrobrás.


O Diário Aberto de R
Um curta de 2005 que descreve o amor platônico de um garoto (interpretado pelo Fábio Lucindo, o dublador do Ash) por seu colega de classe. Ele escreve, na carteira do colegio, uma espécie de "diário" no qual narra suas observações em relação a Rafael, seu colega. É uma história bem simples, mas bonitinha. O final é meio tocante, para quem sabe ler nas entrelinhas. Gostei bastante. É o tipo de história que me atrai e que é bem leve. Recomendo.
June 29, 09:34 AM

Diretor: Geoffrey Sax
Gênero: autobiografia, romance
Idioma: inglês/alemão
Sinopse: Baseado em fatos reais, retrata os primeiros anos de formação do escritor Christopher Isherwood (que publicou "A Single Man" em 1964 ), época em que saiu da Inglaterra para morar em Berlin, na Alemanha. Homossexual, Christopher vivenciou a liberdade sexual que existia na Alemanha no período pré-2ª Guerra Mundial, sobre a qual retrataria em sua obra, sendo a mais famosa “Goodbye to Berlin” (1939), transformado no musical “Cabaret” (1966).

O filme é uma auto-biografia e baseada no livro do autor de mesmo nome. Dizem que o livro é bem "cru" e sincero, e o filme também não poderia deixar de ser, mas claro que foi  um pouco romantizado.

Confesso que, por ter tudo que eu gosto, o filme me cativou já bem no comecinho. Isherwood é um personagem muito peculiar, engraçado às vezes. É ele quem conta, sentado em sua máquina de escrever, sua própria história sem vergonha alguma, muito pelo contrário.

A trama se desenvolve com o passar dos anos entre Londres e uma Berlin pré-nazista, cheia de cantos escondidos, prédios de prostituição e becos de garotos de programa. O elenco, alias, é um colírio para os olhos, inclusive os coadjuvantes. Nós acompanhamos a jornada de Chris entre essas duas cidades, primeiro atrás do melhor amigo de infância, depois sozinho, sobrevivendo com aulas de inglês enquanto procura uma editora para publicar seu segundo romance.

A vida em Berlin acaba sendo fácil para ele. Nós também acompanhamos a evolução política na trama, a chegada dos nazistas, as posições e mentalidades e, também, o lado judeu através do amigo de Chris que o contrata para aulas particulares. Há muito conteúdo político e histórico no filme, o que me fez adorá-lo ainda mais!

Os envolvimentos de Christopher com os homens da cidade são uma trama a parte na primeira metade do filme, pois ele acaba em um "romance" com um garoto de programa chamado Casper. Em Berlin, os meninos se prostituem para pagar prostitutas, e, apesar de saber disto, Christopher acaba se fixando no garoto e a história acaba mal (para um dos lados, claro). Porém, o nosso escritor não é exatamente apegado a ninguém. Ao encontrar um varredor de rua, certo dia, ele resolve partir para outra e acaba acertando.

Christopher se envolve com Heinz, um garoto alemão cujo irmão mais velho faz parte do partido político de Hitler, e isto também acaba provocando uma reviravolta na vida de todos ao redor deles.

O filme tem muitos personagens importantes. Gerald, o travesti da peruca que sempre fica se descolando e que acaba saindo de Berlin por dívidas que contrai com um agiota. Jean Ross, a cantora/atriz de cabaret que acaba se tornando a melhor amiga de Chris - a atuação da atriz é brilhante. A história dela, em especial, rende bons momentos dramáticos na história, como, por exemplo, o momento de seu aborto. Há também a dona da pensão onde Chris se hospeda, Fräulein Thurau, o judeu rico Wilfrid Landauer, que acaba perseguido pelos nazistas e muitos outros.

É um filme com muito conteúdo. As atuações são ótimas e o ator que faz o Heinz, Douglas Booth, já vale a pena por si só. A história dos dois é complicada, e temos também personagens complicados (como a mãe e o irmão de Chris, o irmão de Heinz e o amigo de Chris) cujas histórias não são desenvolvidas.

Ao final temos um pequeno resumo do que acontece na vida do escritor após o desfecho do filme. Afinal, o filme é baseado em fatos reais e o escritor hoje é muito bem sucedido e mora nos EUA com a família que construiu com um artista, seu parceiro vitalício. Como disse, tem tudo que eu gosto e me prendeu do começo ao fim. A cena mais agoniante (pois temos muitas) foi ver a pilha de livros sendo queimada na fogueira e Christopher chorando pelo seu proprio trabalho. Temos uma dimensão do nazismo contada através de um personagem que não se envolve por obrigação nem por conveniencia, mas por pura necessidade e pressão da ocasião.

Recomendadíssimo, mas não vejam com a legenda em português que anda circulando por aí. O filme é novo (é desse ano, de 2011) e há muitos erros. Além disso, as partes em alemão não foram traduzidas.

Alguns screens do filme:



July 31, 11:58 AM

O Marcado com Letras também é um site de arquivamento de fics (fictions, histórias ficcionais) e, por tal motivo, às vezes sinto-me na obrigação de esclarecer algumas coisas. Portanto, a partir de agora, vou acrescentando por aqui algumas dicas, dúvidas e explanações sobre as classificações e gêneros que são usados por esse universo no qual estou inserida.

O primeiro post não poderia ser mais genérico e essencial: O que é YAOI.

Yaoi é um gênero de publicação que tem o foco em relações homossexuais entre dois homens e tem geralmente o público feminino como alvo. O termo se originou no Japão e inclui mangá, anime, novelas e dojinshis. No Japão, esse gênero é chamado de "Boy's Love", ou simplesmente "BL", e "yaoi" é mais usado por fãs do ocidente. O yaoi se expandiu para além do Japão; materiais podem ser encontrados nos Estados Unidos, assim como em nações ocidentais e orientais ao redor do mundo.

As letras em inglês formam o acrônimo da frase "yama nashi, ochi nashi, imi nashi", que é traduzido para o português como "Sem clímax, sem resolução, sem significado", ou como a frase de efeito "Sem pico, sem ponto, sem problema.", apesar de o termo não ser usado dessa maneira. O termo parece ter sido originalmente usado no Japão por acaso, por volta de 1970, para descrever dojinshis que continham uma paródia bizarra e brincalhona. Apesar disso, ele acabou por se tornar referente apenas ao material de relações homossexuais explícitas entre dois homens. Yaoi não é um termo comum na cultura japonesa; é específica para a subcultura otaku.

Yaoi, fora do japão, é um termo utilizado para todos os mangás que contém relações homossexuais feitos para mulheres no Japão, assim como os mangás que contém relações homossexuais feitos no ocidente. O nome atual do gênero no Japão é chamado 'BL' ou 'Boy's Love', que é uma extensão do Shoujo e das categorias para mulheres, porém é considerado uma categoria diferente. Como o 'Yaoi' é considerado nos Estados Unidos, 'Boy's Love' é usado no Japão para incluir: Obras comerciais e amadoras com ou sem a presença de sexo, dojinshis com adolescentes e menores homens com a presença ou não de sexo, trabalhos em vários tipos de mídia - mangá, anime, novelas, games, CDs de drama com conteúdo homossexual entre homens, e personagens homens de todas as idades em relacionamentos homossexuais.

Apesar do gênero ser vendido por e para mulheres e garotas, homens gays e bisexuais ocidentais também agem como leitores e criadores de obras relacionadas de Fanart e Fanfiction. Não é correto afirmar que todos os homens gays são fãs do gênero, já que algumas nuances são deixadas de lado pelo estilo artístico feminino ou pela descrição irrealista da vida de um homem gay e, ao invés disso, procuram mangás gays, escrito para ou por homens gays.

Os dois participantes em uma relação yaoi são geralmente referidos como Seme (Atacante) e Uke (Recebedor). Apesar desses termos terem se originado nas artes marciais, são usadas com contexto sexual faz séculos e não carregam nenhuma conotação degradativa. Seme é derivado do verbo japonês semeru (Atacar) e uke do verbo ukeru (Receber). Assim como homens gays em português são referidos como "Ativo" e "Passivo", seme e uke são uma analogia mais próxima para "lançador" e "pegador".

(fonte: kanariya)


O gênero tem crescido muito ultimamente, principalmente no Brasil e depois da publicação de Gravitation - o primeiro mangá dito yaoi para o público feminino e sem censuras. Com o crescimento começaram a surgir, também, as derivações e deturpações do termo. De acordo com o trecho acima, e frizando:

YAOI não é uma PESSOA ou um ESTILO DE VIDA. Não é correto dizer "eu sou yaoi" ou coisas do gênero. Este tipo de linguagem foi mal adaptado por muitos "fãs" brasileiros, muitas vezes interessados em fazer "amizades".

E, assim sendo, este site contém yaoi aos níveis extremos, mas isso não quer dizer as leituras são destinadas somente às garotas, muito pelo contrário.
August 23, 09:07 AM

Olá, visitante terrestre! (terrestre foi uma mera suposição)
Venho encarecidamente atender a alguns pedidos que recebi de disponibilizar as oneshots (pelo menos) sem o sistema de post no twitter ou facebook. Quero, primeiro, deixar claro que meu intuito com esse sistema não era "selecionar" ninguém - muito pelo contrário. Era só pra fazer uma divulgação básica, já que eu mesma não trabalho com isso. Não era porque eu não queria que quem não tivesse facebook ou twitter baixasse os meus escritos - desculpem se causei essa impressão.

Então, tentando me redimir, vou disponibilizar aqui alguns dos meus contos avulsos. Primeiramente, os que eu mais gosto, uma escolha mais pessoal que de público. Só gostaria de pedir, caso alguém leia, para deixar um simples comentário pequeno. Não precisa se identificar, só deixar sua opinião. Não mata :)

Todos os contos estão em formato PDF.

Oneshots
One Touch que foi a última adicionada à lista e a que eu realizei a votação de capa.
Leiam mais sobre o conto neste post aqui.
Clique aqui para fazer o download.

Sea of Trees - Mar de Árvores é bem curtinha e leve. Conta a história de dois amigos de infância - através da visão de um deles quando o outro resolve se alistar nas forças armadas.
Clique aqui para fazer o download.

A Lavanderia é um dos contos que mais gostei de escrever na época. É engraçado e foi feito em homenagem à comunidade da qual participo (e modero) no livejournal. É bem curtinha também, mas não tão leve - contém cenas explícitas, ok, crianças? E gira em torno de um funcionário de uma lavanderia e um garoto que não gosta quando as pessoas são muito "diretas".
Clique aqui para fazer o download.

Muffin faz parte da serie "Sweet Dreams", que tem por objetivo reunir coisas "fofas" e doces. É curta, e tem um tema mais natalino e foi a última que escrevi em 2010. Ela é particularmente leve, com pequenas insinuações de cenas mais pesadas. Conta como dois jovens ficam perdidos (e presos) no meio do nada sem gasolina no carro na véspera de Natal.
Clique aqui para fazer o download.

Com o passar do tempo, e de acordo com a aceitação de vocês, vou colocando mais por aqui.
As oneshots e todo o resto continua disponível para download ali nas abas sob o sistema de twitter e facebook. Quem puder, por favor, utilizá-lo, será de grande ajuda :) (mas que não quer criar um twitter ou facebook pra baixar algo daqui, fique a vontade pra utilizar essa postagem para tal)


Lorena Miyuki
ps.: qualquer problema nos links, me avisem!

EDITADO: o sistema de baixar somente utilizando o twitter/facebook foi removido! Portanto, aproveitem para fazer o download de todas as oneshots que quiserem na aba alí de cima!

June 12, 11:06 AM


Diretor: Enrique Buchichio
Gênero: drama, romance
Idioma: espanhol
Sinopse: Leo é um jovem que está em pleno processo de auto-aceitarão e definição. Em meio aos seus passeios reencontra-se com Caro, uma ex-colega de escola primária de quem gostava quando eram crianças, e que agora vive sua própria crise pessoal. Este reencontro casual terá repercussões nos conflitos de cada um, sem que nenhum deles saiba realmente o que acontece com o outro.

É um filme uruguaio e, creio, é o primeiro que vejo.
O começo é meio estranho, mostrando o relacionamento perturbado de Leo e sua (ex) namorada e suas primeiras idas ao psicólogo, achando que seu problema de impotência sexual é causado por disturbios mentais. Leo luta contra si mesmo durante mais da metade do filme para se aceitar, e este fato é bastante melodramático.

O encontro com a colega de infância faz a história toda dar voltas sem sair do lugar. Caro é uma garota (sim, garota) estranha e mais perturbada que Leo, o que acaba deixando o drama deste último nas cenas coadjuvantes. Isso acaba mudando um pouquinho quando ele conhece, pela internet, Seba, um jovem assumidamente gay e que desperta em Leo as sensações que ele havia tanto buscado com todas as outras pessoas com que se relacionou.

Entender a cabeça  e os pensamentos complicados de Leo é um desafio ao espectador. Algumas cenas parecem totalmente sem sentido, mas o personagem de Leo pede esse tipo de coisa. O diretor, ao fim da trama, percebe que não pode haver um final feliz no personagem e o filme acaba mais ou menos como começou, só com a mínima diferença de que, agora, Leo sabe quem ele realmente é.

É meio cansativo, confesso, mas também é o tipo de filme que você não pode parar de ver para saber o que vai acontecer. O drama de Caro, entretanto, chama muito mais atenção (a meu ver, claro) que a história pessoal do protagonista - esta parece ser tão simples de resolver! A trilha sonora é ótima, alias, e percebe-se a grande qualidade do cinema uruguaio nas tomadas de cena (sem ironias).
August 17, 04:49 PM
Primeira votação do site!

Como (quase) todos que por aqui passam sabem, o Marcado Com Letras disponibiliza meus textos para download e, em sua maioria, eles são contos ou novelas e são compilados em PDF para facilitar a leitura.

"One Touch" é uma oneshot, um conto pequeno escrito em 2008. Nele, é contada a história do vocalista e compositor de uma banda que se vê enfrentando situações estranhas com um outro rapaz, cuja identidade lhe é desconhecida. A sinopse, encontrada ali em cima na aba "Sobre" > "Oneshots", é uma parte do conto:

Não sei exatamente o que deu em mim, se foi pela situação ou se pela força que ele fazia enquanto me empurrava contra a parede e me beijava, mas eu só... Me deixei levar. [...] Quando percebi, já tinha acontecido.

É um drama contado em primeira pessoa, bastante sofrido, diga-se de passagem.

Então, fica aqui aberta a primeira votação da capa: capa 1 ou capa 2?
Ambas têm o mesmo conceito de acordo com o conto, mas com perspectivas diferentes.
Registre aqui, ou em nosso twitter, a sua opinião!
Qual deve ser a capa? Clique na imagem acima para ver mais detalhes sobre as mesmas.

A votação se encerrará no dia 10 de junho. Votação encerrada! Vencedora: CAPA 1.
May 29, 01:32 PM

Diretor: Simon Shore
Gênero: drama, comédia
Idioma: inglês
Sinopse: a história de Steven Carter, um adolescente gay que vive rodeado de preconceitos, inseguranças e escolhas difíceis, mas que decide ser honesto e sair do armário. Baseado na peça "What's Wrong With Angry?", uma história real (dizem).

O filme é uma gracinha. A história de Steve é contada de uma maneira bem simples e romântica, ao mesmo tempo. Os atores são ótimos e a trama é bastante envolvente.

Temos como personagens principais Steven, sua melhor amiga Linda e, posteriormente, o maior atleta do colégio local, John Dixon.

Steven deixa claro desde o começo que sempre soube que era gay, mas a única pessoa a quem ele realmente revelou tal fato até aquele momento foi Linda. Adolescente e com os hormônios à flor da pele, ele, entretanto, não deixa de buscar amor e conquistas. Aproveitando-se de uma região da cidade conhecida pelos encontros de casais homossexuais, Steve constrói relacionamentos com alguns homens e garotos, mas quase nenhum deles passa do primeiro "encontro". O local é um parque, perto de um banheiro público usado para os tais encontros. Neste banheiro Steven acaba se deparando com o maior atleta de seu colégio e dito como o garoto mais bonito da região, John Dixon.

John é popular, tem por namorada uma modelo de lingeries e é o líder dos meninos do colégio. Treina atletismo, vence competições, é bonito e charmoso; todas as garotas, aparentemente, o querem. Mas John não é honesto consigo mesmo, e descobrimos isso mais adiante no filme quando ele confessa a Steve que as únicas vezes em que realmente se sentiu bem com alguém foram protagonizadas por outros homens.

Como é de se esperar, Steven e John acabam entrando em um relacionamento secreto e conturbado. Steve, por um lado, tem de enfrentar os pais conservadores, a recente amizade com uma menina do jornal da escola (que, alias, pensa que ele está dando em cima dela e acaba se apaixonando por ele), e um concurso de artigos do jornal local sobre os "Jovens do Milênio", pois Steve é um bom escritor e pretende ser jornalista. Por outro, temos John confuso, preocupado com as aparências, jamais deixando de lado a namorada e seus pais, ainda mais conservadores, procupados com seu futuro nos esportes.

John representa muita coisa no filme; talvez coisas demais para um personagem só. O ator, Brad Gorton, porém, faz um atuação brilhante! Suas cenas são bonitas e naturais, principalmente as feitas com Steve. Este último, feito por Ben Silvestone, magrinho e aparentemente comum, se mostra tão bonito quando John. Linda faz a parte cômica do filme; protagoniza as cenas mais engraçadas e descontraídas, mas também apresenta e insere seu próprio drama pessoal à trama.

O filme é ótimo. Recomendo muito, principalmente para quem gosta de histórias meio "clichês", com situações complicadas, engraçadas e, claro, do tema. Spoiler: o discurso final, de quando Steven recebe o prêmio pelo melhor artigo do jornal, e também de quando se assume perante toda a cidade praticamente, é uma lição de vida.

"It's just love".

É possível encontrá-lo em português por aí, para alugar e comprar, com o nome de "Saindo do Armário".
June 12, 11:06 AM
Diretor: S.J. Clarkson
Gênero: biografia, drama
Idioma: inglês
Sinopse: baseado na vida e na obra de mesmo nome do escritor e cozinheiro Nigel Slater, mostra as dificuldades de um menino de crescer, se aceitar e superar as perdas ao longo da vida.

O filme é de dezembro de 2010, bem novo. Foi ao na na TV britânica e pode ser visto no site da própria BBC, online. Não é grande, mas é maior que um curta tradicional.

Nigel Slater é ótimo na cozinha desde criança e adorava cozinhar para sua mãe (Victoria Hamilton), que tem asma crônica e sofre constantes crises. O relacionamento de NIgel com o pai é fraco e cheio de coisas conturbadas. Na medida em que a saúde de sua mãe piora, este relacionamento segue o mesmo destino.
No começo há ótimas cenas de Nigel menino com o jardineiro, na inocência e na descoberta que chega ao fim quando seu pai também descobre sobre o relacionamento um pouco peculiar dos dois.

Depois da morte da mãe, o pai de Nigel começa a sair com a mulher que faz faxina em sua casa, Mrs Potter, o que choca não só Nigel, mas também a sociedade em que vivem. Mais velho, Nigel começa a frequentar as aulas de economia doméstica e de cozinha na escola. Com isto, ganha atenção do pai, pois lhe prepara lindos e deliciosos doces, tornando-se uma espécie de "rival" da sua nova mulher, pois esta também o conquista pela "barriga", digamos.

O filme é auto-bibliográfica e se baseia numa obra do mesmo nome que, acredito, seja mais extensa. Nigel encontra um emprego em uma cozinha de um pub local e acaba se apaixonando pelo filho da dona; a relação dos dois é bem curta, pois o menino acaba deixando a cidade. Neste momento Nigel descobre que, assim como a cozinha, ele não pode mais esconder quem ele é nem fingir que o que sente por meninos é só brincadeira.

O fim mostra Nigel chegando a Londres e, em um hotel, conseguindo o primeiro emprego de chef de sua carreira. O Nigel de verdade é bastante renomado e reconhecido por suas receitas e talento. O menino que faz o Nigel pequeno é um ótimo ator! Achei o ator que o faz na adolescencia bem fraco e sem muita emoção, mas a história em si o carrega. O(s) romance(s) que ele vive são mostrados de forma superficial e rápida, mas o espectador percebe sua emoção. O que merece muito destaque no filme são as receitas, a culinária, já que, afinal, estamos falando de um chef internacional.

Não desgostei, mas como estava louca para ver, me decepcionei um pouquinho. É muito interessante a história, ainda mais por saber que é uma história real. É bastante recomendado para quem se interessa em biografias e em comida!

O nome Toast se refere às torradas que o pai "cozinhava" para o garoto quando pequeno, quando sua mãe, enferma e de cama, não conseguia lhe preparar nada para comer. As torradas eram as únicas coisas que eles comiam, pois o pai não aceitava muito bem sua vocação para a cozinha. Dá pra imaginar o martírio que é comer só torradas durante dias!
April 21, 10:24 AM
Diretor: Christophe Honoré
Gênero: musical, drama
Idioma: francês
Sinopse: Um musical sobre o amor, a vida e a morte envolvendo quatro personagens principais (dois homens e duas mulheres).

O filme tem Louis Garrel no elenco e foi nomeado à Palma de Ouro, apresentado pela primeira vez no Festival de Cannes em 2007. O nome do filme no Brasil foi traduzido como "Canções de Amor". Em inglês, "Love Songs".

O filme é bonito, as canções são lindas e os atores são ótimos. Confesso que o começo é bastante massante, principalmente para quem não está acostumado com musicais. Você fica se imaginando o tempo todo onde aquilo tudo vai acabar e ... bum. Confesso também que vi o filme já sabendo do final e da trama toda em si, então, ansiosa, ficava esperando o tempo todo por "tal cena" e "tal acontecimento", talvez por isso tenha sido mais massante ainda esperar que eles acontecessem.

Atenção, a review CONTÉM SPOILERS.
A trama se divide em três partes: a partida, a falta e o retorno. O nome de cada parte revela um pedaço da vida do protagonista Ismaël (Louis Garrel), que sofre com desentendimentos com a namorada Julie e sua repentina vontade de "esquentar a relação" dos dois colocando mais uma pessoa na cama (literalmente): a amiga Alice. (primeira parte)

Entretanto a reviravolta acontece quando Julie repentinamente morre e ele tem que lidar com a vida sem ela. (segunda parte) A família dela é a parte importante nessa história já que Ismaël era mais que um filho para os pais de Julie; mais até mesmo que a própria garota. Particularmente, achei as partes pós-morte da Julie as mais bem feitas, pois realmente mostram a realidade quando (no caso) o namorado possui caracteristicas tão boas que os pais da namorada o acolhem como filho e o respeitam além de tudo e qualquer tipo de relação que ele possa ter com a família. É, literalmente, uma segunda família para ele, senão a única, já que a de Ismaël mesmo não é mostrada no filme. E eu vejo isso acontecendo muito; até comigo mesma.

A segunda parte do filme é bem angustiante. Dá a impressão que nunca vai acabar. A cena da morte da Julie foi bastante real pra mim. Os gestos e as letras das canções, cada pedacinho tem um significado diferente. E temos também a presença (constante) da irmã de Julie, Jeanne, "atrapalhando" a vida do protagonista. A terceira parte começa com uma série de acontecimentos que se ligam uns aos outros (e ao final da trama) de modo bem sutil. Primeiro, Ismaël saindo de casa por, primeiro, não aguentar as pressões de Jeanne e, segundo, por ainda pensar em Julie, já que o "apartamento" era dividido pelos dois. Então Alice, que trabalha com ele desde o início da trama, o leva ao apartamento de seu "afair" para passar o tempo que ele quisesse. Na manhã seguinte Ismaël conhece Erwann, o irmão mais novo desse afair. A partir daí as coisas andam rápido.

Os motivos que levam Erwann a seguir Ismaël (para mim) não são revelados claramento, mas desde a primeira vez que eles se vêem dá para perceber que o garoto, bem mais novo que ele, apresentou um certo interesse. Então a última parte (da última parte) se desenvolve entre as crises de Ismaël causadas por pensar no "certo e errado" e em Julie, ajudado novamente pelas pressões de Jeanne, e Erwann tentando convencê-lo de que o relacionamento deles é uma coisa normal e... bonita, afinal de contas. E que sim, ele realmente estava interessado nele. Naquele sentido.

As cenas entre Ismaël e Erwann são bastante bonitas, em especial a que ocorre no apartamento dele ao fim da trama; a famosa cena da janela - cena esta que me deu muita aflição, confesso. Não sou fã de altura. Os dois formam um belo casal e temos também uma inesperada ajuda de Alice. O espectador, assim como ela, percebe o quanto Erwann mudou e pode mudar os pensamentos (e vida) de Ismaël. Ele vive dizendo que não quer ouvir um "eu te amo", principalmente se for falso/da boca para fora, mas sim se Ismaël quiser realmente ficar com ele, que tenha coragem de dizer que ele o ama. Porque ficar juntos para eles significava dizer que se amavam. Assim, ao fim, você se pergunta porque Ismaël esperou Julie falecer para tentar viver. Pois, afinal, ele só vivia por conta dela e seu "amor gigantesco". A frase que ele diz a Erwann resume bastante o drama dos personagens e da trama:

"Ame-me menos, mas ame-me para sempre". (Love me less strong, but love me longer)

Acrescento a música e a cena final ao post. Veja por conta própria se não quiser estragar a surpresa, mas para aqueles que não vão ver o filme ou só estão curiosos, recomendo. É uma das partes mais bonitas da trama.


Escrito em 10-10-2010.

April 21, 10:24 AM



Diretor: Leesong Hee-il
Gênero: Drama/Romance
Idioma: Coreano/Hangul
Sinopse: SungMin é um órfão que, ao completar 18 anos, é obrigado a deixar o orfanato em que vive e acaba descobrindo que se sustentar na capital não é nada fácil. Além disso, SungMin é abertamente gay e, depois de perder seu emprego em uma fábrica, acaba se tornando um host que não acredita em amor. Tudo muda, claro, quando, ao exercer um de seus bicos como motorista, ele "conhece" JaeMin.

O filme é tido como o "primeiro filme coreano com temática 'realmente' gay". Não sei dizer se é totalmente verdade, mas o fato é que é um filme muito bonito. Os personagens são bem reais, as atuações são bastante convincentes e, cá entre nós, são coreanos. Todo coreanos faz bem o que se propõe a fazer: dica.

O enredo é bastante longo ao meu ver. Cansativo até metade do filme, quando se pensa que tudo que era pra acontecer já aconteceu. E aí a gente se engana. Os últimos 10 minutos são de tirar o fôlego literalmente. Parece até que o filme todo deixou pra acontecer nesses últimos minutos! Isso por um lado é bom, mas por todos os outros é ruim. Pode cansar a maioria dos espectadores esperar até acontecer essas reviravoltas emocionantes...

Mas, no meio, o diretor fez a questão de colocar alguns "aperitivos", que são as cenas do SungMin e do JaeMin. E que belas cenas! Todas elas; até as das mais simples carícias são bonitas! Algumas cenas do SungMin e seu colega de quarto também merecem destaque, principalmente nas conversas. Ele é interpretado pelo Kim DongWook, que, alias, tem uma das histórias mais "puras" da trama. É de arrancar o coração quando SPOILER ALERT! ele finalmente consegue o carro e finalmente diz ao SungMin que ele sempre foi o homem que ele amou/admirou. E sua morte com certeza fará muita gente chorar.

DongWook que também fez "The 1st Shop of Coffee Prince"! Meu dorama coreano favorito! Ele é um ótimo ator! Muito fofo e o personagem caiu como uma luva pra ele!

Como já disse, os últimos 10 minutos são fundamentais. Mas é o tipo de final que você fica olhando pra tela com cara de "como assim?", mas acaba rindo. Entende? Não? Bom, então recomendo ver pra saber como é! Não se deixe enganar pela primeira hora de filme. Vá até o final que não será em vão. 

Escrito em 05-04-2010.
April 21, 10:30 AM

Diretor: Eric Amadio
Gênero: Humor/Drama/Romance/Documentário
Idioma: Inglês
Sinopse: After Sex é uma comédia sobre o uso do sexo como uma ferramenta examinadora da vulnerabilidade e intimidade de cada casal. Durante o filme, você é levado de um começo de relacionamento ao final de outro, e examina cada estágio tentando envolver humor com drama, o que acaba tornando o filme sexy e engraçado.


Ao todo, são oito casais principais. Oito "mini-histórias", ou oito curtas. Os casais são: David e Jordy, Leslie e Chris, Kat e Nikki, Freddie e Jay, Alanna e Marco, Sam e Kristy, Bob e Neil e Gene e Trudy.

A storyline do filme é horrível! Sério. Não achei que fosse ser tão ruim, mas realmente é. O que faz a diferença são alguns casais. A história é bastante rápida; cerca de dez minutos no máximo pra cada casal. O legal é que parece que você já os conhece a vida inteira.

Chamo atenção especial para os casais Freddy e Jay, Bob e Neil, Sam e Kristy e Gene e Trudy. O diálogo entre Freddy e o Jay é simplesmente ótimo. A Nikki e a Kat também conseguiram ter bastante harmonia e veracidade nas cenas.

Não é um filme, fiiiiiilme pra pegar pipoca e assistir brincando. É um filme de história, de comportamentos, de diálogos. A ficha não diz que o gênero é um documentário, mas, a meu ver, se parece bastante.

E a idéia é legal, só não foi bem trabalhada.

Escrito em 31-05-2010.
April 21, 10:24 AM
Diretor: Joselito Altejeros
Gêmero: Drama
Idioma: Tagalog
Sinopse: o título original é "Ang Lihim ni Antonio" e pode ser traduzido como "O Segredo de Antônio". O filme conta a história de Antônio, um adolescente religioso que se encontra no momento de descobertas que acabam mudando totalmente o rumo de sua vida, principalmente depois que seu tio mais novo, Jobert, vai morar com ele e sua mãe.

Começo chatinho. Até enjoativo, diga-se de passagem. Vi pela curiosidade, não por recomendação nem por já saber do que se tratava. Até mais ou menos o meio do filme nada acontece de muito interessante. Dou créditos à cena "íntima" de Tony com o Nathan, que é bem natural. A atuação dos dois nessa cena em particular me chamou a atenção. Mas daí a coisa começa a entrar no enredo que o diretor se propôs a fazer. E eu não gostei muito desse enredo, confesso. Me pareceu meio.. forçado. Não sei dizer ao certo. Só que não foi a melhor das escolhas a entrada do tio na vida do garoto - nem no filme.

Chamo atenção para o ator que faz o papel do Mike, o melhor amigo do Tony. Seu nome é Jiro Manio e ele é muito bom. Uma gracinha! Tem um papel secundário no filme, mas suas cenas são ótimas.

Nos últimos 30 minutos de cenas, as coisas dão uma reviravolta estranha e já se imagina um final não muito legal. Mas eu gostei especialmente do final! Faz você repensar um pouquinho do filme todo. E isso é bom. Foi diferente de tudo que imaginei no decorrer da trama - apesar de o que levou ao final ser como foi não ter sido nada muito novo, pra quem prestou atenção aos "detalhes".

Recomento como passa tempo. As cenas do adolescente são bem naturais, nada chocantes - excluindo, na minha opinião, a relação que Tony passa a ter com o tio. Alias, o personagem do tio não é dos melhores que já vi. E, a propósito, conheça as Filipinas "comum" através das filmagens, também.

Escrito em 05-04-2010.
April 21, 10:25 AM

Diretor: David Moreton
Gênero: Romance
Idioma: Inglês
Sinopse: um filme adolescente, sobre um garoto gay que começa a descobrir o que ele é e o que quer, quem são seus amigos e quem o ama de verdade. É uma autobiografia feita em Ohio na década de 1980.
Bom, se trata de uma autobiografia para começar, portanto não vá esperando nenhum clássico de cinema nem irrealidades utópicas. É um filme simples, que conta a vida simples de um garoto adolescente, Eric, que estuda, trabalha no verão e eventualmente conhece pessoas novas com quem tem vontade de fazer coisas novas. Uma história bastante normal e interessante para quem gosta de, literalmente, saber como é a vida dos outros.

O filme se diferencia um pouco por colocar atores mais conhecidos na tela. O ator principal por exemplo é o Chris Stafford, que desempenha brilhantemente o papel do Eric. A atriz que faz sua melhor amiga e, posteriormente, falsa namorada, é Tina Holmes.

A atenção vai para as músicas e alguns os diálogos. Anos 80, música disco, a descoberta dos clubes/discotecas, a sociedade conservadora da época, as festas adolescentes, o envolvimento com pessoas mais velhas e a vida “marginal” dos homossexuais americanos… Tudo isso é mostrado. Sem contar que, se você gosta desse tipo de música, vai apreciar pelo menos algumas partes do filme pois, além do mais, Eric é um compositor e nos faz passar com ele algumas fases de sua “carreira”.

De modo geral, um bom filme. Leve e tranquilo. Realístico. Nada que, talvez, você já não tenha visto, mas que valha a pena ver de novo.

ps.: ATENÇÃO se você for ver esse filme com algumas legendas em português que estão circulando pela internet. NÃO VEJAM com elas. Estão todas completamente erradas, com timing errado e tradução feita muito mal e porcamente. Recomendo ver no “nu e cru”. Os diálogos são bem simples, afinal.

Escrito em 25-02-2010.
May 19, 06:30 PM

Diretor: Leste Chen
Gêmero: Drama/Romance
Idioma: thai
Sinopse: Três alunos experimentam as vantagens e armadilhas do amor em um conto sensível do diretor Leste Chen sobre amizade, desejos e lealdade.

Quando comecei a ver, estranhei um pouquinho. É diferente a abordagem. Às vezes você fica meio perdido aqui e alí, mas tudo se encaixa no final. A atriz que faz o papel da Carrie, a única garota que realmente é mostrada no filme, não me convenceu, infelizmente. Acho que deixou a desejar e, por isso, o filme não tem o embalo que deveria ter por causa dela – ou talvez porque ela é uma parte complicada da relação entre os protagonistas, Shane e Jonathan.

Por outro lado, o ator que faz o papel do Shane é ótimo. Simplesmente fantástico. Fez ótimas cenas, tanto sozinho, quanto com a garota e o ator que protagonizada o Jonathan. Uma curiosidade que pode fazer com que a gente estranhe, pelo menos se você for ver o filme com legendas, é que os nomes (Jonathan, Shane e Carrie) foram assim “americanizados” para que não ficasse muito confuso. Os nomes dos personagens na verdade são, na mesma ordem, Zheng Xing, Shou Hen e Hui Jia. Eles foram assim batizados de uma forma poética baseada num significado astrológico dos nomes em mandarim que, ao final do filme, é perfeitamente explicável. Veja:

* Shane: (Em mandarim: 守恒; pinyin: shou heng) representa (Em mandarim: 恒星; pinyin: heng xing) a estrela (o Sol).

* Jonathan: (Em mandarim: 正行; pinyin: zheng xing) representa (Em mandarim: 行星; pinyin: xing xing) o planeta (a Terra).

* Carrie: (Em mandarim: 慧嘉; pinyin: hui jia) representa (Em mandarim: 彗星; pinyin: hui xing) o cometa.
O poema do qual os nomes se derivaram é o seguinte, em tradução livre:

O Sol sempre brilha.
A Terra segue sua rota ao redor do Sol, mas não pode se aproximar dele.
O Cometa tráz a surpresa ao sistema solar.
A figura fica incompleta sem qulaquer um deles.


Levando isso em consideração podemos inferir muitas coisas a trama do filme.
Em geral a história é bastante complexa e confusa – chega a evoluir mesmo somente nos últimos 20 minutos finais – mas não deixa de ser bonita. Mostra exatamente como alguém pode ter sua vida completamente modificada por causa de outra pessoa e/ou sentimento que por ela nutre. E mostra isso de vários ângulos e em várias situações. É bastante dramático o pensamento do Jonathan e às vezes é difícil entendê-lo, mas é aceitável.

A trilha sonora é uma beleza a parte. Principalmente as músicas do começo da trama. As do meio em diante, confesso, ficam escondidas o bastante para você não prestar atenção nelas.

O que decepciona é o final. Quando você percebe que faltam menos de cinco minutos para terminar, percebe também que nenhum drama é concluido. E acaba assim, como começou. Talvez você terá de ver o início do filme novamente para entender – ou tentar – parte do final. É no estilo vai-e-vém, de lógica invertida. Lógica que, mesmo assim, fica bastante solta. Não me agradou, porque não dá pra inferir quase nada do final que o diretor propõe.

É um bom filme no contexto geral, mas não vá esperando muita ação ou algo “doce”, digamos. A única cena que realmente considerei digna de envolvimento dura cerca de três minutos. E só.

Recomendo para distração e pela história de modo geral. Drama é drama.

Escrito em2 5-02-2010.

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