Depois de três noites em claro, claro, tudo ficou mais claro. João, como sempre quis, falou o que devia e não devia, como deveria. E assim a viu com outros olhos, olhos por onde não descia lágrimas de crocodilo, na verdade, de animal nenhum. João, uma pessoa que nunca percebeu. Só percebeu agora. E João ficou confuso, com fuso horário às avessas, ficou perdido, no espaço, no tempo e nele mesmo. E eu, agora, nem sei mais o que deveria escrever sobre o João. Melhor assim, melhor assim. Do João ninguém, ninguém ousa falar do João.
Fred era desconformado com uma coisa bastante particular: seus amigos. Sempre havia algo que ele não gostava, suportava, tolerava. Sempre. E esse sempre ficou bastante tempo fazendo dele parte de algo que passou a não querer: ser parte do ciclo de amigos dos seus amigos.
Então abandonou seus amigos. Não demorou para sua casa ser invadida pelo silêncio que perfura o lar dos sem amigos. Mas esse silêncio não perdurou. E logo Fred falava consigo mesmo, ele queria ouvir o que ele tinha para dizer. Obviamente, isso não foi suficiente, pois seus botões não respondiam.
Depois de tentar o teatro, ainda bastante abatido, Tommy Lee Rowla chega à cidade grande. Ainda era noite quando da janela do ônibus ele pôde observar os encantos da cidade que brilhava em letreiros luminosos e janelas acessas em arranha-céus. Com pouco dinheiro, ou melhor, muito dinheiro pouco1, ele pôs a mochila nas costas2 e começou a andar. Nesse gastar desnecessário de chinelo batido, ele cansou, se encostou na marquise de um edifício residencial suburbano e cochilou3 até que os primeiros raios do sol vindouro começaram a incomodá-lo.
De pé, correu atrás do que fazer. Não achou nada. Melhor, achou boné velho no chão, mas isso não importa muito. Enfim, nesse contexto de cidadão errante ele vê uma placa pintada artesanalmente no tapume de um shopping em construção, a placa carrega os dizeres: “precisa-se de pintor de placa”. Ele aceitou, falou com um bigodudo mal humorado, que mostrou onde ele iria começar seus afazeres.
Num canto da construção ele sentou-se num banco de madeira4. Do lado direito, várias tábuas5 bem cordadas, prontas para virar placa. À esquerda algumas latas de tinta vermelha e um pincel gasto. O bigodudo o olhou e apenas precisou dizer uma única vez as ordens para o recém contratado Tommy Lee Rowla. “Escreva em todas essas placas o seguinte: Precisa-se de pintor de placa”.
Segundos depois, um momento de indagação preenchia seu ser, Tommy Lee Rowla ficou a pensar: estaria ele participando da sua demissão? Quem pintou a primeira placa? Seriam os deuses astronautas? E nisso, voltou à realidade, privado de devaneios pôs-se a trabalhar. A vida real não permite ensaios e nem pintores preguiçosos.
1 – Para ser exato, oito notas de um real e três moedas de vinte e cinco centavos.
2 – Dele, obviamente. Um auto-burro-de-carga.
3 – Antes, cagou. Descobriu que não se deve confiar no pastel á la bus station.
4 – Carma?
5 - Para ser exato, mais uma vez, 23 tábuas.
Felipe, quase sempre cego as reluzentes passagens da vida, decidiu abrir o vinho que estava na geladeira há quase um ano. Sentou-se no tapete da sala, sozinho. Não feliz, muito menos triste. Apenas ele mesmo e suas contemplações. E pois a falar com seus botões:
“Sentou-se ao meu lado. Olhei-o com ar de superioridade, como sempre fiz. Mas naquele dia algo estava diferente, eu sabia. Ele com aquela bermuda jeans ao meu lado - Coitado - pensava eu sem saber o que iria descobrir.
Foi quando ele abriu aquele maldito estojo de óculos desgastado e de dentro tirou uma caneta amarela e roxa, esbugalhei meus olhos, algo partiu meu coração naquele momento. Dentro ainda vi uma borracha velha e bastante gasta. Senti meu coração ser espetado por algo comoventemente cortante. Maltido! - disse eu várias vezes em silêncio profundo e agonizante.
Ele sabe como ser feliz, ele e aquela maldita vida ordinária que levava.
Descobri que senti inveja. Descobri que o coitado ali era eu.”
Felipe tomou outro gole. Deixou a taça no canto. E não falou mais a noite toda.
Para Marina ele nunca falava exatamente o que ela queria ouvir.
Para ele Marina estava sempre distante.
Fabio sempre inominável, Marina um nome complexo demais.
Marina não gostava de mostrá-lo como se sentia, sempre fria.
Os dois se viam diretamente diferentes.
Fabio mostrava-se demais, de tão quente, queimou-se.
Nunca brigavam por motivos sérios, o oposto quase sempre.
Eram inversamente proporcionais.
Fabio e Marina conviviam no limiar do relacionamento líquido e certo.
E assim nas brigas Marina pedia para Fabio terminar se assim quisesse.
Marina sabia que o Fabio nunca o queria.
Mas um dia o sol nasce virado, Fabio o quis e Marina nunca mais foi a mesma.
- Acho que não falo de mim com tanta naturalidade, não como gostaria, não como imaginam. Eu acho a superexposição do ser algo ruim, mas como havia te dito: "eu sou quase aquilo que sempre evitei". Tento ser assim para no final não ser apenas cover de mim mesmo. É inevitável não me machucar sempre que me vejo nas linhas que escrevo. Não se expor é uma virtude, admiro isso em você, parabéns. Eu...bom, eu sou apenas humano demais: "Se eu soubesse antes o que sei agora, erraria tudo exatamente igual.”
Então dormiu e não pensou mais.
“Macaco quando muito pula, quer chumbo”. Ouvi de Olavo Carvalho certa vez. Não que a frase seja oriunda do mesmo, não que o Olavo esteja sempre certo, mas ele tinha suas razões, assim como Oswald de Andrade ao dizer que o “O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e de gente dizendo adeus”.
Rebeca era assim, não apenas como o Brasil, mas como o macaco saltitante também. A garota não parava (nem pairava) um segundo. O mundo era dela, o qual abraça com suas pernas1. Todo dia era dia de carnaval, para ela, claro. A garota aprendeu que não precisava de nada nem de ninguém, só esqueceu que tudo o que aprendeu se não era mentira era mentira2.
E Rebeca pulava de galho em galho, sempre dando adeus. Pulava feliz num ramo, via outro melhor e tchau. Sistematicamente. Um dia Rebeca cansou (ou, passou dos 25 anos) e foi descansar no galho mais seguro do bosque do eterno carnaval. O galho disse adeus e pulou em outra macaca3. Rebeca caiu triste. Já sem forças para pular de galho em galho (ou, nenhum galho mais a agüentava), ao léu, disposta na relva, desprovida de amparo e alento. Levou chumbo4 de um caçador que embaixo da árvore cochilava. Pois bem, meus amigos, um outro já diria, “a vida é uma piada, quem riu é porque não entendeu”.
A história, por definição, nunca é paradoxal. A gente que não entendeu alguma coisa. Verdade meus caros, paradoxal mesmo, como o próprio sentido intrínseco da palavra. Longe de mim ser verborrágico ou desbravador do pseudo-intelectualismo. Acontece que as coisas mais simples me surpreendem, no mundo onde nada mais é surpresa.
Trocando as palavras por um exemplo real, me lembro de Paula. Quem precisava sempre de alguém no pé. Lembra do Carlão? O atleta nas horas vagas, de físico atraente, funcionário público e carismático? Pois Paula o dispensou, mesmo o coitado lambendo o chão por onde ela anda. E depois dele veio outra dispensa. Alguém Aqui lembra o Edu? Professor universitário, inteligente, simpático e muito bondoso? Pois esse foi rejeitado pela Paula também. Outro que gostava mais dela, do que da própria encarnação. Quem então agradaria a Paula? Essa perguntava sempre esteve presente nas rodas de bate papo entre os amigos.
Surge Pedro, que apesar do nome bíblico, de santo não tinha nada. Para Pedro, era um suplicio não bater na Paula todo dia. Só não chegava as vias de fato porque tinha medo de ir preso (de novo). Pedro não travava a Paula bem, isso era notório, mas Paula o escolheu. Estão juntos até hoje. Paula está grávida e vão se casar em outubro. Pedro diz “fazer o quê?” Já Paula se diz muito feliz. E eu descobri que não existe paradoxo.
De macaco em macaco, em galho em galho, atrás sabe-se lá do quê, o “homem”1 foi evoluindo na base do “cada macaco no seu galho”. Certa vez, um macaco mais malandro, que de tanto apanhar2 descobriu que jogar pedra no macaco conservador era uma forma de vencer tais punhos cerrados da sociedade (e do macaco que o batia). A pedra quebrou o galho dele3 e tornou o punho obsoleto. Mas sabe como é malandro, não sabendo administrar sua descoberta usou-a forçadamente, gerando um caos no planeta dos macacos. Todo macaco minguado se achou no direito de meter pedra na cabeça de neguinho.
Os macacos velhos4, eleitos diretamente, se reuniram e pensaram, pensaram e – voilà – criaram a lança. Trazendo ordem e tornando a pedra obsoleta. Não demorou muito, mas uns macacos mais antenados, de olhos puxados, descobriram que uma lança de metal seria mais forte. Deu-se a desgraça. Os macacos inventaram a lâmina de metal, conseqüentemente a espada, e teve macaco-ninja5 matando à rodo, melhor, à espadada. Com a lança obsoleta, os macacos velhos tiveram que queimar a pestana. Em apenas três dias uma invenção ultimate, a pólvora. A espada ficou obsoleta naquele instante.
A ordem imaginada deu lugar ao verdadeiro caos6, bomba e tiro em tudo que é macaco. Macaco morto de tapa nem existe mais, só o morto à chumbo mesmo. Um verdadeiro inferno, o império do medo. Macaco vivo só macaco que não sai do seu galho. Nesse meio tempo, uns macacos mais vanguardistas7 inventam a bomba atômica. Com medo de morrer de bala perdida8, lançaram a bomba atômica no meio da macacada. Pronto, a bomba atômica tornou o macaco obsoleto.
1. E a mulher também.
2. Redundância.
3. Não literalmente, até porque malandro não tem galho.
4. Aqueles que não botam a mão em cumbuca.
5. Tem tartaruga também, eu sei.
6. Nessa época surgem os hippies.
7. Essa palavra não é, necessariamente, um elogio.
8. Qualquer semelhança com a cidade maravilhosa não é coincidência.
O menino azul
Corre menino azul, corre em direção ao mar, espera aparecer o sul. Corre menino sem porteiras, esconde-se nas frestas das olheiras, imagina o que te esconde o angu. Corre ó menino sem estribeiras, sobe e desce escadas, ladeiras e fronteiras, faz o que te faz azul. Corre sem precedentes o menino azul, de dia ave Maria, de noite sonos de tu.
O menino azul II
Ele sonhava com alguma outra coisa. Queria ser motorista de ônibus. Imagina? Acreditava que poderia ficar o dia todo dirigindo e conhecendo a cidade, tudo isso talvez porque tinha aquela coisa de criança de achar que todo lugar ficava longe, ou porque queria algo mais divertido do que carrinhos ou bicicletas. Depois queria ser jogador de futebol, depois inventor de jogos eletrônicos. Terminou virando alfabeto, agora pode escrever o que sonhava.
| A capa entrega uma das novidades. |
| É só apertar no ícone da flor para usá-la. |
| O Mapa é quase "vivo". |
| O velho e bom gameplay. |
| The Big Mario. |
| Eu acho que já vi esta fase antes... |
| Vai jogar? Boa sorte. |
| Sapo Vs. Porco |
| Perna de robô na cabeça deles ou... |
| ... um "Big Punch out". |
| Outro ponto de vista, o do "Evil Robot Boss". |
| Curte rapel? |
| Eis a fase onde muitos se aposentaram. |
| Skate e boné? |
| Cochilo... |
| Não vá derrubar o ovo, rapaz. |
| Sem comer as frutas, você não vai longe. |
| A Activison, antes da Sega, ja tinha padrão"de embalagem. |
| "Malditos aviões de shopping centers" |
| "Pare em nome da lei!" |
| "Segura o elevador pra mim, por favor". |
| Sou fã das caixinhas da Sega/Tec Toy. |
| Vai encarar? |
| Corre, Dhiabu! |
| Sem moleza, pé no chão. |
| Já não estive aqui antes? |
| Acho que tenho que voltar por ali... |
| De volta ao Klássico. |
| "Vem cá!" |
| Era uma vez... |
| Aqui o Fatality |
| Aqui o X-ray. |
| Roupa velha, hein?! |
| Live action. |
| Quem apela mais? |
| Tudo começa na chegada a Bright Falls. |
| "Sozinho no escuro". |
| Nunca saia de casa sozinho. |
| Luz e bala, necessariamente nesta ordem. |
| O escritor encontra o próprio livro. |
| Saudade das caixinhas padronizadas da Sega. |
| A icônica abertura em ˜quadrinhos˜. |
| O jogo já começa com uma fase na "vertical". |
| Born to be Wild! |
| Pedra vence tesoura. |
| Tem uma passagem secreta... |
| Burguer ou... |
| ... arroz? |
| Que Capa! Sem palavras... |
| Valeu pela lista de Fatalities do MK9. |
| Reparem no chapéu. |
| No game, uma nova forma de fazer amizades. |
| Querida, encolhi o Link. |
| Tamanho bíblico. |
| páginas e mais páginas... |
| Todas as fotos em "cores". |
| Conheça os pássaros Kamikazes. |
| Pássaros furiosos! |
| Rota de colisão. |
| Os porcos que se cuidem... |
| A capa diz tudo ;) |
| O velho (e bom) Elifoot e seu jogo em texto. |
| O complexo FM2011 |
| Diferente do Elifoot, aqui você "vê" a bola rolar. |
| Modelo branco "fica sujo rápido". |
| O guerreiro de Castle Crashers é o guardião do Xbox 360. |
| Meu avatar "xboxiano" na tela. Meu Gamertag? eliasfigueiroa. |
| Alguns jogos que estarão entre os 1000... |
| Eu com minha cópia do Jogo. Escondendo a nova tela de abertura que surge ao finalizar o game. |
| Como sair daqui? |
| É assim que funciona os portais na teoria ... |
| ... e na prática. |
| Eles são a alegria no modo multiplayer. |
| O belo padrão Zelda de embalagem |
| Minimalista tela de abertura |
| Versão Clássica e a versão DX |
| Foto real: Eu e o tão amado game no Dingoo A-320. |
| Abertura sem firulas. |
| "O que fazer?" |
| Aqui é fácil se perder. |
| Capa em Pixel Art. |
| Fique de olho na temperatura. |
| A icônica abertura |
| Combate face-a-face. |
| Liberdade num mundo "aberto". |
| Revolucionários labirintos 3D |
| Perna pra cima e mão no controle, fui... |