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Muhammad Ali and Cleveland Williams, Houston Astrodome - Photography by Neil Leifer (1966)
Intediado Pedro resolve dar uma volta pelo bairro, ele saiu sozinho, não ligou para seus pais, não respondeu nenhuma mensagem, deixou sua nega na saudade. O telefone no fora do gancho. Afinal, de qualquer maneira, o celular ia tocar a noite toda e ele não estaria lá.
Tudo que queria era apenas fumar alguns cigarros que restaram da ceia passada, enquanto escutava o psicodélico rock’n roll do negro tocador de guitarra. A cada passo que dava sua cabeça ficava mais vaga, o metrô estava aberto mas ele decidiu andar mais algumas quadras, a cada novo passo dado, se esquecia das vitrines, dos carros, pederastas e meretrizes, rua inundada e se percebeu que não precisava de nada para beber, escolheu a loucura de estar sóbrio.
Já havia passado da meia noite quando foi a última vez que olhou para seu relógio, sua única opção era pegar um taxi, no entanto, esperava o farol abrir, ele tropeçou em uma garrafa de champagne de origem francesa que estava no chão, junto a uma mochila de viagem e duas mãos amarrando um par de tenis. Uma olhada rápida até que ela se levantasse e então perguntou se estava tudo bem.
Branca é o tom de sua pele, estatura acima do normal, e um olhar desconfiado, Ingrid respondeu que estava tudo bem. O sinal havia fechado novamente então os dois começaram a conversar, ela ofereceu um trago da bebida e ele seu cigarro. Ela disse que não fumava e continuaram andando. Conversaram por incontáveis quarteirões, pararam para comer alguma coisa, suas idéias se mesclavam nas vielas, ele ainda sem saber nada sobre ela cedeu e tomou um gole de sua bebida, ela sem temer aceitou um trago de seu baseado e por dentro parou de tremer, jogou seu cabelo loiro de lado e com seus olhos azuis, se fixou no sorrido branco dele, sem pretensão alguma ele a convidou para seguir em frente, e sem esperar a resposta continuou andando.
Ela disse que estava cansada e queria parar.
Estamos perto de casa, ele falou. Não quer entrar e tomar alguma coisa?!
Espera um pouco, foi sua resposta, ela então jogou a garrafa no lixo e seguiu os passos até a porta e entrou, pediu licença, deixou a mala no canto do batente e se sentou no sofá.
Sem saber que horas eram ele tirava seu relógio enquanto a cabeça dela deslizava lentamente para baixo.
Do outro lado da cidade outros aclamam para a garota de programa, mostrar suas mamas, um tapinha na bunda e um até mais sem esperança, o sol estava raiando, sem mais cigarros ela se arrumava enquanto ele permanecia deitado. Já vestida ela amarrava seu cabelo, só faltava colocar a calcinha a qual guardava com zelo.
Tenho que ir embora, muito obrigada ela disse.
De nada. Simples assim ele respondeu.
Ele colocou sua calça e á levou até a porta.
Só uma coisa! Qual é seu nome mesmo? Ela perguntou
Ele achou engraçado e sem jeito respondeu: Vamos deixar assim, é melhor não saber, pode ser?
Pode. Quando a gente se encontrar você me fala então. ela respondeu ao mesmo tempo que pegava suas coisas.
Tudo estava posto em sua mala, ela colocou seu óculos de sol, um beijo na bochecha e um até mais e tchau.
Ele fechou a porta, viu as ligações perdidas, as mensagens não respondidas, olhou para a janela, bolou mais um, tomou um café e no sofá mesmo, dormiu.
Sempre fui uma pessoas correta, honesta e quase sempre sincera, respeito os velhinhos, deixo o pedestre atravessar e sempre dou passagem, embora no fundo sempre há uma esperança de ouvir um “obrigado” nunca espero nada em troca.
Cada momento com você é… Felipe eu te amo… preciso de você… por favor, mulher!
Confiar em você? Seu discurso apaixonado é uma reprise opressiva e hoje dou risada por ter acreditado nisso tudo. O respeito que tinha por você madame, acabou, agora tira a calcinha e abre as pernas pra quem você quiser, vadia!
Não preciso de obrigado, de simpatia ao meu lado. Prefiro ficar sozinho, na minha, mesmo sendo a pessoa mais egoísta, burro demais e não entender a piada e engraçado por não saber matemática.
Ha! Ha! Ha!
O que tem tanta graça, seu drama adolescente ou a briga com seus pais? Ve se me erra, seus problemas são seus, sua vida não é a minha e eu não dou a minima o que vai acontecer com você, é assim que funciona, pena é pecado, deus ta do lado, e ele vai julgar.
E era aqui que me perdia, já que eu sou o cuzão por ser gente boa, por jogar na cara o que você tem medo de ouvir e ser o ignorante, por que trocar ideia com você? Otário.
Não vou perder mais meu tempo com coisa que não presta, permanecerei em meu estado ateísta, e viver a minha vida, seja ela lúdica ou mal vista
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Tem coisas que eu quero mas não devo.