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Elsa Villon |
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Pessoa que fala de si mesma em terceira pessoa. É viciada em café, ama Beatles, o Barcelona, paçoca, caneta de ponta fina, seus seis cachorros e cheiro de pão saindo do forno. É jornalista formada, fotógrafa (em constante formação), escritora e poetisa. Ou pelo menos acha que é. Foto: Thamires Zabotto.
Eu falei em um dos primeiros dias que era foda porque tinha gente no meio do protesto pelo Passe Livre usando a situação para depredar carros, bancas de jornais e loja e isso era errado. Falei mesmo e não retiro, porque começa depredando um vidro do metrô e a polícia desce a borracha em todo mundo que está lutando pelo que é certo (ao menos para mim). E falei isso não porque acho que ficar
Ontem eu, no ápice do tédio, estava zapeando os canais quando parei no Discovery H&H. Comecei a ver o programa dos acumuladores e deixei, porque iria passar um especial do Mês da Mulher chamado "Half the Sky". Fiquei interessada e comecei a assistir. O episódio que vi falava do tráfico de crianças (meninas), prostituição sexual e a falta de acesso à educação em países como Serra Leoa, Camboja e
Após 6 anos de luta, finalmente sou jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo. Eu aprendi muitas coisas, como fazer um lead, trabalhar em grupo e principalmente: trabalhar sob pressão e com prazos curtos com excelência e profissionalismo. Se me perguntarem: “Acha que o diploma de jornalismo é obrigatório?” responderei que não, mas valido toda a minha passagem pela Universidade
A foto acima não é autoral, mas poderia ser. Ela na verdade é a ilustração de um estudo (em andamento) que tenho feito acerca dos males do coração. E não estou falando de coronárias. "Beije-me, estúpido" poderia ser o tema de diversos ensaios poéticos (dessa vez autorais) altamente empíricos. Porque eu só me apaixono por estúpidos. O fato de apaixonar-me por estúpidos possui uma vantagem
Era uma quinta-feira nublada e com cara de segunda. Isso em pleno verão. Isso no terceiro dia do ano. Mal havia saído das ressacas (morais ou etílicas) das festas de final de ano e lá estava eu, preocupando-me com o que vestir para a primeira entrevista do ano. E a primeira entrevista depois de formada. Em uma redação. De verdade, daquelas com tipos exóticos que usam All Star amarelo e óculos
"O que o ano novo trará? 365 oportunidades." E não trouxe 2012 ao menos 366 delas? E por quantas vezes as deixamos de lado... A concessão bissexta agraciou nossas expectativas com 24 horas a mais de prazo, mas por que não as agarramos? Porque, penso eu, na ânsia de ir para frente, estamos atados ao que está atrás (sem dualismos).Parafraseando Gessinger e Lindecker com suas "Pouca Vogal":[...] Num
E tal como as crises pré-aniversário já citadas, eis que nesses quase seis anos, surgiram também as coisas que eu já aprendi nos dias que sucederam o dito acréscimo anual natal. Em poucas semanas é possível enxergar muitas coisas que até então, nos eram insolúveis e indistinguíveis. E que do nada, se tornam claras e nítidas. O que já aprendi com 24? Aprendi a aceitar críticas, porque eu falho
Embora muito tenha se passado entre 2007 e 2012, eis o que permeiam: as crises pré-aniversário. E novamente, cá estou para descrever as auguras e dissabores que só a próxima casa decimal natal pode proporcionar, tal como tenho feito esses anos todos. Tem gente que acha que é só uma veia dramática latente promovida pela minha hiperbólica sensibilidade. E talvez seja mesmo, afinal, as pessoas
Nesses meses que sucederam O amor é outra coisa, estive refletindo sobre as expectativas e todas as dores e doenças que ela acarreta. Hoje, posso afirmar - ainda que muitos refutem - a expectativa é uma infecção. E tal como qualquer outra, surge de maneira singela e ínfima, utilizando-se dos recursos do hospedeiro para multiplicar-se. Silenciosa, vai aos poucos crescendo até atingir os órgãos
"Eu sonhei novamente contigo. Que te procurava entre um prédio de apartamentos antigos que nunca vi. Janelas com persianas quebradas que só revelavam metade do que se passava naquela sala iluminada por lâmpadas incandescentes. Sonhei que você parecia confortável e feliz, acolhido e sossegado como nunca pareceu ao meu lado. E que seu pai, vendo a minha melancolia, me oferecia uma carona e sorria
Adoro e detesto essas vicissitudes e idiossincrasias que eclodem em sua personalidade. Sua falta de estabilidade me revolta, mas seus vícios me viciam. Há tempos a lucidez deixou-me e lá estava eu, dando vasão a sentimentos soterrados pela lógica. Que estavam enterrados no meu âmago, esquecidos e inertes. Me permito esse tipo de gincana emocional e mental contigo - e tão somente contigo -
Após a ingestão concentrada de coentro durante duas semanas, estudantes que integravam um projeto pela Universidade Metodista de São Paulo e Faculdade de Medicina do ABC apresentaram um quadro crônico de nostalgia.Ainda não foi feito um estudo ou exames aprofundados, mas dentre os sintomas, destacam-se: crises noturnas de choro, saudade e a vontade de rever e reviver todas as ações realizadas no
Acabei de voltar de um bar com duas das minhas melhores amigas da vida inteira. Elas se juntaram em um complô etílico para afirmar que eu tenho a capacidade de fazer os caras gostarem de mim sem fazer esforço, mas que inevitavelmente, acabo gostando justamente de outro, ao inverso daqueles que eu supostamente atraio. Discordo totalmente. E quando digo isso, digo porque todos os caras que fiquei
Não sei se deveria escrever algo. Parece precoce, apressado. Mas eu senti, e quando eu sinto, eu escrevo. Talvez quem deva ler não leia, mas não me importo. Apenas escrevo. Na verdade eu me importo, porque gosto e o Peninha disse que quando a gente gosta, é claro que a gente cuida. Só não sei cuidar sem machucar. Sou a versão antiga do Merthiolate - arde, mas sara. Também não sei se deveria
Tenho pena de vocêQue não gosta do ABCE só sai pela CAPITALPagando caro para respirar malTenho pena de vocêQue critica o ABCSaiba pois que a zona sulÉ pertinho, que nem a Cupecê Tenho pena de vocêQue nunca veio para o ABCAcha que o Frangó tem a melhor coxinha paulistaMas que não entende que é um lugar elitistaTenho pena de vocêQue nem quer conhecer o ABCA maior pista de skate da América LatinaA
"A vida é uma DST." Li essa frase no twitter de uma amiga certo dia, que a viu estampada na camiseta de um conhecido. Achei brilhante, mas infelizmente desconheço o autor. Espero que um dia esse texto chegue as suas mãos para que ele ou ela possa reinvindicar seus devidos direitos autorais sobre a retórica, os quais terei o devido prazer e honra de citar. Perdida em uma dessas noites de insônia,
Depois de muito pensar no que escrever para abrir os textos do blog esse ano, me rendi a simplesmente não pensar - só escrever. Porque pensar demais às vezes é agir de menos.Nesse combate que travo com o jornalismo há cinco anos, já senti muitas coisas, da euforia à frustração, da inveja à indiferença.Agora, nessa reta (será mesmo uma reta? Parece bem mais uma elipse) final, o TCC está em
Assim como nos anos anteriores, listo agora algumas das coisas que já aprendi aos 23 anos. Pode parecer afobado, mas é real. Poucos dias em outra casa decimal já trazem algumas mudanças. Vamos a algumas delas.Descobri que Pedreira está há 170 km de São Bernardo do Campo (agradeço a Guilherme Spagiari por esse conhecimento empírico).Aprendi que sei muito menos de fotografia e vídeo do que gostaria
Mais um ano se passou desde a última Crise Pré-Aniversário (vide as anteriores Pré-19, Pré-20, Pré-21 e Pré-22). É até engraçado ver o que se passaram nesses 4 anos de blog. A forma como escrevia, sentia, sofria e sorria mudou tanto, que há quem acredite que não é a mesma pessoa. Mas é.Essa crise foi uma Ruth Romcy saindo de todas as lixeiras por qual passava. Um desânimo não mais motivado pelo
Olhar perdidoDe um cão arrependidoQue voltaria atrásSe soubesse o caminhoMas nada sabeSó sabe que caminha sozinhoSem destino
Meu amor vem líquidoMinha paixão, apimentadaMeu tesão vem cítricoMinha fé, gelada
Dentro desse peito ocoSei que ainda guardasUma mágoa de cablocoSei que ainda guardasUm amor um pouco roucoDentro desse meu peito ocoDeitoNada ouçoE esqueçoDo começo louco
Mais para frente vou olhar para trás e rir disso. Mas agora, eu só espero.Em silêncio, mas um um grito e um sapo na garganta, com uma voz que trêmula e que desafina quando tenta soltá-los.Vou rir e pensar no quão tola eu fui, no quanto minha ansiedade e insegurança me sabotaram, no quanto eu podia ter feito, ou não feito, ou até mesmo desfeito, mas que não fiz. E vou achar engraçado.Gargalharei
Acalento a solidão involuntária da noite com uma ansiedade e melancolia que não compreendo.
Fumo um cigarro ainda com a vela e o pedido queimando. A esperança é que quando a chama finalmente apague, a angústia se vá e dê lugar à justiça. A minha justiça, pessoal e intransferível.
A garganta arde, mas o peito a esfria. Já nem sei mais o que quero. Só quero e nem sei de mais nada.
Nessa madrugada só queria ser menos eu. Ser eu me flagela de um jeito único. Por baixo da couraça de cabelo e marra, só a derme sabe o sabor do sal e da água provenientes do próprio corpo.
Os olhos azuis ficam violetas e o vermelho se faz nítido. Em shots incontáveis de água com açúcar, paira o prelúdio de uma ressaca pior que a de tequila.
E a boca outrora imparável berrando suas verdades doces - porém duras - agora decanta o gosto amargo.
Levei 15 anos para perceber que você, embora com quase 1/4 de século, nunca amadureceu mais que 15 anos.
Seu raciocínio perpetuou, sua inteligência idem. Seu talento para essa profissão que eu sabia que era o seu tamanho comprovam isso. Quando te tirei da sua visão equina das coisas, tirei o cabresto que te enfiaram, mostrei que a vida tinha outras trilhas, você brilhou. Foi alto, foi longe. Foi perfeita.
Mas no fundo, ainda é aquela menina mimada, que reprime as coisas e as amargura, com ar blasé, como se tudo fosse desimportante. Como se de fato, sua vida seguisse tão boa quanto suas fotos editadas para ressaltar essa beleza tão natural que não exige nenhuma edição.
Devora homens e livros com uma ânsia para se tornar madura, mulher, sensual, como se precisasse equiparar-se às vadias mais burras e profanas. Já disse, várias e várias vezes: não precisa.
Mas você nunca me escuta. Quebra a bela face na vida dura, se machuca, erra, erra de novo e depois pede colo, pede uísque, pede um tempo. Pede distância.
Só queria que seu orgulho pueril te tirasse dessa jaula de falso feminismo, de falso moralismo, de falsa raiva que só envenena sua própria essência. Porque no fundo, ela é boa. Só está mofada, embolorada com as mágoas que você enterrou no seu ego demasiado frágil para sucumbir ao perdão - aos outros e a si própria.
Eu levei 15 anos para descobrir isso. Mas finalmente, estou livre.
É carinho que a gente desprende um pouco do corpo para repassar aos outros e recebe em dobro quando faz direito.
* Baseado no exercício de edição ministrado por Marcio Yonamine no CCSP em dezembro de 2012, com base no livro “Fragmentos de um discurso amoroso”. BARTHES, Roland
Está fadado
Ao fracasso
Aquele falido ser
Vencido pelo cansaço
Que já não consegue ter
Um pequeno e breve espaço
Para reconhecer
Que não há vítimas, nem almas de aço
Apenas humanos, em seu estado nefasto
Buscando apenas se convencer
De que tudo não passa de mais um grande fiasco
Da piada que é viver
Eu quero que flua
Não quero a obrigação
De um beijo de recepção
Mas me recuso à partida
Sem um beijo de despedida
Seu ou da lua
Alguns raros são de fatos brilhantes
Enquanto a grande maioria se resume aos sebosos
Aquela coisa por canhotos que ninguém explicava. Aquela coisa. Ah, ninguém explicava.
Ofegantes ainda, se olharam emaranhados em lençóis empapados de suor, com os pés entrelaçados, quando ele questionou:
- Posso confessar algo? Eu achei que você fosse lésbica.
E ela respondeu com um sorriso:
- Tudo bem, eu achava que você fosse brocha.
Só sei que acho que sei
E tendo vivido de achismo
Se é dúvida
Já não sei
Bem pode ser conformismo
Se com meu equilíbrio
Eu te tiro do eixo
Me diz como eu desligo
Em qual botão eu mexo?
O que mais me irrita é saber que você nem vai ler isso e está alheio a tudo que eclode em mim como atômicas bombas. Que ignora minha zelosa afeição e afeto, que só procura quando precisa de um ombro ignorando que aqui também bate um coração.
O que mais me irrita é que pouco te importa os porres que tomei, as noites que não dormi, os dias que chorei, o tempo que dediquei para gostar cada vez mais do seu jeito de não se importar.
O que mais me irrita é que nem é culpa sua, mas minha. Porque a indiferença, essa vadia desalmada, é o maior sinal de desapego ao qual eu insisto em me apegar. Pago a hora e não desfruto a puta, fico sentada, conversando, tentando me consolar.
O que mais me irrita é que eu gosto tanto de você que não só o peito, mas o corpo inteiro palpita. Foge do comando racional que prega o “live and let die” e fica querendo ressuscitar o que jaz tal como Inês.
O que mais me irrita é que eu sei que vai passar, só não sei quando. E essa ansiedade crônica e ego não me permitem superar sem deixar para lá pensando nas inúmeras possibilidades não tidas.
O que mais me irrita é que eu disse que não falaria mais sobre, mas não consigo porque me sinto mordendo a guia, tal como “A outra história americana” toda vez que não o faço.
Mas acima de tudo, o que mais me irrita é saber que esse vazio latente só poderia ser preenchido com o seu pedaço.
Fosse tátil como papel
Tudo que tanto sinto e não vejo
Faria fogueira enorme num tonel
Com a combustão do nosso último beijo
Tem vazio que o tempo não preenche. Aquelas lacunas, que tal como as rugas, só são amenizadas, mas não tem botóx que salve.
Tem vazio que o tempo não ocupa. Como um pé de sapato perdido daquela coleção de edição única, que não vai ser relançada. E você fica segurando o pé restante, repleto de nostalgia do par que antes te completava e agora te falta.
Tem vazio que o tempo não ameniza. Como um enorme canal dentário em dente permanente, que já não dói, mas que você sabe que está lá. E sempre vai estar.
Tem vazio que o tempo só agrava. Aquela falta melancólica do que foi e do que poderia ter sido e foi interrompido. Como uma festa junina perdida na infância por conta da catapora.
Tem vazio que só te deixa cheio. De marcas, lembranças e expectativas. Cheio de vazios.
Quanto mais te vejo, menos quero te ver. Tal como a teoria do queijo suíço: quanto mais queijo, mais buracos, quanto mais buracos, menos queijo. Quanto mais queijo, menos queijo.
Quanto mais eu sei de você, menos eu quero saber. Quanto mais observo, menos quero enxergar. Quanto mais me aproximo, mais distante quero estar. Quanto mais gosto, menos quero gostar.
Você é o queijo suíço das relações.
É provável que sua barba já tenha atingido o umbigo, meus cabelos estejam nos calcanhares e toda essa efervescência de sentimentos e expectativas já tenha passado. E é até melhor assim.
Não tivemos pouco mais de um mês de frases doces e acho que ambos pusemos o carro na frente dos bois. E entre sua hesitação e a minha excitação criamos algo insustentável - tal como aqueles causos rápidos de dor e febre, loucura e coito, distância e vazio que o García Márquez descreve com tanto esmero. E por que não? Afinal, seu sobrenome parece saído de uma dessas obras.
O que quero dizer é que minha ansiedade e seu ceticismo para o amor “que não existe”, ou que ao menos, “não existem em mim” cabem nas obras do Gabito. E que isso não é bom, ou ruim, apenas uma constatação feita por uma quase-jornalista de apenas 20 e poucos anos.
Só quero dizer que te acho fascinante em diversos aspectos e com seus mais latentes defeitos - e que em algum futuro livro meu, haverá um pouco de você. Ou talvez muito. Sou assim, hiperbólica nas sensações, talvez por isso o meu corpo me rejeite, como você bem enfatizou. Penso eu que meus espasmos noturnos sejam minha alma querendo desatrelar-se e fugir por ai, procurando um Pub, algumas cervejas e uma jukebox que só toque Beatles.
Não espero uma resposta, algum sinal de que concorda ou discorda, uma declaração de amor ou desprezo. Não espero mais nada, pois a espera é a maior das expectativas e quando se fala dessas coisas do coração, é melhor não esperar. Tenho muita sede de afeto que você não pode, não quer e não pretende saciar.
Esse amor eu levaria para além dos tempos do cólera, todavia não sei se suporto 100 anos de solidão. Me sinto tal qual uma das moças dos contos peregrinos, que só veio para telefonar e acabou tida como louca. Ou aquela que no ápice da reciprocidade de seu sentimento mais profundo, é ferida pela rosa e morre de hemorragia.
Freud não explica:
- Porque quando a mulher fica brava, ela parece cabrita;
- Porque coração em peito apaixonado tanto palpita;
- Porque olhar de viciado brilha mais que pepita;
- Porque quando pode dar errado, tem gente que hesita;
- Porque em período cagado Mercúrio não transita.
As coisas que fazem você diferente.
As coisas diferentes que você faz.
As coisas diferentes que fazem você.
Você indiferente às coisas que faz.
As coisas indiferentes que fazem de você diferente.
As diferentes coisas que te fazem indiferente.
A indiferença às coisas diferentes que você faz.