Charles Cadé
Charles Cadé - O filho canhoto de dona Maria: ouve muito, lê em demasia e acredita na frase "cinema é a maior diversão". É jornalista e consultor de comunicação.
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By identifying trends, I help clients understand their current and future markets better.
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I’m Bruce Lee, documentário sobre o mestre das artes marciais. Estreia hoje, nos EUA. O vídeo não parece promissor: apesar do título apontar para a primeira pessoa do singular, há pouco de Bruce Lee. O trailer se concentra em depoimentos de celebridades diversas, de atores a atletas. A não ser como fãs, são pessoas que não possuem ligação clara com Lee. Essa falta de embasamento resulta em declarações sobre o mito recheadas de clichês, como dizer que ele era “o Elvis das artes marciais”. Espero que jogar essa quantidade de celebridades no trailer seja apenas estratégia de divulgação, e que o filme seja mais rico que isso.
Em 1993, essa história já havia chegado à tela grande: Dragão – A História de Bruce Lee (1993). Trailer abaixo. Pivete, assisti duas vezes seguidas. Naquele tempo, você pagava para entrar no cinema e saía após assistir quantas vezes quisesse. Há quem tenha passado grande parte de períodos letivos numa sala de cinema.
Aliás, a década de 1990 marcou um breve renascimento dos filmes de lutas marciais. Na maioria das vezes, traziam o termo Shaolin no título. Esses filmes, bem como os protagonizados por novos astros das lutas, não conseguiram criar um nome tão cultuado quanto Bruce Lee, cuja influência suplanta o mundo das artes marciais: Lee virou fenônemo da cultura popular.
Até porque Lee não era conhecido apenas por sua carreira artística ou aptidão física (flexões sobre os dedos e “soco de uma polegada” são alguns de seus feitos). Ele também desenvolveu o Jeet Kune Do (recentemente rebatizado de Jun Fan Jeet Kune Do), um novo sistema de arte marcial. Ademais, lançou livros, obras que utilizada para entregar ensinamentos das artes marciais, bem como traziam seus pensamentos filosóficos. Para ele, as artes marciais eram uma metáfora para sua filosofia de vida.
Conheço gente que resolveu mudar seu destino após achar um livro sobre a filosofia de combate de Bruce Lee. Para essa pessoa, foi um sinal. Por isso, ela mudou da região Sudeste para o Nordeste do Brasil, local onde encontrou a obra rara.
Agora falta contar a história da (curta) vida do filho dele, Brandon Lee, que morreu durante a produção de um filme. Um ano após a cinebiografia da lenda, O Corvo (The Crow, 1994) virou fenômeno juvenil.
Por breve período, Brandon foi bastante cultuado. O público não era o mesmo que seu pai conquistou: para os mais jovens, ele virou uma espécie de James Dean gótico. A ótima trilha do filme ajudava: The Cure, Stone Temple Pilots, Violent Femmes, Nine Inch Nails (com Dead Souls, do Joy Division), Rage Against The Machine, The Jesus and Mary Chain…
“O amor … é de outro mundo”. O filme, escrito e dirigido por Nacho Vigalondo, mistura ficção científica, comédia e drama.
CéU liberou, na sua fan page no Facebook, o download da faixa Retrovisor. Para entrar no clima do próximo disco da cantora, Caravana Sereia Bloom.
A versão norte-americana da trilogia trilogia Millennium estreou recentemente no Brasil. Não é a primeira vez que a obra de Stieg Larsson foi adaptada para o cinema. Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (trailer abaixo), A Menina Que Brincava Com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar foram lançados em 2009, pelas mãos de uma equipe europeia. O resultado foi bem-sucedido.
Se não conhece a obra sobre a parceria de um jornalista e uma hacker para investigar o sumiço de uma garota rica, chegou o momento de abandonar esse texto. Daqui para a frente, spoilers serão presentes.
Por saber os destinos da trama (já havia visto os filmes anteriores), minha mente prestava menos atenção no enredo em si e se divertia associando o que era mostrado com a adaptação anterior. Surge, então, a pergunta: Quem é a melhor Lisbeth Salander? Chegaremos a esse ponto. Não agora.
David Fincher é um dos meus cineastas preferidos. O diretor de filmes como Seven – Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Zodíaco (o melhor do seu currículo) começa muito bem sua releitura do texto de Larsson. Os créditos iniciais são geniais.
Claro, há mais dinheiro envolvido. O que reflete em melhor apuro técnico. Mas, ao utilizar máquina de Hollywood, há igualmente consequências negativas. As escolhas do elenco denotam outra abordagem. O Mikael Blomkvist “alternativo”, com seu físico “diferenciado”, representa melhor a derrocada do personagem. Ora, Mikael está na pior. Sem dinheiro. Sem companheira. Sua carreira está ameaçada. Seu tropeço profissional espantou antigos colegas. O passo seguinte soa natural. Ele pode até não achar interessante a proposta de trabalho, mas ele PRECISA dela, já que não tem escolha. Pode representar sua redenção financeira e lançar um desafio para uma pessoa que encontra-se no ostracismo.
Na versão USA surge um galã. Não que Daniel Craig seja mal ator. Do contrário. Apenas está no lugar errado. Tipo Russell Crowe e seu marombado matemático de Uma Mente Brilhante. Craig não representa bem a sensação de desesperado e urgência que o personagem pede. A culpa não é dele. O contexto é outro. Seu Mikael é mais confiante. É cercado de pessoas queridas, como sua filha (inexistente na obra anterior) e sua amante-editora compreensiva. Ele não parece alguém desamparado, que sofreu grande baque. Por isso, pensa em rejeitar o trabalho proposto. Para ele, é uma opção. Para o outro Mikael, não.
Embora seja mais nítida na parte final, as mudanças narrativas podem ser percebidas em todo o filme. O tom é outro: tudo é mais explicado. Em alguns momentos, isso se mostra relevante; tramas são melhor desenvolvidas. Entretanto, o filme perde sutilezas, vira um trabalho didático. A filha de Mikael só existe para revelar uma informação. Depois de dar seu recado, some. Mostrar todos os passos do golpe feito por Lisbeth no final do filme é outro exemplo.
Não é apenas no texto que o filme tenta orientar o telespectador. Visualmente, tudo que é importante para a trama é sublinhado. Lisbeth pode ter escondido uma câmera na sua bolsa, mas Fincher mostra logo que há algo ali ao enquadrá-la num close nada sutil. Noutro momento, quando Mikael se instala no chalé, ele tenta usar seu celular. Mas o sinal é fraco, a ligação não completa. O personagem pragueja. Você já fica avisado: lá para a frente, haverá problemas de comunicação.
Por outro lado… No filme anterior, Mikael e Lisbeth, depois de se conhecerem, passam a maior parte do tempo juntos. Daí surge a empatia, cumplicidade entre eles. É através do convívio que Lisbeth, cheia de traumas em sua vida e recém-estuprada, começa a baixar (minimamente) sua guarda para outra pessoa.
Na versão USA, eles passam a maior parte do tempo pesquisando em lugares distintos. Com isso, a investigação fica mais crível. Entretanto, mesmo a interação sendo mínima, a relação se desenvolve, a intimidade é criada. A cumplicidade, tão presente na outra versão, soa forçada aqui. O novo filme perde muito com isso.
E a melhor Lisbeth? A pergunta não faz sentido. Noomi Rapace e Rooney Mara apresentam atuações maravilhosas. Mas interpretam personagens distintos. A Lisbeth de Noomi soa como um animal acuado, mas poderoso, que responde quando é necessário. Seria a personificação da máxima “o que não nos destrói, torna-nos mais fortes”.
Já Rooney vai por outro caminho. Sua Lisbeth é contida. Seu olhar é amedrontado, vacilante. Sai de cena a pessoa que domina a situação, mesmo quando o que surge é adverso. Mara, em situações extremas, reage. Mas soa menos destemida que outrora. No outro filme, ela aparece desafiadora ao lidar com um assalto. Agora, sua conquista parece menor. Mesmo no cotidiano ela ocupa papel secundário. Como ocorre na discoteca. O início do flerte não cabe a ela.
No final, apesar de Noomi ter se aproximado de Mikael, ela opta por recuar. A paixão deixou que ele chegasse muito perto. E ela não está pronta a mostrar o que sempre ocultou. Já Mara revela-se. Conta seu histórico problemático de pronto. Mikael não precisa insistir, basta perguntar uma única vez.
A personagem é a mesma, mas a forma como lidam com seus traumas são distintos. Para Noomi, o mais importante é se proteger. Ela teme o que não lhe é familiar, posto que sofreu. Rooney, por outro lado, quer preencher um vazio. Carece disso.
Rooney chega ao ponto de revelar que gosta de trabalhar com Mikael. Noomi não revela com palavras o que sente, mas sim com ações, algo que foi sonegado à nova Lisbeth. Para agir, ela precisa do consentimento de Mikael. Em determinado momento, ela pergunta: posso matar quem lhe machucou?
No geral, o filme busca justificar as escolhas de Rooney. “Goste dessa garota, ela é excêntrica mas tem bom coração”. Ora, o outro filme conseguia isso de forma natural. Tudo era mais urgente e empolgante. Lisbeth é única. Ponto. Mesmo quando parece que os instintos da nova Lisbeth vão dominar, a mão do destino vem para domá-la. Na cena da morte de um dos personagens principais, Rooney foi transformada em mera espectadora. Mais diferente, impossível.
David Fincher fez uma versão “suecada”? Longe disso. Gostei do filme. Ele perde, e muito, por ter uma base de comparação. Há muita sombra: o filme anterior, a obra literária… Algumas de suas mudanças mostraram-se mais interessantes. O real propósito da estadia de Mikael é escondido. Ele não está investigando o sumiço de uma garota, mas sim escrevendo a biografia de um empresário. Na versão anterior, soa estranho uma família tão desunida cooperar, mesmo que de forma relutante.
O problema maior não são escolhas pontuais do roteiro, mas abdicar da força dos personagens, que surgem bem menos cativantes do que na versão anterior. Por mais que Rooney defenda com propriedade sua personagem, a Lisbeth “norte-americana” carece de valentia. Logo ela, outrora personificação da resistência e da coragem. Lisbeth virou apenas uma geek introvertida, sem muitas nuances adicionais. Muitas vezes desperta compaixão, não simpatia. Seu desfecho é se machucar. Mais uma vez.
Para além das comparações artísticas, quando penso nessa que é uma das personagens mais carismáticas dos últimos tempos, penso em Noomi Rapace. Ela é a minha Lisbeth.
****
No filme, o que não falta é divulgação de produto. Nokia, Sony, Epson estão por lá, muitas vezes de forma nada sutil. E equivocada, eu acrescentaria. A logomarca da Nokia, por exemplo, é associada a modelos antigos de celular. E ainda tem a cena do telefone que não dá linha…
Nada que chegue perto da Sony, todavia. Um netbook da empresa é usado para dar mais proteção ao chalé. Bacana. Entretanto… Gosto desses portáteis menores, mas é uma categoria de produto que vem perdendo mercado. Muitas empresas já anunciaram que não vão mais produzir netbooks. Faz sentido investir na sua divulgação? Ah, mas também aparece um Vaio, o topo de linha entre os notebooks da Sony. Sim, mas ele está desligado.
Já os Macbooks estão sempre funcionando. Vários personagens aparecem produzindo num produto da Apple. Lisbeth, que sabe tudo de tecnologia, escolheu um deles.
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