calorina

Fêmea alfa, insônica, bully, descrente. contato: carolinaminhafilha@gmail.com

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June 21, 09:06 AM

Gente. Vocês realmente não estão muito bem.

Escrevi este texto na Revista Bula e meu e-mail nunca mais parou.

Muita gente sofrendo por aí e com uns pensamentos bem tendendo ao médio. Recomendo tratamento.

Beijo.


June 21, 08:50 AM

Na sexta, como de costume, minha brilhante e agressiva coluna no Maketing na Cozinha saiu. Tudo muito bem, tudo normal, algumas moças enfurecidas, aquela discussão linda rolando.

Fui ver a vida lá fora. E uma moça que faz cupcakes foi mais esperta que todo mundo que ficou reclamando e reverteu a coisa a seu favor.

Aqui, ó. Parabéns Luana.


June 16, 07:21 PM

Hoje eu assinei a venda do último resquício físico que eu tinha do meu pai.

Passei o dia ouvindo jazz. Não tive coragem de ouvir Billie. Billie Holiday seria acrescer calúnia à injúria e espremer meu coração de tal forma, que eu honestamente precisaria de um show do Paul Macca pra me recuperar. E cá entre nós, um show do Paul Macca não uma coxinha de frango com catupiry.

Então passei o dia com Ella.

Sentei agora pra escrever ouvindo Summertime e advinhem: lágrimas escorrendo.

Ô Calorina, que jeitinho esse seu de viver sem deixar passar nenhum detalhe, e sem negligenciar nenhuma sutileza. Chorando. Copiosamente. Puta merda, Ella, me abraça e promete que chegou o verão.

Summertime and the livin’ is easy
Fish are jumpin’ and the cotton is high
Oh your daddy’s rich and your ma is good lookin’
So hush little baby, don’t you cry
One of these mornings
You’re goin’ to rise up singing
Then you’ll spread your wings
And you’ll take the sky
But till that morning
There’s a nothin’ can harm you
With daddy and mammy standin’ by


June 11, 11:38 AM

You’ve Got Her In Your Pocket

You’ve got her in your pocket
And there’s no way out now
Put it in the safe and lock it
’cause it’s at home sweet home

Nobody ever told you that it was the wrong way
To trick a woman, make her feel she did it her way
And you’ll be there if she ever feels blue
And you’ll be there when she finds someone new
What to do
Well you know

You keep her in your pocket
Where there’s no way out now
Put it in a safe a lock it
’cause it’s home sweet home

The smile on your face made her think she had the right one
Then she thought she was sure
By the way you two could have fun
But now she might leave
Like she’s threatened before
Grab hold of her fast
Before her feet leave the floor
And she’s out the door
’cause you want

To keep her in your pocket
Where there’s no way out now
Put it in a safe a lock it
’cause it’s home sweet home

And in your own mind
You know you’re lucky just to know her
And in the beginning all you wanted was to show her
But now you’re scared
You think she’s running away
You search in your hand for something clever to say
Don’t go away
’cause I want

To keep you in my pocket
Where there’s no way out now
Put it in a safe a lock it
’cause it’s home sweet home
Home sweet home


June 10, 10:00 AM

Vem ler gente! (Pros retardatários que ainda não leram.)


June 10, 09:53 AM

Trolei compra coletivas, sexta passada no Marketing na Cozinha.


June 08, 03:10 PM

Por causa deste texto publicado no GP.

Gente mais histérica, sem senso de humor, credo. Chegou uma hora que eu parei de ler os comentários no blog do Flavio Gomes pra não me chatear.


Revista Bula

Para ler os textos clique no link abaixo

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February 22, 09:29 PM

Fiquei um tempo longe porque tava num lugar bem interessante, para onde um dia, pretendo voltar. Lá podia fazer sexo ao ar livre. Fumar sem ser censurado. Falar mal dos outros dava câncer. Ser invejoso, também. As árvores tocavam música. Não existiam mosquitos. Nem baratas. A gente se drogava sem ter bad trip. Doces e …

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February 17, 09:26 PM

Eu tava comentando com a Laura de um livro desses antropologicoides sobre família e tale coisa, que uma das coisas fundamentais para o filho ter uma cabeça boa é cultivar a auto estima dele na primeiríssima infância, e falei sobre as sugestões de como fazer isso: elogiar o filho, não ressaltar o fato dele ser …

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February 16, 09:03 PM

Ele estava na casa de uma amiga, por conta do aniversário dela. Deveriam estar umas vinte pessoas, sendo que muitas ele nem conhecia. Mas quem lhe chamou a atenção foi a loirinha de olhos verdes e blusa decotada, que, de tempos em tempos, sorria um sorriso daqueles capazes de fazer o coração disparar. Armado de …

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February 11, 05:25 AM

Sim, colocar o nome de uma música do Elvis no título do post já pode parecer um truque sujo pra angariar leitores e nem vou me dar ao trabalho de elaborar uma defesa. Porém, acho que anda faltando isso: um pouco menos de conversa. De “conversinha”, no caso. Não falo pelos meus amigos, mas de …

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February 06, 05:53 AM

Uma vez, numa pós graduação, Dona Rose pediu para eu corrigir um texto dela. Era sobre sua relação com a sala de aula e vi que sim, ela nasceu para isso. Montava mesa no quintal da casa da minha vó para dar aula particular pros vizinhos. Isso quando ela também era criança. Já com três …

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February 04, 06:43 AM

Pode ser que esse texto não faça o menor sentido pra quem não vê 24 Horas, posso lidar com isso. Mas o carisma é algo tão foda que faz com que o Tony Almeida saia da condição de super heroi da nação para facínora mor, mas ainda assim, eu siga gostando dele. Claro que o …

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February 02, 09:13 PM

A tarde já passava da metade quando a mulher entrou em casa, apressada e carregando duas sacolas. Havia passado a manhã no cabelereiro, almoçado rapidamente na rua e dali partira correndo para buscar seu vestido e os sapatos. O tempo era curto, e esperava que o marido e seus filhos já estivessem se arrumando para …

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January 27, 09:18 PM

Em “Febre de Bola”, o Nick Hornby diz que os obsessivos tem uma memória mais CRIATIVA que os… não sei como ele chama “os outros” que não são obsessivos, mas eu me sinto muito à vontade para chamar de “pessoas normais” todos aqueles que não dão a mesma resposta que eu dei para a minha …

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January 23, 09:30 PM

- Filho, bebe essa água benta que pus teu nome na oração do padre, é pra você encontrar seu caminho na vida. - Menino, larga desse cigarro, você é tão inteligente e tão cheio de ideias pra ficar colocando essa porcaria na boca. - Sai desse computador, isso só atrasa tua vida. - Cara, para …

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January 21, 06:01 AM

No último fim de semana, eu estava numa Livraria Cultura com o Duda e a Laura e enquanto ele explorava o território, fui dar uma descansada no revezamento de turnos e vi dois carinhas conversando: - Ah cara, não tive dúvida, os dois eram de 340 metros quadrados, mas a diferença era 6 vagas na …

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December 22, 09:00 PM

Pra começar, eu odeio calor. ODEIO.CALOR.

Mesmo se estiver numa praia paradisíaca. Odeio transpirar, sim mesmo durante o sexo. Mesmo se for sexo enlouquecedoramente delicioso, pra mim seria infinitamente mais delicioso se não tivesse suor. Transpirar é indigno. E sabe, eu passei dos 30, eu preciso de cremes e maquiagens pra ficar com carinha de 24. Camadas e mais camadas. Calor derrete toda a minha jovialidade. Calor é tão filho da puta que chega ao ponto de humilhação de te fazer ficar com bigodinho de suor na boate.

21 de Dezembro, começa oficialmente o calor.

Ok, temos que lidar, faz parte da vida e de viver neste enorme parque temático chamado Brasil. Calor liga as turbinas e chega-chegando, deixando o pessoal das firmas que trabalham montados de mini executivos e excutivas, nivel gerência pra baixo, desfilando por aí no máximo possível da elegância fibra-poliesteriana. Tenho 2 exemplos pra vocês:

1. Terninho rosa bebê de tergal;
2. Terno, gravata, camisa de manga curta amarelo-bebê.

Aí acontece outra coisa que me irrita profundamente em Dezembro: a árvore de Natal do Parque do Ibirapuera. Certo que na sua cidade também tem uma, mas aqui a fauna local acha que é programa parar o carro pra tirar foto em frente da porra da puta da árvore. E o trânsito, que já não é dos melhores, fica um caos. Tenho inclusive uma tese  de que se quiserem mesmo povoar o Acre é só montar a árvore de Natal do Ibirapuera por lá que o povo vai atrás.

“Ah, mas essas tradições são bacanas”. Naonde? Explica?

Noventa por cento das pessoas, arredondando pra baixo, passam o ano sendo puramente egoístas e escrotos  e agora vem com espírito cristão e flores pra Iemanjá. Pegar na enxada o resto do ano pra fazer a vida dar certo, e ser menos egoísta ninguém quer. Mas comprar vestido vermelho de alcinha, e jogar lixo no mar de calcinha vermelha todo mundo quer.

Entendo. E nem cheguei na parte dos comes e bebes. Mas vou chegar. Cheguei.

Fato 1: eu bebo. Sempre que posso, sempre que tenho dinheiro, sempre que tenho com quem. Eu saio pra beber. E saio pra jantar, e pra ir na Livraria Cultura e ao cinema. Esse é meu clube, essa é minha vida. Com algum método e planejamento, consigo evitar aglomerações e desconforto. Só descobrir os hábitos da manada e aproveitar as lacunas. Vida ermitã segue feliz e prazerosa.

Mas não no mês de dezembro. Porque? Festas de firma. Amigos secretos. Encerramentos de ano. Confraternização do pessoal do trabalho. Despedidas.

Meu cu. Essa gente que entope os lugares não sabe nem se portar num ambiente que vende bebida alcoólica. Eu vejo vocês, funcionários de cartórios, contabilidades, bancos, seguradoras, etc. Eu vejo vocês dançando com a gravata na testa, e os seios pulando pra fora da camisa social com elastano que é pelo menos 1 tamanho menor que o seu. Aquele botão da dignidade que evita que o seios pulem se segurando como pode. E vejo vocês pedindo pro DJ tocar Papanamericano.

E dou risada. Me irrito mas dou risada. Mas e vocês? Que vão continuar trabalhando juntos, diariamente. Então pensem na possibilidade de sair e perder o melhor da festa, antes que o melhor da festa seja o seu pior.

Dezembro é como se fosse uma micareta, uma histeria, um amor se espalhando mais rápido que DST. Um sentimentalismo que invariavelmente vai fazer o telefone tocar. E vai ser algum parente, confirmando que o Natal vai ser naquele núcleo familiar. Já não se sabe se por prazer, por tradição ou porque ninguém mais se ofereceu pra fazer a função.

(Menos vocês, meus parentes, amo todo mundo.)

E a partir deste dia tudo vira uma corrida contra o tempo: listar e tirar da lista quem vai ser agraciado com presente. Listar e riscar da lista os assuntos que devem ser evitados. Pensar no que vestir, pensar no que dizer, pensar nos assuntos que você ainda tem em comum com aquela gente. Um exercício cansativo e que no fim das contas você só faz por obrigação, ou pra saber como anda aquele núcleo da família que você não suporta.

Tudo isso talvez valesse a pena, se a comida fosse um manjar dos Deuses, mas não é. As pessoas não sabem mais nem fazer arroz branco soltinho e bem temperado, vão saber assar peru sem ficar seco? E aí acrescentam o que como acompanhamento? Farofa. Minha tese é que na verdade isso foi pensado pra formar um massa de concreto dentro da boca e ninguém conseguir falar muita coisa.

Aí têm as famílias que te fazem comer antes da meia- noite, e aí as crianças fica histéricas de tanto panetone e pavê que comeram, correm pela sala informando quanto tempo falta pra meia noite, de cinco em cinco minutos. Têm as famílias que te fazem morrer de fome até a meia noite, e aí você come depois da distribuição dos presentes, tropeçando em papel amassado pra ir se servir entre bazucas de plástico e bonecas que falam.

“Pelo menos dá pra encher a cara de champanhe”. Defina “champanhe”.

Enche, enche a cara do espumante, mas enche até ter vontade de colocar a a Simone no YouTube cantando “Então é Natal”. E no dia seguinte me conta de não ‘algo próximo da morte ter que acordar com despertador e ressaca, pra começar tudo de novo, agora versão diurna.

Aí tem o reveillon, que se você for esperto e tiver dinheiro pega um avião e vai pra longe, bem longe. Ou vai pro interior encontrar família e fazer cosplay do Natal, ou vai pra praia pegar trânsito e ter que conviver com a humanidade no seu pior.

Ou fica em casa, bem quietinho, numa dessas metrópoles que ficam vazias e deliciosas.

Rancorosa, anti social, recalcada?

Experimenta ser honesto com a parentada durante toda a noite de Natal e toda a noite de Reveillon. Essa coisa de espírito de final de ano foi inventada pras pessoas entrarem num transe coletivo, e se esquecerem o que realmente pensam sobre os outros. Experimenta no abraço de Reveillon dizer: “espero que seu marido pare de botar chifres em você”, “espero que seu pau volte a funcionar, espero que você crie vergonha na cara e arrume um emprego, espero que você finalmente emagreça”, “espero que seu filho apareça mais bem educado”, “tomara que sua filha adolescente pirigueti não engravide”, “espero que você pare de fumar tanta maconha”, “que neste ano que vem você me chupe mais e me aborreça menos”, “que você entre numa academia e dê jeito nessa bunda caída”, “que sua barriga de chope não aumente mais”.

Experimentem honestidade, e depois me contem como foi.

Aposto que vai ser horrível, mas aposto também que ano que vem o seu telefone vai tocar de novo com um convite. É o espírito de Natal, forçando a gente a se amar, pra fingir que o mundo faz sentido e que tende a melhorar.

Mas é mentira. Vai continuar tudo igual.

November 03, 11:27 PM

Ai gente, um sofrimento. Vigésima e última “página” do Jantando no Orkut. Não que tenha acontecido nada, mas vocês não me odeiam mais, todo mundo aprendeu a levar cutucão feito mocinho e mocinha e a coisa chegou temporariamente ao fim. Outras séries virão, jamais largaria esse tal Marketing na Cozinha que virou minha segunda casa fora do meu reino de sites e blogs próprios. Falei mal de muita gente, involuntariamente, e de muita coisa. Os ofendidos que me desculpem, mas um pouco de contrariedade não faz mal a ninguém. Bom aprender a engolir o choro.Das coisas boas: as pessoas que eu conheci. Pessoalmente e virtualmente. Chefs, amantes da boa mesa, personalidades dionisíacas.  Gente de excesso de paixão, de prazeres exagerados e de coragem pra dizer o que pensa e defender o que sente. Gente atenta pros detalhes. Porra, sério, isso vale para caralho. Num mundo massificado, Deus existe de fato nas pequenas coisas.

Gente hiperbólica pra concordar ou discordar. Como não amar? Gente que defende o churrasco de cupim, a feijoada completa, a caipirinha tradicional, o brigadeiro negrinho. Gente que entende a importância dos detalhes. Gente que preza a honestidade e a verdade na vida.

Por isso esse último Jantando no Orkut não poderia ser sobre outro assunto que não comida vegetariana. Ou você é vegetariano ou monogâmico. É impossível negar mais de uma natureza do homem.

Primeiro porque é um vespeiro. E a gente adora um vespeiro desses bem cheios de insetos peçonhentos. Segundo porque muito me irrita a hipocrisia da maioria dessas pessoas. Porque são vegetarianos que usam couro. Ou vegetarianos que bebem leite. Ou vegetarianos que comem ovos. Ou o pior tipo: vegetarianos que comem peixe.

Esses todos são meio fajutos mas pelo menos não são dementes como os veganos. Vegan é o fulano que não come nada de origem animal. Ovo, leite…nada. Minha tese é: antigamente só tinha vegetariano, mas conforme o mundo foi aceitando, alguns resolveram levar a coisa pra um nível ainda mais paranóico e radicalizar.

Curiosidade: TEM VEGANO TÃO CRETINO QUE SÓ COME FRUTA QUE CAI DO PÉ. ELES ACHAM UMA VIOLÊNCIA ARRANCAR A FRUTA DA ÁRVORE…COME PEDRA ENTÃO!! (Tá em caixa alta porque eu fico puta, isso merece uma coça de toalha molhada.)

E piora ainda mais. Existe uma nova onda de jovens “engajados” e “conscientes” que além de serem vegetarianos de araque, ainda tem um discurso politizado mais de araque ainda. São os hippies moderninhos que tem iPhone, ou que são anti-capitalistas que moram com a mamãe e o papai até trocentos anos. Ou fazem USP, ganham mesada e acabam estigmatizando um monte de gente que tá quieto cuidando da vida.

Aliás, muito a se pensar sobre esses USPianos pseudo-politizadões.

Disseram no twitter (me perdi nas arrobas, se manifestem os autores nos comentários), e no meu gtalk:
- Vegetarianos são aquela gente chata que faz uma comida até que boa.
- Vegetariano – adj. 1. Apelido que os ancestrais davam ao idiota da tribo que não sabia caçar e pescar.
- Vegan que guarda moeda no porquinho = poser.
- Pros vegans, sorriso com alface no dente vale mais do que uma piscadinha
- Vegan que não assiste filme porque a película é feita de gelatina animal, vê se não dá vontade de bater.
- Tourada vegan: uma arena, um toureiro e um pé de palmito. desafio: cortar o pé de palmito e botar num pote. riscos: botulismo.
- Quando meu filho me perguntar “O que é contradição?” vou responder “Um vegetariano de bota de couro”.

E eu me pergunto: a melhor forma de provar o ponto deles não seria por exemplo? Levar uma vida feliz e realizada sem cagar regra na cabeça das pessoas? Sem tentar convencer pela culpa? Sem tentar me diminuir enquanto ser humano caso eu não compactue das virtudes aparentemente óbvias deles? Troco ter razão por uma vida com bacon.

Outra coisa: vegetarianos/veganos xiitas, são além de gastronomicamente difíceis, socialmente inviáveis pra qualquer pessoa que não concorde 100% com eles. Como a pirigueti que quer arrumar marido de qualquer jeito. Gente monotemática, enfadonha e prepotente.

Não comer carne não faz de você um ser iluminado. Não garante nem que você seja uma pessoa bacana. Aí o que acontece? Os caras se fecham em uma tribo que execra qualquer um que não marque “x” na caixa ao final dos termos deles de uso do mundo. Sempre que eu entro num restaurante vegetariano eu acho que todo mundo tem cara de “a gente é tão melhor que o resto”.

Radicalismo é um troço escroto e gente monotemática é um porre. Gente monotemática e hipócrita é só uma piada. Ruim.

Outro dia desses tava resmungando sobre imbecilidade que habita o cérebro da namorada de um amigo, pra uma outra amiga que me explicou como consegue conviver com a escrotidão superficial da moça: “fulana é como aquela tia velha falastrona e meio demente que não cala a boca um minuto, e que você coloca sentadinha no canto da sala nas reuniões familiares. Nem ouço o que ela fala.”- é isso que 85% dos vegetarianos, hippies, militantes habitantes de bairros moderninhos são pra mim.  Vejo as bocas se movendo mas não ouço som algum saindo.

Quero ver quantos deles seguirão com essas convicções daqui a 10 anos. Ou 15. Ou assim que mesada de papai acabar. Ou a modinha hippie-hipster passar. E acreditem, vai passar. Enquanto não passa a gente vai convivendo pacificamente mas julgando em silêncio, de olho nos atos falhos. Beber leite de vaca não pode, mas pode leite de soja transgênica de fazenda de político mensaleiro.

Só sei que se inventaram o hamburguer de soja, estou aguardando o lançamento da alface de bacon. Aí me jogo na salada. E já adianto: isso não é uma democracia, não é pra você ter xilique com a nossa opinião. A gente pensa assim… Se você quer dizer o contrário, abre um blog e escreve o que você quiser. Ah, a beleza da liberdade de expressão.

Aqui a gente curte uma carne de qualquer espécie… Sangrando, na grelha, no espeto… Vivam com isso, comendo alfaces suicidas ou feijões mágicos.

Amores da tia, tô armando com o Rafael a nova coluna que logo menos deve aparecer. Foi um prazer, voltarei em breve com mais textos sobre nossa venerada cozinha. Foi um universo de pessoas, lugares, experiências que se abriu logo que eu aceitei ser colunista por aqui. Podem ter certeza que não vou me afastar.

S2

October 09, 11:00 PM

Tem coisas que mesmo quando são ruins, são divertidas. Você come com os amigos, você se diverte, você conta causos, bebe e dá risada de histórias hilárias de outrora. Tudo muito válido, tudo muito bacana. Mas não existe divertimento no mundo que justifique a imbecilidade do que está acontecendo. Churrasco virou uma coisa assim, que em tese é muito cabana mas que na verdade de bacana sobrou muito pouco.
Primeiro, homens: aquele churrasco que o seu amigo te convidou, na casa do amigo do amigo, que é só pra levar cerveja e que vai ter um monte de gostosa: cilada. Porque  gostosa tem coisa mais interessante que ir dar pinta em churrasco do amigo do amigo do amigo. Entendam isso de uma vez por todas.Outra coisa, que a gente já até tratou aqui: se você levar cerveja barata, beba cerveja barata. É moralmente errado você levar Bavaria e beber Stella.Mulheres: eles não vão só “dar uma passadinha rápida” no churrasco dos caras. Se você não quer ir na porcaria do churrasco, arruma outra coisa pra fazer e deixa o bofe ir sozinho. Vai ficar tudo bem. Eles vão ficar enchendo a cara e suando em volta da churrasqueira, falando de mulheres e carros que provavelmente nunca vão ter. Ou de futebol. Nada que ameace a relação de vocês. Parem de pentelhar.

Falando em mulher pentelha, coisa que eu julgo é a mala da mulher que fica na beira da churrasqueira pedindo pra deixar a linguiça “bem torradinha”. Porque, no caso, ela quer dizer queimada. A linguiça foi feita daquele jeito, pra existir aquela gordurinha dentro. Entre crua e tão torrada que a gordura sumiu, existe um meio termo. Esse meio termo que as pessoas comem. Se você quer a linguiça queimada, pra sumir a gordura, prefira salsicha. Melhor, prefira sanduíche de vinagrete.

Caro churrasqueiro: eu julgo pra caralho gente que só faz churrasco de picanha. Me chama de pobre, me chama de porca, me chama do que quiser, mas se você só faz churrasco de picanha você pra mim é um tonto. Ia dizer que é um merda, mas pra merda falta um tanto. Picanha é a carne do cara que não manja nada de churrasco. Como o sujeito que só faz bife de filet mignon. Mais que bom gosto, cheira a incompetência. Outra coisa que cheira a incompetência é acender a churrasqueira com aqueles cubinhos mágicos. A técnica de fazer fogo é um tradição familiar, cada um tem uma. Não pode trapacear. Tem que molhar o pão no álcool, ou usar jornal, ou um nó de pinho.

Outra coisa: pão de alho é pão+alho+manteiga (opcional). Não tem pistache, não tem alecrim. Chega dessa merda.

Churrasco de legumes: não é o que eu tinha em mente quando eu li seu e-mail me convidando pro seu festejo.  Não pensei em abobrinha no espetinho de madeira.  ’Ah, mas e os vegetarianos?”, olha os vegetarianos que comam vinagrete. Com pão.  Churrasco não é lugar pra eles. É território carnívoro. Eles que administrem. Porque a vida é assim: se alguém te convida pra um jantar japonês em casa, e você não come comida japonesa, mas mesmo assim quer ir no jantar, você vai preparado pro porre de saquê, ou vai jantado, ou sabe que vai jantar só a sobremesa. Ninguém faz (eu espero) um sushi de hambúrguer pra você.  Ou cozinha um miojo na hora. Você sabia no que estava se metendo. Não entendo porque nós carnívoros temos que facilitar a vida dos vegetarianos. Eles que se virem com o que tem. O mundo é carnívoro. Ponto.Aliás, o mundo tá só piorando. Com essa mania maldita de ter que agradar a todos, as pessoas não conseguem mais lidar com o fato de que particularidades são exceções. Todo mundo pode ter um jeitinho, ou um gosto, ou uma mania. Mas o mundo não tem que se ajustar. E as coisas são como são.E churrasco é temperado com sal grosso e PONTO. E parrilha não é churrasco. Parrilha é a involução do George Foreman.

Outra coisa: DEMORA. Entenda isso. Puta saco esse povo que tanto reclama que o pobre piloto da churrasqueira acaba fazendo só o dourado externo da carne, fatiando e terminando de fazer na chapa. Tá com fome, azar. Mais uma vez: come um pão com vinagrete.

Pelo amor de Deus, mantenham o copo do churrasqueiro cheio. Ele é o rei da festa, e não o seu empregado. Ele tem que ter o que precisar, no minuto em que pedir. E assim como quem manda no rádio do carro é quem dirige, quem manda na música do churrasco é o churrasqueiro.

Churrasco é democrático. Porque é quase que 100% saber fazer. Não importa quanto dinheiro você gaste com carnes de bois que foram criados dentro de uma suíte do Ritz: se você for uma besta, você estraga a carne. Mais vale um bom churrasco de frango que uma picanha de vacas virgens da Antuérpia mal feita. E carne se come no máximo ao ponto. Gente que pede picanha bem passada deve curtir carpaccio frito no azeite.

Churrasco de verdade sempre tem um pentelho que vira a carne que já estava virada. Churrasco de verdade te deixa sujo e fedendo. Voltou cheirosinho do churrasco? Não era churrasco.

Churrasco é a refeição mais masculina que existe. Mais primária, que permite interação entre quem faz e quem come e quase que exige que o dono do feudo coloque a mão na massa. Quase uma questão de honra.

Por favor. Pela volta do cupim, da costela, da maminha e da fraldinha.

E ó, nada de caipirinha hipster.

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September 15, 11:00 PM

Quando eu fiz 9 anos, décadas atrás, meu bolo de aniversário foi feito pela cozinheira super qualificada que passou anos em casa. Por algum motivo ela julgou que seria total sucesso fazer um bolo de:

( ) brigadeiro
( ) cupcakes
(X) fécula de batata

Porque, né? Que mais uma criança pode querer na vida? Enfim, foi a primeira vez que eu me lasquei com um bolo de aniversário

 

Até então o mundo tinha sido uma felicidade nutrida com bolo Floresta Negra. Aniversário em casa, com 2 ou 3 amiguinhos da escola, família, amigos dos pais. Na escolinha um bolo de chocolate com recheio de brigadeiro, glacê e morangos enfeitando.

Aliás, entendam: glacê > creme de barbear > chantilly.

Não existia isso de festa de dezenas de milhares de reais. Também não usava buffet de cupcakes e lembrancinhas no quarto da parida. Os muito íntimos iam dar um oi, os médio íntimos iam visitar a criança semanas depois (me ensinou minha mãe, que a gente só visita bebê, depois que ele já tenha saído de casa).  Os não íntimos, só conhecem a criança no aniversário de 1 ano. Mas parece que hoje não usa. Que o que usa é otimizar toda oportunidade de exibir. Grana, amizade, adega, casa, suíte na maternidade, etc. Até a criança virou troféu.

Aí veio a tal da pasta americana e o mundo  nunca mais foi o mesmo.

Primeiro que esqueceram que por mais bonito que seja, o objetivo ainda é comer o bolo na festa. E pra isso ele tem que ser gostoso. Bela merda esses bonequinhos de biscuit, bichinhos, coisinhas engraçadinhas. Serve pra convidado ficar atrapalhando o acesso aos brigadeiros porque tá tirando foto. 

Nionde que as pessoas aprendem a fazer esse bonequinhos? Revista? Fascículo? Site de dicas para arrasar na decoração do seu bolo. Vai ver é daí que surgiram as cupcakeiras: não prestaram pra fazer bonequinhos em bolos de tamanho real, resolveram diminuir a responsabilidade e assim evitar desperdício.

Segundo que as pessoas não tem o menor pudor em mentir pra fulana que vai fazer os bonequinhos. Aí o bonequinho retrata o dono da festa (ou noivos) com a mesma fidelidade de um avatar: como a gente gostaria que fosse.

Fui num casamento de uma fulana perua cafona anoréxica, com um fulano totalmente escroto de mercado financeiro, cheirador de pó. Sobre o bolo os bonequinhos: ela linda e loira, toda gostosa em um vestido deslubrante e ele meio bombadinho segurando uma prancha de surf.

Eu já defini que se o confeiteiro fez um stand up no bolo, é pra disfarçar que o bolo é uma merda.

A coisa toda de festinha é meio uma merda. Os pais deveriam adorar as festinhas porque poderia ser uma folga pra irem ver a vida lá fora, sem um rebento pendurado na barra da calça pedindo pra ganhar um iPhone com 3 anos de idade.  Mas não, festinha hoje o os pais têm que ir e ficar. Acho que deve ser manifestação da falência do casamento. Povo talvez não queira ficar sem crianças por perto, porque teriam sei lá, que DERREPENTE conversar ou transar.

Mas que esperar de gente que convida pro NIVER DO FILHÃO? Não muita coisa. Nem do filhão que cresce e vai comemorar o aniversário com um CHURRAS PRO PESSU DA FACUL. Ele banca os espetos e você leva o que for beber. Aliás esse conceito de “leva o que for beber”, eu nunca entendi. Se cada um levar mesmo o que for beber, que acontece? Não um 12 – pack ou uma garrafa de vódega pra misturar com o clight. Só o que for beber. E o povo que leva Bavaria mas bebe as suas Stellas? Isso é coisa de amigo?

Mas né, devo estar errada. Tô velha. Na minha época se escolhia se o bolo ia ser de brigadeiro, morango ou doce de leite. Hoje você tem que escolher se vai ser da Rihanna, do Bob Esponja ou do Glee. Sou do tempo em que as pessoas compravam uma máquina analógica e um filme de 24 poses e tiravam fotos da tranqueira da festa e dos convidados com cara boa. Ninguém podia ver a foto ou pedir pra tirar outra. Tinha 24 fotos, um bolo e um parabéns. Hoje povo compra maquina digital com cartão de memória pra tirar 2milhões de fotos faz o que? Tira foto artística. Tira foto da criança sorrindo na piscina de bolina, e do aniversariante dançando bêbado, pra ser zoão na internerds depois. E quando a festa acaba fotografa em macro uma forminha de brigadeiro vazia que caiu no chão, e coloca no Facebook: ACABOU-SE O QUE ERA DOCE. (Já vi, juro.)

CONCLUSÃO
Profissão: boleira
Receitas disponiveis: 2
Desenhos e enfeites disponiveis : 4.532
Sigo defendendo: troco seus bolos esculpidos de um milhão de dólares por um bolo Pullman e um pote de Nutella.

Acabo-se o que era texto.

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September 01, 11:00 PM

Sou uma botequeira. Eu disse BOTEQUEIRA, reforço porque tendo a achar que estou lendo putaria, sempre que leio BOTEQUEIRA, tenho até que voltar pra reler e ter certeza de que não escrevi outra coisa. Enfim, sou uma botequeira. 

Vocês podem achar que eu sou como os frequentadores de boteco de sábado a tarde, mas não. Todo-santo-dia tô no bar. Almoço o especial do dia, e a noite vou beber minha cerveja/vinho/bons drink. Não me inveje, me idolatre. Não é pra qualquer um: necessário condicionamento físico, disposição, complexa e organizada cadeia de redes de amigos, politicagem, tolerância com agregados e leque de assuntos variados. Ah sim, um sem número de nomes de garçons memorizados.

Ah, também tem que manter mentalmente organizado um inventário de comidinhas e especialidades de cada bar que se frequenta. Caldinho de feijão de um, bolinho de bacalhau de outro, bolinho de arroz de outro, feijoada de outro. Cada qual com sua menina dos olhos. Normalmente o garçom mais antigo da casa sabe informar qual a especialidade.

Amo. O jeitão descontraído, as mesas na rua, a cerveja de garrafa, a molecada de uniforme da escola matando aula, o povo da firma de roupas social desgrenhada, os moderninhos, os riquinhos fazendo esquenta pra balada, os alcoólatras de 40-e-muitos, 60-e-poucos. Tudo junto e misturado. 

Aí saio por aí e me aborreço, porque hoje em dia existe mais boteco que imita, do que boteco de verdade. Boteco acontece, não se cria artificialmente. Exige uma mistura que não dá pra ser reproduzida a força por marketeiro nenhum. Boteco com DJ. Oi?

Um verdadeiro exemplar tem mesa e cadeira tosca, não teve arquiteto, decorador ou projeto. Não emite nota fiscal, e a higiene é questionável. Não tem grelha, tem chapa. Não diferencia copo pra bebida nenhuma. Refrigerante, suco, cerveja: o copo é igual.

Se você precisa sair bem arrumada, o lugar pra onde você está indo não é um boteco. Boteco não tem logomarca, não tem site, não tem delivery. Tem o dono sempre perto. Não tem chef, tem cozinheiro.

Odeio: a onda de calabresas e picanhas aceboladas na chapa. Porque meu deus? Qual o problema de fazer na cozinha, onde tem EXAUSTÃO, e trazer tudo lindinho e no ponto? Tem lugares que te trazem a porra da chapa em chamas e uma travessa com as carnes cruas. E é sempre o filho da puta sentado na mesa atrás da sua, que te defuma.

Odeio: gente que pede o chopp SEM COLARINHO, pra vir mais bebida. Sério, criatura. Se você está tão na merda que precisa dos 2 dedos a mais de chopp no seu copo, recomendo procurar uma forma de ganhar mais dinheiro, ou uma unidade do Alcoólatras Anônimos.

Odeio: bolinho de seja lá o que for que vira uma massaroca com 3 farelos do seja lá o que. Bolinho de: bacalhau sem bacalhau, carne seca sem carne seca, palmito sem palmito, queijo sem queijo, assim por diante. Prefiro mas não exijo que sejam em formato de cocô e não bolotas.

Odeio: aquela mesa lotada de mulher que bebe, ri e grita como se não houvesse amanhã. E os assuntos nunca são tão incríveis, interessantes ou engraçados assim. Elas que são um porre e não sabem se portar. Falando em barulho: música ambiente insuportavelmente alta. Este aliás é um mal dos pseudo botecos hipsters. A música é alta demais pra conversar, e tem mesa demais pra dançar. Aí acaba que o lugar mais agradável é a área de fumantes.

Aliás, odeio todo esse povo da firma que não sabe se portar. Gente que vive em baia e esquece como é a vida aqui fora, e se comporta no bar como se estivesse numa rave em Ibiza. Menos, campeão.

Garçons: vocês deveriam pegar a pressa e eficiência que têm pra trocar nosso copo de chopp com 2 dedos de bebida ainda, por um cheio, e a falta de eficiência pra trazer o cardápio ou a conta ou a comida. Porque eu muitas vezes vejo a porção ali esfriando na boqueta, e ninguém vindo servir.

Amigos: julgo. Principalmente qual a relação que têm com a conta. Odeio gente que começa a querer fazer conta de exatamente quantos palitos de batata frita consumiu. Evidente que em alguns raros casos, do povo que senta e bebe uma água, é injusto que pague igual. Aliás, no meu mundo, quem senta numa mesa e bebe um refrigerante quando os outros beberam e comeram feito porcos, não paga. Que os outros, dividam tudo igual.

Povo que chega, bebe, come, e sai mais cedo, deixando 5 pratas na mesa: estamos de olho. Não é porque estamos bêbados que viramos idiotas. Falando em fazer de idiota, o fim do mundo não avisar qual o valor do couvert artístico nos casos de lugares que têm música ao vivo. Aliás, música ao vivo tende a ser uma ideia idiota. E os músicos acabam mais incomodando que contribuindo. E eu fico constrangida de conversar ao mesmo tempo em que a pessoa tá se apresentando, mas ao mesmo tempo não tô interessada em ouvir Djavan.

Odeio gente que estraga caipirinhas, mas sobre isso já conversamos. Aliás, fica a dica de leitura dos textos anteriores. de vez em quando alguém sugere um tema que já foi. Já trollei: pizzarias, tomate seco, catupiry e cheddar, petit gateau, estrogonofe, comida japonesa, lasanha, papaia com cassis, risotto, coisas que a gente não deveria adorar mais adoramos, caipirinha, frozen yogurt, compras coletivas, cupcakes, vinhos, fondue, brigadeiro e feijoada.

Um verdadeiro botequeiro não tem nojinho de churrasco grego, palita dente, senta em mesa comunitária, não reclama do banheiro e não exige valet. Se não é o seu caso, não quero você na minha mesa de bar. Pode pegar seu visa platinum, e ir pra um bar-boteco-hipster da moda impressionar as mulheres do cabelão liso e peito de silicone que ficam caçando homem por aí. Nós botequeiros, preferimos exercer nossa arte longe de vocês.

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August 18, 11:22 PM

O Rafael queria que eu escrevesse sobre quiche, mas desobedeci.  O post quiche virá, não reclamem. Aconteceu uma coisa. Quarta eu fui almoçar feijoada num restaurante tradicional de feijoada aqui em São Paulo. Cheiro delícia, caldinho delícia, caipirinha (cachaça+gelo+limão+açúcar) delícia. Aí chega a hora de comer a aclamada feijoada, estrela do dia.

“Feijoada pra 6″.  Veio uma comanda com lista de coisas e um lápis pra assinalar quais as carnes que a mesa queria que fossem incluídas.

Repetirei, pro caso de alguém não ter compreendido: a mesa recebeu uma comanda que trazia uma lista de componentes de feijoada, um lápis 2B e ordem de chegar a um consenso a respeito das carnes que as 6 pessoas sentadas gostariam de comer na feijoada. Note que viria 1 feijoada pra 6 pessoas, numa mesma cumbuca. 

Vamos passar por cima da falha de raciocínio que representa você deixar a pessoa escolher quais carnes quer, mas no fim misturar todos os pedidos e particularidades, servindo tudo embaralhado. O criador do método é burro, percebemos isto.

Aí tem a que não come nada além de linguiça, o que prefere paio, o povo da carne seca, o povo só do caldo, o povo corajoso, os “tanto faz por mim” e eu, a bully. Porque essa é das situações que clamam por um bullying de leve. Sugerida a solução de cada um assinalar o que gosta, e a gente depois separar na hora de servir, começou a rodar o papel e o lápis. Passado pelos outros 5 chegou na minha mão com: linguiça e carne seca assinalados. Que tipo de feijoada é essa? No meu mundo feijão preto mais 2 tipos de carne não constitui feijoada. Quis nem saber, saí assinalando o que queria, e o que não queria.

Sabe gente, a pescaria faz parte do rito feijoadístico. Feijoada é comida pra gente brava, forte, filha do norte. Não é pra fracos, frescos, frouxos. Vai coar suco de laranja, ou implicar com a pele do tomate no molho de macarrão. Vai criar caso pra mamãe, pra vovó ou pra madrinha. Coisa rica da vó.

Não vai estragar a feijoada da quarta feira. Não faz os amiguinhos saírem de casa e irem te encontrar pra na hora de comer, pedir feijão com linguiça. Não deixa a couve de lado, não faz descaso com a bisteca, não pula a banana à milanesa porque é fritura. Taí o tofu, lindo e saudável, adequado pra sua dieta.

Agora o lado positivo, você que adora personalizar seus pratos, e tem nojinho: pode ir ao Spoleto do shopping mais próximo e comer uma saladinha com 3 tipos de tomate, 2 tipos de alface e 2 tipos de queijo.

Feijoada vegetariana: vai mal a humanidade. Nada contra vegetarianos (mentira, eu julgo um pouco, os fanáticos principalmente), nada contra a ecobag, nada contra energia eólica, mas feijoada não é feita de feijão e inhame. Me perdoe. Tá chamando de feijoada um cozidão de legumes. Seria como chamar Tang de uva de vinho e fazer pose de enólogo.

Rabo, orelha, focinho e pé de porco.  E tem que ter tudo com osso, pra soltar gosminha e dar liga.

Deixa a gostosa da feijoada pro pessoal que quer a sensação de estômago pesado, que quer comer um troço incrível. E não quer que seja bonita, ou magra ou politicamente correta. Aliás, se beleza fosse critério, ninguém nunca teria comido feijoada. Feijoada não é Sandy, feijoada é rock n roll.

O recadinho da semana, pra levar consigo amanhã no sábado de feijoada: podem julgar gente que torce o nariz pra mistureba. E servir um belo pão com vinagrete e farinha pra eles, não merecem nada além.

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August 04, 11:00 PM

Negrinho, no sul. Quando o balconista é negro, eu peço brigadeiro, e não negrinho (1 membro). Mas não deve mais poder dizer negrinho. Afro-descendentezinho.(O mundo tá um porre, já aviso. Essa onda politicamente correta tá quebrando o mundo e vocês não estão percebendo. Óbvio que eu não tô aqui defendendo a escrotidão que é um sujeito preconceituoso. Machista, racista, separatista (no Brasil), babaca. Mas há um limite aí, há liberdade de expressão, até mesmo expressão de piadas ofensivas. Algumas são ofensivas pros ouvidos mais sensíveis, e pontiagudas pros calos mais protuberantes, mas não são preconceituosas. Mais ainda: ser babaca não tá proibido. Maaaaaaas, não é porque você tem o direito constitucional de dizer a imbecilidade que quer, que ela deixa de ser isso: babaquice imbecil. Sei lidar com isso, e você? Que eu tô resmungando? Dane-se. É um site de gastronomia e o povo quer fazer valer cada centavo-segundo que perde aqui.

Outro ponto negativo: essa trolha de raciocínio utilitarista, linear de que as pessoas têm que se ater e entregar aquilo que é contratado. Entenda por contrato: acordos não ditos, velados, implícitos e imaginários. Rafael não pode publicar textos no site dele que não tratem única e exclusivamente de gastronomia.

Pois bem, leitores: enquanto guepardos não souberem acessar a internet, e pés de alface não se comerem, quem come o que a gastronomia produz, é o ser humano. Então é natural que o comportamento e a figura que consome nos interesse, não só a comida. Até o que vocês odeiam nos interessa.

Fecha parênteses.)

Me aborrece muito o que o povo anda fazendo com as minhas comidas preferidas. Leia ESTRAGANDO.

Pôxa Brasil, brigadeiro? Aquele docinho delícia, aquele docinho moleque, aquele docinho  com o pé sujo de barro. Aquela receita simples que vinha na lateral da caixa do chocolate em pó dos 3 padres. Ok, 2 frades. (Fui no Google e voltei. Oe, tudo bei?)Eu entendo que na gastronomia não dá pra colocar cristais Swarovski com cola quente nas coisas simples pra vender por mil vezes mais que o preço original, e o pessoal inova como pode. Mas mexer no meu negrinho?

Estraga meu negrinho não, ele não quer ser gourmet, ele não quer ser rico, ele não quer impressionar. Se vocês se cansaram daquele engodo que era o tal do brigadeiro de colher, e queriam trazer a baila o meu negrinho, não precisavam inventar essa presepada toda. Era só passar manteiga sem sal nas mãos, enrolar a massa e cobrir com granulado.

Voilà!

Aliás, tenho certeza que a coisa do brigadeiro de colher é resultado de uma das duas opções, ou as duas combinadas: povo errou a mão e a massa ficou mole, ou povo ficou preguiçoso e não queria enrolar.  Até aí, tudo bem. Vende sem enrolar, mas não despreza a genialidade do original.

Existem 2 fenômenos: a busca desenfreada da glamurização, e a crescente insegurança coletiva. Isso faz tudo virar fonte de inveja potencial. Ninguém pode fazer o aniversário do filho só na escolinha, com um bolo Floresta Negra, brigadeiros e mini hot dog. Tem que fazer festas mirabolantes de aniversário pra crianças que não irão lembrar de absolutamente nada.

Ah, mas é pros pais.

Meu senhor, minha senhora. Quer fazer festa kids friendly, faça. Mas não destampe o bueiro da inveja humana. Tenho amigas que têm filhos pequenos que nem andar andam, mas têm festas de dezenas de milhares de reais. É rico? Tá podendo? Acho bacana, fica à vontade, mas não faz pra competir com a festinha da filha do sócio do marido. É patético. É a ponta do iceberg de mediocridade que você está tentando esconder. É ser um Cacau Show, numa caixa AMMA.

E não me vem grudar pistache esmagado nos meus brigadeiros. Nem estragar a massa com Bailey’s. Fica aliás aqui um apelo: CHEGA DE COLOCAR BAILEY’S EM TUDO. Alguém ainda bebe Bailey’s? Credo. Brigadeiro não foi feito pra ser gourmet.

Brigadeiro branco: pra quê? Tá errado: brigadeiro com recheio, brigadeiro colorido, brigadeiro com frutas, com cobertura que não seja granulado. Brigadeiro não foi feito pra ser light, não foi feito pra ser diet.

Proibido ler informação nutricional do negrinho. Tá gorda,  ou ta se achando gorda? SOBE NA ESTEIRA E VAI. Mas não inventa moda na porra do brigadeiro. Come e goza, não fica com frescura. Ou larga o brigadeiro e se joga numa barrinha de Nutri.

Sai pra lá. Quero bater palma nesse circo não.

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July 21, 11:00 PM

Aí o Rafael me pauta Fondue e eu penso: casais em cenas românticas em cidades serranas, se amando e bebendo vinho. Fotos fofinhas em redes sociais.  Chama Campos do Jordão de Suiça brasileira. Faz jantarzinho pros amigos pra mostrar o vídeo do casamento de da lua-de-mel. Poderia, mas não vou jogar isso na cara do Fondue. Porque ele não merece. Penso obviamente em discorrer sobre o assunto, e começar dissecando os casais. Mas aí eu me coloco como alvo fácil e minhas críticas viram recalque. E o assunto é sério. E eu tenho que ter mais cuidado porque destampei o bueiro de ódio no coração que gente aparentemente boazinha tem.

E podem acreditar, esse povo que não sabe xingar, não sabe manter a calma e a cabeça fria. Uma bobeada e eu acabo boiando no rio Pinheiros com um cupcake desenhado a navalhadas na testa. Então não irei tratar do ridículo que é comprar casacos sintéticos com gola de pelúcia e correr pra serra pra comer fondue como se fosse algo natural e próprio daqui das terras em que têm palmeiras, e canta o sabiá. Até porque tem erro suficiente aí pra evitar o assunto romance cafona.

Primeiro que os queijos estão virando qualquer merda. E pra fazer fondue usam qualquer combinação de qualquer queijo merda. Ou compram a já tradicional mistura para fondue, porque né? Tem que derretar o queijo e tudo, uma complicação dos diabos. Derreter queijo, quem seria capaz se não fosse a mistura pronta?

Sério, fondue foi alimento dos soldados suiços, um troço másculo e rústico. Como foi que virou esse troço fru-fru? Quem foi que quebrou a coisa toda? Que escreveu fundie, fondie, fundi, foundie, foundi. QUEM FOI QUE ESTRAGOU?

Quem foi que chantilizou e motelzou o pobre coitado e fez virar desculpa pra lambuzar piriguete com chocolate derretido e morangos transgênicos?  Tá errado isso aí. Mas muito errado. Inventaram até fondue de carne, que basicamente é convidar os amigos pra fritarem o próprio jantar.  Deve ser alguém que não tinha uma chapa bacana pra fazer uma picanha e defumar o pessoal, mas tinha uma panela de fondue e resolveu se virar com o que tinha.

Aí eu me pergunto, se eu tenho a panela, o rechaud e os espetos, qualquer merda que eu faça coletivamente, usando essas 3 coisas, é fondue? Se eu fizer mingau de aveia, espetar bananas e comer, é fondue de mingau?

Fondue está para a gastronomia assim como o narguilé está para o narcotrafico, não é loucura, não dá onda, não é legal…É PURA PRESEPADA. É a pochete e o cavanhaque da gastronomia.

Certeza que fondue entrou nas casas pelo sistema de cotas de presente inútil de casamento. Junto com a bicicleta ergométrica que foi pra varanda.

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July 07, 11:00 PM

E o babado dos cupcakes? Me fala? Nem tanto a resposta da fofa do Luana, que foi ligeira e fez o jabá dela. Com classe, precisão e senso de humor. Que fique o exemplo.
Mas o tanto de e-mails, de mensagens no twitter e os comentários aqui… Gente. Sério que vocês não acham que tudo que é escrito aqui surge de e-mails e telefonemas durante a semana? Que eu entro de madrugada no gerenciador do site e posto o que me vem a cabeça? Que eu não sei o que estou fazendo? Que é escrito no impulso? Afe, coelhinho da Páscoa mandou lembranças.

Outra: eu generalizo pra fazer piada. Não estou ofendendo você amiga dona de casa Y2K, que faz cupcakes e bloga. Moça, sua histeria contra minha piada só depõe contra você.  Honestamente, tá fazendo papelão.

Hoje por exemplo eu vou tratar do exemplar masculino da cupcakeira pequenas empresas/ grandes negócios, o neo-enólogo.
Tenho pra mim que tudo isso é culpa dos impostos de importação, que são altos pra caralho, e da cobiça das lojas especializadas que querem vender uma garrafa de 10 euros por 90 reais. Aí fica como? Cria todo um teatro, de que beber vinho é um troço de bacana. Bacana onde? Tire a sua cabeça do seu rabo e vai viajar, ou vai ler a respeito. Vinho é bebida do povão, na Europa toda. Se você bebe vinho pra parecer chique, você está fazendo errado, campeão.

Chega na Itália, num restaurante vagabundo e olha pro lado. Mais fácil estarem bebendo vinho que Coca Zero com gelo e limão. (Gelo e limão aliás é bom tema pra um post.)

Mas não no Brasil. Na aldeia Brasil os locais querem parecer mais refinados. Querem um carro de leasing que mal conseguem pagar, uma bolsa Louis Vuitton (paga em vezes no cartão) e uma adega climatizada de 12 garrafas,  pra guardar os vinhos supervalorizados, que o importador espertalhão convenceu a comprarem, porque era um excelente custo benefício.  Excelente custo- benefício no meu mundo é o melhor vinho que eu posso comprar e beber sem pensar duas vezes. E só.

Mas nosso herói tem uma tarefa a cumprir: impressionar. O chefe, o empregado, a mulher, a secretária, o cunhado, o irmão, o sogro. Cemijura moço? Que vai cheirar rolha de tudo que é merda que te oferecem? E os caras que cheiram a rolha pelo lado errado?

E o marido da cupcakeira que pede a carta de vinhos do restaurante e pergunta o que o fulano sugere pra no fim das contas pedir um vinho que custa no máximo X reais, e que ele não tenha certeza que é horroroso. Por que é só isso que 99% das pessoas faz. Bate o olho nos preços, vê o que pode pagar e olha os nomes. Não achando um que conheça por gostar, tenta evitar os que tenham nomes que remetam a traumas. Tipo, meus ex namorados não pediriam nunca um Santa Carolina. Aliás, não só pelo nome eu não recomendo.

E o povo que guarda rolha? Qualquer rolha. Um pote imenso que fica ao lado do pote de pontas de charuto. Ah é, ninguém guarda um pote de pontas de charuto, ou de anéis de latinhas de cerveja, ou embalagens de congelados Sadia. Porque então o pote de rolhas na sala? Mixplica? Pra provar que você é tão cosmopolita que bebe vinho como se fosse água?

Ressalva aqui: meu irmão tem um pote de rolhas. Rolhas que ele começou a juntar desde que fez 12 anos, em ocasiões especiais. Ele anota a data, a ocasião e guarda. Guarda também rolhas com anotações de vinhos que experimentou e gostou. Mas ficam em uma caixa, longe dos olhos dos curiosos. É uma coisa que ele faz pra ele. Muito amor. Percebam a diferença.

500 mil rolhas em 2 anos que aderiu à modinha do vinho. Não é à toa que precisa de um decanter. Tá tomando cada merda e fazendo o fino que é melhor sumir com a garrafa. Eu sumiria com a garrafa.

Eu só bebo vinho tinto. Pode ser peixe, pode ser salada pode ser a merda anêmica que for, eu só bebo vinho tinto. E eu bebo muito. Saiba disto. Não venha harmonizar nada na minha refeição. Gosto do meu vinho como gosto das minhas trepadas: abundantes e satisfatórias. Nada de incenso e Kenny G. Harmonize seu vinho com um smooth jazz seu lindo, e vá fazer amor. Regado a vinho branco doce.

Vinho branco doce harmoniza com fazer amor. Em um tapete de pele. Ou lençois de cetim.

Credo.

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June 16, 11:00 PM

Fiquei ruiva desde a última vez em que conversamos. Basicamente eu continuo sendo eu só que com um topping diferente. Ouvi isso de um amigo (gay), e comedor de cupcake.

Cupcake, esse lindo. Juro que não compreendo a magia. É um muffin, correto? Uma Madalena, diria minha avó espanhola. Um bolinho, diria uma criança de 3 anos. Tudo isso, só que uma peruca metida. Um toupet.

Repitam comigo: THERE’S NO CUPCAKE, É SÓ UM BOLINHO METIDO.

E um engodo. Porque na maioria dos casos, a meia dúzia de coisinhas que grudam no topo do negócio justificam o custo astronômico do tal trocinho. E cá entre nós, a graça tá toda no topo (quando tem graça).

Agora, temos que admitir a função social que o cupcake desempenha: salvar casamentos. E a decoração.

Me explico: Existe uma categoria de mulheres que tinha vida profissional, trabalho, e vida antes de casar. E que achou por bem parar de trabalhar algum tempo depois de casar, e possivelmente depois do primeiro filho (com a variação da parada ser entre o primeiro e o segundo), e se dedicar à vida familiar. Acho digno, acho excelente ideia acho que boas mães têm nas mãos o poder de mudar o mundo, simplesmente criando pessoas melhores.

Seguindo, a culpa emergente da classe média e classe média alta: não saber lidar com o fato de não trabalhar. Impressionante como as pessoas simplesmente precisam do trabalho pra preencher as horas de vida livre. Nobres europeus não têm esse tipo de problema. Gente babaca como eu não teria esse tipo de problema. Me arruma uma pequena fortuna e/ou alguém que me sustente e eu serei eternamente ocupada e feliz.

Mas não nossas heroínas. Elas sentem culpa e se sentem inferiorizadas pela roda voraz do mundo capitalista e precisam de uma ocupação remunerada. Aí fazem o que? Cupckes. E montam um site lindinho, ou uma lojinha adorável que faz bolinhos lindinhos sempre, deliciosos raramente. Ah sim, algumas ainda devem fazer curso de decoração de interiores, mas o site aqui é de comida então vou poupar o tempo de vocês.

Mulher casada que tem um blog e vende cupcake is the new aluna carente que vende brigadeiro na sala de aula.

Mulherada do céu. Vai curtir essa vida bacana de vocês sem culpa, vai ver que tem uma porção de  coisas fabulosas, lugares, pessoas, drinks (brincadeira).  Agora, se a culpa for mesmo inadministrável e você PRECISAR de uma ocupação, faça um curso de decoração. Chega dessa merda de bolinho seco com M&M’s em cima.

Chega de usar Nutella e se achar um gênio da confeitaria. Gênio é o cara que criou a Nutella, você só tá indo no rabo do cometa, passando essa delícia no seu bolinho seco e enfeitando as mesas de chá de bebê das suas amigas. Não tá enganando ninguém não, moça.

Liberte as frutinhas e deixe elas voltarem pros potinhos de Frozen Yogurt, ou seguirem a vocação natural e virarem geléia. A senhora tá tumultuando o equilíbrio ecológico gastronômico, tá errado demais isso aí.

Caso a senhora vá insistir, venda só a glande do bolinho. Com o resto a senhora faz tostex doce. Passa Nutella entre dois como se fosse um sanduíche e coloca na tostequeira. Não é uma receita, nunca experimentei, mas PIOR  que uma bunda de cupcake não vai ser.

Cupcake é um biscoito recheado invertido. Se o recheio vem por cima, você come e joga o resto fora.

Luta dona, melhora isso aí. A senhora atualmente é derrotada pelo simplório mas delicioso bolo Pulmmann de chocolate (ou mármore, ou de laranja). Ninguém come site, por mais lindinho que seja. Eventualmente as pessoas vão comer o que você vende, e talvez elas não tenham um copo de água pra ajudar a mastigar, e morram sufocadas com aquele concreto doce de padaria de quinta na boca.

CHEGA. DESSA. MERDA.

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February 22, 08:30 AM

Tão lembrados?

De quando tiraram a boneca Maria Eugênia do Bambam?

 

 

February 22, 08:27 AM

February 22, 08:26 AM

February 22, 08:25 AM

February 22, 08:21 AM

February 22, 08:19 AM

February 19, 12:55 PM

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