AKA Wooden_Face. Internet is my best friend since nicknames were still used. I'm passioned about the possibilities to connect to other people's thoughts and behaviors that the web provides. Establishing connection with other human beings is what this is all about.
A short, but very rich experience. I've worked mainly with strategic planning, focused on interactive marketing communications for the last 5 years. Here's a list of topics i've worked with:
- Consumer behavior researchs
- Communication strategies
- Creative concepting
- Social media, both on developing strategys and searching for consumer insights
- Digital strategies
- Content Planning
- Business intelligence
But forget all this stuff. My goal is to find the juiciest insight, as a way to reach the awesomest idea. The platform does not matter.
Short ps here: i'll just go ahead and connect to everyone who study / studied at UFF.
Strategic communications planning, focusing on - but not limited to - the interactive environment for Unilever LATAM and PEPSICO.
So far, contributed with consumer insights and strategic inputs to major projects for SEDA (Sunsilk), OMO (top of mind detergent in Brazil), Close up, Kibon and TRESemmé.
Integrated the planning team, partnering to develop full strategies for brands like Oi (Telecom), Bob's (Fast Food), CCAA (Idiom Course), and Coca-cola (Non-carbs).
Contributed directly with insights and inspiration for the creative team in successful campaigns for Oi.
Digital media planning.
BI for Telelistas.net
Content and Social Media Planning
Web Analytics for clients
Clichê é uma boa palavra. Repetida à exaustão nos diálogos, – como poderia sugerir sua própria origem -, geralmente a vemos aplicada como um selo pejorativo para o que não se esforça por ser original. Pessoalmente, (sem aqui assumir postura de correção) prefiro sua ocorrência como substantivo: o congelamento de uma cena subestimada, com ambos os potenciais de surpresa e conforto.
Este não é um blog sobre o uso correto ou oportuno da língua, embora creia que possamos nos valer de sua aplicação como perspectiva para julgar nosso próprio comportamento. Não um julgamento crítico, mas ora merecedor de dois ou três copos de cerveja.
O ato e o ser
Somos tanto quanto nos reconhecemos humanos. E, por humanidade, refiro-me ao não menos abstrato conceito de normalidade. Que começa nas nossas vidas e é, em essência, o ato de repetir atos. Tentar e compreender, – ora por julgar as consequências, ora por tomar o julgamento de outrem -, quais pertencem ao infinito conjunto que liga nossa existência a este grande e confortável grupo. Eis que nos conectamos ao mesmo, então, somente através da submissão de nossos atos às suas referências prévias, guardadas junto ao entendimento de suas consequências.
A condição de existência, de ser e, – sobretudo -, do que ser, é a exploração de um repertório social. É um clichê! Teclas de ações programadas, condicionadas ao curto prazo do contexto e ao longo prazo das construções de reputação e perfil; todas estas condições operantes absorvidas por observação e memória. “O que preciso fazer agora?” e “O que isso diz sobre mim?” são retornos a referências: desde buscas rápidas por causas e consequências a moldes e padrões de comportamento.
Não repetimos somente atos isolados, mas sobretudo os conjuntos. Daí nos cercarmos de heróis, ídolos, mestres (e religião).
um pouco de sarcasmo não vai mal
Mas não é com toda essa frequência que enquadramos uma cena como um clichê. Talvez nem sejamos tão bons com previsões! Ocorre que subestimar o próximo ato começa na soberba de reconhecer a ocasião.
A ocasião
Nós somos ocasionais. Se só podemos nos reconhecer por nossos atos em outros, nossa conexão com a humanidade nasce do que nos exige cada ocasião. Vivemos este breve momento para jamais sermos capazes de reproduzí-lo. Depois, morremos! Nasceremos como novos modelos passivos, quando requisitados, mas estamos fadados aos labirintos de longos intervalos. Sujeitos e apegados à memória do que fizemos, detentora da referência humana que temos em nós mesmos.
não me surpreende darmos tanto valor
Dominar as ocasiões parece, então, tão humano quanto repetir atitudes. Mas só em nosso julgamento! É que as ocasiões não se repetem. Se nosso comportamento é um inevitável conjunto de apropriações, são elas que impedem o plágio perfeito das histórias. Específicas e complexas, são estas as guardiãs do nosso desejo por protagonismo, do apego ao pessoal, do apelo por autenticidade.
Contudo, esbarram na perspectiva do espectador.
Ponto de vista.
A transmissão de valores é precária. Parece que a assimilação necessária para a repetição vem do resumo: apara as arestas ocasionais e posiciona o observador na distância mínima necessária. Não cabe fixar o que não vai se repetir.
No mais, qualquer retrato de uma ocasião falhará em relatá-la. Mesmo a quantidade de perspectivas é limitada, por mais que sua diversidade vá surtir efeito em enriquecer os detalhes da narrativa (é um bom recurso). Sem o encanto das ocasiões, os atos somam roteiros repetidos, como que formalidades de adesão à memória do senso comum. Quase uma seleção natural de referências.
O ato repetido sobre a ocasião simplificada é o próprio quadro do clichê.
Não há como conceber o autêntico sem experimentá-lo. Mal há como transmití-lo. Só se converte a repetição em originalidade vivendo na ocorrência de cada ocasião. É questão de ponto de vista! Mas se só somos humanos quando apoiados em referências, – vendo da distância de quem observa, julga ou lembra -, ser humano é um clichê.
Já conversamos antes sobre grupos e como podemos enquadrar ou dividir pessoas das mais diversas formas.
Ao ver, por exemplo, um clichê de aventura de hollywood – digamos, o Duro de Matar – é possível separar os espectadores entre aqueles que entram no clima e acham que John Mclane é mesmo um cara durão e sortudo; e os que torcem o nariz para a trama sob o argumento de que um homem não poderia se expor a tantos perigos e sobreviver para cortejar a mocinha ao final.
Mas o que move a percepção destes dois distintos grupos? E, afinal, qual dos dois é o mais cético? Particularmente, me vejo sempre no primeiro grupo. Não será fácil manter a imparcialidade na descrição, e não me importo se for pego em ato falho, mas creio que o paradigma deste grupo, que a partir de agora chamarei de pessimista, é o melhor ponto de partida para entender como este embate funciona.
(Este não é um blog para defender minha posição em discussões sobre filmes de ação, mas dado o universo de referências disponíveis, não descarto uma nova aparição de John Rambo ou Bruce Willis por estas bandas.)
Pessimista? Como?!
Se é pessimista, como pode o sujeito acreditar que alguém poderia passar incólume por saraivadas de fuzis, atropelamentos, agressões e ofensas? Ora, pessimismo é só uma palavra. Apelo a ela para discernir o “é” positivista do “foi” opositor. O “acontece” do “aconteceu”.
Mera questão de perspectiva. Vou tentar explicar.
É claro que pôde o mocinho sobreviver aos males, pois é desta sobrevivência que nasce a perspectiva da narrativa. Esta é a história do homem que passou por tudo isso e não morreu: outros passaram por males semelhantes e pereceram, e por isso não fizeram um filme sobre eles.
Mas tal feito não pode ser creditado à predestinação. Na visão do pessimista, não se trata de um dom inato que naturalmente leva o herói a superar as adversidades, e sim da capacidade oportuna de superar cada situação do roteiro. Até não mais o conseguir. Veja, nada diz que o homem não poderia morrer no minuto seguinte ao fim do filme.
Não se pode concluir com o otimista “no final, tudo deu certo”, uma vez que têm-se ciência sobre os exatos motivos que conspiraram com o final feliz. Só é óbvio por sabermos a resposta.
O embate entre pessimismo e otimismo é o embate das perspectivas do começo e do fim. Toda a fonte do determinismo característico do pensamento otimista é a perspectiva do começo. Ele sempre concluirá seus pensamentos com “aconteceu por que era para acontecer”, “você nasceu para isso” e outros.
E olhando do começo, é quase inconcebível que o herói portasse cada talento, destinado a cada provação. Veja: o problema fundamental do “tudo vai dar certo” é a aleatoriedade das condições, frente à imprevisível necessidade futura.
O pessimista, por outro lado, enxerga a história como um mero contexto moldado por cada necessidade, em sequência. Não se trata de negatividade, mas de um estado permanente de tensão. Nada dará certo, a não ser que algo ou alguém intervenha. Se tudo terminou bem, afinal, foi somente devido às circunstâncias de cada situação.
Nada menos que seleção natural, mas com helicópteros e bazucas.
Se conselho fosse bom, tinha gente vendendo. Já dizia sua mãe, ou a sua avó. Há um problema que nos impede de voltar ao significado original desta expressão, e para vencê-lo, talvez tivéssemos de tomar por atitude outra expressão usada desde os tempos dos nossos avós: reinventar a roda. Voltaremos a este problema adiante.
Este é provavelmente o post com maiores desdobramentos profissionais diretos feito neste espaço; e por “diretos”, refiro-me ao fato de que a utilidade dos demais depende apenas do poder individual de abstração. Este não é um blog sobre propaganda ou sobre o mundo corporativo, mas é bem possível que o assunto volte à pauta posteriormente.
Stress
Já falamos antes sobre como um sentido é capaz de fugir de expressões. Ele pode ser substituído por outro sentido, ou simplesmente deixar uma lacuna vazia. Assim nascem jargões, clichês e falácias que temos por costume empregar nos diálogos sem saber o motivo. Se pensarmos bem, são meros paliativos para hiatos da fala e da escrita: já não significam como outrora, quando foram cunhados.
Vou tomar emprestado um argumento do George Orwell como ilustração: a concritude de um texto é a capacidade de produzir uma imagem na mente do leitor. Nesse ponto, uma expressão é um atalho de sentido, tal qual um rótulo. Porém, quanto mais conhecida tornar-se, menos necessidade trará ao interlocutor de trilhar o caminho que leva ao seu sentido original. Ela, então, deixará aos poucos de produzir uma imagem. Repare como uma metáfora totalmente original tem mais poder que uma conhecida. Ao utilizar a expressão “cortar o mal pela raiz”, provavelmente não produzo tão bem uma imagem quanto faria com “abortar um demônio” (expressão que acabo de inventar).
O stress da metáfora ou da expressão – seu uso repetido e prolongado – implica na alienação da imagem. E por que temos tanta necessidade por imagens? Imagens estão mais próximas às vivências pessoais. Podemos nos ver nelas, como se as tivéssemos experimentado.
E experiências são significados originais. Por tê-las vivido de fato, compreendemos suas consequências com exatidão. A linguagem não serve, senão para o acúmulo e transmissão destas experiências. Talvez tenhamos ilustrado aqui, ainda que de forma dissertativa demais para valer como metáfora, a primeira máxima citada no texto. Um conselho seria um atalho para uma experiência acumulada, mas só a partir da experiência pode-se compreender totalmente sua consequência. No mais, repetidos à exaustão, conselhos tornam-se metáforas vazias.
Quando nos valemos de expressões vazias, esvaziamos o discurso. Tornamos a argumentação cada vez mais abstrata e distante. Menos passível de discordância, por um lado: já que está recheada de familiaridades e não haverá nela um ponto forte a ser sustentado ou derrubado. Por outro lado, menos capaz de passar adiante uma experiência ou descoberta do locutor.
A roda
“Reinventar a roda” é outra dessas expressões que se desprenderam do sentido original. Digo isso não por conhecer tal sentido, mas por poder eu mesmo atribuir ao menos 3 diferentes significados:
1- O primeiro, talvez o mais comum, é “algo inútil”. Claro: a humanidade não há de se beneficiar de uma nova invenção da roda, pois já desfruta desta tecnologia.
2- O segundo refere-se a um esforço desnecessário para alcançar uma mesma solução. É um signo de falta de objetividade, frequentemente traduzido como uma contravenção, na qual valoriza-se por demais a resolução de um problema simples.
o segundo caso pode ser visto neste texto, que seria mais ilustrativo se explorasse o jargão sob outra perspectiva.
3 – O terceiro é aquele que contribui com esta argumentação. Inventar a roda foi um processo difícil, que partiu da limitação da força física humana e provavelmente da observação de objetos da natureza. Talhar a primeira roda foi certamente um grande aprendizado para o inventor. Toda a teoria envolvida em sua fabricação pôde ao fim ser resumida na própria forma do objeto, mas aquele revolucionário homem das cavernas foi o único portador do seu significado original.
Da mesma forma que aprendemos fórmulas matemáticas a partir de seus estados mais brutos, e é seu refino que nos faz entender seus funcionamentos, a concepção da roda só gerou um estalo na cabeça do homem que a inventou (ou da mulher, provavelmente). Mesmo aqueles que se dispuseram a desconstruí-la e tentaram entender sua origem, tomaram o fim como ponto de partida. Somente o processo de fechar os olhos para a solução existente e conceber uma nova solução do nada, resultando no plágio inevitável, fará com que o aprendizado inerente à invenção seja transmitido.
A roda, bem como uma fórmula, contudo, goza da objetividade como facilitador da transmissão. Uma roda é uma roda, seja no Brasil ou na China. Da mesma forma, os físicos que entendem a teoria da relatividade lêem E=MC2 em qualquer lugar do mundo. Claro, a língua está ligada à cultura – a um conjunto de experiências – e as palavras, ao contrário dos números estão sujeitas ao mesmo processo de alienação pelo qual passam as expressões.
Palavras indesejáveis
Como prometido, ilustrarei esta argumentação com um assunto recorrente no mundo corporativo.
Como em qualquer ciência, novas experiências (veja como a palavra experiência ganhou novo valor após usar a palavra “ciência”) com novos resultados precisam ser registradas, e para tal convém a atribuição de nomes. Veja: um nome – não uma nova palavra – resumirá todo o processo de aprendizado relacionado àquela experiência, e da próxima vez que o utilizarmos neste contexto, estaremos nos referindo à mesma, ou seja, à busca pelos mesmos resultados.
Tomo como exemplo a tão ouvida palavra: engajamento. Dentro do contexto da comunicação de marketing, faça o exercício de fechar os olhos e evocar a exata imagem que esta palavra sugere. Se alguma imagem específica te ocorreu – e acho bem possível que nada tenha aparecido – garanto: não se trata da mesma que ocorrerá ao próximo leitor.
Engajamento é provavelmente a palavra mais utilizada como objetivo de comunicação ou marketing, desde que os profissionais, influenciados por autores como Seth Godin ou Kotler, atentaram-se às mudanças de comportamento do consumidor frente a novas mídias (perceba como “novas mídias” também é uma expressão stressada). Não me ocorre o primeiro teórico a se valer da palavra neste contexto, e seu significado me parece tão distante que fica difícil atribuir qualquer sentido objetivo à mesma.
Suponhamos, para fim de exercício, que este teórico seja norte americano, ou inglês. “Engagement”, tradução grosseira, significa primariamente uma relação longa. Ora, o que fez com que uma “relação longa” com consumidores fosse tão falada justo agora, se já seria lucrativa desde os primórdios do capitalismo? Para saber exatamente o que quis dizer o teórico, seria necessário participar da experiência que o fez entender que esta era a melhor palavra para resumí-la. Poderíamos ao menos ter uma ideia objetiva, se a palavra ainda fosse capaz de produzir uma imagem em nossas mentes.
Observando sob a perspectiva do fim – ou seja, do objetivo – podemos chegar a um significado menos abstrato. O que fizeram as “novas mídias” para que essa palavra fosse mencionada de forma tão repetitiva justo agora? Nesse caso, não atribuiremos uma experiência à palavra, mas a associaremos a um universo de signos. As “novas mídias” propiciaram a aproximação das marcas à personalidade do consumidor, que se vale status e símbolos para construir um perfil público; permitiram que um conteúdo produzido com intenção de divulgar um produto seja alvo de conversas populares; que um material de campanha seja compartilhado pelos próprios consumidores; que marcas possam tomar partido em movimentos e tensões sociais; e mais uma infinidade de novas possibilidades, que afinal não são mais que um só assunto.
Ora, o que quer dizer a palavra então? Nada: ou muitas coisas, o que é impertinente para algo que deveria se esforçar por cumprir o papel de uma fórmula, de ser guardião de uma experiência. Ao utilizar a palavra engajamento, na grande maioria dos casos, o profissional de marketing não se refere a algo objetivo, mas a um universo de possibilidades ainda não dominadas, a um contexto de novos comportamentos.
Ou recorre a ela meramente como um paliativo, para cobrir algo para o qual não tenha justificativa ou explicação, da mesma forma que faria com jargões como “cortar o mal pela raiz”.
E como então poderíamos chegar à experiência original? Vivenciando-a, somente. Não me surpreende que depoimentos de personalidades alheias à indústria sejam tão bem repercutidos, a despeito de toda a soberba da maioria dos profissionais: geralmente vêm acompanhados de novas palavras, metáforas e expressões, que ainda são capazes de produzir imagens em nossas mentes. (o raso depoimento do músico will.i.am é um bom exemplo: http://bit.ly/j3D1Zo)
Eu não gostaria de terminar este post com um clichê, mas não vejo saída senão recomendar que você reinvente a roda, sempre que possível. Só não o leve tão a sério: se conselho fosse bom, vendia em loja. Já dizia a sua avó.
Verdade é um elemento de contexto. Muitas verdades juntas compõem linhas de raciocínio às quais outros conceitos aderirão se forem coesos em justaposição. Novas ideias repousam no conjunto, formando uma história factível que satisfaz nosso vício por compreender o mundo.
Eu chamo esse contexto de verossimilhança. É o mesmo fenômeno que nos faz aceitar que o Super Homem voe, desde que no começo da história uma verdade sólida o introduza, compondo o contexto do personagem vindo de outro planeta.
Este blog não tem a pretensão de estudar a visão do ser humano sobre o mundo, mas tomo essa liberdade para abordar um assunto tão recorrente nas mesas mais ébrias dos bares de todos os tipos: a crença.
Relatos e eventos que não conseguimos explicar nos incomodam e isso ocorre porque não são aderentes ao contexto que criamos para explicar o que nos cerca. Quando nossas verdades não introduzem uma nova ideia, tendemos a rejeitá-la. E se fazermos questão de combatê-la, é pelo desejo de extinguí-la antes que se torne massivamente aceita e force entrada sobre nossa verossimilhança.
A primeira reação é tentar sobrepujar essa ideia incabível em nosso contexto.
O embate das verdades
Verdades são sociais. Quando acreditamos que têm potencial de aceitação, somos os primeiros a defendê-las. Queremos que vivam e ganhem a sociedade, e queremos capitalizá-las. “Isso é verdade!”, você vai dizer ao concordar com algo que seja razoavelmente – mas ainda não massivamente – aceitável. Significa que você também porta aquele conceito em sua verossimilhança.
Não me surpreende que cientistas e estudiosos revolucionários tenham sido tratados como loucos ou queimados em fogueiras. A revelação de uma nova verdade implica na reorganização de todo nosso contexto. E o avanço da ciência ao longo dos anos produziu milhares de novas verdades. Mas o que tem a ciência de tão poderosa para dobrar nossos contextos irredutíveis? Simples: a ciência concorda.
A ciência tem bons argumentos. E se são bons, é porque partem de premissas aceitas em larga escala. Elas respeitam nossa verossimilhança com dados que fazem parte dos nossos contextos. Novas ideias científicas são acreditadas com maior facilidade, quanto mais facilmente pousarem ao lado de nossas verdades. E logo tornam-se contextos para a vinda de novas ideias, formando um cenário científico e racional.
Mas, ainda assim, temos que acreditar nelas. Eu nunca vi um átomo, ou um vírus. A evolução de Darwin faz sentido para mim, mas fui criado num contexto em que a própria modelou os pensamentos das pessoas. Não cabe aqui o embate com estas ideias, mas me parece que a aceitação delas não é diferente da que se tinha com outras que foram por elas derrubadas. E aqui refiro-me à religião.
Criacionismo é uma ideia que deixou de ser verossímil.
Acomodação
É fácil enxergar a religião, um evento agora tido “sobrenatural”, como uma ideia limitada que abrange aquilo que ainda não foi explicado pela ciência. Um contexto paliativo e necessário para ocupar um espaço no cenário, num tempo em que tal não seria possível de forma razoável.
Mas é na própria limitação que reside sua grande força. Não na formação do contexto, mas na provocação do inexplicável. Não no “o quê”, mas no “porquê”.
Por maiores e mais abrangentes que possam ser as nossas verossimilhanças, nunca serão elas tão completas quanto a da religião. Somente uma história com contornos de ficção pode alcançar o vazio posterior a uma verdade alcançada. Se acreditamos na teoria do Big Bang, logo pensamos que algo antes há de ter existido. Se acreditamos na infinitude do universo, é por não entendermos o “não haver”.
Podemos perfeitamente acomodar a teoria de Darwin nas nossas cabeças, mas não me parece um confronto contextualizá-la com um propósito anterior, líder de todas as (in)críveis coincidências culminantes nos menores e mais significativos eventos humanos, que podemos – e sempre poderemos – chamar de milagres.
A ciência está para o contexto como a crença está para o propósito.
Clichês viram paisagem. Acontece. Num olhar de relance, subestimamos: todo significado ali compreendido parece nos pertencer, sem que precisemos retornar à sua natureza. Passam a ser, portanto – como tudo mais que é subestimado – portadores de valor oculto.
Este não é um blog sobre clichês, mas como já descrito, entendo que a tradução de seus valores precisará ser abordada novamente neste espaço.
Credito a responsabilidade desta expressão de duas palavras ter-se tornado um clichê a somente uma delas. Ao falarmos da “Selva de Pedra”, nos remetemos imediatamente à “Pedra” e esquecemos de analisar o que alguém provavelmente quis dizer com “Selva” quando cunhou o termo. Vamos ignorar a “Pedra”, por enquanto.
A Selva
Para os nativos – animais – a selva é como o clichê: uma paisagem com um significado ignorado. E não me refiro à falta de cognição dos bichos, mas à fluência que têm em sua integração com o ambiente.
Encarne-se num macaco, por um momento, e imagine-se tendo que se locomover pela selva: embora os elementos presentes – àrvores, galhos, pedras – sirvam como meio para realizar a tarefa, suas existências não são consideradas, assim como não consideramos as palavras de uma frase rumo ao significado que desejamos alcançar.
Elas fazem parte do macaco.
O fator “Selva” deste famoso clichê está relacionado à naturalidade com que se encara os elementos que compõem o ambiente. Para um ser nativo, a natureza não precisa ser considerada e não causa estranhamento. Torna-se plano de fundo. E o que tem a pedra com isso, então?
(Nada a ver, eu acho.)
A Pedra
O quão natural é a pedra para o homem? Quantas gerações de gente de fato nasceram já no auge do asfalto? É importante, nesse ponto, olhar para as cidades como coisas mutantes, que necessitam de adaptação para acompanhar o formato da sociedade. Não alcançando a plenitude, continuam sendo coisas: causam estranheza. Elas existem demais. Com o perdão por mais um clichê, são uma pedra no meio do caminho.
Para alguém que chega à cidade pela primeira vez, a reação natural é encarar a enormidade dos prédios e intimidar-se com o volume de concreto. É a pedra sendo considerada, ou não sendo selva. Ruas e condomínios não são óbvios para nós como é a árvore para o macaco. Não deu tempo de serem! Para que tal acontecesse seria necessário que a estrutura urbana alcançasse seu auge e que sua base fosse mantida. Transitaríamos este ambiente até que nos fosse natural como uma perfeita selva de pedra.
Seria então este rico clichê um paradoxo inalcançável? Provável que não seja esta a opinião de quem o criou.
(Um dos muitos efeitos da porrada na américa foi o recuo na fluência: mudou-se drasticamente um dos espaços mais próximos da plenitude.)
Selva de pedra, enfim?
Não. Cabe aqui considerar que não tomamos as ruas a ponto de poder considerá-las uma selva. Criamos limites demais para isso: casas, carros, calçadas e tudo mais que fez das ruas um espaço de passagem e não de convivência.
Contudo, é possível encontrar nas maiores cidades (aquelas mais próximas de uma suposta plenitude) evidências de que a apropriação do espaço urbano caminha para a fluência.
A pedra vira clichê quando alcança o status de paisagem ou plano de fundo. E as evidências desta evolução são aquelas que demonstram a incorporação do espaço urbano na natureza do homem: a fluência com que manipulamos a engenharia dos veículos, a arte explorando muros como molduras ou a presença maciça de comércio informal brotando nas calçadas.
Não podemos prever se seremos mais rápidos que a mutação do ambiente para de fato nos tornarmos macacos da selva de pedra. Dependerá dos rumos da história e da nossa própria vontade de tomarmos o espaço, que se alterna com a também evidente tendência de reclusão e isolamento.
(comecei esta reflexão pensando específicamente em um rótulo. Tentarei complementar o meu estudo sobre o fenômeno ocorrido com tal rótulo posteriormente, mas percebi que poderia me valer da reflexão dos rótulos em si.)
A família Adams não era meu programa favorito na infância, mas sempre me causou grande perturbação. Ao fim de cada episódio, eu não saberia dizer se aquela família de bizarros marginalizados gostava do que é ruim ou achava o que é ruim bom.
A diferença é prática: gostar do que é ruim é subverter o uso de uma palavra, utilizando-a com o propósito inverso, para qualificar algo usando como apoio uma convenção social pré-concebida ou um senso comum.
Era o caso da Vandinha aceitar-se como avessa, como errada, e ao fazer algo reprovável pelo senso comum, como comer uma meleca, dizer: “que gosto ruim!”, embora sentisse prazer.
Veja: neste caso, Vandinha não discutiu ou protestou contra o senso comum. Muito pelo contrário! Ao invés de qualificar como “bom” algo que lhe agradou, reforçou o senso comum. Mas, ao mesmo tempo, libertou-se de qualquer convenção e abraçou o ruim. Mas que valor trouxe Vandinha à palavra “ruim”, ao associá-la ao seu prazer? E se mais pessoas fizessem a mesma coisa?
- E se essas pessoas fossem a maioria?
E se o rótulo, de repente, ganhasse valor? Não seria estranho ver pessoas orgulhosas de sustentarem carapuças criadas para discriminar? Esse dia chegou. Mais do que anseio por liberdade ou auto expressão, vejo na busca exacerbada por composição de perfis com signos ora depreciativos uma inversão de todos os valores do senso comum.
Que porra é essa?
O senso comum e a criação dos rótulos
Para começo, vale a reflexão sobre origem e função dos rótulos. Rótulos são atalhos para o senso comum. Convenciona-se uma verdade a partir da experiência coletiva e cria-se um ícone para esta verdade, carregado do significado daquela experiência. Estes ícones posicionam uma atitude, um objeto, um gênero e qualquer outra coisa, dentro do ambiente social. A partir deles, podemos submeter intuitivamente qualquer coisa ao julgamento social, antes de uma escolha.
Contudo, embora socialize a experiência, o rótulo a separa de seu significado intrínseco. Contando com os rótulos, frequentemente nos deparamos com situações nas quais não sabemos justificar nosso próprio comportamento. Quantas vezes nos restringimos baseados em máximas supérfluas como “mas isso é coisa de veado”, “isso não se faz mais” ou “coisa de nerd”?
O distanciamento do significado intrínseco ao rótulo é a chave para sua subversão. Quando deixa de estar diretamente associado à experiência que o originou, o rótulo ganha potencial para mudar seu posicionamento dentro da sociedade. Contudo, para que tal mudança ocorra, os novos valores devem ser acordados com o próprio senso comum.
Orgulho Nerd é como Orgulho de Comer Meleca?
Onde nasce a subversão
O senso comum se trai. É impossível que a infinidade de rótulos baseados em experiências coletivas não se contradigam ao que se cruzam. O indivíduo escolherá para compor seu perfil o rótulo que melhor lhe convier.
No mesmo contexto que promove uma atitude como inconsequente, abraçar um rótulo pode ser um signo de coragem. Este rótulo volta, então, a ser submetido ao senso comum e muda de significado a partir de uma nova experiência coletiva. Mas veja, o rótulo não mudou, somente o acordo social.
Estupidez não é um rótulo: ao tentar atribuir novo valor à palavra, a Diesel expõe a fragilidade dos acordos de significado.
E por que há de convir a escolha do rótulo? A mudança na estrutura social permite o surgimento deste tipo de oportunidade. Bradar a frase “eu sou Nerd” não só é identificar que um comportamento outrora restrito a um pequeno grupo tornou-se uma praxe, como também entender que aquele comportamento passou a ter significado positivo aceito pela sociedade.
Para efeito de ilustração: o surgimento de grandes empresas de tecnologia transformou alguns entusiastas em famosos bilionários; o uso de artigos eletrônicos como computadores e smartphones popularizou-se; pessoas depararam-se com o uso intenso destes artigos, evocando o rótulo do nerd – outrora de valor negativo – mas assumiram-no, esperançosos por pegar uma carona na mudança de valor do rótulo; tal mudança é causada pela imagem dos bilionários e do reconhecimento do senso comum (posterior ao “reconhecimento” econômico) sobre a importância do que antes era proibitivo.
O que flutua não é o conjunto de significados atribuídos àquele ícone, mas seu posicionamento perante a sociedade!
A contradição de esforços e resultados às vezes me causa confusão. Atitudes opostas frequentemente levam ao mesmo caminho – seja ele desejado ou não.
Este post usa o anterior como premissa. Este não é um blog sobre grupos sociais, nem tem posts seriados como padrão mas, novamente, entendo que haja a possibilidade de tais recorrerem posteriormente.
Grupos e Coincidências
Pense em grupos sociais como interseções de gente. São reuniões em torno de coincidências, e o resto de nós, deixamos de fora! Seremos pré-dispostos a sermos nós mesmos quantas mais forem as interseções sobre as quais o grupo foi montado.
Ora.
Por mais que seja possível encontrar um grupo grande e homogêneo, é natural então encontrar mais conforto nos grupos, quanto menores sejam. Não me espanta que a forma de convivência mais comum entre gente seja a do casal. Mas é interessante concluir que necessariamente somos mais espontâneos quando estamos a sós.
Nesta lógica, quanto menos coincidências ligarem um grupo, menor será a esfera de assuntos circulando dentro dele. Que tal então um grupo de uma só coincidência? Toda uma organização social voltada para um só tema: parece com um culto para você?
Grupos e Vocações
Embora haja infinitos tipo de grupos, movidos por todas as sortes de reuniões e coincidências, vejo neles somente duas vocações: exclusão e abrangência.
Um grupo que gira em torno de somente um pilar forma uma perfeita estrutura retórica. Ela é convidativa! Estão ali reunidos os guardiões de (somente) um valor: uma minoria correta e resistente, dentro de um universo maior e desunido.
Reduzindo-se o universo a somente um valor, tem-se uma divisão binária: ou você faz parte do grupo, ou de todo o resto. E na estrutura do discurso, o mal (o resto) é sempre a maioria: na igreja, são poucos fiéis num mundo de pecadores; num estádio de futebol, são poucos torcedores num mundo que torce para qualquer outro time.
Trata-se do lar do rebelde, do post anterior.
Tal estrutura retórica é o abrigo perfeito da pregação. Aquele que se desgarra da suposta maioria encontra motivação racional e pertença. Tudo o que você precisa para reforçar sua decisão está ali em circulação constante, já que o grupo não compartilha de qualquer outro valor. E o catalisador de tal decisão é o anseio para o qual a coincidência do grupo é resposta: frustração (por algum motivo); curiosidade, que seja.
Bastará participar do grupo para contaminar-se com a irresistível retórica da minoria. E a minoria será sempre cada vez maior. Sua vocação é da abrangência.
o camarada Obama reduziu a estrutura da sua retórica a uma só coincidência.
Já um grupo que gire em torno de muitas coincidências tomará, naturalmente, o caminho contrário. Mas se diferenciar-se é um anseio por pertença, que caminho é este?
Fazer parte de grupos cada vez mais seletos não nos significa se não comunicarmos nossa capacidade de fazer parte dos mesmos. É o caráter competitivo e a vocação de exclusão que movem este grupo.
A busca por exclusividade é uma busca por status. Se não faz parte da vocação construir uma estrutura retórica a partir da mobilização do grupo, a própria postura de não pregar é o que torna o grupo atraente.
Como a busca deste grupo é pela exclusão, ele prezará pela adesão de mais coincidências. Uma revogação perene dos direitos de participação dos membros, que tornam-se sempre cada vez menos.
Há um paradoxo neste título, ao qual chegaremos em tempo. Antes disso eu gostaria de adicionar um contexto. Moro em São Paulo há poucos meses, vindo da região metropolitana do Rio de Janeiro. Cidade pequena, bairro menor ainda, gente que se trata pelo nome e se encontra na padaria.
Esse também não é um blog sobre as impressões de um chucro na “cidade grande”, mas eu certamente voltarei ao tópico. O primeiro elemento do contexto nasce deste contraste.
1 – O espaço das metrópoles e o impessoal
É consenso que o molde das grandes cidades proporciona distância entre as pessoas. Um clichê, na verdade, com tom algo bucólico e saudosista. Clama pela sensibilidade como eixo para a vida em comunidade.
Legítimo, embora inadequado ao cenário.
Vivemos de passagem nos lugares e temos a nítida sensação de não nos afixarmos a nada. Um xingamento no trânsito passa impune, pois nem você nem o outro sujeito pertencem àquela rua e portanto jamais terão outro encontro. Não há ganho contínuo nas relações: começamos cada história do zero, novamente e assim por diante, cada vez que temos a necessidade de interagir dentro da comunidade. E não o faríamos com outro motivo.
Crash é um clichezão e fala dessa falta de tato
Sem afixação, não encontramos pertença. A cidade é desenhada para os carros (repare como somos monstros sociopatas dentro dos carros): saímos de casa, vamos ao trabalho, resolvemos coisas rotineiras e passamos boa parte do resto do tempo trancafiados em apartamentos.
Considerando que o rastro, a história dessa saída é absolutamente volátil, surge o anseio por relevância. Medo de sumir.
2 – A especificidade e a teoria do “tem tudo”
Não serve bem como continuação pro primeiro ponto, mas é importante entender que a partir de determinado tamanho, as cidades passam a ter basicamente tudo o que você imagina.
Veja, não estou divagando sobre “tribos”. Por mais fugazes que possam ser – novamente: passageiras – as reuniões sociais têm temas específicos. São bandeiras.
Numa cidade pequena, os encontros são meta-físicos: o tema é um plano de fundo para um grupo que não teria outro propósito senão reunir-se em grupo. Prova disso é serem absolutamente incoerentes culturalmente, misturarem estilos e serem, em geral, difíceis de serem definidos com um gênero.
Numa metrópole os temas são o eixo da reunião, simplesmente porque a diversidade o permite. Você não está só em seus interesses pessoais e a tendência é que haja um círculo em torno de cada um, por mais específico que seja.
Perceba que embora falemos de encontros sociais, a forma de ingresso é a coincidência de interesses pessoais, que – quanto mais específicos – mais tendem a diminuir o tamanho dos grupos. Chegamos ao paradoxo.
3 – O Rebelde Igual
Numa comunidade clássica – até aqui representada por uma cidade pequena – rebelar-se é buscar independência. Diferenciação. O anseio pela auto-expressão e a busca por manifestar vontade própria são uma resposta ao nadismo dos encontros sem tema: pautados na própria estrutura da comunidade.
É o movimento natural do rebelde: desligar-se do grupo.
Pertencer e diferenciar-se são opostos clássicos.
O ato da rebeldia em si também é praticado numa metrópole, mas na direção oposta! Somente ao manifestar um interesse específico o rebelde encontra um grupo social ao qual pode pertencer. Seu grito de liberdade ecoa em ouvidos semelhantes e satisfaz a busca por testemunhas da sua existência.
Uma resposta ao anseio por ser notado, numa estrutura que move-se por si só e faz as pequenas partes parecerem irrelevantes.
Este não é um blog sobre arcade. Eu certamente citarei jogos de fliperama novamente, mas não é meu desejo que este seja o tema central do blog. Entendi, contudo, que era um bom assunto para o primeiro post. Tenho andado muito em rodoviárias.
A existência dos fliperamas e seu auge têm seu valor negligenciado. Eu, que sou novo para ter presenciado a gloriosa febre dos pinballs, vivi contudo uma época em que fliperamas não eram uma coisa retrô. Acompanhei com algum pesar o sumiço gradual das “casas de fliper”, dos arcades em bares, restaurantes e locais públicos. Ainda é possível encontrá-los – no Brasil, o caso mais comum são as rodoviárias – onde a presença dos games tornou-se um clássico.
Eu não posso garantir que os arcades continuarão existindo – quem dera pudesse - mas creio que por ora vivam apoiados nas 3 características que mais me me fascinam:
1 – A Coisa dentro da caixa.
Você não domina um fliperama como domina um videogame e há um motivo para isso. É um episódio de percepção. Encarar uma máquina do seu tamanho é uma experiência diferente de ligar um pequeno aparelho eletrônico na tomada. Ela te encara. Te desafia. Apertar botões sentado em um sofá não se compara ao envolvimento de estar de pé e usar boa parte do seu corpo para manipular o programa.
Não há domínio em nada sobre a origem daquele jogo. Você não o comprou, não o tirou da caixa quando ainda era novo. Ele chegou ali antes.
(o filme é terrível, mas o trailer me deu arrepios)
Se você jogou algum arcade, certamente lembra de jogos clássicos como Cadillac Dinossaurs ou Double Dragon, mas lembra do fim de algum deles? Provável que não. Arcades são experiências curtas: são difíceis e cada tentativa custa dinheiro. Isso torna a imersão no game ainda mais obscura e misteriosa. Boa parte dos games mais famosos no fliper não foram sucessos para consoles: você não tornou-se mestre nele, não aprendeu todos os golpes, macetes e manhas. Há potencial ali a ser explorado.
Aquele desafio mantém-se ereto no canto de alguma sala, aguardando aquele que talvez seja o primeiro a superá-lo, num feito que possivelmente jamais será reconhecido. Mas talvez seja. O segundo ponto é sobre isso.
2 – Arcades são sociais
Procurando no Google você vai encontrar posts suficientes sobre social games, mas talvez não encontre suficientes sobre arcades, que são como os bisavós dos social games.
A premissa básica dos games sociais é promover a disputa entre jogadores e registrá-la publicamente, criando um rank de jogadores no qual – portanto – o ganho virtual de pontos passa a representar ganho de capital social (dentro da rede formada em torno do game). Ora, o que é isso senão o arcade!
(The Wizard e a busca por reputação)
Lembro ainda do nick name que eu usava nos fliperamas da infância. Contavam apenas com 3 caracteres. Eram o registro da construção de “moral” de um gamer – mesmo que fosse só tentativa – acumulando reputação pela cidade. Pena que não fossem ligados entre eles: se em algum ponto eu fui o melhor de todos, nunca fiquei sabendo. Mas a própria falta de conexão nos leva ao terceiro ponto.
3 – Arcade e geo-localização
Se você tem espírito competitivo e gosta muito de fliperamas, faz questão de registrar seus recordes por onde passa. O que nos motiva a fazer isso é imaginar ali gravado o nosso nome, num monumento – oculto que seja – eterno.
“Eu estava lá.”
É um ato tão territorialista quanto uma pintura rupestre, uma pixação ou uma prefeitura no Foursquare. Sua passagem ficou marcada. Saber que um momento tão único e genial foi registrado, mesmo que na ausência de testemunhas, é um estímulo irresistível para os amantes deste gênero de games – que hoje tornou-se underground.
Lá estava você, num canto esquecido, num horário inóspito, participando de algo maior e entrando para a história.