Como representante de uma sociedade secularizada e organizada na liberdade, o Estado moderno não pode pretender exercer o poder punitivo para prosseguir uma idéia de moralidade absoluta, mas antes tarefas práticas de defesa da sociedade e do direito; não realizar a justiça por ela própria, mas servir o bem comum de forma justa. Toda a pena tem imanente um momento de finalidade. E é neste momento de finalidade que reside a razão por que há-de, à partida, recusar-se toda a tentativa de definir o crime a priori e de o determinar à margem da ideia de fim.
Writers and people who had command of words were respected and feared as people who manipulated magic. In latter times I think that artists and writers have allowed themselves to be sold down the river. They have accepted the prevailing belief that art and writing are merely forms of entertainment. They’re not seen as transformative forces that can change a human being, that can change a society. They are seen as simple entertainment — things with which we can fill twenty minutes, half an hour, while we’re waiting to die. It is not the job of artists to give the audience what the audience want. If the audience knew what they needed, then they wouldn’t be the audience; they would be the artists. It is the job of artists to give the audience what they need.
Seriously. Jesus started the whole wait-three-days thing. He waited three days to come back to life.It was perfect! If he have only waited one day, a lot of people wouldn’t have even heard that he died. They’d be all, “Hey, Jesus, what up?”, and Jesus would probably be, like, “What up? I died yesterday!”. And then they’d be all, “Uh, you look pretty alive to me, dude.”. And then Jesus would have to explain how he was resurrected and how it was a miracle. And then, the dude would be, like, “Uh, okay, whatever you say, bro.”.
[…]
Plus, it’s Sunday, so everyone’s in church already. They’re all in there, “Oh, no, Jesus is dead.” Then, bam! He bursts through the back door, runs up the aisle. Everyone’s totally psyched. And, FYI, that’s when he invented the high-five. Hmm. Three days, Ted. We wait three days to call a woman because that’s how long Jesus wants us to wait.True story.
Center of the Universe do Kamelot conta o início de uma história continuada por dois dos melhores albuns da banda - Epica e The Black Halo. Tudo começa na obra de introdução do Epica, Prologue, inspirada no “Prologue in Heaven” de Fausto, do Johann Wolfgang von Goethe. Nela, Mephisto e Deus fazem uma aposta - caso Mephisto consiga obter a alma de Ariel, o homem favorito de Deus, ele teria a permissão de voltar ao Paraíso. Porém, caso Mephisto falhe, ele será condenado ao Inferno para sempre.
Abaixo eu traduzi o significado para a história de cada música do Epica, antigamente postados no site oficial da banda. Além de ser musicalmente muitíssimo bem trabalhado, aconselho ler escutando (mesmo que via Youtube) pois a história é, também, fantástica. Depois eu posto a March of Mephisto, primeira música do The Black Halo, e o significado de cada uma de lá.
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Center of the Universe
Somos apresentados à mente inquieta de Ariel. Ele imagina que, algum dia, próximo da morte, alguém deve ter descoberto a verdade que ele procura. Sem esta verdade, ele sente-se sozinho em sua terra natal (seu centro do universo). Um momento de calma adentra a mente furiosa de Ariel (representado musicalmente por um dueto melódico) no qual ele decide que, tendo exaurido toda fonte de conhecimento de sua terra natal, suas respostas devem estar em algum outro lugar.
Farewell
Ariel dá adeus à sua antiga vida. Ele queima todas as pontes e corta todos os laços com todos que ele já conheceu - incluindo Helena, seu amor de infância. Por fim, ele rejeita Deus, que aparentemente é incapaz de remediar as dúvidas e aflições da condição humana. Ansioso por começar sua jornada, ele embarca no primeiro navio disponível e parte para o oceano, para nunca mais voltar.
Interlude I - Opiate Soul
Esta faixa marca a passagem do tempo, na qual Ariel gasta vários anos viajando pelo mundo em busca da verdade.
The Edge of Paradise
Sem resultados após anos de busca, Ariel volta-se para o oculto e drogas alucinógenas (representadas por vocais arrastados e uma exótica melodia árabe), das quais ele desenvolveu um vício. Sob a influência dessas práticas, ele experiencia uma breve visão de Mephisto, apesar de que até o momento ele nada sabe sobre o anjo caído ou sua aposta divina. Ariel também percebe que seu modo de vida não irá leva-lo até a grande resposta, a qual ele deseja mais do que nunca.
Wander
Desesperado, Ariel desiste de sua busca e vaga, sozinho e sem rumo, pelo inverno (estação na qual o resto deste conto se passará). Ele pensa sobre Helena, com o desejo de voltar à infância em que eles passaram juntos.
Interlude II - Omen
Esta suave e lenta faixa marca a mais escura hora de Ariel, onde ele se prepara para tirar sua própria vida. Porém, Mephisto, com sua aposta ainda não vencida, tem outros planos.
Descent of the Archangel
Banhado na auréola do luar, Mephisto descende em uma glória angelical para Ariel. Ele se apresenta para Ariel, e propõe um acordo: Ele servirá Ariel durante sua vida, garantindo todos seus desejos, e cedendo toda forma de poder - na condição de que, quando Ariel morrer, Mephisto fique com sua alma. Apesar da oferta ser tentadora, Ariel é incialmente desconfiado.
Interlude III - At the Banquet
Ariel se encontra transportado para o glorioso castelo de Mephisto, onde o anjo caído oferece um banquete em sua honra. O clima festivo é representado musicalmente a medida em que Mephisto faz sua entrada na festa.
A Feast for the Vain
Ariel aproveita uma noite de gula, festejo e companhias prazerosas nas mãos de Mephisto. Impressionado e oprimido pelo explendor e a glória, suas últimas dúvidas são banidas; ele aceita a amizade de Mephisto e consente com o acordo - com uma modificação: se Ariel algum dia tiver um momento em que ele se encontre tão contente que ele deseje permanecer ali para sempre, apenas então Mephisto poderá ter sua alma. Mephisto aceita a modificação no contrato.
On the Coldest Winter Night
Saindo do castelo de Mephisto, Ariel, entre todas as pessoas, encontra Helena, que mal sabia ele, procurava por ele por todos esses anos. Um baixo acústico representa o calor e o amor entre eles, mesmo após todos os anos separados. Os dois amantes abraçam-se com força e ficam juntos durante a noite de inverno na Cidade próxima. Durante esta noite, Helena concebe o filho de Ariel - embora nenhum deles saiba disso.
Lost & Damned
Após permanecer na Cidade com Helena por algum tempo, Ariel decide que, com o poder que Mephisto deu a ele, é hora de continuar sua jornada. Mas ele não está disposto a submeter a boa e pura Helena às dificuldades de sua jornada e à sedução de Mephisto. E apesar de amar Helena, ele ainda ainda considera as respostas que procura mais valiosas que o laço que eles compartilham. Em suas palavras, “O amor não significa nada para mim, se há um lugar superior para se estar.”. Então, apesar de ainda amar Helena e apenas Helena, ele abandona-a. A discórdia entre os dois é retratada por uma bateria rápida em contraponto com teclados mais lentos.
Helena’s Theme
Arrasada, Helena jura que amará Ariel mesmo na morte, e afoga-se; por consequencia, junto com a criança em seu ventre, no Rio próximo. Na prece do Espírito do Rio, ambos Helena e a criança (“Alena”) ascendem para o Paraíso.
Interlude IV - Dawn
Quando surge a manhã, o Anuciante (sic) da Cidade proclama as ações de Helena na noite passada. Seu corpo havia sido encontrado no Rio, e descobriu-se estar com uma criança.
The Mourning After (Carry On)
Em um sonho, Ariel testemunha a dupla morte. Seu pavor é confirmado pelo Anunciante da Cidade. Ele está chocado e arrasado pela morte de Helena e de seu filho, do qual sequer sabia da existência. Oprimido pela perda e pela solidão, ele sofre por Helena. Ainda assim ele sabe que ele precisa continuar em sua jornada. Afinal, se ele falhar, então pelo que ela morreu? Seria uma desonra para com sua memória não cumprir a tarefa pela qual ele a deixou, e a compeliu a tirar sua própria vida.
III Ways to Epica
Mephisto encoraja Ariel a continuar sua jornada, racionalizando a morte de Helena como o custo de “brincar com fogo”. Ele pede a confiança de Ariel e clama que ele saia de sua depressão, proclamando que todas emoções humanas, que nascem na paixão, são destrutíveis. Helena, agora no Paraíso, declara que o amor é a única coisa que os humanos realmente sabem, e que, contra isso, as forças da escuridão nunca poderiam prevalecer. Ariel, desesperado, culpa Deus por sua dor. Sua culpa sobre a parte que ele desempenhou na morte de Helena o consome, e ele sente que está além da redenção.
E aqui acaba a história no Epica, a ser continauda no The Black Halo..
Thomas Hobbes, filósofo inglês do século XV, foi um importante autor das teorias sobre o Contrato Social que firmamos na sociedade; o contrato de eleger uma figura abstrata (o Estado) como regulador de nossas próprias vidas, pois segundo o próprio, o ser humano por natureza não consegue viver em harmonia com os outros sem este.
Não vou dizer que discordo. Em um Estado de Natureza, como Hobbes se refere a esta realidade sem governo, não há uma clara organização sobre a distribuição de recursos, tornando-os, a principio, escassos. Também não há um órgão “policial” para reprimir os infratores da lei – de fato, não há lei alguma além do princípio “não faça ao outro o que não queres que façam a ti”; porém, como não há garantia que o próximo seguirá este princípio, na prática aqueles que vivem pela lei acabam tornando-se mais frágeis. Colocando desta forma, não é difícil concordar que a figura de um Leviatã, uma criatura onipotente que regula a vida da sociedade, é essencial para a manutenção da mesma. Porém, as idéias de Hobbes eram baseadas em seu medo (de certa forma, válido) da anarquia na época em que viveu.
Então vamos à definição sintética do Estado de Natureza: em primeiro lugar, há liberdade plena de ir e vir, e para qualquer um fazer o que bem entender sem nenhum tipo de punição prevista. Em segundo lugar, é um estado de igualdade absoluta, pois todos os homens são naturalmente iguais e não há títulos ou bens que torne um, a principio, superior ao outro. Em terceiro lugar, é regido por uma Lei da Natureza, não há nenhuma lei do homem ou código previsto; sequer há tradições ou costumes para regular a vida desta sociedade. É aqui que começa o exagero de Hobbes.
Hoje em dia vivemos em dois mundos – o que chamamos de real e o virtual. Não limite este segundo a jogos e MSN, estas são pequenas porções do que é a Internet como um todo. Pense neste mundo como o conjunto inteiro; blogs, vídeos, sites de downloads, sites de notícias, jogos, relacionamentos, sites institucionais e de compra e venda. Se você conseguir visualizar este mundo artificial como sendo tão real quanto o nosso, notará que estes elementos são independentes entre si, mas convivem em um estado de cooperação e harmonia. Mesmo os serviços concorrentes são civilizados, não tentam destruir um ao outro. Todos também são iguais – talvez uns com mais capacidade de armazenamento que os outros, uns mais úteis que os outros, mas ainda assim não há como negar que todos são acessíveis com a mesma facilidade e possuem o mesmo potencial, bastando um endereço. Finalmente, não há nenhuma Lei Fundamental, excluindo, no máximo, princípios éticos humanos básicos (e ainda assim, nada impede a quebra destes).
Trazendo esta realidade para uma sociedade humana, temos uma organização autônoma onde cada um trabalha para prover o que pode fazer de melhor. A motivação é irrelevante; alguns o farão para gozarem de boa reputação, outros o farão para pagar o débito moral de alguém que os ajudou no passado, outros o farão para sentirem-se parte de algo maior, outros ainda farão para provarem que fazem o que quer que seja melhor que os outros. Não há problema desde que haja trabalho (afinal, a necessidade de trabalho é garantida).
Ainda assim, não podemos fingir que todos se darão por satisfeitos. Sempre haverá aqueles que se recusarão a trabalhar. Estes, julgo que a sociedade tem a capacidade de eliminar via a exclusão que eles mesmos acabam se colocando. Aqueles que não são harmoniosos com o conjunto acabarão sendo excluídos naturalmente, como um site sem muitos acessos. Não há interesse na contribuição que estas pessoas trazem, portanto lhes resta adaptar-se às necessidades do conjunto ou excluir-se, talvez procurando outro grupo que o aceite.
Ok, este pequeno artigo não tem a pretensão de se opor à reflexão de anos de estudo de Hobbes ou qualquer outro autor contratualista, mas apenas propor um cenário diferente e não tão distante para que possamos pensar. Depois de ler Locke e Rousseau provavelmente postarei minhas interpretações de suas visões também e vamos ver no que dá.
Hours of Wealth do Opeth é sobre tirar um tempo sozinho para refletir e colocar tudo em ordem dentro da mente. Isolar-se em um lugar desconhecido até ter certeza sobre como agir, para só então faze-lo. E por acaso também é uma ótima música para se escutar fazendo isso.
Agradecimentos ao @justmajortom por ter me mostrado Opeth com essa música long, long, long time ago.
Outro dia eu comentei que estava começando a escrever um romance policial. É mais ou menos assim que ele começa. O prólogo só apresenta o modus operandi do criminoso e põe o caso na mesa do personagem principal, então garanto que é uma leitura rápida embora levemente violenta.
— Prólogo.
Alice sabia que estava prestes a morrer. Havia algo na voz e no olhar de seu captor que fazia ela ter certeza disso. Tudo que restava à ela era desejar que partisse sem dor, e saber o por que de tudo aquilo. Algo lhe dizia que nenhum de seus pedidos seriam atendios. E ela estava certa.
“Vinte e três anos estudando para acabar assim, em um porão imundo, com um psicopata!” pensou, entre lágrimas e soluços abafados pela silver tape em sua boca, presa à uma cadeira, no escuro. Ela se esforçava para livrar-se das algemas em suas mãos, porém seus punhos já estavam sangrando em carne viva e não havia conseguido progresso algum. Eventualmente escutou passos vindo do andar de cima. Por um breve momento criou esperanças de que alguém havia encontrado-a, que o socorro viria, afinal, mas logo abandonou-as. Sabia que ninguém suspeitaria sua ausência durante o fm de semana. Talvez demorasse até mais de uma semana até que começassem as buscas por ela, e a cada segundo temia mais que encontrassem apenas seu corpo.
Uma luz cegou seus olhos, vindo da porta que levava para fora do porão, agora aberta. Uma figura interrompeu sua trajetória por um momento, formando a silhueta de um homem não muito alto, mas forte, que logo fechou a porta atrás de si. Descia a pequena escadaria que levava até ela calmamente, acendendo uma luz logo acima dela no caminho. Ao aproximar-se, ela pôde notar que o homem vestia apenas uma calça social preta e sapatos, além de trazer consigo uma seringa e um bisturi. Alice sentiu sua espinha congelar instantaneamente.
“Você sabe o peixe fugu, ma’belle?”. Resmungos abafados e gestos furiosos com a cabeça como resposta. “Calma, calma. Vai ficar tudo bem..”. Enquanto falava, também se aproximava com um sorriso sereno. A visão de Alice foi ficando cada vez mais nublada por suas lágrimas, já vertendo incontroláveis de seus olhos. Sentiu a agulha no seu pescoço e tentou resistir, sem sucesso algum. Sentiu a substância começar a fluir no seu sangue, e suas extremidades começando a ficar anestesiadas e paralisadas. A sensação começou a subir por seus braços e pernas rapidamente, mas antes que chegasse à seu coração, sentiu o bisturi em seu peito. Tentou puxar o ar uma última vez, em desespero, mas sequer isso conseguiu de tamanho terror. Seu último pensamento, em meio aos inúmeros cortes em seu corpo e seus próprios gritos, vocalizados apenas em sua mente, foi uma ironia. Naquele lugar havia um forte cheiro de café. E ela odiava café.
— Semanas depois, no escritório do Detetive Harris.
Naquela sexta-feira, às 19:20, eu estava cansado. Não havia conseguido dormir mais de quatro horas naquela semana, e tudo por causa da burocracia. Morte, impostos e burocracias, não há como fugir delas. Ainda assim, eu sentia que vivia perto demais de tudo aquilo. Três batidas na porta me trouxeram de volta à realidade, e o caso nas mãos de Tânia me faria desejar ter saído mais cedo, apenas naquele dia. Nada me cansaria mais do que aquele caso. Mas eu ainda não sabia disso.
“Temos um caso, chefe. Garota, por volta dos vinte anos.. Bem, aparentemente isso é tudo que conseguiram deduzir. A polícia está investigando as recentes desaparecidas para tentar identificar..”. Interrompi. “Espere, a polícia ainda não identificou a vítima? Afinal, o que sobrou dela?”. “Aparentemente, apenas pedaços de ossos carbonizados, chefe..”. Repulsa. Mas ao mesmo tempo, o sentimento de dever. De que algo precisava ser feito. “Prepare o café e já pode ir, Tânia. Vou levar o caso e segunda-feira vamos atrás desse cara.”.
Martius / Nauticus II é uma obra sobre alguém que transcendeu o estado humano para se tornar algo mais. Alguém que não pode mais ser objetificado ou ser feito em estatísticas, alguém que simplesmente “É”. Ao menos essa é minha interpretação. (:
Para variar, a construção instrumental do Pain of Salvation é extremamente bem trabalhada, e o vocal profissional do Daniel Gildenlöw é simplesmente inspirador.