Ex-Estagiário, estudante de Comunicação e Multimeios, cinéfilo pseudo-cult e besta até dizer chega...
“Após ter um problema no carro, um casal de noivos se vê obrigado a pedir ajuda aos moradores de um castelo, sem saber que lá moram alienígenas do planeta Transexual da Galáxia Transilvânia, e que o anfitrião é um cientista louco, travesti e bissexual, que pretende criar um homem em seu laboratório para satisfazer seus desejos sexuais.”
Sweet Transvestite
Esse é o tipo de sinopse que poderia fazer sua avó distribuir bengaladas furiosas em atores, diretores e donos de cinema. E me chamou a atenção há muito tempo atrás, quando eu era uma pobre criança caolha, que achava “Pokemon – O Filme” algo… Genial!
O filme começou e achei tudo muito chato, preferi ir ver desenho. Agora, muitas conjuntivites depois, é chegada a hora de redenção! Muitos se gabam por ai de terem visto sessões de cinema inesquecíveis, é a nossa vez. Dá até para enumerar:
“Eu vi o Poderoso Chefão na estréia. Nada pode se comparar àquilo” – Crítico de cinema recalcado
“Eu vi Star Wars acompanhado do ridículo robô dourado e molhei as calças” – Nerd recalcado
“Eu vi o King Kong original no cinema! Foi mágico! – Múmia recalcada
Pois digo com toda convicção que a sessão interativa de ”Rocky Horror Picture Show” é definitivamente a melhor sessão de cinema do mundo! E está ao seu alcance.
Contextualizando: “Rocky Horror” é um musical kirsh de 1975, baseado em uma peça de teatro. O tom satírico e sensual do filme acabou por afastar o grande público, mas causou clamor entre o povo cult, resultando em sessões especiais do filme, em que os fãs se reúnem para celebrar a obra!
O melhor é que essas sessões chamam o público para participar do filme! São fornecidos alguns objetos que devem ser utilizados durante cenas específicas. Então, se o filme começa com um casamento, sobra chuva de arroz na sala de cinema… Se Brad e Janet, os protagonistas, se perdem em meio à chuva, água é jogada para todo lado e você tem que se proteger, como os personagens, com folhas de jornal. Isso sem contar os números de dança e cantoria, em que o pessoal se levanta e solta a voz. Coisa linda de se ver!
Ouça “Time Warp” e dance também: http://www.youtube.com/watch?v=DMkOt6nVQlU
Essas sessões especiais já são clássicas pelo mundo todo! Um cinema em São Francisco organiza uma em todo Halloween, sempre a meia noite. E no Brasil, felizmente, não ficamos de fora. Sempre que ouvir falar de uma exibição de Rocky Horror, corra! A surpresa pode ser grande e inesquecível!
PS: Se você é rabugento, fuja! O cara da poltrona ao lado da minha parecia que ia matar alguém!
PS2: Agradecimentos ao Sr. Alex (do Cine Resenhas), que me convidou para o CineSESC e para o Sr. Henrique (do 3Paragráfos), que me lembrou de escrever um texto sobre essa experiência catártica!
PS3: Um vídeo game caro.
Nada mais, nada menos que Jean-Claude Bernardet e Eduardo Coutinho, entre outros figurões do cinema, estarão presentes na mostra Cineastas e Imagens do Povo que acontece este mês no CCBB. O evento reúne documentários citados no livro homônimo de Jean-Claude, a mais abrangente antologia da história do documentário brasileiro moderno. Além de resgatar a história do nosso cinema, o evento exibe algumas cópias novas, confeccionadas especialmente para a ocasião.
Data: 19 de maio a 06 de junho
Local: Cinema (70 lugares) e mezanino | Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Ingressos: R$ 4 e R$ 2 (meia-entrada)
(Clientes BB, funcionários do Banco Nossa Caixa, estudantes, professores da rede pública e maiores de 60 anos pagam meia-entrada. É indispensável a apresentação de documento que comprove o direito à meia-entrada)
Classificação indicativa: de acordo com o filme
Maiores Informações: (11) 3113-3651/52
A programação também conta com a realização de debates com a presença de realizadores e de um curso ministrado por especialistas, organizado com o apoio da Universidade de São Paulo. O público tem a oportunidade de assistir filmes que falam das grandes questões culturais, políticas e sociais vividas no país nas últimas quatro décadas. A maioria deles se encontrava inacessível às novas gerações até esta merecida homenagem ao trabalho de um dos maiores críticos de cinema ainda em atividade no Brasil.
Programação ( http://www.bb.com.br/portalbb/page512,128,10163,1,0,1,1.bb?codigoMenu=9904&codigoNoticia=23978 )
Saia da internet. Abandone a Sessão da Tarde. Corra para o centro!
É fato que Hollywood tem passado por crises de criatividade nos últimos anos. Adaptações e seqüências tem sido o grande porto seguro da indústria. E filmar quadrinhos tem sido um dos grandes responsáveis por manter a bilheteria lá no alto. Quer saber o porquê? Então sigam-me os bons! [No Chapolin Intended]
O processo de criação de quadrinhos profissionais não é muito diferente da criação de um filme. Existe um roteiro com uma história (ou uma péssima história) e existe a imagem. Esse processo às vezes é tão próximo, que muitos diretores preferem trabalhar com esboços de cena – os storyboards, como forma de resolver o produto final antes das filmagens. Nada mais normal do que ambas as mídias andarem juntas. (Claro que isso não é regra. Watchmen, por exemplo, é perfeita no papel. Levada fielmente ao cinema, não agradou tanto…)
O caminho dos quadrinhos no cinema começou cedo. Os super heróis da DC Comics já faziam a cabeça de muita gente em longínquas séries de TV (E como esquecer o clássico filme do Superman?). Nada comparado ao que existe hoje, claro. É piscar e ver um a nova adaptação de HQ no cine mais próximo.
Parte desse sucesso atual se deve a empreitada da atual líder do mercado de quadrinhos, a tia Marvel. E quando ela resolveu tomar as rédeas de suas próprias adaptações, não parou mais. Restou aos outros correrem atrás do prejuízo.
Depois de vários fracassos (dá medo só ao lembrar de filmes como Geração X, ou mesmo o Quarteto Fantástico de 19 e bolinhas), a luz no fim do túnel foi um tal de X-Men.
A receita é simples:
Um filme anterior fez um sucessinho (Blade – O Caçador de Vampiros).
Uma história amada por milhares de fãs (graças aos desenhos que passavam de manhã na Globo, SBT e afins … rsrs)
Um bom diretor (Brian Singer)
E uma visão menos infantil. O lance aqui é adaptar a essência da história, buscando relações com o mundo de hoje (Preconceito na roda!).
E claro, muitos efeitos especiais.
Está feito o sucesso, e dali em diante vieram Homens Aranhas, Hulks, Homens de Ferro e muito dinheiro no bolso. E todo mundo ficou feliz. \o/
Os concorrentes foram à luta e se não conseguiram peitar a Marvel de cara, realizaram a melhor adaptação de HQ já existe: Batman – O Cavaleiro das Trevas é sublime. Aliás, preciso revê-lo, só pra fazer o dia mais feliz!
Mas as adaptações não se restringem a histórias de super heróis. Além dos blockbusters, histórias mais ousadas e adultas têm surgido como forma de desmistificar a questão infantil intrínseca aos quadrinhos. É quando o fantástico é deixado de lado em prol da vida comum de homens e mulheres. Ou não tão comuns. Exemplo melhor do que “Marcas da Violência” não há!
Isso sem contar os mangás, que acabaram seguindo um ciclo parecido de adaptação para desenhos, e que volta e meia estão retornando como filmes. Dragon Ball ficou na vala. Veremos o que será de Cowboy Bebop…
Para o bem ou para o mal, é um mercado infinito. Na dúvida, foque nas produções independentes, sempre mais criativas. Kick Ass vem ai chutar algumas bundas no mês que vem, logo depois teremos Scott Pilgrim. Fora a união de boa parte da equipe Marvel em Os Vingadores! Estarei lá para admirar! (Ou temer…)
Música e cinema sempre andaram juntos. Desde os primórdios, onde o diálogo nos filmes estava longe de ser uma realidade, havia uma orquestra que tocava conforme a história ia se desenrolando. Por isso é um erro rotular essa fase como cinema-mudo. Ele não era mudo, só era sem fala.
E você, caro leitor, deve estar se perguntando: “e onde entram os Beatles nessa história toda?”. Bem, os Beatles não faziam apresentações durante as sessões nos cinemas, até porque, na década de 60, a fala já havia invadido o produto audiovisual. Acontece que, além de eles terem feito sucesso nos palcos do mundo todo, arrancado suspiros de garotinhas na puberdade e elogios da crítica, os rapazes de Liverpool também tiveram seus dias de astros do cinema, estrelando filmes: A Hard Day’s Night, Help!, Magical Mystery Tour, Yellow Submarine e Let it be.
Foi o primeiro filme realizado pelos Beatles lançado junto ao álbum homônimo em 1964. Nessa época, o cinema era um grande divulgador de astros do rock, como fez Elvis Presley.
Rodado em preto e branco, o longa é considerado um mini-documentário sobre o auge da beatlemania. Enfrentando produtores nervosos, fãs histéricos e o avô problemático de Paul McCartney, os fab four buscam diversas maneiras de se divertir e, ao mesmo tempo,cumprir os compromissos firmados.
O filme começa com uma viagem de trem e termina com uma apresentação de um show exibido pela TV. Algumas canções do álbum A Hard Day’s Night compõem a trilha sonora, entre elas She loves you, And I love her e If I fell, além de All my loving, que faz parte do disco anterior.
Lançado em 1965, Help! foi o segundo filme estrelado pelo quarteto de Liverpool, e sua trilha sonora também saiu em um álbum de mesmo nome. Gravado em Londres, Bahamas e Alpes Suíços, o filme custou o dobro que o anterior por ser filmado à cores e, obviamente, devido às locações em lugares exóticos.
Misturando aventura, comédia e musical, John, Paul, George e Ringo são perseguidos por membros de uma seita indiana que querem o anel que Ringo está usando. Embora a história seja meio boba, os clipes são super bacanas, entre eles I need you, Ticket to ride , Another Girl e The night before .
Ringo confessou, em um de seus depoimentos para a série Anthology, que muitas cenas do filme foram gravadas sob efeito de maconha.
O terceiro filme protagonizado pelos Beatles foi produzido e dirigido por eles mesmos. O meio de exibição escolhido desta vez foi a televisão, ao invés do cinema, sendo transmitido pela BBC no dia 24/12/1967, como uma espécie de “programação especial de fim de ano” – o que aqui no Brasil pode ser facilmente representado pelo show do Roberto Carlos na TV Globo.
O projeto de realizar um novo filme partiu de Paul McCartney que escreveu a letra da música-título. É um filme sem roteiro, contendo apenas diálogos improvisados e clipes do grupo, como I am the walrus, Strawberry Fields Forever, The fool on the hill e Your mother should know.
A história gira em torno de Ringo (de novo, novamente, mais uma vez, rs) e sua tia Jessie, que compram bilhetes para um tour em um ônibus, cujo roteiro é desconhecido por eles e pelos outros passageiros, mas considerado mágico e misterioso pelos organizadores. Durante a viagem, mágicos intervêm no passeio, criando situações inusitadas e pitorescas.
Quando estreou na BBC, o filme foi linchado tanto pela crítica como pelo público. O resultado?! Sua segunda exibição foi cancelada. Atualmente, é considerado um dos percusores do tipo de comédia non-sense.
O filme mais popular dos Beatles é essa animação que foi lançada em 1968, baseada na canção de mesmo nome que foi gravada no álbum Revolver dois anos atrás.
A história do longa é sobre Pepperland, um paraíso situado a 80 mil léguas submarinas cercado de cor e música que foi atacado pelos Blues Meanies, cujo objetivo era acabar com toda a alegria do lugar. Aí é que entra o grupo! John, Paul, George e Ringo embarcam em um submarino amarelo com a finalidade de salvar Pepperland das mãos desses seres azuis. No caminho, passam pelo Sea of times (onde cantam Only a nothern song), Sea of monsters, Sea of holes e Sea of nothing (onde cantam Nowhere man). Há outras canções no filme, como Yellow submarine (óbvio, né), Eleanor Rigby e Lucy in the sky with diamonds No final, eles devolvem a cor, a música e a alegria à excêntrica cidadezinha de Pepperland, imitando Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band .
O filme foi lançado no auge da contracultura hippie, todo cheio de cores, formas e flores. Além do mais, Yellow Submarine se tornou um marco da animação, pois conseguiu reunir em um único filme todas as técnicas mais modernas de ilustração e desenhos animados da década de 60. Após seu lançamento, outras empresas de animação se inspiraram na sua estética psicodélica e veicularam, nos grandes meios de comunicação, propagandas recheadas de borboletinhas, flores e cores do arco-íris.
O quinto e último filme protagozinado pelos Beatles foi lançado em 1970, um ano depois de ser gravado o ábum homônimo. É um retrato muito fiel sobre o fim da maior banda de todos os tempos – tão fiel que Paul McCartney, vivo até hoje, não move uma palha para que o filme seja digitalizado e relançado em DVD.
A idéia original era mostrar o grupo gravando e criando um novo disco em estúdio a fim de transmitir o resultado disso na televisão. O ano era 1968 e o Álbum Branco era considerado um dos melhores discos da banda. Porém, o clima nas gravações estava mais pesado do que se podia imaginar. John Lennon estava mais interessado em Yoko Ono e em seus projetos experimentais, George Harrison também aderiu à onda de gravar álbuns solo e Ringo Starr estava se aventurando no mundo da sétima arte (sim, o baterista dos Beatles participou de mais de um filme que não era dos Beatles, chamados Candy, em 1968, e The Magic Christian, em 1969) . E o Senhor McCartney?! Bom, ele era o único beatle realmente interessado e empenhado em manter o grupo unido, por isso teve a idéia de fazer esse projeto, inicialmente nomeado Get Back.
Mas devido a todos estes conflitos citados acima, o projeto mudou de rumo. Ao invés de mostrar o quarteto voltando à origem sem ajuda de efeitos de estúdio e orquestras contratadas, o assunto do documentário passou a ser sobre como os Beatles se separaram. As câmeras capturaram discussões, descasos e até mesmo uma briga entre Paul e George.
O show no telhado da gravadora Apple aconteceu em janeiro de 1969, fazendo parte das gravações de Let it be. Lá, eles tocaram Get back, Don’t let me down e One after 909, entre outras canções. Foi o último show. Foi a última vez que tocaram juntos. Foi o fim.
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E aí, caolhos?! Vocês já assistiram algum desses filmes? Ficaram interessados? Querem mais? Aguardem, então, o post Aos Beatlemaníacos – parte II, o qual eu listarei e comentarei aqui os filmes baseados no quarteto de Liverpool. Até a próxima!
[Atualizado] Nós, caolhos, cinéfilos e pseudo cults adoramos um cinema, certo?
Mas não pode ser qualquer cinema, afinal é pra isso que existem os Cinemarks de esquina! Queremos cinema de discussão, de idéias, de debate. E de café da manhã no saguão!
Por isso convidamos os leitores pro “Noitão do Belas Artes”, uma sessão especial que ocorre em todas as 2º sextas do mês (a deste mês será uma exceção, sendo realizada nesta sexta feira), no famoso cinema citado, começando sempre a Meia Noite.
A programação desse mês inclui uma duas estréias: “Chloe”, de Atom Egoyan e “Os Homens que Não Amavam as Mulheres“, adaptação do best-seller homônimo [ultra-super-mega-hype] do sueco Stieg Larsson. Temos também a reapresentação do frânces “Natalie X“, filme que deu origem à “Chloe”. Sem esquecer o tradicional filme surpresa (normalmente um clássico), só conhecido no momento da sessão. Todos respeitando o tema do mês: Adaptações.
Ah, o mais importante: nos intervalos das sessões são realizados sorteios de prêmios e para os sonâmbulos que ficam até o final, é oferecido café da manhã (e ninguém aqui recusa comida de graça… : P)
Então, para quem quiser acompanhar um dos programas culturais mais legais de São Paulo, está dada a dica. Nos vemos lá!
Serviço: Belas Artes – Rua da Consolação, 2423
Preço: R$18,00 – Estudantes pagam meia.
… já dizia Adriana Calcanhotto em uma de suas canções. Mas como esse blog não se trata de música, deixemos os acordes de lado e vamos ao que realmente nos interessa: enquadramento!
Segundo o dicionário Aurélio, enquadrar significa pôr ou incluir num quadro. Este quadro, no nosso caso, refere-se, obviamente, à tela do cinema.
Do final do século XIX até meados da década de 1910, só havia um único tipo de plano: aquele que mostrava o assunto filmado de corpo inteiro, sem cortes e com uma câmera fixa. Mas tudo isso mudou em 1915 com o filme O Nascimento de uma nação, do diretor americano D. W. Griffith. Popularmente conhecido no mundo cinematográfico como o pai da linguagem audiovisual, foi exatamente neste longa-metragem de aproximadamente 4 horas (pasme!) que ele começou a desenvolver os diferentes tipos de planos que foram sendo aperfeiçoados com o passar do tempo e que são utilizados até os dias atuais.
Para não ficarmos neste blá-blá-blá insosso e cansativo, exemplificarei os diversos enquadramentos utilizando-se de imagens de um clássico do suspense: O Iluminado (The Shining – 1980) de Stanley Kubrick.
2. Plano americano:
3. Meio plano médio:
4. Primeiro plano:
5. Primeiríssimo plano:
6. Plano detalhe:
7. Plano meio conjunto:
8. Plano conjunto:
9. Plano grande conjunto:
Agora que você já conhece os diferentes tipos de enquadramento, você poderá observá-los em todos os filmes e utilizá-los até mesmo nas suas fotografias, afinal tudo que comunica com imagens utiliza linguagem cinematográfica!
PS: agradecimentos especiais às aulas de Cinema e Fundamentos do Audiovisual ministradas pelo professor Eliseu, no segundo semestre de 2009, para o curso de Multimeios da PUC-SP. Foram graças às anotações feitas durante essas aulas que este post pôde ser concebido! ;)
Até a próxima, cinéfilos!
O Expressionismo Alemão foi um movimento cinematográfico revolucionário ocorrido na atual Alemanha, depois da barbárie da Primeira Guerra Mundial. Assustador. Renovador. Intelectual. Palavras que tentam expressar o turbilhão causado pelo surgimento de um filme, o estopim, pai de muitos outros: O Gabinete do Dr. Caligari!
Quando aquela história altamente psicológica, flertando com o sonho e a loucura, é lançada na tela, o mundo se curva para sua genialidade. (E se você, amigo, não consegue entendê-la, bem… Tente se colocar em 1920, vivendo num país onde impera a fome, o desemprego e o tio Hitler, que está logo ali! )
Arrisco a dizer que nunca antes todos os elementos da história estavam ali refletindo o estado de espírito de um povo. E da-lhe cenários retorcidos, pontiagudos, sombras e neblina.
(Sim, o filme inteiro. Somos muito legais!)
Te lembra alguma coisa? Pois bem, como todo marco no cinema, novos cineastas foram influenciados por esse movimento. Estéticamente, Tim Burton foi um deles.
Você talvez não se lembre, mas os primeiros filmes desse americano transitam entre o gótico, o estranho e o obscuro. Exemplos não faltam, mas o mais famoso deve ser mesmo o ótimo “Edward Mãos de Tesoura”.
E onde entra Alice nessa história toda? Bem, não entra. Os caolhos que conferiram o filme garantem que está tudo errado! Que Burton perdeu a mão, jogando os elementos do Expressionismo que o fizeram famoso para segundo plano, apostando numa narrativa fraca movida a boa produção de arte psicodélica. Quase um Crônicas de Nárnia depois de tomar uma dose fraca de LSD. Fora a fórmula já batida: “Vamos fazer uma história sombria, enfiar o Johnny Deep no meio, e torná-la mais sombria ainda! Sem esquecer a trilha do Danny Elfman!”
Que o futuro diga que estamos errados. Enquanto isso, confira grandes obras de Burton que deixam saudades, e guarde sua ida ao cinema para coisas melhores
Falar de cinema pode ser algo amplo, amplo demais até para um blog. Mas se tem uma afirmação que define a mecânica de um filme é a de que “cinema é montagem”.
Um filme já roteirizado e filmado pode adquirir diferentes visões e interpretações a partir do ato de dispor imagens em determinada ordem. Ou seja, montar (ou editar, para os menos saudosistas) é criar uma história a partir de pedaços. E isso pode ser feito de diversas maneiras, desde apenas organizando planos de forma a tornar a narrativa coerente, criando movimento e ritmo, até criar idéias e despertar sensações. Daí surgem diversas teorias sobre formas de criação, muitas com base na escola soviética de cinema. Para compreendê-las, sugerimos uma boa olhada em Eisenstein (Achou que eu ia entregar assim, fácil? Biblioteca já!)
Um ótimo exemplo do poder da montagem está nessa famosa experiência idealizada pelo russo Kulechov. Um ator exibe a mesma expressão intercalado por 3 cenas diferentes. E parece exibir semblantes que condizem com cada situação (Traição / Fome / Liberdade). É impressionante!
Pois bem, você já leu bastante e conhece a linguagem. Agora precisa dominar um software! Antigamente os filmes eram montados numa espécie de máquina de costura, repleta de rolos, tesoura e muita cola. Ainda hoje, há quem prefira montar assim. Felizmente (ou não), a tecnologia digital vem para servir de auxílio nas mais diversas tarefas, com essa não poderia ser diferente.
Pois bem, precisamos de um software (Final Cut, se você tem um Mac. Vegas para PCs que gostam de coisas mais simples. Premiere para PCs mais parrudos). Ou o que você achar melhor, afinal existem outros. Entre eles, o Cinelerra, um software livre e o AVID (que nunca vi nem comi, só ouço falar). Todos com diversos tutoriais e cursos espalhados pela internet. Não são tão difíceis quanto você pensa! Logo, não tenha medo de abandonar o Movie Maker! Ele é muito simples, além de ser propenso a fazer besteira. Sim, porque coisas como essas não são legais! Não são!
http://www.youtube.com/watch?v=kdBQCeFBr9k (Clique por sua conta e risco!)
Agora vá jovem aprendiz! Edite seus vídeos. Remonte filmes. Crie! E se ganhar um Oscar um dia, queremos créditos!
Quer aprender mais? O Tela Brasil oferece diversos bate-papos com profissionais do cinema, entre eles, Daniel Rezende (montador de “Cidade de Deus” e “Ensaio sobre a Cegueira”). Vale muito a pena conferir!
Quer aprender ainda mais? Uma dica de leitura fácil e prazerosa sobre o assunto: “Num Piscar de Olhos” de Walter Murch.
Não é à toa que O Fabuloso Destino de Amélie Poulain está entre os filmes mais aclamados tanto pela crítica como pelo público nessa última década. Além de seu criativo roteiro, que contêm frases muito poéticas como ‘são tempos difíceis para os sonhadores’ e ‘sem você, a emoção de hoje seria pele morta da emoção do passado’, a direção de arte também está impecável.
Quem já assistiu a esta deliciosa comédia francesa e se ateve aos detalhes de cenografia pôde, certamente, notar que estes mesmos detalhes foram essenciais para criar a atmosfera aconchegante que o filme transmite.
Quer ver? Então vamos às imagens!
Confira aqui o comercial: