Estranho voltar aqui depois de tanto tempo. É uma sensação parecida com a que tive recentemente, visitando um dos lugares onde passei minha infância, e percebendo que, independente de mim, o tempo passou. As coisas mudaram. Eu mudei.
Este é um blog intimista. Aqui, não escrevo esperando que ninguém me entenda, que ninguém concorde, que ninguém diga que já viveu coisas parecidas ou algo assim. Sério.
Escrever aqui sempre foi pra mim uma forma de entender melhor as coisas que estavam acontecendo, não de me expressar. Expressar é consequência. Por exemplo: hoje estou confusa. Escrever isso é mais um aviso para mim mesma do que uma confissão a vocês.
E a confusão é racional. Tenho 31 anos e me falta um plano B. Hoje enxergo as coisas com menos inocência e mais clareza: estou vendendo minha tranquilidade por um preço baixo demais, tanto que começo seriamente a pensar em compra-la de volta.
Não sei ainda como vou conseguir, mas já sei de uma das coisas que preciso parar de fazer: não fazer. Sou craque em pensar, em ter ideias que parecem incríveis e, alguns dias depois, me boicotar e começar a achar que era uma ideia bunda. Não tirar do papel. Não chegar nem a tentar.
Em breve começarei a colocar em prática um novo projeto pessoal. Falar assim dá um tom de importância, né? Parece até artista dando entrevista pro Jô com respostas evasivas para disfarçar um “isso não é da sua conta!”. Pois bem, assim que eu tiver novidades, isso será da conta de vocês. Da conta de todo mundo. Fiquem ligadinhos! ;)
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Pra quem não estiver aqui lendo pela primeira vez, vale um adendo. Minha vida pessoal continua boa, ótima, incrível. Realmente encontrou o rumo do que eu no meu subconsciente infantil antes tinha como perfeição. E que depois, já adulta, passei a achar que era impossível se tornar realidade. Agora, sobre isso, me dou ao direito de ser egoísta e compartilhar menos. Pra guardar pra mim todas as coisas boas que continuo vivendo.
A sensação indescritível de que, no fim, tudo deu certo.
A sensação indescritível de que não tinha como dar mais certo que isso, e não tem porque ter fim.
Porque o som da respiração de alguém dormindo no seu colo diz claramente “eu estou tranquilo, eu me sinto bem aqui”. E daí você se pega percebendo o quanto sua vida é boa, o quanto você é feliz.
Notícia boa pela manhã.
Sono, ansiedade, cópias, assinaturas. Um novo começo.
Não um “recomeço”, porque afinal não houve fim. É mesmo um novo começo, mais um pra nossa coleção. Um começo novo pra marcar uma história que, pelo que quero que dure, também é ainda nova. Porque se a gente começou o principal quando nem sabia direito se queria começar qualquer coisa, imagina agora, querendo!
É grande, é gigante, mas sinceramente é só o começo. Coisa de gente que nem pensa em ter um fim.
Ando sumida, eu sei. Mas desde a última vez que escrevi aqui, algumas coisas aconteceram. Tenho usado o tempo mais pra viver do que pra relatar o que vivi.
Acho que a principal mudança que aconteceu nesse tempo foi a de emprego. Eu precisava dar um “refresh” no trabalho porque, não dá pra enganar, quando se é publicitário a vida profissional guia a vida pessoal. Ela acaba influenciando no jeito como você vê todo o resto. Então, mudei. E depois de dois meses na agência nova estou me dedicando a inverter esses valores, pelo menos na minha cabeça.
Virar essa chave de não está sendo exatamente fácil. É como se eu tivesse pressa que alcançar uma meta sem exatamente saber que meta é essa. Uma espécie de confusão calma, lenta e incômoda. Talvez isso tenha alguma coisa a ver com meu aniversário, que também aconteceu nesse intervalo em que fiquei sem escrever por aqui.
Em março fiz aniversário, 29 anos. Desta vez caiu bem na quarta-feira de cinzas. O nome “quarta-feira de cinzas” parecia um prelúdio do turbilhão de questionamentos e confrontos que invadiram minha cabeça. Sobre o que é amizade, sobre quem são meus verdadeiros amigos, sobre como demonstrar pra quem gosto o quanto gosto e sobre como lidar com expectativas e frustrações. VINTE E NOVE são quase 30, não excluo a possibilidade de eu estar em crise.
Mas pela primeira vez a sensação de não estar sozinha é constante e boa. Um ponto firme de apoio. E entre as mudanças que aconteceram recentemente está a mais importante delas. O que era meu virou oficialmente nosso, e independente do que aconteça durante o dia a certeza é que dentro de casa temos paz. Uma tranqüilidade feliz e natural. É só trancar a porta que os problemas ficam barrados do lado de fora. E assim a gente descobre que precisa de muito pouco de tudo aquilo que procura.
Mas nem por isso vai deixar de procurar. ;]
Pronto, começou o ano.
Não me venha com essa história de que o ano só começa depois do carnaval. Porque hoje é dia 3, uma segunda-feira de chuva, eu estou trabalhando e não tenho como fugir do supermercado. Hoje, definitivamente, a vida já voltou ao normal. Então a partir de agora, se você traçou metas pra este ano, pode começar a correr atrás.
Eu não tracei planos. Tracei um só, não tão grande mas muito importante pra mim. Vou me dedicar a ele, com força.
Mas quando um ano começa, por mais que eu teime em olhar pra frente, não consigo evitar o momento “retrospectiva 2010”. E claro, com uma visão bem particular sobre meu mundo individual. Como este blog também é só meu, vou registrar aqui o que foi o ano passado pra mim.
Não foi um ano ruim. Estive perto de pessoas que gosto muito, fui pra Europa, comecei a fazer boxe, minha vida pessoal seguiu lindamente nos trilhos, tive saúde pra dar e vender, tive momentos incríveis. Mas por outro lado, não consegui mudar coisas que queria, não ganhei na mega da virada, não resolvi algumas pendências, comecei a me questionar sobre o futuro, a vida e o mundo (e não cheguei a nenhuma conclusão). Ainda assim, não dá pra dizer que foi um ano ruim.
A questão é que 2011 chega pra mim com um clima de decisão. Até agora sempre fui vivendo, curtindo e vendo no que dava. Só que agora, sabe-se lá porque, decidi assumir o comando e ir firme na direção das coisas que quero. Talvez seja um pouco tarde, já que em 2012 não se sabe o que vai acontecer. Mas até lá, meus amigos, ninguém me segura!
O que não me diz eu vejo. Está em pequenos gestos, alguns detalhes que saem naturalmente mas que não passam por mim despercebidos. Atitudes impensadas, as melhores delas. Observo tudo, a todo momento.
O que não me diz eu sinto. Não só no calor das mãos e de toda a pele, mas no gosto de cada toque. Mais intenso do que eu previa, do que pude algum dia imaginar. Importante e cada vez mais. Presente.
O que não me diz, eu imagino. E na minha cabeça nada tem limite, nada é óbvio e nem mesmo fácil. Mas é possível.
O que não me diz, eu somente não ouço.
Ter roupas nunca é demais, sempre tem alguma coisa que você ainda quer ou “precisa” comprar. Mas se você quer saber se tem ou não um guarda-roupa essencial, com tudo o que alguém deve ter, aqui vai um guia definitivo.
[1] Uma calça coringa: é aquela já não tão nova que sempre fica bem, esteja você gorda ou magra, com ou sem TPM, com frio ou com calor, feliz ou triste. Em geral, calças só ficam assim depois de algum tempo de uso.
[2] Uma peça de brechó: muita gente tem preconceito com brechó, e a verdade é que ter coisa de brechó só é legal se foi comprado num brechó de outro país. Não adianta garimpar a Vila Madalena de cabo a rabo; se você não for um hipster super alternativo só vai achar tranqueira. Agora, se você estiver vivendo dias de luxo e glamour numa cidade descoladinha que fale outro idioma, vá: é trendy!
[3] Uma blusa que você comprou porque amou mas só usou uma vez: toda pessoa normal já teve um surto criativo em frente a uma vitrine. Viu aquela peça suuuuper diferenciada ($$$), imaginou mil e uma situações pra usar a tal, comprou em 5 vezes sem juros no cartão e foi pra casa feliz. Então inaugurou a relíquia naquela festa onde foi tooooodo mundo. Depois disso, achou que marcou demais e nunca mais nem provou pra ver se ainda serve.
[4] Uma blusa que você comprou porque achou o preço bom, mas que nunca chegou a usar: jeitosinha, bacaninha, basiquinha, estilosinha, combina com qualquer coisinha, pode ser que qualquer dia eu precise de algo assim, vai que algum artista usa e vira moda. A esperança é a última que morre, né?
[5] Uma peça que não serve mais, ou que você jamais voltaria a usar, mas que não tem coragem de doar: porque ela te faz lembrar algum dia ou alguma pessoa legal. Por exemplo, sabe aquela festa em que você beijou pela primeira vez aquele cara em quem já estava de olho fazia ANOS? Nada mais certo do que eternizar a roupa que você estava usando. O problema é que isso aconteceu em 1992. Ou não, isso aconteceu 3 anos atrás… mas vocês só começaram a conversar porque ele derrubou vinho tinto em você. Fuéin!
[6] Um sapato LIN-DO, mas que aperta até a alma: esse item é ideal para dias em que você vai de carro, pra um evento onde ficará sentada, de preferência em dias frios quando o pé fica menos inchado. E convenhamos, não é tão difícil de acontecer, certo?
São 6 itens essenciais, todo mundo tem que ter. Se você não encontrar todos eles na sua casa, cuidado: tem alguma coisa errada com seu guarda-roupa. ;)
Isso mesmo, justo hoje. Faz exatamente vários meses e alguns dias que estamos juntos. E provavelmente algumas horas também.
Nesse tempo, perdi a conta de quantas risadas das mais altas eu dei. Conheci não sei quantos lugares e pessoas legais, falamos inúmeras besteiras, fizemos milhares de planos e vivi uma porrada de coisas novas.
Comemos pra cacete, bebemos um monte, nos abraçamos pra caramba e trocamos uns milhares de beijos. Dormimos muito e dormimos pouco.
Passamos horas no trânsito. Conversamos várias vezes sobre tudo e sobre todos. Passamos incontáveis minutos num silêncio bom. Criamos alguns segredos e contamos dezenas de histórias.
Hoje faz precisamente um bom tempo que estamos juntos. E por isso, por completar tudo isso, hoje é dia de comemorar. :)
Não, eu ainda não tenho 30 anos. E teoricamente não estou vivendo nenhuma crise referente a isso. Mas hoje em dia, com 28, me vejo naquela idade chata em que tudo começa a fazer sentido e consequentemente perder a graça. É quando a gente chega naquele maldito dia em que os pais costumavam dizer “um dia vocês vão entender”.
Pois bem, hoje eu entendo. E a maior parte do entender das coisas é que, aos poucos, elas perdem seus encantos. Você perde a inocência e, com ela, um pouco da esperança.
Hoje eu olho pra trás e consigo ver de um ponto de vista mais claro as histórias que vivenciei como figurante. A protagonista, quase sempre minha mãe, hoje já me vê como amiga e conversa sobre coisas que aconteceram, sobre como aconteceram, sobre por que aconteceram. E então fica claro que minha infância quase perfeita (da qual não tenho nada a reclamar) foi fruto do jogo de cintura e da coragem dela. De uma sabedoria aprendida na marra.
Agora, diferente de poucos anos atrás, eu já encaro o futuro como algo mais corriqueiro, uma conseqüência do presente sem garantia alguma de justiça. Assumo riscos sem acreditar em promessas. Penso e como poderia ser, sem de fato acreditar que um dia será.
Consigo ver pessoas brilhantes sendo esquecidas e ofuscadas, gente medíocre sendo premiada e enaltecida sem merecimento, gente ruim definindo a vida das pessoas brilhantes e das medíocres. Vejo e reconheço os “espertos”, mas não consigo ser uma. Assumo responsabilidades que originalmente nem eram minhas, mas deixo passar oportunidades de gritar “eu avisei”. Quando chove, sei que uma hora o sol chega; e quando faz sol, sei que não vai durar pra sempre.
Hoje, de madura, já tenho partes podres. Não julgo pessoas sem conhecer, mas assim que conheço um pouco delas. Tenho menos certezas e fico assim mais vulnerável. Tenho dias bons e ruins, de mais e menos tolerância, mais e menos vontade, mais e menos força. Desisto e insisto quando me dá vontade.
Hoje em dia, às vezes, me falta vontade. E já não acho isso um problema.
Com o tempo e a “evolução” da humanidade, as pessoas foram criando alguns rótulos para simplificar a vida em sociedade e poupar preciosos minutos. Assim, o tempo que antes era gasto para se conhecer de verdade alguém e sua personalidade, hoje é otimizado e dedicado ao twitter, às compras e a tantas outras formas de entretenimento.
Tudo isso é possível graças aos rótulos, palavrinhas mágicas que ajudam a definir uma pessoa diante da opinião alheia. Em outros termos: tags e hashtags.
Como funciona?
Hoje em dia as pessoas não são mais consideradas legais, justas, chatas, interessantes ou coisa assim. Elas são classificadas de diferentes formas e enquadradas em categorias que, de quebra, já trazem muitos outros adjetivos (ou “valor agregado”, se preferir).
Vamos aos exemplos:
1. No Brasil, as pessoas são divididas entre petistas e “peéssedebistas” (ou tucanos). E isso, somente isso, já indica se você deve ou não estabelecer algum tipo de relacionamento com a pessoa. Os valores agregados são simples: petistas são pobres, desdentados, mulheres que não depilam as axilas, homens que bebem pinga, gente que parcela nas Casas Bahia, usam Avon. Já os tucanos são conservadores, ricos, lêem Veja, fingem que conhecem vinhos, as mulheres tem cabelos lisos (nem sempre naturais) e os homens são os chefes de família.
2. Você também pode ser classificado pelo que você come. Ou melhor, pelo que deixa de comer. Nesse caso, as palavras-chave são vegetarianos e normais. Se você não come animais, você necessariamente é chato, apático, militante da causa, tem a pele um pouco esverdeada e se veste de maneira esquisita, além de só saber conversar sobre “então você como o quê?!”. Também não bebem, não transam, não jogam jogos de azar e provavelmente são ateus. Já os carnívoros são legais, descolados, “prafrentex”, gente boa, tudo de bom, bacon é vida. Comem até os vegetarianos.
3. Outra questão que dirá muito sobre você é a sua opção religiosa. Se você acredita em Deus, você é crente. Se não acredita, você é inteligente. E se seu Deus tem outro nome, ou sua religião tem origem oriental, você é diferente. E se sua religião tem origem africana, você é macumbeiro. São as únicas classificações possíveis e você será necessariamente encaixado em alguma delas.
4. Sua orientação sexual também funciona como um importante filtro de amizades. Ou catalizador, depende muito. Teoricamente as tags são gay e hetero, mas os rótulos adicionais de um homem gay são bem diferentes dos de uma mulher gay. Homens gays têm suas profissões já bem definidas: maquiador, cabeleireiro, dançarino ou atendente de telemarketing; jamais são médicos ou advogados. Já mulheres gays atuam como cantoras, jogadoras de futebol ou motorista de ônibus, e são facilmente reconhecidas por seus cabelos curtos. Em comum, homens e mulheres gays gostam de festas com muita “pegação” e de promiscuidade. Por sua vez, os homens heterossexuais não têm amigas mulheres, conversam basicamente sobre seus casos e rolos, coçam as partes genitais em público e amam futebol. Mulheres heterossexuais são delicadas, gostam de flores, conversam apenas sobre namorados e esmaltes.
Existem várias outras classificações possíveis, tentei mostrar apenas as que são usadas com mais freqüência pra definir se uma pessoa é boa ou ruim. Se você não entendeu nada sobre este post e está em dúvida se vale a pena voltar a este blog, aqui vão algumas dicas: meu nome é Ligia, sou heterossexual, acredito em Deus mesmo sem seguir uma religião (entro na tag “crente”), já votei no PT e pretendo votar no PT mais algumas vezes.
AVISO: Caso você não tenha percebido, este é um texto com alto nível de ironia. As afirmações acima relacionadas não representam a opinião da autora do texto.